Latest / Logosofia no Dia a Dia / Evolução Consciente: O Painel de Instrumentos Para Navegar a Vida
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que a vida que a gente vive, sempre viveu, tem uma plenitude de exemplos e de analogias perfeitas, né? Que ajudam a gente a entender, ou que permitem que a gente entenda cada vez melhor aquilo que a gente não entendeu ainda sobre a vida, né? E a existência terrena, que obviamente é o que geralmente nos causa sofrimento, nos causa angústia, e deixa a humanidade nessa ansiedade generalizada, né? Pelo vazio que ainda se tem, e é o vazio que se sente, né? Ninguém passa incólume, ninguém passa a vida ignorando o vazio interno. O que eu acho que acontece, também, muitas vezes, é que a gente vai buscando preencher esse vazio com qualquer coisa, sabe? A gente enche a existência de compromissos, de atividades, de cursos, de esportes, hobbies, sei lá. Enche a vida de compromisso social, às vezes. A gente faz o possível pra tentar preencher algo que não se preenche com nada disso, mas é a nossa tentativa de encontrar algum significado que a gente ainda não tem encontrado, né? E é por isso que a gente precisa aproveitar cada dia pra olhar pra vida e perceber as verdades que fomos capazes de perceber. As verdades que são, na verdade, porções da verdade que é uma só, mas que pra nós é como se ela fosse ainda um mistério. É lógico, aquilo que a gente ignora seguirá sendo um mistério pra gente. E o objetivo do conhecimento, de uma ferramenta poderosa como o conhecimento logosófico, é, eu entendo, exatamente nos dar a clareza, a explicação clara, lógica, e especialmente a explicação comprovável, prática, que a gente possa perceber na própria vida sobre esse mistério, sobre essa dimensão que a gente nunca teve nenhum lugar que pudesse aprender isso antes. Eu não conheci sobre o mundo interno e esse mundo que é o mundo causal. O mundo que, de fato, dentro de cada um de nós, define aquilo que somos. E eu gosto de dar ênfase a isso: nós não somos definidos pelas circunstâncias da vida terrena. Embora a gente acredite muitas vezes que sim. Tanto é que quando as coisas dão certo — entre aspas, do ponto de vista de quem olha, ou do ponto de vista material, ou do ponto de vista da vida terrena — a gente fica feliz. Se as coisas dão errado, ou não acontecem como a gente queria, a gente fica triste. Enfim, essas variações de ânimo por conta de deu certo, deu errado, deu errado, deu certo — todo dia as coisas mudam, né? As circunstâncias às vezes duram mais ou menos, mas podem sempre se alternar e em geral se alternam mesmo. Então a gente é como se estivesse fazendo realmente um — a gente tenta voar nessa vida terrena, mas a gente tem uma dificuldade enorme de enfrentar o nevoeiro da ignorância, né? Dessa ignorância que a gente de fato está submerso, como conjunto da humanidade, acerca da vida interna, da vida metafísica. A gente tenta voar, mas tem uma tempestade. Imagina? Decolar, a gente quer decolar no aeroporto, mas tem uma tempestade e a gente está na época ainda em que não existia voo por instrumentos. E essa é a analogia que eu estava pensando que é claríssima pra mim, né? Eu posso olhar pra ela e falar assim: é muito óbvio que quando a gente aplica uma analogia que explica uma coisa simples aqui, próxima ao nosso entendimento, e a gente aplica essa analogia pra aquilo que a gente está tentando compreender, facilita muito, né? Quando o piloto hoje decola num tempo de chuva, num céu fechado, no meio de uma tempestade, ou o que seja, ou quando ele voa por uma tempestade, não é um problema. Mas já foi um problema. Quando o homem começou a voar, a engenharia não tinha ainda produzido, descoberto e dado aos aviões os instrumentos todos pra voar sem a referência visual. Então o começo do voo humano foi com referência visual. Tinha que ficar olhando pra baixo, voar abaixo e ficar olhando pra baixo pra seguir rios, seguir caminhos, estradas, seguir referências visuais no trajeto pra não se perder. E especialmente também pra garantir que não perdia o que é muito perigoso: a referência espacial, né? Onde eu estou? Estou subindo? Estou descendo? Por isso que era muito perigoso voar no meio de nuvens. Porque no meio de nuvens a gente não consegue manter a referência. Eu tenho poucas horas de voo — quando eu quase fui pegar minha licença de piloto, muito tempo atrás. E eu lembro de, obviamente, só voava em dias com condições pra isso, que ainda era piloto aluno, né? E eu lembro que, assim, quando passava por uma nuvem ou coisa assim, só podia, só tinha um caminho: que era olhar pra dentro e não mais pra fora. E porque pra dentro, dentro do avião tinha os instrumentos necessários pra manter a referência espacial. Quer dizer, onde estou no espaço, né? Pra onde o avião tá se dirigindo? Pra cima? Pra baixo? Tá mantendo? Tá saindo do rumo? Pra direita? Pra esquerda? O que que tá acontecendo? Então olha que interessante. Quando a gente — digo a gente, quando o piloto precisa de referências claras e precisas, ele não olha pra fora. Ele olha pra dentro. Por quê? Porque dentro tem um painel de instrumentos. Hoje em dia, num avião que eu voava como piloto aluno, muito simples o painel, claro. Mas os aviões que nós voamos como passageiros, hoje em dia, é uma máquina maravilhosa de engenharia. E é um computador voador, na verdade. Um supercomputador voador. Então a gente tem todos os instrumentos e todos os serviços técnicos à disposição, como navegação por satélite, claro, e outros tipos de tecnologia que nos mantêm super seguros em qualquer situação, em qualquer condição atmosférica. Então hoje, nós seres humanos podemos voar — fisicamente pelo menos, nos transportar pelo ar fisicamente — com muita, muita segurança. Só não é perfeita a segurança porque ainda depende do ser humano, das nossas condições físicas, dos pilotos de não errarem em nada, e depende da construção de todo o equipamento que vai lá. Então, eventualmente, estatisticamente, tem falhas. Mas do ponto de vista do voo em si, nós vencemos, né? A própria estatística mostra isso: que é um meio muito, muito mais seguro do que o carro, por exemplo. Então, porque eu estou falando de aviação — não só porque eu adoro, mas porque eu acho que a aviação ou o voo é exatamente a situação que para mim fica clara quando eu penso no porquê que eu sempre tive muita dificuldade na juventude, no começo da minha vida adulta, de olhar para toda essa vida que vinha pela frente. E hoje eu olho para a segunda metade da minha vida que vem pela frente e eu falo assim: hoje eu olho e não tenho mais os medos e a ansiedade e a angústia que eu tinha naquela época de juventude. E eu sei por quê. Porque quando eu enfrentava, no dia a dia naquela época, olhava para a vida, olhava para os desafios e para as alternâncias, as circunstâncias diárias, eu me sentia muitas vezes perdido. E não é perdido porque eu não sabia o que fazer do ponto de vista terreno. É perdido porque eu não entendia o porquê daquilo. Então assim, eu tinha capacidade, eu estava desenvolvendo e tinha alguma capacidade já de sustentar a minha vida na experiência terrena. E assim foi. Eu tinha condição de conquistar uma posição social na nossa sociedade e assim foi. E assim segui. Então não era sobre isso que eu tinha dúvida. O que me angustiava não era isso. O que me angustiava muito era olhar para essa vida que eu dedicava basicamente quase toda a minha energia e falar: mas por quê? Cadê? Cadê a sensação de viver enquanto eu executo toda essa rotina, essa navegação obrigatória que a gente tem que fazer pela vida física durante décadas e décadas? E pensar que isso era importante naquela época porque agora você já passou dos 50, então tem menos preocupações porque não tem mais tanto tempo de vida. Ao contrário, a gente vai viver muito mais do que a gente viu as gerações anteriores vivendo. Tem toda uma vida pela frente. A revolução que está vindo na solução dos problemas científicos e biológicos e químicos do nosso corpo com a inteligência artificial vão aumentar muito a longevidade humana. Aí você fala que legal, vamos viver mais. Aí eu te pergunto: será que é legal? Porque eu conheço gente que preferia que a vida fosse mais breve, tamanha a angústia, a ansiedade, o vazio que sentem e que não conseguiram encontrar o conteúdo. Tem gente que a vida segue sendo um sofrimento — e não porque não conseguiu uma posição social, não conseguiu bens materiais, nada disso. É porque ainda que vivendo tudo isso que a gente foi ensinado que era a vida, não encontrou ainda uma referência firme do porquê dessa experiência humana. E é a cada tempestade, cada dia que nubla a vida, cada nuvem pesada que aparece no nosso dia a dia durante a vida inteira, cada hora que escurece — e a gente não tem mais a referência visual das coisas na superfície da terra. Ou seja, todo dia tem um desafio que tem a possibilidade de nos causar aquela perda de referência geoespacial. A gente fica perdido: pra onde eu estou? Pra onde eu estou indo? Essa sensação eu tenho certeza que você já sentiu também, porque eu senti ela muitas, muitas, muitas vezes na minha vida. Mas assim, quando eu falo muitas, não é que passou de 10, 20, 30. Eu senti isso milhares de vezes, porque foram milhares de dias que eu me senti perdido na vida. Ainda que quem olhasse de fora visse — e esse é o ponto — se você olhasse minha vida de fora, diferente de hoje que eu estou com uma série de desafios na vida terrena por conta das opções que eu fiz, os caminhos que eu tomei, e hoje eu estou lidando com desafios grandes em relação a isso. Mas naquela época, especialmente, que eu vivia muito isso, que eu olhava de fora e falava assim: Ronny está com a vida perfeita, está com a vida ganha, como se fala. E eu estava mesmo. Ainda assim, foi o período da minha vida que eu mais me senti perdido. Então primeira coisa que acho que fica clara: nós não estamos tratando — e eu nunca estou me referindo, porque não precisaria estar aqui e você não precisaria me ouvir se fosse sobre isso. Eu nunca estou tratando de encontrar a solução das coisas terrenas, dos problemas terrenos per si. Esses vão se resolver de uma forma ou de outra na capacidade de cada um de nós conseguir desenvolver. Mas nenhum deles define quem somos. Quando a gente se depara com essa questão — vamos dizer assim — essa é a grande questão da experiência humana: porque que estamos aqui? Porque que estamos vivendo? Cada um de nós, qual o sentido de tudo isso? Pra essa questão — que pra mim é a questão que resume tudo que me interessa, acima de tudo — o que me interessa acima de tudo é essa questão. Na minha experiência como ser humano, estou eu, Ronny, falando pra essa questão. A gente precisa de instrumentos poderosos. Instrumentos assim, analogamente ao que hoje a gente tem nos aviões comerciais atuais: um conjunto de instrumentos perfeito pra navegar, ou pra voar, né, pelo mundo, sem os problemas que a perda de referência visual trazem a cada nuvem, tempestade, chuva, nevoeiro, ou quando o sol já se pôs no horizonte. Qual é esse conjunto de instrumentos que eu descobri? Que finalmente eu entendi? E que eu encontrei? Eu precisava desse painel de instrumentos. Tecnologicamente se chama processo de evolução consciente. Eu demorei muitos anos pra entender o que o método logosófico estava oferecendo. E quando o método logosófico oferecia uma série de ferramentas, mas especialmente sempre se referia a que cada um de nós poderia realizar um processo de evolução consciente, eu demorei anos pra entender que esse processo é exatamente o voo seguro através de instrumentos precisos. Pra que a gente eleve a altitude do voo cada vez mais. Até que — como todo mundo já experimentou, todo mundo que voou já experimentou isso dentro de um avião — até que a gente passa pelo limite superior da camada de nuvens e surge aquela visão linda, sublime, que é a visão daquele mar de nuvem embaixo da gente. Como se a gente estivesse vendo um colchão de algodão embaixo da gente até o fim do horizonte. Muitas vezes, cheio de formas deliciosas e lindas. Eu sempre acho que tem algodão doce ali, tipo algodão doce. Aquele mar de algodão doce embaixo da gente. E aquele sol, ou aquele céu estrelado, quando é a noite, que é próprio dessa altitude elevada. Em que os problemas, as tempestades, a camada de nuvens que atrapalha a vida e a felicidade humana já ficaram pra baixo. Ou seja, ganhar altitude na experiência da vida, na existência humana, é exatamente a gente passar a viver o dia a dia, a vida como um todo, acima dos problemas circunstanciais. E passar, ultrapassar essa camada, deixar pra trás essa camada da ignorância acerca da verdadeira vida que a gente nunca entendeu que devia estar vivendo, experimentando. E nessa altitude — essa que está acima de tudo isso — se percebe, se sente igual a gente sente aquela beleza de olhar pela janela do avião e ver aquele espetáculo. Sempre um espetáculo pra nós. Pra vida é o espetáculo, ou a maravilha, de que tem um sentido acima de tudo aquilo que a gente vive no dia a dia. Estar nessa altitude é encontrar essa posição interna em que tudo faz mais sentido. Porque tudo responde a uma razão maior: o processo de evolução da própria consciência. Ou seja, o processo de evolução consciente que a logosofia propõe — pra mim é uma imagem que cabe nessa analogia — pra mim é como uma luva. Que é exatamente a gente entender que precisa navegar a vida com instrumentos precisos. E esses instrumentos a logosofia oferece a todos nós. Esse instrumento é o próprio processo em si. É ser guiado por instrumentos, por lógica, por conhecimentos claríssimos, precisos, de como é que a gente sai da altitude baixa. Como é que a gente sai do meio dessas camadas de nuvens, dessa névoa da ignorância. Como é que a gente sai desse caos que a gente acabou criando como humanidade, como um todo. E como é que a gente passa então a navegar numa outra altitude. Mas pra sair dessas camadas mais baixas, a gente precisa confiar nesse painel de instrumentos. E esse é o caminho. Pra mim, eu não encontrei outro caminho. Então pra mim é muito claro que se tinha um caminho e eu precisava encontrar esse caminho, o processo de evolução consciente é exatamente a representação desse caminho na minha vida. Obviamente, então, eu espero que a gente possa juntos continuar ganhando altitude. Todo dia. Todo dia eu quero ganhar alguns metros a mais. E na medida que a gente vai entendendo, finalmente compreendendo uma porçãozinha a mais, né, desse mistério, dessa verdade, do pensamento, da criação, da engrenagem do mundo metafísico, de como é que dentro de cada um de nós tudo isso vai se descobrindo, finalmente vai se revelando. E aí sim dá pra gente começar a entender quem somos. E aí sim as coisas começam a fazer um pouco mais sentido na vida. Então que a gente possa viver isso todo dia um pouquinho mais. É pra isso que eu estudo. É pra isso que eu mergulho nesse conhecimento todo dia um pouco mais. E eu tô sempre aqui e vou seguir aqui contando que você tá aí no mesmo esforço que eu, buscando as mesmas coisas. E eu me sinto muito fortalecido sabendo que você tá aí também. Boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.