Latest / Logosofia no Dia a Dia / Concepção da Vida: Onde Está a Verdadeira Causa de Tudo?
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava aqui pensando em um fato real. Fato: a nossa vida é extremamente limitada em vários sentidos. Você concorda com essa afirmação ou não? Talvez dependa do sentido. Bom, vou te dar um que é claro: a visão humana. A nossa visão é extremamente limitada, mas a gente se acostumou a ela, não conhecemos outra. Olha que fato interessante: nossa visão total é de apenas 180 graus, ou seja, a gente só enxerga esse arco à frente do rosto, dividindo 90 graus para cada lado, se a visão for normal. Mas, na verdade, é muito menor que isso, porque o ponto focal, onde conseguimos discernir detalhes, não chega a 10 graus. Ou seja, estou olhando para a frente agora, para as árvores aqui fora da janela, e os passarinhos eu não consigo ver, só consigo ouvir. O ponto em que consigo discernir detalhes é exatamente aquele para o qual estou olhando; o resto é o que se chama de visão periférica. A visão periférica não consegue ver detalhes, ela vê de forma mais macro, mas consegue perceber movimentos. Então, se uma pessoa passar na visão periférica, quase no final do campo de visão, ela percebe. O foco e o detalhe nós só conseguimos perceber onde a visão está diretamente apontada, e o resto desse arco de 180 graus é uma visão mais limitada, sem foco, que serve mais para perceber o movimento. Se pensarmos nisso, e considerarmos que no reino animal a maior parte dos animais tem uma visão muito mais ampla que a nossa em termos de arco — com vários deles praticamente vendo 360 graus, porque os olhos estão em articulações móveis —, nossa visão é extremamente limitada. Agora, nós nos acostumamos com ela. Aquilo que não conhecemos é como se não existisse para nós, então não achamos estranho não enxergar para trás ao mesmo tempo. Não temos como achar estranho não ter uma visão de 360 graus, pois não sabemos como é. As limitações da vida — e eu penso que todas são nesse sentido — são limitações em que, ao não conhecer o que está fora delas, não sentimos falta, não nos damos conta. E, de novo, não vejo problema nenhum com a visão que temos; é assim. Talvez fosse legal ver em 360 graus? Seria, mas não é o caso, então eu não sinto falta. O problema é que, em muitos outros aspectos — em várias das formas em que a vida se configura ou se apresenta —, nós temos limitações que nos impedem de ver, de enxergar mesmo, de perceber uma vida muito mais ampla. Aí temos um problema. Na visão não temos, mas temos um problema no resto dos aspectos que não são físicos, obviamente. As limitações físicas são várias: não conseguimos respirar embaixo d'água sem um equipamento de scuba, não conseguimos voar sem um avião ou outro meio artificial. Mas o ponto é: e a nossa vida? Vamos pensar na vida de forma ampla. A concepção de vida de cada um de nós. O que é a vida? Olha que interessante. Cada um de nós vive em um lugar no mundo, geograficamente falando. Eu estou aqui na cidade de São Paulo, mas muita gente está fora e você está me ouvindo de um lugar diferente do meu. Pode ser na mesma cidade, mas não no ponto exato em que estou, ou pode ser muito longe daqui. Cada um está vivendo uma vida de acordo com vários fatores. Além de estar geograficamente em outro lugar, está vivendo uma vida profissional diferente da minha, tem características psicológicas individuais diferentes, embora alguém que esteja ouvindo possa ter características muito semelhantes. Mas não são todas; ainda que possamos ser muito semelhantes, não somos iguais. Nossa jornada individual, ao longo de sei lá quantos séculos indo e voltando para tentar entender esta experiência humana, nos deu uma bagagem própria. E por que estou dizendo isso? Porque somos muito diferentes, estamos vivendo a vida de formas distintas do ponto de vista da vida terrena. Temos rotinas e horários diferentes. Não precisa nem ir longe. Eu moro com a minha mãe, e ela tem um fuso horário completamente diferente do meu. Minha mãe dorme de madrugada e acorda mais tarde. É quase como se ela vivesse em outro país, com um fuso muito diferente. Encontro com ela apenas na metade do dia em que nós dois estamos acordados. Essa diferença, essa vida que cada um de nós leva, espelha características que são únicas. Obviamente, também espelha circunstâncias e fatos que são únicos em nossas vidas. Alguns são coletivos, mas a maior parte é única. Até aí, a lógica diz que isso é um fato. Mas a vida não é só isso. Nós intuímos isso há muito tempo, senão não estaríamos aqui. Já nos demos conta de que há algo mais na vida, ou para a vida, que precisamos entender, encontrar e começar a viver, de uma forma que esse vazio não permaneça. O vazio que o ser humano sente — e me refiro sempre ao vazio que eu sentia muito forte na minha adolescência e no começo da juventude — era um vazio que me comia por dentro, me causava uma angústia muito grande. Identifiquei, depois, que era o vazio causado por um conceito, pois a concepção de vida que eu tinha era de pouca substância, não se sustentava perante as minhas inquietudes. A vida não podia ser apenas essa parte que vivemos no dia a dia, do ponto de vista da vida fora de nós, na Terra. Porque isso seria muito pouco. Eu afirmo isso com tranquilidade, porque é muito pouco mesmo. Ainda que nesta vida terrena, no dia a dia, possamos viver experiências maravilhosas e desenvolver vínculos com a família e com outros seres que são simplesmente sublimes, sentimentos divinos... Onde está essa parte da vida? Essa parte que causa tanta felicidade, que nos traz tanta alegria — por exemplo, a dos sentimentos mais lindos que temos dentro de nós mesmos, perante outros seres humanos, perante a Criação, a Deus —, isso está fora de nós? Está nesta vida terrena? Aí você pode dizer: "Ah, Ronny, mas o motivo está. Por exemplo, a família pela qual eu tenho um amor muito grande está aqui". A família está fora de mim. Sim, claro, a família está fora de nós. Mas o sentimento está fora de nós? As boas coisas que realizamos na vida, as conquistas que nos deixam felizes — "Olha que conquista legal", "Olha o que eu fiz", "Olha que projeto legal que culminou bem", "Olha o que eu consegui alcançar" —, essas coisas estão fora. Mas onde estão, de fato, os pensamentos que deram origem a cada um desses projetos? Onde vivem os pensamentos próprios de cada uma dessas experiências que desenvolvemos na vida terrena? Vivem fora de nós? Você está pegando a sutileza que estou ressaltando? Nós vivemos a maior parte da vida sem nos dar conta de que a parte que estávamos vivendo no dia a dia, e seguimos vivendo, era como se fosse apenas metade da vida. E talvez nem metade, se considerarmos a proporção de importância. A vida, a verdadeira causa da vida, não está fora de nós. Porque, é claro, não está nas situações, nas pessoas, nas experiências que vivemos no dia a dia. A verdadeira causa da vida, ou a causa da verdadeira vida, está dentro: no mundo interno. É como se descobríssemos que existia, e que existe, mais uma capacidade, mais uma visão. Não é à toa que no Oriente, em uma das culturas, se fala na "terceira visão", no "terceiro olho". Há uma visão, um olho — não um olho físico, claro —, uma capacidade de olhar para si mesmo, para a vida que é a vida interna, o mundo interno, onde a causa de tudo o que vivemos existe. Chega a ser uma doideira, eu fico impressionado de pensar nisso. Eu achava que a causa da minha vida estava nas coisas fora de mim. Acreditei nisso durante muitos anos. Acreditei que minha vida seria determinada pelas coisas que aconteciam fora de mim, pelas pessoas que se relacionavam comigo. E, pior ainda, achei que a felicidade eu encontraria nessa parte da vida que era externa a mim. Hoje, olho para isso e falo: "Meu Deus, que visão limitada que eu tinha da vida". A gente entra no próximo tópico, que merece muita atenção e ao qual vamos nos dedicar um tanto mais, porque eu penso que é um tópico fundamental neste momento. E o tópico se chama "Concepção da Vida". É exatamente sobre isso. Vou deixar você com essas reflexões iniciais e sugerir fortemente a leitura. É um trecho muito pequeno, de uma página e meia, e muito simples de ler. Eu postei o livro todo em PDF um pouco acima. Quando você for ler, penso que valem estas reflexões iniciais, porque elas nos lançam em uma busca por um fio que conduza a reflexão. Quando vou fazer uma reflexão mais profunda, gosto de ter um fio que me conduza, como se fosse um guia em uma jornada exploratória. E esse fio, para mim, é a sensação de que a Logosofia está revelando a outra metade da vida da qual eu ainda não tinha me dado conta. Então, vamos lá. Boas leituras, boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.