Latest / Logosofia no Dia a Dia / Voo de Galinha — Por Que Seus Esforços Temporários Sempre Caem no Chão
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu tô rindo aqui comigo mesmo, pensando na... Eu tava falando assim, coitado das galinhas, né? Porque as galinhas... A galinha queria voar, né? Claro. A galinha quer voar, ou ela queria voar. Mas não é à toa que a gente tem a expressão que é voo de galinha. Porque galinha não voa, né? Mas tem o voo de galinha. Que é, pra quem nunca presenciou, aquela... Uma planada que a galinha dá com a asa aberta, depois de algum impulso, assim, ou numa descida, num terreno mais inclinado, que ela consegue planar por um tempo. Mas a física é implacável com a galinha. Galinha não tem corpo pra voar. Galinha já não funciona. Se algum dia na história, na evolução, galinha voou, era com outro corpo. Porque com o atual, não dá. As leis da física não permitem. E eu tava pensando no voo de galinha, obviamente, porque — até com uma analogia engraçada — porque eu me vi fazendo voo de galinha a vida toda. Em muitas questões da vida. Muitas, né? Durante a existência toda. Desde aquelas que acho que são as mais conhecidas de todo mundo, de muita gente, que é, assim, projetos por espasmo, sabe? Projetos por impulso ou por sensações de aperto na vida. Então, assim, vou emagrecer. A partir de segunda-feira, vou começar uma dieta. Ou vou fazer exercício a partir de segunda-feira. Segunda-feira, aliás, não tem dia da semana que mais recebeu promessa na história humana do que segunda-feira, né? A segunda-feira deve se achar muito importante no mundo dos dias. Porque tudo era, assim, por espasmo e por impulso, eu fiz várias promessas pra mim mesmo. E no final, nenhuma daquelas promessas acabou resultando em efeitos permanentes na minha vida. E quanto a isso, também, às vezes, são promessas diferentes, né? Não é essa da saúde, nem da... Mas, às vezes, assim, ah, eu vou... Eu vou ser melhor em alguma coisa, ou eu vou parar de ser assim, sabe? Essa acho que é das várias que eu fiz também. Quando sofrendo, sabe? Assim, triste ou machucado por alguma experiência em que minhas deficiências psicológicas me fizeram sofrer. E aí, triste, sofrendo, eu me prometi que eu não ia mais ser assim. Eu não ia mais ter uma conduta X que me fez sofrer. Então, veja, não é por falta de vontade, ou, às vezes, até com uma necessidade muito grande, com um sofrimento muito grande. Eu me prometi muitas coisas. Mas eram voos de galinha. Infelizmente. Por outro lado, quando a gente olha se isso é uma situação real na vida de muitos, ou pelo menos se cada um, todo mundo vai, viveu algumas experiências de voo de galinha, a gente tem que olhar para a experiência, assim, por que o voo não sustentou? Aliás, voltando à galinha, por que a galinha não consegue voar? Quando Santos Dumont, em 1906, né? Fez 120 anos. Faz 120 anos esse ano. Há 120 anos atrás, ele fez algo que foi inédito. E mesmo, se alguém tiver dúvida ainda, se foram os americanos, os irmãos Wright ou Santos Dumont, os irmãos Wright estavam fazendo, estavam voando por períodos, por distâncias também pequenas, mas utilizando a partida, assim, a força de uma catapulta na partida e diretamente contra ventos favoráveis, ou em condições, assim, que alguma força externa estava ajudando a levantar o voo, a começar o voo. O Santos Dumont tem, assim, o ineditismo dele foi fazer isso com meios próprios, né? Quer dizer, o próprio aeroplano dele, o 14 bis, não se utilizou de nenhum artefato externo, nenhuma força externa que não o próprio motorzinho e aquela estrutura de metal e, acho que era seda ou tecido, sei lá, decolou, decolou e realizou aquele voo histórico. Por quê? O que o Santos Dumont fez diferente que o ser humano já tinha tentado voar, né? A gente fala de voar desde que algum maluco decidiu fazer aquelas máquinas doidas lá, desde sempre, ou botar umas asas no braço e voar, sei lá. E o pessoal tentou, hein? Não foi poucas vezes, não. Veja, existia um tipo de voo já por balão, né? Quer dizer, o próprio Santos Dumont era mestre nisso. Ele voava de balão, o pessoal já voava com dirigível, já, né, também. Esse negócio de simplesmente subir com o ar mais leve porque o ar quente dentro de uma estrutura já existia. Mas aquele negócio, você sobe e tá, e quem decide pra onde vai é o vento. E se as condições foram favoráveis pra subir, né? Agora, o advento do avião, né, nos lançou numa outra era, concorda? A vida humana mudou com o advento do avião, entre várias das tecnologias que a gente implementou e que mudou a humanidade ao longo do tempo, né? Do ponto de vista físico mudou, do ponto de vista material, tô dizendo. Logístico conectou as pessoas, né? Bom, mas qual foi então a diferença? Por que que o Santos Dumont, o que ele fez, não foi um voo de galinha? Ou seja, ele venceu. Finalmente, ele entendeu e venceu o que a ignorância impede de vencer. Santos Dumont dominou, vamos dizer assim, ele desbravou o conhecimento da lei da aerodinâmica, obviamente, se meu filho que tá estudando engenharia aeronáutica ouvir esse podcast, ele vai, obviamente, teria muitas observações a fazer, dizer que eu tô falando aqui, que eu tô generalizando e tá errado. Mas eu vou generalizar e você me der essa exceção, vai. Seja generoso comigo. O avião voa porque a diferença de pressão na parte de baixo da asa e na parte de cima da asa existe. A asa não é igual em cima e embaixo. A asa é reta embaixo e é curva em cima. E generalizando bem, essa diferença de perfil permite ou faz com que o ar flua de forma diferente embaixo da asa e em cima. Então, quando o avião aciona os motores e se lança à frente e gera o fluxo de ar, um grande fluxo de ar nas asas, o ar se divide no perfil de cima e no perfil de baixo. E como ele corre e se estende mais no perfil de cima da asa, ele se espalha, porque tem que chegar no mesmo momento e tem que se encontrar com o ar de baixo, no final da asa. Então, ele se rarefeita, ele se estica e a pressão fica mais baixa em cima. Então, a sustentação da asa vem de forma bem genérica, falando dessa diferença de pressão. Por quê? Porque a asa tem um perfil que não é igual em cima e embaixo. Simples assim, no meu mundo mais genérico da explicação e na minha ignorância técnica de todas as coisas técnicas que tem sobre isso, essa é uma explicação que é válida e se você não tiver mais conhecimento que eu, fica tranquilo que essa explicação está boa. Então, o Santos Dumont entendeu, veja só, o Santos Dumont decifrou essa lei da, vamos dizer, da aerodinâmica, dos fluidos. Muito bem, quando a gente olha para a vida, a gente fala assim, poxa, então eu quero parar de fazer voo de galinha e uma série de coisas e, em especial, eu quero parar de fazer voo de galinha em busca da felicidade, em busca da plenitude da vida, em busca da paz. Nossa, quem não quer encontrar finalmente uma paz interna? Parar, cessar essa angústia, essa ansiedade generalizada que a gente sente enquanto a vida vai desenrolando, vai se desenrolando e as coisas vão acontecendo de uma forma que a gente fala assim, cara, eu estou sendo arrastado pela vida e os acontecimentos, as circunstâncias, os fatos estão mudando e não são o que eu queria, não é como eu queria, eu convivo com quem eu não queria, o trabalho, a empresa, o vizinho, o bairro, o país, sei lá, escolhe qualquer nível aí, do mais próximo da gente para o mais amplo, nem tudo, os outros não vão fazer o que a gente quer e as pessoas não vão ser como a gente gostaria que fossem em cada momento, então a gente vai se frustrar. E a gente não sabe, não entende o porquê, como a gente não decifrou as leis, como o Santos Dumont fez, em relação às leis da física, a gente não decifrou as leis metafísicas, a gente não entende e a gente não sabe explicar do porquê ou o porquê que a gente vive as experiências que a gente vive. E aí a gente quer ser melhor, a gente quer melhorar a vida, claro que a gente quer, a gente quer ser mais feliz e a gente fica tentando com esforços, meio no espasmo, como falei, promete ser melhor para si mesmo, promete fazer um esforço para mudar alguma característica, seja qual for, mas em geral voo de galinha. A gente faz um esforço por um tempo, vou me preocupar, vou me dedicar a isso, vou tentar me dedicar, ir atrás das coisas importantes da vida, porque a sensação de uma vida vazia, quando a gente busca só o material é muito ruim, então eu tenho que entender que eu tenho que realmente buscar um caminho do ponto de vista espiritual, consciente, mas eu fiz isso muitas vezes, eu fiz o esforço da galinha, eu fiz espasmos de esforço por um tempo, uma, duas semanas, um mês, três meses, e o resultado? Não tem como ter resultado permanente num esforço inconstante. Tanto é que o avião, vamos voltar ao avião, se o avião, se os motores pararem, o motor ou os motores pararem, o avião vai perder velocidade, chega um ponto, se ele perder velocidade, vai perder velocidade, chega um ponto da velocidade que já não tem mais pressão suficiente passando pela asa, porque aquele efeito, porque aquela, vamos dizer assim, a mágica da lei sustente o avião, a asa não sustenta mais, o avião para de ser sustentado, o motor ele estola, como a gente fala, entra em stall. Então assim, o esforço do voo, o voo só existe porque é mantida uma velocidade mínima acima da qual esse efeito funciona. Aí você fala assim, mas se o motor parar, o avião plana, né? Sim, mas ele plana enquanto ele vai descendo, porque ele plana enquanto ele mantém uma velocidade X, então ele tem que descer, o avião embica para baixo assim, o nariz, para poder conseguir uma velocidade constante durante essa descida para manter a velocidade mínima que dá sustentação, que a asa sustenta, então o avião tem que descer e tem que pousar em algum lugar. Depende do avião, depende da altitude, depende da velocidade que estava, depende do perfil da asa do avião, ele vai conseguir planar por X tempo, por X distância. Então assim, sem um esforço contínuo, sem um empuxo, ou seja, sem uma força contínua aplicada ao avião, o avião não vai manter o voo. E a gente, ou pelo menos eu, achava que eu podia viver ou buscar a felicidade por esforços temporários, esforços inconstantes, que é a mesma história, no último caso, na forma mais simples de entender e lembrar como é que é isso. Vou fazer dieta, vou fazer exercício, aqueles projetos de final de semana para segunda-feira, ou nas férias, ou projetos de virada de ano, não, agora nesse ano novo eu vou melhorar tal coisa. Não é dura, sei lá, é cada um sabe quanto tempo durou cada projeto desse na vida. Do ponto de vista do que a gente está buscando, eu e você, a gente precisa considerar que a gente precisa dessa potência e da constância. Então a gente precisa da potência para nos empurrar para frente e da constância, ou seja, é preciso manter esse empuxo, essa força que nos moveria a frente, que pode nos mover a frente, ela tem que ser constante, ela não pode ser uma força que dure um tempo, porque um tempo não resolve, é o voo da galinha, a sensação pode ser até de voar, mas vai para o chão de novo, vai voltar para o chão, não tem jeito, é lei. Então eu olho para a nossa situação e vejo assim, o que tem, como é que eu saí do voo de galinha para hoje conseguir manter um voo com bastante turbulência, mas conseguir manter um voo constante, em que a vida deixou de ser essa existência terrena apenas e ela começou a ser uma existência terrena com uma perspectiva real e constante de uma vida espiritual. Qual foi o motor e qual o segredo? Então o motor, nesse caso, a força que impulsiona a frente vem do conhecimento transcendente. O conhecimento que a logosofia oferece para mim tem sido há anos a força, o empuxo, o motor desse salto. Por quê? Porque o conhecimento transcendente destrinchou, vai interpretando para a gente essas leis, e vai explicando o funcionamento do pensamento criador, da engrenagem da criação. E aí é possível olhar para a asa e entender que essa asa vai vencer a gravidade. Então, o conhecimento para vencer a gravidade, para vencer o que nos mantém nessa vida limitada, nessa vida de destino comum, o conhecimento transcendente oferece. Agora, o combustível que mantém o motor em funcionamento é a constância e a continuidade do esforço. Então assim, a vida espiritual, do ponto de vista da consciência, que é o que eu busquei durante muitos anos sem nem entender o que eu buscava, mas era isso, e eu sigo buscando ampliar isso sempre, a vida espiritual não é um espasmo de esforço que a gente pode acreditar que vai viver porque sente uma necessidade profunda numa situação difícil ou num momento da vida, e então aquele espasmo de vontade, de entusiasmo resolve. Não resolve. É preciso manter esse esforço, esse empuxo, é preciso manter ele de forma constante, todo dia. Arrumar todo dia é um negócio difícil, mas você não falha também. Então, falhar um dia, quando você está num esforço de semanas, não vai levar você para o chão, você vai perder um pouquinho de altitude, perde. Tem dia que eu perco um pouco de altitude, que começa a perder pressão na asa, e eu dou aquela descida da altitude que eu estava, aquela altitude de cruzeiro, que o avião voa quando vai de um lugar para o outro. Mas como tem altitude suficiente, porque estava há dias e dias no esforço, eu perco um pouco de altitude, mas eu não vou para o chão. Agora, se eu ficar vários dias e parar o esforço, se eu achar que a vida consciente e a vida do ponto de vista da vida plena e espiritual está conquistada, eu já estou vivendo ela, eu vou para o chão. Vai demorar alguns dias, mas eu vou para o chão. Então, o grande ponto para nós dois é assim, a gente tem acesso a um manual que explica como vencer a gravidade da vida, da existência terrena, para que a vida não seja apenas esse existir na Terra do ponto de vista físico, mas o motor, o motor é a vontade de cada um de nós. Aí você fala, ah, mas aí isso é difícil. É, eu sei. Se fosse fácil, estávamos todos já há séculos vivendo a vida espiritualmente, consciente, sem os males que a gente vive, sem os erros que a gente incorre aqui. Ao mesmo tempo, eu te digo assim, ninguém está sozinho nesse esforço. Nós estamos unidos, no mínimo, porque a gente está com propósitos, a gente sente profundamente, todos nós, essa necessidade de mudar a vida e de abrir para a vida possibilidades que antes não existiam. Então, assim, vamos ter que fazer individualmente um esforço constante de seguir buscando conhecimento transcendente que nos dê capacidade para vencer o que nos prende no chão? Sim. Mas a gente vai ter que viver isso e permanecer nesse esforço todo dia praticamente ou durante muitas semanas? Muitas. Muitos meses, anos? Muitos. Quantos? Qual sentido faria a gente decolar finalmente e pensar que um dia a gente quer parar de voar? Vê se algum pássaro quer parar de voar. O pássaro só para de voar quando o organismo biológico dele cessa a atividade final. Eu não quero parar de voar nunca mais. Eu não estou falando de saltar de paraquedas, que eu adoro. Eu não quero parar de voar nunca mais, porque eu não quero voltar à vida limitada de quando eu não conseguia sair do chão. Então, essa jornada, e talvez essa seja para mim a imagem clara que surge dessa reflexão, é que essa é uma jornada que a gente, como humanidade, sempre buscou e quis realizar. Mas tem que buscar e querer realizar com dois elementos vitais. Um é o conhecimento que explique e nos permita vencer a gravidade. O segundo elemento é que a vontade tem que entrar num modo de propulsão contínua para nunca mais parar. Aí você fala, ah, Ronny, mas é difícil, né? Claro, porque a gente luta contra todas as resistências da nossa psicologia, as deficiências e pensamentos que são contra esse voo de liberdade, essa libertação que a gente quer daquilo que nos prende aqui na Terra. Mas essa é a luta. Essa é a luta mais linda, mais sensacional que eu já experimentei. Porque é a luta pela própria liberdade espiritual. E como eu te falei, a gente tem conhecimento. Os livros estão todos aí, acessíveis. Quem não baixou todos os livros de logosofia ainda no site da logosofia.org.br não baixou porque não quis. Tudo gratuito lá. Os PDFs de todos os livros. Conhecimento está à disposição. Aí cada um de nós vai decidir se vai colocar o empenho e a vontade tornando eles o motor permanente dessa busca, desse voo, ou vamos continuar fazendo o voo de galinha quando as coisas apertarem, quando a situação fica difícil, quando a experiência é triste, quando a gente sente angústia ou ansiedade agudas. Eu sigo aqui, nesse esforço, contando com você, sabendo que eu não estou sozinho. E você também não está. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.