Latest / Logosofia no Dia a Dia / Overtraining Mental — Por Que Sua Mente Está Entorpecida e Como Reativá-la
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? A história de hoje é tragicômica, vai, a gente pode dizer assim. Porque logo eu, né, que tô num esforço consciente aí faz anos, né, pra poder melhorar a saúde, eu cometi um erro, um erro grande e, como tudo na vida, tem uns erros que a gente vai conviver com os resultados ou com as consequências deles por um bom tempo, né. Faz parte dessa engrenagem que regula, né, a vida humana, porque regula tudo que existe na criação e a gente precisa entender muitas vezes o que a gente pode aprender, inclusive e especialmente com aquilo que a gente fez errado, né, pra pelo menos, no mínimo, não fazer igual. Eu já tinha contado há um tempo atrás que eu tinha feito uma pequena lesão no meu músculo anterior da coxa, o que a gente chama de quadríceps, né. Esse músculo que fica na parte da frente da perna, ele chama quadríceps até porque ele tem quatro inserções nos ossos, né, ele tem quatro pontos de fixação, são quatro feixes diferentes que percorrem a perna do quadril até logo abaixo do joelho, né. No meu caso, na minha perna esquerda, eu acabei lesionando esse quadríceps por o que a gente chama de overtraining, que foi... overtraining é um excesso de treino, excesso de carga, excesso de volume, sem um tempo de recuperação adequado entre essa frequência, sabe. Ou seja, eu comecei a treinar durante alguns meses, aumentei muito o número de séries porque como é um músculo grande, é um músculo que desenvolve bem, né, ele é grande, ele tem bastante massa, né, e é um músculo que aguenta muito. Eu perdi um pouco a percepção, né, nesse gosto que eu tenho por treinar, eu acabei treinando demais, com pouco tempo de recuperação. E o que acontece quando... e aí tem um fenômeno que é muito interessante, e é isso que eu achei incrível, e eu falei que a história era tragicômica porque, por um lado, é a tragédia da minha lesão, por outro, abriu assim e me deu uma luz enorme sobre uma realidade da minha mente que já vou contar qual é. Mas olha só, o fato de ter feito esse sobretreino, né, exagerado na carga e no volume de treino, sem recuperação adequada, machucou muito o músculo. Então, o que o sistema nervoso do corpo, o sistema nervoso central, faz numa hora dessa? Agora você vai se surpreender, né, ele cria, ele tem um mecanismo de defesa automático, sabe o que ele faz? Ele desliga, ou no meu caso, ele quase desliga, ele entorpece as vias neurais, os nervos, para aquele músculo. Ou seja, ele quase desliga os nervos para aquele músculo para evitar que eu comande eles de novo para usá-los e os destrua completamente, quer dizer, machuca seriamente mesmo, né. Ou seja, o cérebro comanda, quer fazer um movimento, por exemplo, quero ir para a academia, o cérebro fala assim, agora vamos fazer um agachamento. A carga, né, está na barra que eu coloco nas costas, mas o músculo está inibido. Eu perdi a capacidade executiva, ou seja, o cérebro comanda — então vem de cima, vamos considerar assim, uma força superior ao músculo comanda — mas tem a vontade para a ação, mas a ponte de ligação está machucada, está entorpecida, e eu não consigo fazer. Eu não consegui fazer ainda os exercícios de anterior de coxa, de quadríceps para essa perna esquerda, e também não fiz para a perna direita. Aí já faz quatro semanas que eu estou praticamente parado treino de perna. Qual a cura? Você fala, Ronny, mas como é que cura isso, como é que resolve? A cura não é só descansando no sofá, tá? Isso seria assim, a resignação. Se eu aceitasse só que lesionou e para, e vou ficar seis meses sem fazer treino de perna, não adianta. É preciso focalizar e estimular exatamente a zona machucada. Então é um pouco de choque térmico, se eu pudesse fazer sempre uma liberação miofascial, que é um tipo de massagem especial, mas não dá para fazer, não tenho tempo para fazer, e exercícios de força, mas de força isométrica, de fazer o músculo fazer força, mas não no movimento de contrair e estender, mas no movimento parado que chama. Porque aí as vias neurais, os nervos que comandam essa região, esse músculo, começam a acordar de novo e o músculo vai despertando desse entorpecimento e vai me devolvendo a capacidade de execução. Curioso, né? Curioso, mas realidade minha atual, tá? Sou eu hoje nesse esforço de tentar religar, de ir religando e voltando a capacidade de execução do músculo para daqui algumas semanas, talvez um mês, poder treinar de novo com a carga normal. Mas pode ficar tranquilo que eu aprendi a lição sobre o sobretreino, isso não vai acontecer com nenhum músculo mais, porque é muito, muito ruim e muito, muito doloroso. Você fala, legal, então hoje é sobre isso? Não. Mas agora eu vou te dizer o que ficou claro com isso. Só ficou claro quando eu estava lendo e estudando o tópico seguinte, sobre os resultados da realização desse conhecimento na vida — que é no psicológico, resultados no psicológico, aspectos do resultado no psicológico. Olha só que curioso, olha que caos que é. Eu, hoje, tá claro que eu não posso treinar a perna, então eu acordo com vontade de treinar a perna, chego na academia, não posso fazer. Muito bem, você já percebeu como é que é desesperador ter vontade na vida de fazer qualquer coisa? Ter vontade de ser, ter vontade de realizar, ter vontade de viver alguma coisa, de viver a vida de uma forma e de viver as experiências de uma forma melhor, mas tem limitações na nossa psicologia que não permitem a nossa vontade de exercer aquilo que ela quer? É como se ao mesmo tempo a gente quisesse, mas algo nos impedisse na própria estrutura mental da gente, na própria estrutura psicológica da gente. A nossa mente, nossa estrutura psicológica, funciona exatamente sobre essa mesma mecânica de lesão e entorpecimento. A sensação é de, no meu caso, o músculo tá dormindo quase. Olha só, no conhecimento logosófico fica claro que a parte psicológica de cada um de nós é a intermediária entre o corpo físico e a realidade espiritual, que a gente também carrega. A estrutura psicológica é como se fosse o quadríceps. Ela é a engrenagem que traduz as vontades da mente, as vontades superiores, até as vontades espirituais, em ações concretas no mundo, na vida. O texto, inclusive, o ensinamento, fala sobre, atualmente, em geral, o nosso ente psíquico, a nossa psicologia está entorpecida. E o ensinamento usa exatamente esse termo, achei fantástico. Ele fala na inabilitação de aptidões. Ou seja, é como se a vida tivesse gerado, como se a gente tivesse gerado na vida, um overtraining, esse sobretreino, esse excesso de preocupações, excesso de pensamentos nocivos na mente, esse estresse sem método, essa reatividade que a gente fica constante o dia todo. Todo dia a gente fica reagindo aos acontecimentos, reagindo às experiências, reagindo aos fatos, às circunstâncias, reagindo às pessoas que agem ao nosso redor de várias formas diferentes. Algumas pessoas agem também como a gente, com deficiências, com pensamentos nocivos, e isso incomoda a gente. Ou seja, a vida acabou se desenvolvendo para cada um de nós, para a humanidade em geral, como uma situação de estresse. Então assim, a nossa mente fica sobreestressada de tanta exaustão para viver a experiência humana no dia a dia. Não é isso que a gente percebe? Todo mundo fala dessa ansiedade generalizada, da angústia generalizada pela vida, na vida. Essa questão mais espalhada por todo mundo, não importa em que país, em que cultura se vive, que é uma incompreensão e um cansaço. Acho que exaustão é um bom nome também. Essa exaustão com a experiência humana, que desgasta mais do que gera energia. Todo mundo no final do dia, em geral, está todo mundo exausto. Ufa, não vejo a hora de... Está todo mundo pensando em final de semana, em feriado, em férias. Não porque está cansado de trabalhar, porque em geral a nossa mente, a nossa psicologia está exaurida com tanto estresse. Mas o estresse não é o excesso de atividade física, é esse campo mental em que a gente fica vivendo um monte de batalha todo dia e a gente não consegue gerar energia suficiente para tanta coisa. Então é exatamente como se fosse esse overtraining que eu, infelizmente, incorri no músculo, que acontece também na vida psicológica. Aí você fala, bom, legal. Então, Ronny, o que vai acontecer? Pois é, a nossa mente entra em inibição. Ela trava como se fosse para proteger a gente, a mente, de mais danos. Assim como eu perdi força no quadríceps, talvez por isso que a gente tem vontade de mudar a vida, de viver as experiências de outra forma, de prosperar, de serenar, de ter paz, e não consegue. O potencial dinâmico foi cortado, foi entorpecido, foi desligado. A engrenagem intermediária pifou. E aí a gente vai sentindo que a gente fica sem capacidade executiva de agir, de mudar a vida. E aí tem dois riscos, ou tem um risco muito sério, porque é o risco que eu podia correr também, e corro, em relação à minha lesão. Se eu só me resignar e aceitar que agora não tem jeito, não tenho capacidade, por exemplo, não consigo fazer exercício, então tem que aceitar que eu não vou treinar mais perna. Se eu sentir essa dor e esse travamento, dessa exaustão mental, e simplesmente me conformar, isso vai criando essa sensação de desesperança na vida. E eu cheguei a sentir muito isso. De não ter esperança mesmo. De achar que, puxa vida, não tem jeito, sabe? Não tem jeito, a vida é assim mesmo, não dá pra ser feliz toda hora, puxa, que pena, tem que aceitar isso. A cabeça não ajuda, né? É isso que a gente fala. A gente vai perdendo energia e vai desistindo de treinar a mente, sabe? Vai desistindo de capacitar a mente. A gente fica tentando resolver a vida na força, sem observar essa própria realidade do mundo interno e descobrir, por exemplo, pensamentos, descobrir deficiências psicológicas que a gente poderia e pode ir fazendo essa reativação, ir fazendo esse tratamento da própria psicologia de cada um de nós. E a gente pode, sim, enfrentar esse problema e sair dele ou avançar com uma mente, com uma psicologia cada vez mais adequada. Cada vez mais preparada, melhor preparada pra lidar com os exercícios da vida diária. Seria tentador, né? Simplesmente aceitar lesões e dizer, realmente, vou parar de treinar perna, o músculo já tá grande, já tá forte, deixar isso quieto. E isso não é aceitável pra nossa mente. Então você fala assim, Ronny, qual é a fisioterapia que o conhecimento logosófico indica? E o ensinamento é muito claro, ele fala em focalizar a observação para zonas ignoradas, estudar os pensamentos, deficiências. Esse é o trabalho clínico de reabilitação da mente. A gente vai lá na causa, ou seja, a causa da maior parte da nossa infelicidade, das nossas angústias e ansiedades, está exatamente nesses pensamentos nocivos, nessas deficiências, que acabam causando esse stress, esse overtraining mental. A gente precisa eliminar, a gente precisa lidar, a gente precisa ir lá e fazer essa fisioterapia na mente. Por quê? Porque é importante, é vital que a gente devolva à mente a capacidade executiva. Assim como eu preciso desenvolver — desenvolver não, né? Na verdade, reconquistar a capacidade executiva do músculo, dos nervos que levam, que comandam o músculo — esse estudo, e o texto trata literalmente, aumenta as forças psíquicas que sustentam o potencial dinâmico. Olha que legal. O estudo do conhecimento transcendente, esse conhecimento sobre o mundo mental próprio, sobre o mundo metafísico, ele aumenta as forças psíquicas da mente que sustentam o potencial dinâmico. Por isso que é muito parecido com a história do músculo. O músculo tem um potencial dinâmico, mas eu não estou conseguindo usar ainda. Eu estou usando já para andar, eu passei as primeiras semanas quase sem andar, assim, dores horríveis. Eu já estou andando sem dores, praticamente nenhuma dor. Então, assim, o potencial está lá, mas a gente precisa reativar esse potencial. A mente é a mesma coisa, né? É preciso que ela responda aos comandos e ganhe força que a gente perdeu. Porque a inteligência tem capacidade de alcançar estados cada vez mais lúcidos. Esse ente psicológico, psíquico, que existe em cada um de nós, pode ressurgir desse entorpecimento e a vida naturalmente vai se ampliando na medida que a gente vai conseguindo ampliar essa potência, essa capacidade. Esse conhecimento é um conhecimento que, assim, é a fisioterapia perfeita para as nossas mentes que tanto, tanto se exauriram com tanto estresse, tanta circunstância, fato, tanta experiência diária que a gente viveu sem entender, que a gente viveu com uma série de resistências que existem na nossa própria mente. Veja, eu não estou falando do estresse que as coisas que estão fora de nós causam. Porque, assim como eu fiz, a lesão não foi causada por ninguém fora de mim. Não foi causada pela máquina ou pelos pesos que estavam fora de mim. A lesão foi causada porque eu não consegui conter o excesso de estresse que eu mesmo gerei para o músculo, veja? Por isso que é muito similar, eu adorei pensar nisso como... Foi a analogia para mim perfeita para entender o meu problema psicológico também. Ou seja, eu acabei, durante boa parte da minha vida, seguindo os anos com a mente lesionada, entorpecida e exaurindo ela, porque é só desgaste. E eu não tinha um método, eu não tinha uma fisioterapia mental para recuperar a capacidade a cada esforço, a cada dia, a cada experiência. Porque senão a gente vai sair de cada experiência da vida sempre exaurido, sempre cansado, sempre machucado, e sempre sentindo que a gente só vai gastando energia. Mas a ferramenta está à disposição. Esse método logosófico, esse conhecimento, ele tem essa capacidade. Ele desperta em nós, ele nos entrega a capacidade de realizar essa recuperação da força executiva da própria mente na própria vida. E para viver as experiências, fatos e circunstâncias que a vida vai nos apresentar. Então, assim como eu, a gente precisa fazer essa recuperação consciente dessa capacidade. E a gente precisa desse conhecimento para isso. Boas reflexões, boa leitura, bom estudo. Fique bem e até o próximo podcast.