Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Anjo na Pedra: Michelangelo, a Vontade e o Conhecimento
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- Oi, é o Ronny. Tudo bem? Eu estava pensando aqui na força principal que me move para frente em tudo. E que sempre me moveu. Qual é a força que nos move desde sempre? Ou melhor, não desde sempre, mas depois que saímos da infância, em que a mente ainda estava muito desorganizada. Conforme a mente foi se formando, passamos a ter uma força que nos move muito claramente. Essa força é a vontade. A vontade é uma força, mas se ela não estiver muito bem guiada e canalizada, ela nos move para qualquer lado, qualquer coisa, qualquer objetivo. É praticamente uma força bruta. E aí eu me recordei de uma citação famosíssima de 500 anos atrás, da vida do artista Michelangelo. Aquele artista que esculpiu obras lindas em mármore, acho que mármore de Carrara, aquele mármore branco. Há uma frase atribuída a ele que é sensacional, algo como: "Eu vi um anjo dentro da pedra e o libertei." Não sei se ele de fato falou isso, mas a imagem é linda. É como se ele, no bloco de pedra, tivesse visto o anjo e, ao esculpi-lo, retirou aquilo que o aprisionava, fazendo surgir a figura. Libertar a perfeição, o belo que existe de melhor em um corpo bruto, é uma ideia sensacional. E por que eu lembrei dessa história? Porque o que fizemos com essa força enorme que é a própria vontade? Tudo bem que tem dias que ela falta, mas aí são outras razões. A vontade é uma potência gigantesca que temos. Não é à toa que se diz que, quando queremos mesmo uma coisa, não desistimos: ou conseguimos, ou passamos a vida perseguindo aquilo. Isso quando queremos de verdade, não quando apenas achamos que queremos. O que deveria guiar a vontade é o querer. Então, o problema original não é a vontade nos levar para qualquer lugar. Na verdade, o problema é que muitas vezes não sabemos o que queremos da vida. A falta de um querer consciente nos atrapalha muito. Se cada dia eu quero uma coisa, isso se torna um problema. É algo próprio da infância e da adolescência, mas que, pior, muitas vezes continua na idade adulta. A cada momento, queremos algo diferente. E isso em tudo: o que fazer para se distrair, um hobby, um esporte, um lugar para visitar no mundo, uma série para ver. É como se o querer que move a vontade, essa força enorme, estivesse perdido. Acho que essa é uma frase que descreve bem: chegamos na vida adulta meio perdidos em relação ao que, de fato, se deve querer. Aí você vai falar: "Ah, Ronny, mas a gente sabe que quer estudar, ter uma profissão, uma carreira, conquistar conforto econômico, viver uma experiência social, de família, com amigos." Sim, mas veja bem: isso não é uma questão de saber o que se quer. Isso é o que a cultura e a vida terrena já determinam. É a necessidade de sobreviver, de se reproduzir, de dar continuidade à espécie, de pertencer e de cumprir regras. Isso é meio que dado. O problema é que, como eu não tinha uma consciência sobre minha existência do ponto de vista espiritual, eu só sabia querer essas coisas comuns. Ou pior: eu queria muitas coisas comuns e ficava tentando saciar meu querer com satisfações imediatas. Isso era muito comum para mim na juventude. "Quero comer algo que me dê prazer agora. Se me dá prazer, eu quero." Queria beber algo gostoso, sair para ter uma experiência prazerosa. Na época em que não era casado, pensava: "Agora quero conhecer uma pessoa legal", depois conhecia outra e o ciclo se repetia. Identifico em mim uma falta daquela época, e o risco é isso seguir por muito tempo: a falta de um querer que responda ao conhecimento mais determinante da vida, que é o conhecimento sobre si mesmo. Esse é o conhecimento que a Logosofia oferece. O conhecimento causal sobre a própria vida é o que, finalmente, começa a dar uma orientação para o meu querer que faz toda a diferença. Por quê? Porque, ao mover minha vontade, já não a movo para um querer efêmero a cada dia. Durante um bom tempo eu fiquei muito à mercê desse querer perdido, circunstancial. Quanta energia eu coloquei, ao longo de boa parte da minha vida, em coisas cujo resultado final não tinha a essência do permanente, do eterno? O problema de colocar a energia da vontade em um querer efêmero é que o ciclo se quebra. A energia empenhada não retorna. É como comprar com dinheiro, todo dia, algo que se desfaz. Por exemplo, comprar um lanche e comer. Depois que acabou, aquele recurso se foi. Sobra a recordação, mas, dependendo do que é, tem pouco valor para a vida. Assim como essa coisa simples, quantos objetivos eu persegui, achando que era o mais importante naquele momento? Muitas dessas coisas, mesmo conquistadas com muito esforço, não me trouxeram o conteúdo e a sensação do permanente. Nada que eu persegui e alcancei, do ponto de vista terreno, físico, fora de mim, permaneceu com um sabor eterno. Claro que dá satisfação, mas é uma satisfação momentânea, pois falta um elemento muito superior àquilo que se quer. Penso que esse é o ponto do ensinamento logosófico que se chama "saber querer". Essa é mais uma daquelas chaves que a Logosofia oferece. Precisamos encontrar em nós mesmos o veio em que essa força da vontade possa responder a um querer que tenha, cada vez mais, conhecimento do que é mais importante para nossa vida e existência. A vontade é como um rio superpoderoso que, se deixado solto, desenha no solo o curso que quiser. Agora, é diferente quando a engenharia, que é o conhecimento, usa um projeto para transformar de forma sustentável a potência desse rio em uma hidrelétrica. Eu não sou engenheiro, mas acho esses projetos incríveis. É como se tivessem colocado um objetivo muito maior para uma potência como um rio. Nós temos essa potência solta que precisa ser direcionada, colocada em uso por um querer superior. Nossa vontade precisa ser guiada para que queiramos, cada vez mais, conquistar o que é transformador, o que tem essência permanente, o que nos aproxima da verdade que cada um de nós busca. Precisamos alinhar essas forças internas com o conhecimento transcendente para, finalmente, vivermos e experimentarmos o que há de mais sublime na vida. Que a reflexão sobre o "saber querer" seja inspiradora para você. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.