Latest / Logosofia no Dia a Dia / Vazio Espiritual: Como Encontrar Significado Permanente Além da Sobrevivência
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Hoje eu vivi um momento interessante agora há pouco, durante os últimos vinte minutos, meia hora. Eu, na noite de segunda-feira, tenho atividade na Fundação Logosófica, e geralmente na terça-feira acordo uma hora mais tarde, porque durmo uma hora mais tarde, pelo menos. E, em geral, quando acordo no meu horário habitual, saio de casa e está escuro. E hoje é o dia que quando faço esse ajuste de horário, às vezes consigo chegar rapidinho e dormir a tempo e manter o horário normal, mas muitos dias não consigo, e hoje foi um desses. Então tive que ajustar o horário de acordar e estava aqui estudando enquanto acontecia a transição da escuridão para o amanhecer. E o espetáculo do sol — na verdade da claridade — que pegou as nuvens e amarelou, alaranjou as nuvens aqui na janela de casa, foi sensacional. E agora ele está acabando. Eu tirei umas fotos e foi lindo. E a gente, se parar para pensar, fala assim: puxa, quantos dias consigo observar esse nascer do sol e aproveitar esse espetáculo? A verdade é que, até por conta da rotina, praticamente pouquíssimos dias eu poderia fazê-lo. E ainda que tenha dias que eu faça isso — porque no sábado e no domingo geralmente daria para haver a transição — às vezes esqueço desse fato. Fico estudando, ou estou trabalhando já antes de ir para a academia. Então, olha que curioso. O espetáculo que enche o coração de entusiasmo — acho que esses espetáculos da natureza, todos eles encantam a alma. E proporcionam momentos assim de... obviamente quando a gente está de forma propícia a isso, ou seja, quando a gente se dá a oportunidade de observá-los e apreciá-los, eles enchem a alma de esperança, de encanto mesmo. Porque a sensação é de que existe algo muito maior, ou também talvez a sensação de que há muitas coisas na vida que estão aqui de forma permanente na criação. E ainda assim são fatos que muitas vezes passam batido pela gente, e é possível passar uma vida, ou uma boa parte da vida, sem nem notá-los. Até porque a mente em geral está cheia de pensamentos que são próprios de outras preocupações. Uma preocupação corrente nossa não é assim: como será o amanhecer hoje? Ninguém se preocupa, ou basicamente ninguém — talvez tenha um ou outro — mas quase ninguém tem essa preocupação na mente. Como vai ser o entardecer hoje? Puxa, quantas estrelas será que hoje vão surgir aqui visualmente no céu de onde eu moro? E por que essas não são as preocupações que a gente tem na mente? A gente ainda vive, e talvez esteja aí a causa dos nossos males — ou uma parte boa dos nossos males — é que a gente ainda vive a vida dentro de um conceito de que a vida é basicamente o que acontece aqui no mundo terreno. E isso faz a gente se preocupar muito com aquilo que ocorre todo dia ao redor do nosso nariz. Claro que tem que se preocupar, mas ainda é dentro de uma visão, de uma compreensão ainda limitada de que a gente vive para essa rotina fora. E certamente esse é um dos males que acomete cada um de nós, em proporções diferentes, claro. Então pode ser que para um de nós seja um mal menor e para outro seja algo que cause muito sofrimento. Essa sensação de a gente estar preso — é como se fosse um trem, como se essa vida terrena fosse um trem que não para, e a gente está preso, não consegue sair desse trem. Parece que nunca tem, quase nunca tem uma parada. E quando tem uma parada, é aquela parada que tem tempo, é assim: ó, vai parar por aqui. O trem da vida parou nessa estação aqui, mas é só um refresco. Então esse refresco pode ser aquele intervalo no dia que a gente consegue finalmente sentar e sem muitas preocupações na mente, pode ser o fim de semana, pode ser o feriado, pode ser as férias. Às vezes a parada varia o tempo e varia a periodicidade, mas a impressão que eu tenho é que a gente se sente preso. Eu me senti passageiro — passageiro, mas meio preso nesse trem — até porque é o trem da vida, é parte da experiência. E sem entender ou sem saber como é que a gente vai viver a vida feliz, como é que a gente vai ser feliz na vida se a gente é passageiro de um trem que praticamente a gente não tem controle, né? São tantos acontecimentos. E aí tem aqueles que estão ao nosso redor, mais perto, ou que acontecem diretamente conosco. E tem tantos acontecimentos que acontecem na humanidade aqui, no nosso planeta. E obviamente que a maior parte deles é oriunda das nossas próprias decisões — seja nós individualmente ou seja nós no coletivo. E essa sequência de fatos, esse acontecer, é algo que eu sentia sempre uma opressão, sabe? É como se fosse um monte de coisa que vai acontecendo. Ou pelo menos, se não é um monte de coisa, mas a sequência de fatos e desses acontecer do mundo e da minha vida, eu me sentia tão oprimido, sabe? É como se essas coisas todas fossem... não apertando só, sei lá, eu não sei se é pesando, mas... porque é uma sucessão de coisas, né? Acontece isso, aí tem aquilo acontecendo no âmbito de alguma coisa da família, aí tem aquilo acontecendo no âmbito do trabalho, tem aquilo acontecendo no âmbito da cidade, do bairro, do país — sei lá, você pode escolher qual é a dimensão do raio de ação. Sempre tem um monte de coisa acontecendo simultaneamente. Algumas boas, outras preocupantes. De vez em quando tem umas assustadoras, né? Que acontecem ou com a gente ou com o conjunto dos seres humanos. Então, assim, quando a gente olha para a vida, se a gente pensar que o planeta está aqui girando — né, e por isso que eu vi o espetáculo que vi agora há pouco — o planeta está girando e segue girando como está girando há bilhões de anos. A gente está aqui há pouquíssimo tempo e o planeta segue girando. E a gente vai fazendo as coisinhas da gente aqui. Eu acho que perante uma... se tivesse assim uma entidade olhando para a gente, só que acima do planeta, né, ou talvez seja até essa visão dos astronautas que estão em órbita e olham assim a bola azul e falam assim: nossa, a galera está lá girando junto com o planeta, e de cima tudo é pequeno. Então, assim, para os astronautas ou quem foi para a Lua e olhou a Terra, falam assim: puxa, mas isso é muito pequeno. Mas a gente que está aqui na superfície não tem nem a sensação que está girando. A gente só sabe que está girando porque é isso, né, porque o Sol está mudando de posição. A luz, por enquanto, não dá nem para ver o Sol aqui, mas a luz do Sol está mudando de posição. Por quê? E a gente sabe que o Sol está muito distante, então é porque a gente está girando, né. Mas a gente nem se dá conta. A gente acordou, cada um de nós acorda todo dia, e se dá conta do quê? A gente se dá conta de que a gente vive. A gente se dá conta de que a gente não só sobrevive, mas a gente pensa, a gente faz uma reflexão de que a gente sobrevive neste mundo. Mas que é preciso viver, do ponto de vista espiritual, consciente. É preciso viver, é preciso ser. É preciso olhar para tudo isso todo dia e encontrar um significado que seja muito maior do que o significado que a humanidade encontrou, ou no geral encontrou até hoje, que é praticamente o significado da sobrevivência. Com alguns opcionais, né. Então assim, a gente se preocupa com a sobrevivência, mas se preocupa com o conforto, com a saúde, com a segurança da família, com as experiências, as viagens, enfim, as posses todas. Legal. Mas nada disso, per si, obviamente que tudo isso tem valor, mas nada disso, per si, preenche, do ponto de vista espiritual, esse vazio que a humanidade segue experimentando, segue sofrendo, né, porque o vazio é um problema. O vazio não é apenas a ausência, né. O vazio se tornou — esse vazio espiritual se tornou uma doença para a humanidade. E aí a gente, como toda doença, os sintomas e sinais são vários, né. E tem vários. Por isso que de vez em quando eu recordo deles aqui, porque são sintomas que eu sempre apresentei, vivi com muita intensidade e continuo ainda observando em mim por conta das minhas oscilações. E esse é um ponto importante de a gente entender também desse processo, dessa jornada, né. Que o que eu estou sempre contando para você é a minha jornada nessa vida terrena que eu e você e todo mundo vive, veio viver. E como é que eu estou tentando fazer essa jornada — eu estou fazendo, mas é em porçõezinhas, né, na proporção da minha capacidade. E por conta disso que eu preciso cada vez buscar mais conhecimento transcendente para que essa capacidade aumente. Mas na medida da minha capacidade, eu tenho tentado fazer dessa experiência terrena um conteúdo, ou retirar, né, ou extrair — a melhor palavra é isso, né — extrair da experiência terrena diária esse conteúdo espiritual. Porque há muito tempo já não me bastava apenas o conteúdo externo. E também não bastava, e não bastaram, foram muitas as alegrias de todas as coisas que eu possuí na vida, de todas as experiências, todas as viagens que eu fiz na vida, todos os cantos do mundo que eu fui — sozinho, com a família, enfim. Tudo que eu experimentei, os sabores que eu experimentei. Assim, tudo isso é super legal, mas tudo isso passou. E esse é um ponto que a gente tem que olhar para o chão e ver a fronteira disso, né. Não tem nenhum problema, e muito pelo contrário, é sempre um ótimo estímulo a gente ir em busca daquilo que está ao alcance, em qualquer que seja a sua forma. Mas a gente tem que olhar para aquilo que a gente está buscando e entender se aquilo vai nos dar alegria e felicidade permanente para a existência humana, né, para a existência espiritual, ou se é uma alegria, uma felicidade que é efêmera, por natureza. Então, depende, obviamente, muito do que é aquilo que se busca, né. Depende muito do que se quer ter. Quando se quer ter alguma coisa, ou viver alguma coisa do ponto de vista físico, vai ter um conteúdo, vai ter um valor, claro, mas ele tem limite. E a alegria que dá, né, quando a gente conquista alguma coisa assim é uma alegria real, né, e é legal até porque geralmente é fruto de um esforço muito grande. Mas tem data de validade, essa alegria. E a gente, às vezes, não percebe. Fica caçando a vida inteira novas alegrias porque as datas de validade são sempre existentes. Então, elas não duram eternamente, né. Quantas vezes, desde criança a gente vê isso, né? Tendência impressionante — essa criança ganha uma coisa, aí fica feliz da vida. Quanto tempo demora para a criança deixar aquele brinquedo novo, ou aquilo que ganhou, de lado, esquecido num quarto? Aí depende da criança e da ocasião. Mas, em geral, acontece repetidamente. Eu com os três filhos, ao vê-los participar da criação deles durante as duas décadas da vida deles, eu vi isso acontecer muitas vezes. Muitas, muitas, muitas vezes. E eu lembrei das coisas comigo, né. E eu comecei a observar também que em mim é a mesma coisa, mesmo adulto. Quantas vezes a gente fica feliz com alguma coisa. Eu acho que a imagem mais clara sobre isso, dessa limitação, dessa colocação — não vou dizer assim, desse investimento errado que a gente faz. A gente investe muito esforço em prazeres ou em alegrias que são efêmeras. Quer ver um exemplo maior disso? É quando chega qualquer coisa que a gente comprou na internet. Pode ser qualquer bobagem. Às vezes a gente compra coisas pra casa, coisas de uso, insumos pra casa. E às vezes a gente compra coisas legais, ou coisas que a gente estava precisando, que são úteis. E sempre tem aquela alegria, realmente, da chegada, de buscar o pacote na portaria. Ou em casa tem um pacote. Chegou um pacote, uma coisa que eu comprei. Sempre tem um saborzinho de alegria. Mas seja o que for, desde as coisas pra casa até coisas que a gente queria às vezes, que estava esperando um tempo pra comprar, tudo isso causa uma alegria, gera uma alegria que é efêmera. E de novo, a gente pode até observar esse espetáculo — que é o nascer do sol. Imagina, em São Paulo. A gente tem que aproveitar, porque São Paulo não apresenta muitas oportunidades de curtir a natureza, não. Mas a gente pode aproveitar esse momento do nascer do sol, ficar maravilhado. E também um minuto depois, puff, essas sensações já foram embora. Como é que a gente faz pra preservar tudo isso? Como é que a gente pode ir vivendo o dia a dia, as coisas todas da vida, sem que sejam sempre essa alegria instantânea da compra que chegou em casa? Senão a gente tem que ficar comprando todo dia. E é mais ou menos isso — é que nem uma droga, é que nem um chocolate, é que nem uma droga, é que nem o prazer de uma bebida alcoólica, às vezes. Não importa o que, mas são causas externas que fazem ou causam a sensação de alegria, de felicidade, de otimismo, de excitação. Mas que na verdade é artificial. Veja, e não tem nenhum problema experimentar as alegrias do dia a dia, dessas coisas mais simples. O ponto não é o que é que gera alegria. O ponto é o que a gente faz com isso, que valor, que significado tem aquilo para a própria existência de cada um de nós. E o valor quem dá somos nós, não é o valor material. Qual o valor material do nascer do sol que eu vi hoje? Não tem valor material nenhum. Então, o valor — e talvez a gente pode pensar que — preencher o vazio da vida é um exercício que não se dá pelo valor das coisas em si. Se dá pela capacidade crescente de dar valor àquilo que antes não se dava, ou que comumente não se dá. Você percebeu a sutileza do detalhe? Ou seja, o valor para a existência de qualquer coisa que a gente viva, o valor daquilo está sempre sob júdice da nossa capacidade. E não é capacidade de inteligência, é capacidade de absorver aquilo do ponto de vista consciente, como se fosse absorver qualquer essência daquela experiência, daquele fato, daquela circunstância, daquele acontecer. Por isso que observar a natureza pode ser de um valor enorme ou gerar um momento e uma sensação de conexão com o todo. E aquela sensação de pertencer à criação. E de recordar que a gente existe dentro de um universo que tem um pensamento criador que organizou tudo isso. Isso tudo pode gerar momentos de íntima satisfação e alegria que podem também, de forma inconsciente, passar e nunca mais a gente lembrar daquilo. Ou podem ir se constituindo em pedacinhos desse grande quebra-cabeça que a gente está tentando montar — que é de entender o porquê, e o que é que viemos fazer aqui, pra onde vamos. Agora estou ouvindo os passarinhos cantarem aqui. Seguem cantando. E é tudo a mesma coisa. O valor que as coisas têm, o valor que os fatos, que o acontecer do dia a dia tem — ele não está naquilo que está fora de nós. Ele está naquilo que está dentro de nós. Pra isso é preciso que cada um de nós esteja nesse caminho, nessa jornada de despertar a consciência para a realidade toda. A realidade que nos cerca, interpenetra a nossa vida nesse dia a dia terreno, dos fatos, das circunstâncias, do acontecer. E até do girar do planeta. Não importa em que âmbito. Ou seja, a gente tem que escolher todo dia: é mais um dia no automático, mais um dia que não vai ter significado pra existência? Ou é um dia que eu vou criar as oportunidades de ir construindo pra mim mesmo essa condição? Moldando como um artista, criando uma nova forma de viver essa experiência humana na terra. Base pra isso: conhecimento transcendente. Sem conhecimento, tudo isso não deixa de ser um pensamento feliz. Mas só isso. Esse é o convite que o conhecimento transcendente, que o conhecimento logosófico nos faz todo dia. Que essa reflexão seja útil pra você em qualquer das possibilidades que ela carrega. Fique bem e até o próximo podcast.