Latest / Logosofia no Dia a Dia / A Vitrola Segue Girando, Mas A Agulha Não Avança: O Paradoxo da Vida Sem Evolução
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Hoje eu queria te fazer uma proposta. Você — eu vou descrever uma cena e você imagina a cena da forma melhor que você conseguir. Topa? Não, não. Se você estiver dirigindo, não. Por favor. Eu quero que você foque aí no trânsito. Estou brincando. Mas olha só, a gente nasce. A vitrola, lembra? A vitrola? A vitrola é um negócio antigo. Mas a vitrola — aquele equipamento que gira o disco, o LP, o long play — e a gente colocava agulha no disco assim, descia a agulha no disco. Então, a gente nasce, a vitrola liga, o disco é colocado. Imagina a música que você quiser, que você gosta ou o estilo musical que você gosta. E começa a tocar uma música — a música da vida. E a gente começa a se desenvolver na medida que a agulha começa um lento avanço pelo disco. E a gente vai crescendo, vai mudando de faixa. A música muda, de um certo modo, muda a música. Mas pode ser o mesmo estilo, pode ser a mesma banda. Mas a gente vai crescendo, vai amadurecendo, passa pela infância — a faixa da infância, faixa da adolescência. Faixa conturbada, por quê? Porque o mecanismo interno começa a se preparar e desenvolver-se para poder enfrentar a vida adulta e as responsabilidades que vêm junto. E aí acaba essa época da adolescência, começa a faixa da juventude. A música segue tocando. E a agulha segue lentamente avançando a cada faixa. E aí a gente chega na vida adulta — vamos dizer assim — já maduro depois dos vinte e cinco anos. E aí tem uma longa faixa com coisas maravilhosas para viver. Uma música linda, linda. Imagina a que você quiser. Aí a agulha encontra um arranhão no disco. Lembra quando tinha disco e tinha um arranhão no disco? E a agulha, ainda que o disco siga a girar e vá dando volta, não para. Não é que a música para. A música segue tocando. Mas como tem um arranhão num ponto, a agulha não avança. E ela fica retornando ou — não avança e fica parada no mesmo ponto no disco. E a música se torna, obviamente, vai deixando de ser um negócio legal, agradável. E aquilo começa a tornar uma coisa um incômodo. Vai ficando chato. Tanto é que a gente tirava logo. Ninguém aguentava ficar com a vitrola girando e o disco girando e a agulha emperrada num arranhão, numa falha qualquer no disco. Imaginou? Faz assim, fácil de imaginar isso. Bom, digamos que essa agulha, o disco e a vitrola — o disco seja o disco da nossa vida e a agulha, que é o andar do tempo. Nesse processo que vai nos colocando o tempo todo, vai nos levando o tempo todo a girar nesse mundo terreno aqui. Todo dia, cada dia é uma jornada diferente, cada dia é uma volta diferente. Aí mudam as estações do ano, mudam as roupas, mudam uma série de coisas. Às vezes tem mudanças grandes. Às vezes tem mudanças grandes nessa vida terrena. Mas quando a agulha encontra dificuldades ou quando a vida encontra dificuldades que não são externas, mas são circunstâncias e fatos que na impossibilidade de conhecer a causa e a relação que eles tenham com a vida, a gente se encontra ou se sente como se tivesse uma interrupção naquilo que seria o natural caminhar da agulha em direção às faixas cada vez mais elevadas de vida. Veja só, o disco — que é um disco de tamanho muito maior do que aquele disco que a gente tinha de música — tem faixas muito mais elevadas de vida, de música, de vida. Cada faixa seguinte é uma elevação, é uma possibilidade de experimentar coisas, experimentar uma parte da música, assim, ou músicas dessa mesma banda da criação que são maravilhosas. São faixas assim muito elevadas, onde as sensações, a felicidade, a segurança, o conforto emocional, a certeza sobre a vida de essência permanente, eterna, são experimentadas. Mas se a agulha parou num ponto bem anterior a isso, já na faixa da vida que teoricamente é a vida adulta comum, e uma série de defeitos, uma série de deficiências psicológicas, conceitos admitidos que são equivocadamente representações de uma compreensão equivocada da vida e da existência, pensamentos que fazem quase uma barreira, um risco enorme na psicologia nossa, que não nos deixam sair dessa vida comum que a gente aprendeu e admitiu durante muito tempo, que era a única vida que existia. Ou seja, quando a gente encontra ou se encontra nesse momento da vida já com a vida física, fisiológica, desenvolvida, e a gente não consegue encontrar mais um caminho que antes parecia tão natural quando a gente era criança — eu lembro de quando eu era criança, eu falei isso já muitas vezes aqui para você. Eu tinha a sensação de que tinha algo muito grande para viver na vida. Desde que eu olhava as estrelas e que a vida reservaria coisas maravilhosas para viver, maravilhosas. Mas depois a realidade da vida terrena começou a trazer e mostrar e jogar para mim um monte de coisa que eu nunca consegui entender o porquê de tudo isso. Tanto problema, tanta dificuldade, tanta circunstância e fato que não me favorecia pelo que eu entendia que deveria ser minha vida. A sensação que eu tenho é que a gente está — sei lá há quanto tempo — repetindo essa situação de que o disco travou por conta de todas essas barreiras, falhas que a gente tem psicológicas. E a gente não conseguiu avançar de faixa. Ainda que o disco siga girando. Então, a sensação de movimento é muito óbvia, porque é real. A gente segue vivendo cada volta terrena. Cada volta do planeta em torno de si mesmo, passa um dia, passa outro, a gente segue vivendo. O ritmo é o mesmo. Mas que avanços cada um de nós, de fato, efetivamente, tem para si mesmo do ponto de vista de compreender o porquê, a razão de ser da vida, dessa experiência humana, da existência nossa nessa criação, das leis do pensamento criador, entender o porquê, qual é a lógica ou como é que isso tudo funciona? E esse entender sobre o mundo metafísico. Então, a sensação real que eu tenho é que a gente parou no avanço do disco por conta de muitas falhas em nós. E são falhas que a gente nem sabia que tinha. Daí a necessidade premente de realizar — obviamente — sobre a luz, firme, forte, e a guia clara de uma linha de conhecimentos como esse, conhecimentos transcendentes que explicam e revelam o mundo metafísico a partir do mundo mental individual. E a partir dessa realidade começar a perceber como é que o mundo que não é o físico — o metafísico — é ou deveria ser um campo onipresente em nossa vida. Se a gente pudesse olhar para a vida e a cada experiência diária, a cada situação, circunstância e fato que a gente é chamado a viver, a gente começasse a entender o porquê que a gente está vivendo. Ou se a gente não entenda aí o porquê está vivendo, mas essencialmente a gente começasse a vincular cada um dos fatos e circunstâncias que a gente vive a esse processo de superar as falhas e as dificuldades, as deficiências, as travas que existem em cada um de nós que nos impedem de seguir avançando para faixas cada vez mais elevadas desse disco. É sobre isso que eu entendo que é a terceira parte do campo experimental logosófico, que é a última parte desse capítulo. Esse campo experimental, ele, na verdade, ele começa nos outros dois mesmo. Quer dizer, nesse mundo interno, nesse mundo mental interno, assim, que se estende naturalmente para o nosso campo de convivência. Mas que tem a possibilidade de ser vinculado ou de abrir conexões diretas, abrir um novo horizonte — que é o horizonte do mundo metafísico — na medida que cada um de nós começa essa jornada consciente de entender, compreender, explicar para si mesmo o que que é a vida, o que que é essa existência, quem somos, de onde viemos de verdade e para onde vamos. Eu estava assim, eu estava fazendo reflexões e pensando nessa analogia do disco. Mas como assim, com uma sensação de que puxa, como é bom quando eu consigo compreender um pouco mais sobre algo que antes de eu ter acesso a um conhecimento transcendente, como esse conhecimento logosófico, eu nem suspeitava que existia. E o disco segue rodando, girando. Não vai ter ninguém para vir com a mãozinha e pular, pegar a agulha e pular o arranhão. O plano do criador, dado a essa especial configuração humana bio psico espiritual, eu entendo que o plano do criador é que cada um de nós passe a viver a vida consciente dessa realidade. E que comece esse processo nosso interno, em que a gente vai despertando e vai revelando para o próprio entendimento a realidade que conecta tudo o que a gente vive com o fim, o destino transcendente da própria existência humana. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.