Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Hábito Invisível Que Te Impede de Ser Mais Feliz
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu tava me perguntando assim: quantos hábitos eu já me dispus a mudar na vida? Essa é uma boa pergunta. Quantos hábitos a gente já observou que a gente... Ou seja, quantas coisas a gente já não faz do jeito que a gente sempre fez, ou que rotinas que a gente faz de um jeito já antigo — sempre fez assim? E quantas são essas que a gente se dispôs a pensar se são adequadas para a vida ou se estão sendo feitas da melhor forma? Às vezes é algo sem importância, né? A forma como a gente faz as coisas no dia a dia, em casa... Isso não tem importância para a vida, então não é o caso. Mas há hábitos aos quais a nossa psicologia está presa. E essa talvez seja o... Esse seja o hábito mais pernicioso, sério, que é difícil de observar, de entender. É o hábito — ou alguns desses hábitos, ou dessas coisas rotineiras — essa forma rotineira de pensar, ou de não pensar e mover-nos de acordo com os pensamentos já pré-definidos. Eu estou me referindo a como é que a gente olha o mundo, como é que a gente olha a vida, como é que a gente olha o dia a dia. Eu acho que também tem o hábito mesmo. Tem uma rotina, tem uns buracos, uns sulcos na terra assim, que é como se a gente sempre olhasse... A tendência é sempre olhar a vida dentro desse sulco, sabe? Desse caminho, desses buracos que às vezes tem assim na mente. E a gente vive as situações no dia a dia e meio que vive preso a uma forma de entender aquilo. A gente pode entender de várias formas, lógico. Mas assim, especialmente as resistências que a gente tem a rever como é que hoje a gente vive a vida. E não é a resistência porque a gente não quer evoluir, não quer se superar. Ninguém... Não tenho certeza... Tenho certeza que ninguém tem esse pensamento de "não quero me superar, não quero ser melhor". Não existe isso. Mas contra esse pensamento de ser melhor, contra esse querer ser melhor, há esse hábito. E a Logosofia descreve isso muito bem. No tópico seguinte que a gente entra, é exatamente essa descrição — embora seja um tópico bem pequeno, mas é uma descrição muito clara de que o hábito de não pensarmos ou de não revermos os conceitos que nos guiam no dia a dia, de não nos debruçarmos de forma científica sobre a nossa própria vida, acaba se tornando hábito, o que faz a gente muito resistente. Muito resistente a mudanças. Então assim, pensa na nossa situação. Olha a nossa situação. A gente quer ser mais feliz. A gente quer ser mais consciente, quer viver uma vida cada vez mais plena daquilo que é eterno, permanente. A gente quer parar de sofrer, de sentir angústia, de sentir ansiedade. Mas por outro lado, há esse hábito mesmo da nossa psicologia, que é o de resistir a mudanças positivas ou aquilo que possa transformar a própria psicologia e o próprio ser. Parece paradoxal, né? Assim: "Não, olha, imagina. Qualquer coisa que seja melhor para a vida, que possa melhorar a vida, a gente não vai resistir. A gente não resiste, a gente quer, né?" A gente quer. O problema é que a gente quer pronto, a gente quer feito, a gente quer que caia do céu, a gente quer que alguém nos resolva. O que eu tô me referindo é que a gente resiste ao esforço necessário para que a vida melhore. É duro de ouvir isso, né? Eu sei. Mas eu tô falando sobre mim mesmo primeiro. Então não se preocupe. Mas se você quiser encontrar em você alguma coisa que esteja relacionada a isso, é bem-vindo sempre, para você mesmo. Eu tenho uma resistência. É só pensar... A gente pensa nas coisas mais simples da vida, até as coisas mais complexas depois fica muito claro. Eu resisti durante anos a colocar minha vida num eixo do ponto de vista de saúde física, fisiológica. Resisti anos, anos, décadas. E não faltava nada naquela época. Não, só resistia, só resistia porque realmente achava que não era capaz, achava que é muito difícil, tem muito esforço para eu mudar a saúde. "Ah, tem que abrir mão de um monte de prazeres, de coisas que me dão algum prazer" — sobre comida, essas coisas, bebidas. Há uma resistência mesmo a mudar para melhor, ainda que seja a própria vida. Pode parecer um absurdo, né? Mas quantas pessoas não resistem como eu resisti tanto tempo? Eu venci a resistência, faz quase 3 anos. Mas há muita resistência a mudar qualquer coisa na vida. Por quê? Realmente, porque nossa psicologia tem essa reação. Eu acho que a nossa psicologia, ela tá muito conformada com imagens equivocadas sobre esforço. A gente quer fugir do esforço, a gente quer fugir da luta, a gente quer fugir daquilo que a gente ainda não conhece — deveria ser o contrário. A gente deveria ser desbravador da própria vida, da própria existência. A gente devia ter ainda preservado um pouco daquilo que moveu o ser humano a explorar os oceanos, a adentrar as terras novas quando não sabia o que tinha, quando não se tinham mapas. Aquilo que levou o ser humano a explorar o voo espacial, sair da Terra. Parece que a gente vê esses exemplos, acha lindo, se inspira, se emociona, mas a gente resiste às mudanças, ou às inovações, ou a experimentar algo que seja novo, como se a gente tivesse medo de ter que mudar de posição. Sabe, essa impressão que eu tenho? É como se eu tivesse um medo, uma resistência. Eu falo assim: "Ah, mas se isso for gostoso mesmo, se isso for bom mesmo, eu vou ter que mudar minha preferência, mudar meu hábito, mudar minha forma de fazer tal coisa". Pois é. Qual o problema? Eu não sei qual o problema. Mas eu me resisto. Quer dizer, é uma característica da minha psicologia e, de fato, provavelmente isso é generalizado, essa característica da gente se resistir à mudança. A gente tá vivendo a experiência — qualquer delas, qualquer dos campos da vida terrena, pode ser profissional, social, pode ser o de relação — e a gente se resiste a mudar ou a viver uma experiência melhor ou mais de acordo com o nosso querer, porque a gente não quer o trabalho, o esforço e o desafio de ter que mudar a situação. Quanta gente não fica no mesmo trabalho, ou às vezes no mesmo emprego, porque é mais cômodo, por exemplo, do que mudar de emprego, começar a procurar, começar... Tem que enfrentar de novo, começar numa empresa nova ou num tipo de trabalho diferente. Isso a gente vê a vida inteira. Isso se vê a rodo. Mesma coisa em relação a tudo. Mas aí nesses fatos que eu tô me referindo tem essa porção que se reflete na vida terrena. Mas tudo isso remete a essa resistência, esse pavor que a gente tem de dar um passo para frente. Eu acho que a gente tem medo. A gente tem medo de sair do... Tem algum conforto daquilo que a gente já conhece. E a gente tem muito medo de dar passos rumo a uma nova posição. Não é à toa que a criança, quanto menor é, mais gosta de ver o mesmo desenho, a mesma historinha, a mesma... Você lê o mesmo livro, você conta a mesma história para ela. Por quê? Porque a criança se sente muito segura numa história que ela já conhece, que ela já sabe o que vai acontecer. Então, desde pequeno, a gente observa essa tendência — essa é própria da psicologia humana — a gente não quer o desconhecido. A gente não quer ter que testar nada, a gente quer só o que a gente já testou. Eu começo a pensar em tanta coisa da minha vida que é assim. Você deve estar pensando em muita coisa também da sua vida que é assim, não é? E na medida que a gente vai reconhecendo essa resistência, não só a gente pode ir se divertindo — a gente pode ir rindo de si mesmo. Eu acho sempre ótimo isso. Adoro rir de mim mesmo. Então, a gente vai descobrindo, percebendo e observando essas características da própria psicologia que parecem inofensivas. A gente às vezes brinca assim: "Ah, não, eu gosto disso daqui do jeito que eu faço, não vou mudar não". E algumas coisas não têm problema nenhum. Mas essa característica pode ser um problema seríssimo na hora que a gente realmente olha para a própria vida e fala assim: "Eu quero mudar a forma de viver a vida. Eu quero cada vez me identificar mais com essa verdade que eu busco. Eu quero me identificar com o universo, com a criação, com Deus, com a humanidade. Eu quero viver uma vida cada vez mais consciente de quem eu sou, por que que eu tô aqui". E quando a gente pensa nessas questões, que são as que mais importam para a vida e para a existência, esse hábito da nossa psicologia se mantém. "Ah, mas tem que estudar, tem que ler o ensinamento logosófico, tem que buscar o conhecimento para poder mudar a vida. Ah, mas é trabalhoso, né?" É, claro que tem o trabalho. "Ah, mas eu tenho que rever os conceitos que eu já tinha aceitado, que já tinha acreditado?" É, tem que rever. "Ah, mas tem uma série de preconceitos e dúvidas e crenças que me impedem de poder conhecer o novo, de dar passos à frente na vida consciente espiritual." É, tem mesmo. Você vê que a gente, no fundo, a gente tem essa característica mesmo. E a gente vai ter que lutar com essa característica. O que a gente não pode, eu penso, é sabendo que ela existe, é aceitar que a gente não tem essa capacidade, só porque há uma resistência. Há esse hábito triste da gente não querer fazer o esforço e não tá disposto a experimentar o novo e aquilo que a gente intui, pressente, percebe, compreende como sendo o melhor para a vida. Eu espero que a leitura desse pequeno, porém profundo tópico te dê motivo de muitas reflexões análogas a essa. Boa leitura. Fique bem e até o próximo podcast.