Latest / Logosofia no Dia a Dia / Da Cacofonia Mental à Harmonia Interior: O Conhecimento Transcendente como Referência
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- Oi, é o Ronny. Sabe que eu já fui, há muito tempo, numa apresentação de orquestra. Quando você chega antes, encontra aquele momento em que os músicos estão experimentando seus instrumentos individualmente. Você já viveu isso? É uma bagunça, não é música, é um pequeno caos, uma cacofonia. Essa é a imagem perfeita da minha mente quando ela está naquele estado em que estou inconsciente, com um monte de coisas acontecendo. É um negócio assim: o pensamento X falando "Como é que você vai resolver isso?", aí o outro fala "Mas isso aqui você queria fazer no final de semana". Aí o outro: "Você já ligou para fulano? Será que fulano está indo tão bem?". E outro: "E o que você vai fazer no dia tal? E se acontecer tal coisa?". A minha mente é uma apresentação diária de perguntas soltas. Mas vamos voltar à imagem da orquestra aquecendo. Tem um momento muito interessante, um momento de ordem, que não vem do maestro. Geralmente vem do primeiro oboé ou do primeiro violino, que toca uma única nota: um "lá" numa frequência perfeita de 440 hertz. Aí, todo o resto da orquestra — dezenas de músicos — silencia o barulho individual e afina o próprio instrumento em relação a essa nota única. É quase um ato de humildade coletiva. Cada um se alinha a essa referência, que é uma referência superior. Depois desse momento, quando o tom é dado e a orquestra se alinha, chega o maestro. Ele não entra no palco para discutir individualmente com cada músico, ele não responde a cada uma daquelas perguntinhas da minha mente. O maestro impõe um silêncio, um foco. E ele traz com ele a partitura. A partitura não é a música; é um mapa, uma planta, é o conhecimento. Mas, por si só, ela é inútil sem os músicos e o maestro para conduzi-los. A música só acontece quando o potencial dos músicos é ativado por esse conhecimento, através do comando do maestro. Vamos pensar que a mente é esse conjunto de músicos em potencial. Cada um sozinho, descoordenado, fica só testando seu instrumento. Se deixarmos a mente nessa condição, vou passar a vida ouvindo essa cacofonia. Como é que a gente alinha essa potência e extrai dela uma música sublime para a vida? É aí que eu entendo o papel do conhecimento transcendente e o consequente despertar da consciência. O desafio é deixar de viver para responder às perguntas do dia a dia e passar a ouvir a música que representa o que há de mais sublime dentro de nós. No tópico seguinte que avançamos agora, do Exegese Logosófica, é o tópico "Perguntas e Inquietudes". Diferente das perguntas que eu tinha na vida adulta, motivadas pelos problemas da vida diária, o que fui descobrindo ao longo do tempo foram as inquietudes espirituais que todo ser humano tem naturalmente. Não falo só daquelas mais conhecidas: "De onde viemos? Para onde vamos? Por que existimos?". Essas perguntas representam o que há de mais elevado em nós: a predisposição à busca pelo conhecimento que nos tira da ignorância quanto à vida consciente e espiritual. Elas são sintomas de que a vida, como está sendo vivida, não responde e não responderá ao que é essencial. A vida terrena que vivemos, desproporcionalmente voltada para fora, não responde a nada disso. Toda a dedicação ao trabalho, à carreira, às conquistas materiais, é importante para a vida terrena, mas não atende ao que é essencial para a existência humana: o conhecimento do porquê de tudo isso. O ponto é que não vai vir uma resposta pronta. A Logosofia não é a resposta. Eu diria que a Logosofia é como aquele "lá", a nota musical. O conhecimento transcendente é a referência que preciso para alinhar minha mente todo dia, para que eu deixe o barulho das coisas terrenas e comece a sentir o que preciso fazer para preencher esse vazio espiritual. O que nos inquieta tanto não é a falta de uma resposta específica, mas o vazio que essa vida voltada para fora vai deixando. O conhecimento transcendente é essa referência, e o despertar da consciência começa o papel de ser a maestra dessa orquestra da minha mente, para colocar uma ordem. O conhecimento logosófico é a partitura clara, o método, o plano. Esse ato de dedicar um tempo do dia — uma hora, meia hora, quinze minutos — a essa necessidade do meu ser mais profundo, que é a busca pelo conhecimento transcendente, permite que a consciência já desperta possa ir direcionando os trabalhos diários da orquestra, para que meus movimentos mentais sejam uma música alinhada àquilo que há de mais elevado. Este tópico deixou muito claro para mim esse ponto: ir deixando de apenas ouvir as perguntas que surgem da mente para ir buscando o que de fato nos inquieta do ponto de vista essencial, e entender o papel do conhecimento transcendente no encaminhamento dessas grandes inquietudes humanas. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.