Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você Está Cheio de Força Para Subir — Então Por Que Não Está Decolando?
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Imagina que você está naquele cenário lindo, numa paisagem maravilhosa — pode ser qualquer tipo dela que você já viu —, e tem um passeio de balão, desses balões muito grandes para levar muitas pessoas no cesto. Esses passeios devem ser algo impressionante — eu nunca fiz. Mas eu já vi várias vezes balão decolar na época em que eu saltava de paraquedas, e às vezes pousava num lugar em que o pessoal também decolava com balão. E eu lembro de ver a cena daquele nylon — não sei exatamente qual o tecido do balão —, mas aquele saco gigantesco que a gente vê depois inflado, cheio de ar quente, sendo enchido por aquele maçarico que parece um foguete, faz um barulhão danado. Que é, obviamente, a forma mais incrível e mais básica de se usar a física: o ar quente, muito mais leve do que o ar frio, fica ali impulsionando o balão para cima. Mas todo mundo já viu aquela imagem do balão antes de subir — ele está já inflado, e você vê que está todo querendo subir, todo querendo, cheio de força para se elevar. Mas das duas, uma: ou tem cordas prendendo ele ao chão, ou tem um monte de gente segurando cordas e segurando o balão, ou ele tem aquele monte de saco de areia cheio ao redor do cesto — que é o lastro, que é o peso. Aí sim, tem um momento em que se solta a corda, se jogam fora os sacos de areia, e o balão começa a se elevar. Obviamente a parte mais interessante para quem faz um passeio de balão é essa elevação — e é essa perspectiva que muda completamente a forma como a gente observa a vida, conforme o balão vai subindo. Como em qualquer altura que você vá, muda a perspectiva — você começa a enxergar e ver as coisas de forma diferente. Se a gente pensar que a nossa experiência humana é uma experiência que diz muito a respeito sobre de que ponto de vista a gente está observando cada momento, cada experiência, cada coisa, a gente podia pensar que há uma aspiração natural do ser humano para se elevar — para enxergar cada vez mais alto a própria experiência da vida em si. Isso faz todo sentido: o próprio horizonte visual, quando a gente está num lugar mais baixo, é mais limitado. Quando você vai para um lugar mais alto — está num avião, por exemplo —, você vê um horizonte muito mais distante. Num prédio alto, mesma coisa. Então, a gente pode talvez admitir que quanto mais elevado é o ponto de vista, o ponto de observação, a compreensão sobre aquilo que está sendo observado é maior, é mais clara, é mais ampla. Bom, partindo dessa lógica — e eu penso que ela faz todo sentido —, a gente pode pensar que, como o balão, há em nós uma força ascendente. Que é essa força que nos inquieta, nos impulsiona a buscar conhecimento — desde o ponto de vista mais comum. E assim foi o ser humano movido a buscar conhecimento sempre: não à toa há essa evolução do ponto de vista da vida terrena, tecnológica, material. Porque há uma busca que é natural do ser humano pelo conhecimento, por descobrir aquilo que ainda está coberto, por revelar aquilo que ainda não compreendeu da criação. E em nós, certamente, isso também se manifesta na busca daquilo que a gente não compreendeu sobre a própria vida e existência — não à toa que chama inquietudes: aquilo que nos inquieta e é o mais profundo de cada um de nós. Agora, penso o seguinte: se a gente estivesse num balão — e se a gente for esse balão, vamos dizer que a gente é esse balão —, e tem esse maçarico que são essas forças que nos impulsionam, um espontâneo impulso de buscar conhecimento, isso é garantia de que a gente vai se elevar, de que vai conseguir compreender a vida de forma cada vez mais elevada? Não necessariamente. Por quê? Por causa do lastro. Por causa desses sacos de areia que são — e aí na definição muito pontual e interessantíssima da Logosofia, no tópico seguinte — os preconceitos que a gente carrega na mente. São aquelas ideias prontas que a gente aceitou, herdou, ouviu, admitiu em algum momento — muitas vezes na própria ingenuidade —, e que pesam na mente. Pesam sim, às vezes muito, a ponto de impedir que a gente se eleve. É uma pena, porque é como se fosse — ou é — uma força que anula. Os preconceitos que a gente admitiu em algum momento da vida como sendo uma verdade, ou aquilo sendo real, e aquilo se aplicando sempre à vida de forma permanente — sem mais rever —, é realmente um peso que anula a capacidade da mente de desenvolver essa elevação. Porque a elevação, obviamente, se dá pela engrenagem da mente se capacitando cada vez mais. E é para isso que o conhecimento transcendente é oferecido, por exemplo, pela Logosofia — para capacitar nossa mente a fazer muito mais, a perscrutar cada vez uma altura mais elevada, na medida em que vai compreendendo e observando a própria vida interna e a criação de uma forma diferente, mais ampla. Agora, se a gente guarda na mente um monte de sacos de areia desses — esses preconceitos todos que a gente não começou a inventariar, a revisar —, ou quando a gente se depara com um deles e simplesmente fala "não dá para compreender, porque tenho uma ideia fixa aqui sobre alguma coisa", a gente se depara com um laço na mente. Uma ideia fixa, admitida e rígida sobre alguma coisa — um conceito que um dia serviu, porque a gente não tinha talvez nada no lugar, mas que, na medida em que não foi revisto, não foi superado, a gente transformou aquilo num preconceito. Já não serve mais, provavelmente, mas estava fazendo peso. Eu lembro como eu sofria porque eu achava que não tinha como mudar. Por quê? Porque a gente sempre ouvia as pessoas falarem assim: "Ah, eu sou assim mesmo." E as pessoas falavam para mim: "Você é assim mesmo, você é assim." Então, se a gente acreditar nisso, se a gente admitir esse conceito de que cada um de nós é o que é e não muda — e vai morrer como veio, ou como se formou na vida, em termos de características psicológicas —, como é que a gente vai conseguir se elevar, se o conceito sobre cada um de nós estiver limitado ao que somos? Eu lembro a libertação que eu senti quando comecei a compreender, quando comecei a olhar para mim mesmo e a pensar: "Não — eu não sou isso que estou hoje, eu estou assim." Essas características psicológicas, pensamentos, deficiências na minha mente que me fazem sofrer muito, não são eu em definitivo — elas são um estado, obviamente, do que estou hoje em termos de capacidade mental e de condições da minha psicologia. Mas é possível, é possível superar-se. Então, o conceito de que "pau que nasce torto morre torto" — quando a gente acreditou nisso, quando a gente aceitou isso e se apoiou nisso —, eu me apoiei nisso muitos anos. Eu tinha uma conduta que não me agradava, que podia causar algum problema na convivência, e eu pensava: "Sou assim mesmo." Eu acreditava que era isso — que esse conceito de que a gente nasce e morre do mesmo jeito era uma verdade. E é longe de ser uma verdade, longe de ser uma verdade. Ao contrário, é um engano enorme. Mas, obviamente, se não há conhecimento para iluminar a mente, para fazer com que ela supere essas condições, aí aquele conceito faz sentido. Mas aquilo não é a realidade — e acaba se tornando um lastro, um peso enorme na mente. Porque como é que a gente vai se superar se admitiu um conceito que diz que não tem como mudar? Então, eu lembro da libertação que foi quando eu percebi e entendi, finalmente, que eu poderia mudar. E comecei a perceber isso na medida em que fui observando pequenas modificações na minha psicologia e falando assim: "Ué, então eu posso realmente ser diferente — é possível me colocar de forma diferente nas experiências da vida." Foi quando eu vi que aquele saco de areia tinha que ir embora, que eu tinha que jogar fora aquele lastro. Esse e muitos outros — sobre a criação, sobre Deus, sobre o que a gente veio fazer aqui, sobre qualquer coisa. Às vezes são coisas menores, como um conceito sobre o que é o bem, o que é o mal, o que é fazer o bem, o que é ser bom sem ser ingênuo. Quando a gente vai fazendo essa observação mais detida sobre a própria mente, começa a encontrar um monte de saco de areia. Aí a gente se pergunta: "Então é por isso que não estou me elevando, e estou passando uma vida sempre com essa sensação de querer me elevar mais e não conseguir?" Eu entendo que sim — é por isso que a gente luta às vezes por muito tempo, enquanto quer decolar, quer subir, mas não sai do lugar, ainda que tenha as forças para subir. Olha o que é interessante: a gente pode sentir a força querendo nos impulsionar para cima, mas se estiver com todo o lastro, não sobe. Incrível isso, né? Então, como é que a gente olha para a vida e entende isso de uma forma mais prática para o dia a dia? Até porque muitas vezes há um medo de soltar o lastro. A gente acaba indo todo dia para a experiência da vida com uma sensação de que: "Puxa, mas eu passei parte da minha vida inteira vivendo dessa forma — vou mudar agora? Quer dizer que eu joguei fora um tempão?" Não. Vamos dizer o seguinte: a gente só não se elevou mais porque não tinha noção desse lastro todo. Então, quando a gente começa a contemplar o conhecimento transcendente, o que ele possibilita? Possibilita que a gente comece a confrontar, dentro da própria mente, esses conceitos anteriores com novos conceitos. E por isso a importância — e talvez seja a parte mais importante da trajetória dessa jornada de autoconhecimento e de transformação que eu tenho vivido. Ela tem sido, e é, e foi talvez a maior alavanca: foi quando eu comecei a me dedicar de forma mais detida, séria e, metodologicamente falando, disciplinada. Quando comecei a estudar mais, o que me possibilitou conhecer melhor os conceitos que eu não tinha — entender, identificar esses conceitos que o conhecimento transcendente apresenta e comparar, percebendo que eu tinha um conceito diferente sobre isso na minha mente. É a hora em que a gente pode confrontar o conceito antigo com o conceito que está sendo apresentado. E não é uma questão de jogar fora e aceitar o novo automaticamente — não, porque seria o mesmo problema de aceitar conceitos prontos. É preciso, de alguma maneira, experimentar o novo na vida, conceber e viver o dia a dia contemplando esses conceitos novos que a Logosofia apresenta. Na medida em que se identifique que há um valor nesse conceito novo, a gente possa se sentir seguro — a gente não tenha receio de cortar o laço, porque o laço está com a gente há tanto tempo. É como se a gente achasse que esses laços todos, esses sacos de areia todos, esses preconceitos todos que a gente já admitiu como verdades fossem parte integrante da gente. Aí claro que dá medo, que dá receio: "Vou trocar um conceito que admiti como verdade durante quase toda a minha vida?" Pois é — a gente não vai fazer isso porque sim. O conhecimento logosófico instrui que a gente deve realizar essa troca apenas na medida em que vá comprovando os efeitos benéficos de uma nova forma de observar, de sentir, de perceber e de viver a vida no dia a dia. E isso é lindo — porque eu, que sempre fui muito desconfiado, muito rebelde, não queria aceitar a ordem, não queria aceitar nada que não fosse o que eu queria, lutava pela minha liberdade — mas não sabia que a maior liberdade era a interna. Não é a liberdade de sair andando para qualquer lugar a qualquer hora do dia. E isso para mim é muito bom: ter conhecido e entendido que, com esse conhecimento, eu também não deveria simplesmente acreditar nele e admitir esses conceitos apenas ficando com eles na mente — mas sim que, na medida em que comprovasse a lógica deles e percebesse o benefício deles na vida, aí sim eu deveria trocar um conceito antigo por um novo. Foi sensacional. Então, vamos olhar para a vida e começar a observar — todo dia — que existem essas forças antagônicas. A gente quer se elevar, a gente quer decolar, a gente quer viver o dia a dia de uma forma diferente. A gente gostaria muito — mas talvez ainda não tenha identificado quais são os sacos de areia que estão nos prendendo no chão, nos impedindo de viver a vida de outra forma. Por quê? Porque às vezes a gente não quer abrir mão, tem medo, tem receio de abrir mão da forma como até hoje entendeu, observou e viveu as experiências da vida. É hora de fazer uma revisão — de começar essa revisão de conceitos, ou de intensificá-la —, identificando cada um desses lastros e cortando, percebendo que na medida em que a gente corta um, a gente se eleva um pouco. E assim vai — e assim pode ser a trajetória da superação, da evolução de si mesmo. Bora, vamos nos elevar. Boas reflexões, bom estudo, fique bem e até o próximo podcast.