Latest / Logosofia no Dia a Dia / Comida de Vó e Conhecimento Transcendente: O Poder da Prática Repetida
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Não sei se você lembra, mas eu gosto de cozinhar, né? E não só fazer pão de fermentação natural. Eu gosto de cozinhar até porque eu gosto de comer, né? E como passei uma vida praticamente de guloso, eu acho que, em geral, quem é guloso gosta de cozinhar, né? Ou pelo menos quando tem o tempo e a oportunidade de aprender, acaba cozinhando porque é um prazer enorme fazer e depois comer. Claro, seja doce, seja salgado, seja o que for. Agora, tem um ponto vital de quem gosta de comer bem, comer coisa gostosa, e quem gosta ou gostaria de fazer, né? Existe uma fronteira real entre o conhecimento teórico e a prática. Óbvio, né? Óbvio. Por isso que comida de vó, em geral, é uma delícia. Por quê? Porque a prática, ao longo de décadas de cozinha, tende praticamente à perfeição. Então, acho que não tem exemplo mais óbvio, né? Mais claro de que o conhecimento teórico é uma coisa. O conhecimento prático, ou seja, incorporar o conhecimento à vida é um outro processo, né? E o problema, acho que existe, é que a gente se tornou teóricos, né? Em muita coisa na vida, a gente se tornou... ou o ser humano, em geral, se tornou um teórico sobre a vida, sobre a existência, sobre tudo. Ou sobre nada, porque acho que a parte de ignorância, né? A parcela de ignorância que a gente tem e não sabe sobre a criação, a existência e a própria razão de tudo isso é muito grande. E o pouco que a gente sabe, eu acho que a tendência é a gente se tornar teórico. Porque essa tendência dessa cultura que a gente vive que é uma cultura para fora de nós mesmos. Então, a gente não precisa ser. A gente precisa saber falar sobre alguma coisa, né? Não precisa desempenhar ou ter uma conduta que represente tal ou qual conceito ou valor. A gente precisa saber falar bem sobre ele. Então, isso é o que a cultura diz, né? Por isso que há uma preocupação muito grande sobre o que cada um parece. E por isso que cada vez mais isso vai levando a gente para fora de nós mesmos. Essa cultura excessiva, né? Esse culto pela personalidade, esse culto que hoje a informação imediata e o alcance de multidões faz as pessoas passarem horas, dias, a vida tentando parecer cada vez mais alguma coisa, né? Bonito de um jeito ou sei lá o que for. É porque a gente está sendo sugado para fora de nós mesmos. Essa cultura que a gente vive, a hora que a gente olha e entende isso a gente começa a se colocar de uma forma diferente. Porque essa cultura puxa a gente para fora o tempo todo. Quanto mais fora de mim eu vivi, mais eu sofri. Isso é uma realidade. E eu não estou especulando, falando de ninguém. Estou falando de mim. Muito bem. Mas o ponto, e esse é o episódio que a gente vai falar, tentar fazer o fechamento final do livro Exegese Logosófica, o tópico, inclusive, é o último, se chama "Parte Final". A Logosofia faz uma advertência que eu olhei assim para ela e falei, "puxa, isso é uma verdade". E na minha vida eu estou cansado de comprovar isso. Desde as coisas simples, as coisas que nos interessam mais que são as coisas que concernem a vida consciente, o conhecimento, a busca que cada um de nós está percorrendo, está na jornada. O partido simples. Como eu falei, eu gosto de cozinhar. Sou chefe da minha casa. Chefe de... não fiz escola nenhuma, não fiz curso nenhum. De pegar receita e praticar. Mas entre a receita e a prática e a comida servida tem um processo que não é de fazer uma vez. Então, por exemplo, tem um prato famoso da culinária francesa que a gente chama de bife... o nome é bife bourguignon, mas na verdade é, sei lá, bife bourgonhese, carne bourgonhese, que é praticamente uma carne cozida, basicamente é um assém picado aí ou algo parecido, cozido no molho delicioso. Mas não é assim, você fala assim, "ah, legal, então vou pegar um assém e vou cozinhar". O tempo de preparo do bife bourguignon é uma hora, uma hora e meia enquanto cortar, por quê? Porque tem que selar a carne primeiro. Nessa receita tem que refogar os legumes. Então o preparo vai demorar mais ou menos uma hora, na média, sei lá. O cozimento também é simples, vai dar duas a três horas e meia. Veja, é lento o cozimento. Você não faz um bife bourguignon e bota no forno rápido. É um cozimento de duas a três horas e meia. Agora, tem ainda o tempo da marinada. É opcional, claro, mas a receita original francesa recomenda, pega essas escolas de gastronomia que nem a francesa, a Cordon Bleu, e pede que a carne fique marinando no vinho por 24 horas antes de começar o preparo. Então assim, entre você saber essa receita, eu acabei de passar a receita básica, né, é simples, é refogar os legumes, cortar, selar a carne e aí cozinhar no forno, num molho de vinho, vinho tinto, aí tem louro, tem tomilho, tem bacon também, no final. Mas tem que marinar um dia inteiro, o cozimento é longo. Então assim, e óbvio que cada detalhe desse é só um detalhe, mas não é no detalhe da receita que está o conhecimento. O conhecimento está quando você pratica essa receita n vezes e o que sai, né, o que você experimenta depois começa a ficar cada vez melhor e você começa o que a gente chama de pegar o jeito, pegar a mão daquela receita. Então tem receitas, essa eu fiz experimentalmente já, mas tem receitas que eu faço coisas há muito tempo, a partir, né, vamos começar com o maravilhoso brigadeiro que eu faço, é sensacional, é a receita que eu faço mais antiga da minha vida. É brigadeiro. Desde os 13 anos de idade eu comecei a fazer meu brigadeiro. Minha mãe era gula para comer brigadeiro. E dizem, não sou eu que falo, mas dizem que é o melhor brigadeiro do mundo. Então assim, qualquer receita, qualquer teoria, então vejam só, o ponto é que qualquer teoria que nos alcance ou quando a gente se coloca a frente um conhecimento, do mais simples, comum, como esse que estou falando de cozinhar ao Conhecimento Transcendente, quando a gente se coloca a frente a teoria, a gente pode ler, a gente vai compreender. No Conhecimento Transcendente a chance é nem compreender tudo. Na receita, na receita é mais fácil. Dificilmente a gente não vai compreender a receita toda. Alguma coisa eu tenho que perguntar, vou ter que dar um Google para perguntar "o que é isso daqui mesmo?" para compreender certo. Mas é muito fácil de resolver. Mas quando a gente está falando do Conhecimento Transcendente ou quando a gente está falando da vida, da existência, daquilo que mais nos inquieta, às vezes a gente não consegue nem compreender a teoria que está colocada na nossa frente. Quantas vezes eu não li o Ensinamento Logosófico e passei por cima, não de detalhe, passei por cima da essência? Porque eu não estava acostumado, e ainda estou me acostumando, a um conhecimento desse porte, dessa categoria. Esse é um processo. Eu estou acostumado a ler coisa comum que não impacta a vida, que não muda a vida do ponto de vista da consciência espiritual. Mas quando a gente se coloca, como eu falei, frente ao conhecimento, a gente pode ler a receita e aí fala assim, "legal, agora você leu, a receita está aqui, agora faz". Então a parte da cozinha, o máximo que vai acontecer é não ficar gostoso ou errar alguma coisa e ficar meio esquisito, mas tudo bem, geralmente dá para comer. Mas quando a gente trata do Conhecimento Transcendente, qual é o resultado? Qual que é depois de ler a receita, o que a gente faz com Conhecimento Transcendente? Investiguei aqui esse tema aqui, investiguei, que é o que eu faço todo dia. Eu mergulho nos ensinamentos que eu escolhi, me aprofundo o quanto eu consigo. Mas a compreensão teórica não significa conhecimento. E essa é uma advertência que esse tópico da parte final faz. E eu falei, "que bom que ele me recorda isso de vez em quando", o Ensinamento Logosófico de vez em quando ele fica me recordando de coisas muito importantes, parece que é para mim. Eu tenho a impressão às vezes que o ensinamento nas páginas do livro, ele se reorganiza de acordo com a minha necessidade. E acho que isso acontece para cada um, cada um de nós, é como se esses livros tivessem uma mágica. Abre, mas ele reorganiza as palavras para que cada um de nós sinta que é praticamente escrito para a gente mesmo. Então essa advertência é muito importante porque a tendência é a gente se familiarizar com o conhecimento, em especial quando a gente mergulha todo dia um pouquinho no Conhecimento Transcendente, nesse conhecimento superior que a Logosofia oferece. A tendência é se familiarizar e aí mentalmente é igual assim, "você sabe receita de muitos pratos que você faz de cor e salteado?" Sei. Mas eu podia decorar a receita e eu posso decorar a receita de qualquer coisa que você me der. Vou ficar pensando nela durante dias e vou decorar. Vou fazer isso uma vez na vida. Mas de novo, o ponto não é a mente apenas compreender a teoria. A questão é como é que a superação da experiência daquele conhecimento permite a integração do conhecimento na vida? Então é exato. O exemplo mais fácil de entender é esse. Quanto mais eu faço uma receita, mais eu compreendo de verdade o significado daquilo. Quanto mais eu cozinho qualquer coisa, preparo qualquer coisa de comer, mais eu entendo o significado daquela receita. O conhecimento é exatamente igual, para mim, a compreensão sobre isso. Então tá bom, na prática o que significa isso? Significa que o que o livro Exegese Logosófica nos ofereceu foi uma pincelada. Não é à toa que o nome é exegese, é praticamente a síntese. Ele pincelou em síntese uma série de conceitos que a gente revisitou ou visitou pela primeira vez. No meu caso, revisitei agora. O que a gente faz com isso? Se alguém perguntar, a gente pode falar de tratar de várias coisas, mas que significado tem isso para a vida? Como é que a gente absorve? E aí é a segunda parte da história do alimento. A receita feita, o corpo vai absorver nutrientes que vão alimentar o corpo. O corpo vai ter reações químicas com os alimentos, com os nutrientes que foram oferecidos e vai utilizar para viver, para construir músculo, para reparar as células danificadas, enfim, sei lá, eu não sou bom nisso, eu nem tenho fisiologia direito a não ser a parte da musculação. Mas o ponto principal é cada um de nós se coloca a frente um conhecimento desse porte. E eu gosto de enfatizar isso porque a tendência é a gente normalizar até o Conhecimento Transcendente. Porque a sensação de que "é legal isso, é muito bom mesmo, muito bom". Para quê? Para colocar na prateleira mental, que é uma imagem que eu gosto de usar para mim mesmo, porque eu fico imaginando quanta coisa eu botei nas prateleiras da minha mente como se fossem lá mais um livro, sei lá, mais um item na prateleira mental. Mas a compreensão disso mental realmente não muda minha vida. Agora, quando eu tô aqui nas minhas experiências, e esse é o ponto, quando a gente vai para a mesa e vai comer e vai experimentar o sabor da comida, eu sou o primeiro a experimentar e falar assim, "putz, eu não sei fazer isso daqui ainda, não aprendi a fazer isso daqui". Quem não conhece pode falar assim, "ah, tá muito gostoso". Pode estar até gostoso, mas não quer dizer que representa o conhecimento daquela receita, porque pode sair um resultado diferente. Com o Conhecimento Transcendente, o que eu observo no meu dia a dia, conforme as experiências da vida vão se alternando, seja no mesmo dia, seja por instantes ou durante um período maior, eu sou colocado frente minhas fragilidades, minhas dificuldades, minhas deficiências psicológicas, minhas aptidões, minhas forças, minhas energias internas, minha capacidade mental. E o sabor das experiências, isso que eu queria falar da culinária, o sabor da experiência é um grande indicativo do quanto eu já aprendi ou não, daquela receita. Você está pensando assim, "mas como é que é o sabor da experiência?" Muito bem, como é que a gente mede o sabor das experiências da vida? Ah, eu tenho certeza que isso você sabe porque eu tenho uma sensação muito clara na boca, não na boca física, mas eu tenho uma sensação muito clara na alma das experiências amargas, das experiências apimentadas demais, que deixaram aquele, né, aquela marca, naquele sabor, as experiências em que eu me queimei, as experiências que foram muito salgadas na minha vida. Então há uma série de sensações em que a gente pode ir medindo que, puxa, as experiências vão deixando a gente com sensações de que está faltando melhorar alguma coisa, está faltando assim, está faltando superar a forma de viver a experiência humana, seja ela qual for. E o conhecimento precisa atuar nesse ponto, nesse momento assim, a hora da gente tornar um conhecimento teórico parte integral da nossa vida é quando a gente está vivendo a experiência e a gente consegue tomar decisão de mudar o resultado que a gente já provavelmente experimentou outras vezes e mudar o sabor da experiência. Como é que a gente muda o sabor das experiências da vida? Aplicando aquilo que a gente compreendeu no momento em que a gente está vivendo aquilo. É como se fosse assim, na hora, enquanto a gente prepara a receita, o que a gente já aprendeu nas outras vezes a gente deveria estar aplicando e aperfeiçoando cada uma delas. "Pô, Ronny, mas precisa viver a mesma experiência várias vezes na vida para poder ter o conhecimento?" Eu entendo que sim. A menos que em cada experiência da vida a gente conseguisse extrair todo o conhecimento teórico que a gente tem sobre aquilo e transformar nossa conduta completamente. Eu não consigo. Eu vivo às vezes o mesmo tipo de experiência e às vezes consigo vivê-la de forma diferente e vou devagarzinho incorporando um conhecimento ou uma parcela de conhecimento ou mais. E eu penso que esse Exegese Logosófica teve realmente essa propriedade de passar por uma série de conceitos em que eu acabo observando que em todos eles eu tenho oportunidade na minha vida de viver de forma diferente as experiências da vida como um todo. Nós vamos começar um novo livro semana que vem, ou para quem não está ouvindo isso hoje, no próximo episódio nós vamos começar um novo livro. Mas foi uma jornada muito interessante essa do Exegese. Espero que tenha sido útil para você e que a gente possa aproveitar cada vez mais o que essa receita transcendente oferece. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.