Latest / Logosofia no Dia a Dia / Como Fazer Pão de Fermentação Natural Me Ensinou a Viver Uma Vida Transcendente
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que a vida tem muitos segredos. Ou melhor, para viver a vida de forma, assim, desfrutar da vida da forma mais incrível, melhor, mais feliz, mais completa, certamente há muitos segredos. E o segredo é só aquilo que a gente ainda não desvendou. Aquilo que era um segredo para a gente quando a gente era criança, deixou muito daquilo que era segredo, deixou de ser segredo. O que é segredo para a gente hoje também deixará de ser. É preciso ir desvendando. Isso é uma coisa importante na vida. A gente precisa ir desvendando esses enigmas, esses mistérios que ainda, por estarem ocultos à nossa consciência, ainda nos mantêm distantes de experimentar e viver muitas coisas cada vez melhores. Mas vou explicar isso de uma forma mais simples primeiro, porque é a forma como eu entendo isso claramente, e daí a gente consegue partir e projetar para o grande. Eu estava falando de deixar livros na prateleira mental no outro podcast. E tem uma situação bem específica que é bem o caso. Olha só: pega um livro de receita, um livro de receita. Quem quer fazer... Porque tem gente que tem livro de receita e fica realmente só expondo os livros bonitos de receita em algum lugar na sala, mas na verdade não leva à prática nunca. Então tem gente que tem livro de receitas. Eu mesmo, durante muitos anos, tive livros de receitas que eu ganhei e nunca levei à prática. Eles eram só enfeites. Acho que tem um deles que ainda é. Tem um deles que ainda é só enfeite, só na mesinha da sala. É um livro bonito que eu ganhei de um restaurante. Por outro lado, outros eu levei à prática. E levar à prática uma receita de qualquer coisa é deixar de apenas contemplar a teoria sobre aquilo e se colocar na experiência de realizar, de viver, de experimentar aquilo. Até porque, você sabe, você já fez e você faz — não sei quanto que você faz, mas você faz comida. Todo mundo faz comida. Tem os que fazem bem pouco e tem os que fazem muito. Eu me considero dos que fazem bastante. Eu não sei se é muito, mas eu acho que eu faço acima da média. Como eu cozinho toda semana para mim, faço a comida da semana, às vezes eu cozinho duas vezes por semana. Quando meus filhos estão em casa, eu sempre faço alguma coisa para eles. Então no final acho que eu cozinho mais do que a média. Por outro lado, eu gosto de algumas coisas muito específicas. Eu gosto de pão de fermentação natural e já te falei que eu faço pão de fermentação natural. Pego o caso do pão, que é uma coisa teoricamente simples. É um processo que demora, no total, umas 24, 30 horas quase — o processo do começo ao final, quando ele está pronto para comer. E o que é mais curioso: a receita é tão simples, tão simples. Se eu te falar a receita, você vai ficar de boca aberta. O problema para fazer o pão de fermentação natural não é a receita, que ela é extremamente simples. O problema é você acertar em tudo durante esses 24, 30 horas que o processo leva. Porque a maior parte do processo é a fermentação. A maior parte do processo é acertar os pontos da fermentação em cada momento e garantir que a massa está se desenvolvendo como você precisa que ela se desenvolva, para que o resultado final seja aquele que a gente quer. O que é interessante do ponto de vista da minha analogia, do que estou pensando para compreender os mistérios da vida: se a receita é simples, porque não é super fácil e todo mundo não acerta toda hora se fizer pão de fermentação natural? Eu te digo qual é o segredo: a umidade do ar e a temperatura ambiente influenciam para caramba nesse negócio. Você não vai acreditar. É quase uma piada de mau gosto para mim, porque eu já apanhei tanto, tanto, tanto conta disso, dessa receita. A temperatura ambiente e a umidade influenciam muito a fermentação natural — o processo das bactérias e fungos, das leveduras fermentarem, irem fermentando a massa. E a própria parte da formação do glúten quando se mistura farinha com a água. E a parte da sova, e como é que é feita a sova, que intervalos é feita a sova. São detalhes tão simples, mas ao mesmo tempo mudam completamente o resultado final. Então eu posso dizer, eu posso dizer que eu faço um pão muito gostoso de fermentação natural. Modéstia à parte, mas a turma toda gosta muito. Todo mundo adora. Então eu já não atingi a perfeição, mas eu já atingi um estágio que eu consigo garantir. Eu tenho constância na entrega do final da história da receita. Agora, se tem tantos fatores, tantos fatores que influenciam — são fatores que influenciam tanto essa preparação, e isso é uma verdade — o conhecimento não é a receita. Você concorda comigo? Ou melhor, o conhecimento é a receita. O conhecimento teórico é a receita. O processo que eu já fiz centenas de vezes — centenas, mais de centenas de vezes que eu fiz pão — é o processo de tornar o conhecimento teórico meu, conhecimento na minha consciência. Muito bem. Obviamente que eu não olho, eu não olho receita. Sei lá, há muitos anos eu não olho receita do pão. Eu sei qual é a receita, porque ela é simples. E eu sei qual é o processo da receita, porque também é simples. O ponto é que eu tive que levar esse conhecimento teórico à prática centenas de vezes para dominar — ou pelo menos, não vou dizer que eu domino, mas para ter o conhecimento ser de fato entranhado comigo. Eu faço o pão de fermentação natural quase no automático. E eu não meço — tirando o peso da farinha, a medida de água, do sal e do levain que eu preciso medir para que a proporção fique certa — então eu meço na balancinha, naquelas balancinhas de cozinha, de cozinhar. Eu não preciso depois acompanhar nada, medir tempo. Eu sei pelo olho. Eu sei pelo que está acontecendo. E eu sei especialmente de acordo com a temperatura ambiente e a umidade do ar. Então eu fico de olho e escolho inclusive o dia de fazer quando o dia está propício. Porque se o dia não estiver com temperatura e umidade do ar — especialmente temperatura — propícia, eu não consigo fazer o pão. Você fala assim: isso é um absurdo, ridículo, não é possível. Putz, é possível. Acredite em mim. Lógico, se eu tivesse uma estufa — deve existir estufa para fermentação, para fermentação de cozinha. Eu não tenho. Vou até investigar se tem isso. Porque aí sim, a estufa é aquele ambiente controlado que eu consigo manter a temperatura que eu quero. Aí eu falo para você: posso fazer pão o dia que eu quiser. Quando eu não tenho estufa, eu dependo dessas condições. E por que eu estou explicando esse segredo sobre a receita do pão de fermentação natural? Porque um conhecimento teórico, ele precisa — se eu quiser o pão, eu tenho que levar à prática. Se eu não quiser pão, aí tudo bem. Se eu não quiser o pão de fermentação natural que eu faço, eu vou comer outros pães, comprar pão pronto. Legal. Mas assim, para comer o pão que eu gosto, eu preciso levar para a prática. Muito bem. O conhecimento transcendente, esse conhecimento que, por exemplo, a Logosofia oferece a nós, ele é um conhecimento teórico. Esse conhecimento, enquanto ele está no livro... E obviamente que a gente precisa começar por entender a receita. Então, por que que a gente estuda, por que que eu estudo todo dia? Porque eu preciso entender a receita. E cada trecho, cada tópico, cada capítulo, cada tema, título, é uma parte da grande receita ou é uma receita em si que é parte da grande receita. Que nem eu tenho as partes da receita do pão. Tem várias partes, tem várias fases desse processo de fazer o pão de fermentação natural. Lógico. Mas cada uma das fases, das partes, faz parte do todo. Do todo o quê? De entregar no final o pão que eu quero. Então eu entendo que, assim, da mesma forma, o conhecimento transcendente é receita para uma vida que a gente intui, sonha, experimenta uma vez ou outra na vida, em momentos especiais. A gente sente que é capaz de viver, ou que pelo menos poderia, deveria ser capaz de viver. E eu sempre digo para você: não tem limite. Veja, não há limite para a felicidade humana. Eu tenho convicção disso porque eu experimento isso, a despeito das dificuldades da vida. Mas a minha limitação — talvez seja a sua também em algum sentido — a minha limitação não é a vida ou as circunstâncias e fatos que não me permitem sentir a vida na plenitude da felicidade de todo dia. Não. A minha limitação está dentro da minha mente. Então eu preciso de um conhecimento dessa receita, desse conhecimento transcendente que vá garantindo que, independente das situações, das circunstâncias externas à minha vida, da minha vida, independente das escolhas dos outros, independente dos fatos que acontecem, do mercado de trabalho, das circunstâncias da economia, do que decide o governo, do que decide o meu vizinho, minha mãe, meu filho, não importa. Eu preciso de um, eu preciso de uma receita. Eu acho que todos nós precisamos de uma receita que funcione. E que funcione na base e na realidade do meu mundo interno. Para quê? Para que o resultado não esteja à mercê das circunstâncias externas. Lógico. Muito bem. Mas esse conhecimento, enquanto ele está no livro, é igual o livro de receitas. Pode ser um livro lindo, lindo, lindo. Aliás, livro de receita tem cada foto que você olha e fala assim: meu Deus, eu quero comer isso daqui. Eu não sei, eu não sei se você pensa assim, mas é que eu sou tão guloso ainda que eu olho uma foto de uma comida bonita e eu falo: eu quero comer isso, meu Deus. Então, mas ali está na foto. E a foto não alimenta. Veja que interessante. A foto pode até dar água na boca, mas ela não é nutritiva. Ah Ronny, então é só arrancar a página e comer. É, mas lembra que papel, celulose, não é digerido pelo organismo. Então não adianta nem comer o papel da receita. Então seja uma receita e uma foto bonita no livro de receita, não alimentam nem nutrem a gente, nem matam a fome. É preciso levar à prática — após obviamente se estudar a receita, para ter aquele resultado — é preciso experimentar a receita. É preciso levar à prática a receita. O que exige o estudo da receita. Tem que estudar a receita. No começo a gente leva a receita para a cozinha e fica lá olhando o livro, o celular para poder ver passo a passo. Conforme a gente vai repetindo a experiência, a gente vai voltando à receita já cada vez com mais assertividade. E o que é mais importante: quando se vai para a cozinha fazer uma receita qualquer, tem que ir experimentando ao longo do processo. Fazer uma receita e experimentar o resultado final só é se dar a chance de errar praticamente todas as vezes. Porque os chefs de qualidade, os chefs de restaurante, eles não vão provar ao final para ver se ficou bom. Eles vão provando no meio do caminho. Óbvio, óbvio. Aí eu provo a massa do pão de fermentação natural. Tá, mas é massa crua, Ronny. É, mas eu vou provando. Não tem jeito. Eu quero sentir como é que está o sabor, como é que está o resultado da fermentação. Eu quero sentir isso. Eu sinto isso. Eu tenho que pegar para ver como é que está a elasticidade, a consistência da liga, do glúten. Tem que interagir com a receita. E na vida, essa vida transcendente que o conhecimento transcendente propicia — ou seja, uma vida que ultrapassa as limitações do comum, que transcende a vida comum, que transcende o destino comum de apenas viver décadas para um dia morrer como se não tivesse propósito e fosse só alcançar as coisas que a gente alcança na vida terrena — a vida que transcende isso exige receitas que transcendem, obviamente igualmente, essa vida comum. E a gente tem livros de receitas maravilhosas, que são as que a gente estuda. A gente vive, ou todo dia quase a gente está aqui juntos, e eu estou me referindo ao estudo desses livros de receitas que são sensacionais. Agora, como é que a gente faz então para que esse livro de receita mude a vida? E a nossa vida vá de fato se transformando num festival maravilhoso de sabores, de sensações? E vou te falar que é exatamente essa vida transcendente: é uma vida de sabores e sensações igualmente transcendentes, que dão muito mais prazer do que os pratos gostosos que eu faço. E olha que eu faço coisas muito gostosas — pelo menos o pessoal todo diz que é muito gostoso. Aliás, meu brigadeiro, hum, nossa senhora, meu brigadeiro é um negócio de outro mundo. Bom, voltando ao ponto. A gente precisa olhar para o conhecimento logosófico como esse livro de receita maravilhoso que vai nos propiciar sabores e sensações realmente de outro mundo. Ou seja, deste mundo, mas com a consciência do mundo transcendente, do mundo metafísico, onde estão os verdadeiros sabores e o verdadeiro prazer de viver, de existir. Mas precisa. Esse conhecimento precisa ser aplicado. Essa receita, cada uma das receitas e cada uma das fases da receita, precisa ser levada à experimentação. E experimentar não é apenas contemplar a receita e ficar torcendo para um dia alguém colocar na mesa esse prato pronto. Experimentar é ir para a cozinha. A gente precisa ir para a cozinha. A cozinha da vida, essa é a vida diária nossa. Todo dia a gente vai para a cozinha da vida. O problema é que a gente vai ou sem a receita — olha que caos — ou a gente leva a receita e não experimenta, não prova a cada momento, a cada fase, a cada passo, a cada etapa da receita do dia. Quantas vezes a gente passa o dia sem se referir, sem lembrar da receita? Para que a gente lê a receita se vai passar o dia esquecendo a receita? Vai para a cozinha e esqueceu a receita. Então vai fazer o que na cozinha? Mas é o que a gente faz. Eu acho que esse é o nosso problema. A gente vai para a cozinha todo dia da vida e esquece a receita. Não leva a receita. E ao mesmo tempo, quando leva, faz uma vez, não entendeu, não deu certo, não ficou no gosto que queria, acha que a receita está errada, que a receita não funciona, ou que a gente não sabe, não tem condição de fazer essa receita. E eu não tenho capacidade. Mas ninguém tem capacidade de cozinhar nada na vida até que começa e até que faz a prática disso a parte. E é curioso porque no último podcast a gente estava se referindo ao tópico da... Que não tem razão nenhuma de se memorizar o conhecimento logosófico. Ele não tem valor se for só memorizado. O tópico é exatamente a necessidade de se experimentar o que se estuda e estudar o que se experimenta. Porque é um processo de ir para a cozinha da vida todo dia, mas com a receita, e experimentar a receita na medida que ela vai se desenvolvendo, mas de olho, com a referência da receita. E ao mesmo tempo, quando a gente experimenta... Tudo que eu cozinho, quando eu experimento, eu vou entendendo o porquê daquela instrução. E muitas vezes eu tenho que voltar à instrução com o sabor que eu tenho na minha boca, no meu paladar. Eu falo assim: mas por que que o sabor está assim, porque a consistência está assim? Não era para estar assim. A foto da receita não mostrava assim. A descrição não era essa. Mas por quê? Porque é preciso praticar muito a receita para ter excelência na execução. Então o resultado não sai como a gente espera na primeira vez. É óbvio que não. E esse conhecimento transcendente, eu penso que é igual. A gente não vai mudar a vida num dia. Não é porque a gente leu o conhecimento transcendente, entendeu alguma coisa do tópico, do ensinamento, que a vida vai mudar. Mas é preciso considerar que no dia a dia o que esse conhecimento espera que a gente faça — ou seja, o poder que esse conhecimento tem de mudar a vida só se destrava... Ou seja, esse era o segredo que eu me referia no início do podcast. O segredo está em levar à prática aquilo que a gente compreendeu do ensinamento logosófico, desse conhecimento transcendente. Ou seja, nas experiências, nas situações do dia a dia, é preciso ter em consideração aquilo que o conhecimento logosófico está esclarecendo ou apontando do ponto de vista das causas e da engrenagem que está por trás de tudo dentro de cada um de nós, não fora. Essa observação que o conhecimento logosófico permite sobre o mundo interno de si mesmo, e nessa observação a gente começa a perceber as nuances que explicam a receita. A gente começa a entender por que, ou começa a comprovar o que de fato a receita está explicando. E na medida que a gente vai vivendo, esse feedback que a gente mesmo dá para si mesmo vai ficando claro, vai esclarecendo muito melhor a receita. O conhecimento é como se a gente realmente levasse a prática ao estudo, e a gente naturalmente volta ao estudo com a prática, com as percepções, com as observações, com as sensações que a gente teve quando a gente viveu uma parte do dia pelo menos com aquela referência. Então é um loop, é um processo que não se interrompe. É um processo que se alimenta maravilhoso de estudar o que se experimenta, experimentar o que se estuda. E esse conhecimento vai deixando de ser algo bonito de ler ou de ver num livro e vai se tornando a própria alavanca de se experimentar. A gente vai viver, sentir a vida cada vez de uma forma mais elevada. A gente vai se tornar chef da própria vida, cada vez um chef com mais conhecimento e com mais prática de cozinha. E com sabores, com... A comida vai ter sabores, vai dar sensações cada vez mais maravilhosas. Boa leitura, boa reflexão e até o próximo podcast.