Latest / Logosofia no Dia a Dia / Culpa vs. Responsabilidade: A Distinção Libertadora da Logosofia
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Você já imaginou um aeroporto sem a torre de controle? Sim ou não? Pergunta estranha. Pois é, eu já decolei e pousei várias vezes em um aeroporto que não tinha torre de controle. Quando eu fiz o curso para ser piloto — piloto amador, né, piloto do ponto de vista de recreação, de hobby — há uns 25 anos atrás, quando eu fiz esse curso, eu fazia aulas de voo numa cidade pertinho de São Paulo, que é Jundiaí, que tem um aeroporto que na época era um — aliás, tem uma ótima pista lá — e na época não tinha nenhuma torre de controle. Ou seja, imagina só: os aviões que estavam pousando ou decolando daquele aeroporto tinham que se comunicar num canal específico, né, de rádio, numa frequência específica, para coordenarem entre si os pousos e decolagens e não dar, não dar um problema, né? Então, literalmente, era o aeroporto que não tinha uma torre de controle, que é normalmente o quê? Quem é o responsável por todo o fluxo daquele aeroporto. Então, no caso lá de Jundiaí naquela época, qualquer um podia vir e pousar e decolar. E lógico, a princípio isso não era um problema sério porque o fluxo do aeroporto era menor, aviões menores e a gente, né, fazia essa coordenação via rádio entre os aviões que estavam utilizando o aeroporto. Agora vamos pensar: se esse aeroporto de Jundiaí fosse a minha mente ou a sua mente, e por não ter uma torre de controle, tivesse um fluxo livre de aviões de várias origens pousando, decolando, taxiando nas pistas desse aeroporto da nossa mente. Bom, lógico que na analogia que eu tô fazendo, no caso dos aviões, a princípio, na teoria, não tinha ninguém mal intencionado com o avião nenhum utilizando aquele aeroporto nenhuma das vezes. Mas sem de imaginar que isso funciona, né, pensando na mente de cada um de nós, a quantidade de avião mal intencionado que quer pousar em nossa mente todo dia é grande. Fora a quantidade de pensamentos que já pousaram em qualquer das outras épocas da vida e tão lá taxiando na nossa área de táxi do aeroporto e querendo decolar, querendo às vezes trombar com outros aviões. O mundo dos pensamentos, como hoje eu consigo entender, é — e a mente como esse espaço vital onde os pensamentos se movem — me dá a impressão que é uma coisa parecida mesmo com o aeroporto, sabe? E que não é à toa que muitos dias da vida há pequenos desastres, há assim, há problemas. E a gente sabe que isso é uma realidade, né? Eu tenho certeza que, mesmo que sejam poucos na sua vida, mas houve aqueles dias em que foi o caos, né? Pois é, na minha também. Não se sinta só. Na minha também. Então, lembrando que a gente tá aqui tratando desse capítulo último, né, do 14, que trata sobre a redenção de si mesmo do ponto de vista logosófico, focado na ação que a consciência exerce sobre a mente de cada um de nós, sobre esse espaço em que se movem pensamentos, entram, chegam pensamentos, saem pensamentos, andam, passeiam, se manifestam pensamentos diversos. Agora, imagina um aeroporto cheio com muito tráfego aéreo, sem a torre de controle. O caos que viraria isso. Tanto é que nenhum aeroporto, de verdade, né, pode ficar sem torre de controle na medida que o tráfego aumenta, porque é garantia de desastre. Só que a gente esquece que a nossa mente — por ser algo analogamente organizado ou um espaço analogamente disponível — corre um risco igual até que cada um de nós começa a impor um controle nesse tráfego de pensamentos que tão na mente, que tão chegando na mente, que querem sair da mente, se manifestar para fora, enfim, é como se fosse realmente assim a tarefa principal para mudar a vida. Se a gente pensar nessa busca por parar de sofrer, de errar, de fazer o mal de alguma forma para si mesmo e às vezes fazer por semelhantes também — naturalmente consequência disso, né — se a gente realmente quer, busca uma verdadeira superação, a mente é de fato o espaço ou a dimensão onde essa reversão vai ocorrer, não é em outro lugar, né? E nunca viria de fora essa redenção, não poderia vir. Por quê? Porque ninguém consegue mudar o outro. Se fosse assim, né, cresceríamos todos nós que somos filhos cresceríamos perfeitos. Nossos pais teriam, em geral, por todos aqueles mil, cinco mil, dez mil conselhos que nos deram, teríamos crescido perfeitos. Seríamos perfeitos hoje por conta disso. Mas não dá para mudar o outro. A gente só aceitou os conselhos e implementou na vida os conselhos que a gente quis. Aqueles que a gente sentiu necessidade. Os outros a gente não implementou na vida, né? E olha que eram nossos pais dando conselhos, hein? Então, se não vem de fora, se não é possível mudar o outro ser humano, cabe a cada um de nós realizar essa mudança, que seja uma efetiva seleção desses agentes que voam, né, literalmente na mente. E que a mente começa a se tornar um campo, uma dimensão onde circulem e cheguem, né, entrem, pousem na mente cada vez mais o que há de mais útil no mundo mental. Para isso também é preciso, como eu falei da torre de controle, né, é preciso estabelecer uma posição de observação. E se vocês lembram que você sabe que qualquer torre de controle é sempre alta, né? Ela tá no topo, né? Geralmente o lugar mais alto do aeroporto é a torre de controle. Porque essa visão geral do que tá acontecendo no aeroporto ou na mente é necessária para poder começar a controlar e impor uma ordem a serviço da verdadeira vida feliz, ampla e consciente que cada um de nós quer. A consciência precisa estabelecer, né, essa estabelecer-se nessa torre de controle e ser de fato esse órgão que vai coordenar, vai supervisionar e vai garantir que a mente se torne cada dia um pouco mais um reflexo daquilo que a gente quer cultivar de melhor em nós mesmos. E se realmente cada um de nós compreender que na medida que a gente vai freando os impulsos e os pensamentos que tanto já nos fizeram sofrer na conduta, no relacionamento, nas angústias e ignorância que dentro de cada um de nós dói, a medida que a gente começa a impor essa restrição a que eles se manifestem continuamente, a gente vai dando para si mesmo — olha que, eu acho isso lindo — a gente vai dando para si mesmo a possibilidade de uma vida mais feliz desde já. Parece a coisa mais óbvia, talvez seja a coisa mais lógica e óbvia do mundo isso. Mas porque que eu não fiz isso sozinho? Eu não tinha essa condição. Eu preciso desse conhecimento transcendente que vai despertando minha consciência e vai mostrando, vai explicando o funcionamento dessa dimensão desse aeroporto maravilhoso que é… para que eu possa finalmente ter entendido e já entendi de forma razoável, né, que é no evitar incorrer novos erros e começa de fato esse processo de tirar o peso, a carga. Quantas pessoas andam e vivem carregando nos ombros a carga de uma culpa que não é justa de carregar. Veja, eu não tô falando que não há responsabilidade, né, perante os próprios erros. Claro que somos responsáveis. Todos esses erros, toda essa conduta, tudo isso que nos machucou, nos infringiu mal, todo esse mal que de alguma maneira permaneceu e permanece na mente, se manifestou em nossas vidas e que muitas vezes também acaba a vida de outros. Claro que nós somos o responsável. Por isso a gente sente o peso, né, essa carga na vida. Por outro lado, eu entendi que nunca mais seria uma questão de culpa. E esse é outro elemento tão libertador da concepção logosófica. Eu me sinto assim, sabe, aliviado, porque não é uma questão de culpa. É uma questão de responsabilidade perante si mesmo e perante os demais — é só um reflexo. A gente não vai viver para acertar e para errar menos por causa dos demais. A gente vai começar essa redenção de si mesmo deixando de errar para que a própria vida de cada um de nós seja mais leve. Para que a gente vá se desintegrando dessa parte negativa. Para que a gente vá se despreendendo desse lastro que nos fazem correr nos erros e naquilo tudo que nos faz sofrer muito. A sensação que eu tenho ao reler esse capítulo cada vez é uma sensação de alívio, sabe? Porque quando a Logosofia finalmente nos explica e mostra de forma muito lógica que está na mente de cada um de nós a chave para essa redenção, puxa, é quando eu pude finalmente começar a viver a vida de uma forma muito diferente do que eu vivia antes. Eu lembro quando foi isso, eu lembro o momento em que eu entendi isso faz tempo. Não quer dizer que eu já me livrei de tudo mal, né? Claro que não. Mas quando eu percebi que estava em minhas mãos, entendi que cabia a mim estabelecer um novo futuro para mim mesmo — livre na proporção que eu conseguisse realizar das culpas, erros, infelicidade, sofrimento que tanto eu vivi e tanto me angustiavam. Eu assim, espero que você possa aproveitar esse capítulo realmente assim para fazer muitas reflexões úteis. E que esse princípio da redenção de si mesmo seja tão claro para você que você sinta-se cada vez mais capaz de estabelecer esse controle, essa torre de controle para o fluxo que determine o andar, né, o circular de uma vida cada vez mais feliz na sua mente também. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.