Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Salto Que Você Nunca Imaginou Ser Capaz de Realizar
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava pensando que outra consequência dessa vida que a gente acabou cultivando para fora de si mesmos — e é uma consequência muito séria — é o seguinte: a gente acabou perdendo a noção, ao longo dessa prática de viver mais a vida fora de nós mesmos, a gente acabou perdendo a noção sobre o que que é a construção de algo permanente na vida. Porque a gente passou a cultivar — a gente está sempre de olho e cada vez mais, que é o pior — em sensações ou resultados circunstanciais e imediatos, de curta duração. Então, até não é à toa que se tem identificado já que há uma dependência até química, quase, do organismo, da sensação de ir vendo um monte de coisa. E o pessoal passando tela uma atrás da outra, porque vai precisando sentir alguma coisa — sentir uma injeção de ânimo pelo que está assistindo, pelo que está vendo, pelo que está lendo. Ou seja, parece que a gente já está num nível de dependência de coisas instantâneas, de resultados instantâneos. E a gente tem muita dificuldade de entender o que que é aquilo que se constrói no tempo e que tem a essência do eterno. Eu digo até por — primeiro por mim, por exemplo — por que que eu tenho vontade de comer um chocolate, por exemplo? E essa vontade era irresistível há muitos anos atrás, porque tem um processo de recompensa imediato. Pô, comeu uma barra de chocolate, um pedaço da barra de chocolate ou a barra de chocolate inteira. É um negócio que o corpo imediatamente reconhece o prazer, porque dá prazer. Tem substâncias no chocolate — quando é chocolate de verdade — que gera uma sensação de prazer. É quase uma droga. Então, não é à toa que o organismo quer mais. É tipo assim: "Opa, essa sensação boa que dá, eu quero mais, me dá mais aí." E há até essa dependência que se cria disso. Então, a gente fala, a gente brinca assim: "Ah, você é chocolatra, eu sou chocolatra." Porque assim, é uma dependência daquela sensação de bem-estar. Estou dando um exemplo que é bobo, embora é real. Por quê? Porque esse tipo de recompensa, a gente, instintivamente, fisiologicamente, já está muito acostumado a isso. Então, a gente busca — e esse é um problema sério — essas recompensas imediatas. E na vida, a gente acabou vivendo isso como regra. Então, a gente geralmente está fazendo escolhas ou a gente está se dedicando e colocando tempo — ou seja, colocando vida — para alcançar objetivos que trazem recompensas. E são recompensas que, se não são imediatas, são recompensas com valor muito limitado na vida. Às vezes é, sei lá, adquirir um bem. Só assim: "Ah, mas não tem, isso tem importância?" Não tem? Onde adquirir um bem importante, um carro, um lugar para morar? Sim, tem, claro que tem muita importância nessa vida terrena. Mas que significado tem isso para a vida espiritual? Aí o que que o Ronny de antigamente, quando era jovem, falaria: "Ah, relaxa. Vamos primeiro cuidar dessas coisas todas aqui, aí depois a gente pensa nesse negócio de vida espiritual. Vamos alcançar esses resultados todos aqui que precisa alcançar, depois a gente se preocupa com isso." Ele falaria para mim mesmo. Então, essa é uma conduta — ou seja, essa é um estado da humanidade que se reflete na própria vida — como é que foi, especialmente quando eu cheguei, entrei na vida adulta como um jovem adulto. Era de que assim: "Legal, mas assim, eu estou focado só aqui na vida terrena. Então, tipo assim, eu não quero me distrair com outras coisas." E qual o problema disso? Parece óbvio hoje. O problema é que toda a trajetória de uma vida em que se percorre em busca dos objetivos terrenos — praticamente todos fora de nós mesmos, em geral, materiais, além de outros que não são materiais — não são as experiências que a gente correu atrás para viver. Ou as experiências que a gente projetou viver. Ainda que elas tenham muito valor intrínseco — na imagem ideal dessas experiências, haja um valor muito grande — mas se não há e se não se tem cultivado uma verdadeira vida dentro de si mesmo, que dê a cada um desses objetivos ou desses propósitos — vamos dizer assim — a característica, a essência permanente. Cada um desses esforços pode-se passar a vida atrás, correndo atrás de muitas coisas, alcançando muitas coisas. Mas o problema é que essas coisas vão ter valor circunstancial. Estou dizendo para entender o seguinte: o que eu estou dizendo é para que eu quero explicar, eu quero deixar claro que o que o método logosófico que está propondo para cada um de nós — e como eu demorei para entender isso, eu não quero que você, se ainda não entendeu, não demore — é que o verdadeiro valor de tudo que a gente pode experimentar na vida não está naquilo que está fora. Assim como o que nos limita a viver uma vida muito mais feliz, muito mais plena — ou plena, intensa — o que nos diz, o que nos impede de viver, de desfrutar a vida com uma verdadeira liberdade que independe das circunstâncias e fatos que a vida apresenta. Olha só, detalhe importantíssimo! Porque desfrutar da vida e de uma verdadeira felicidade quando tudo o que acontece na vida está de acordo com o que a gente planejou ou queria — ah, dá a sensação de que é fácil. Ou dá até a sensação de que então estou vivendo a verdadeira vida, a felicidade plena. Mas na verdade não é. Por quê? Porque quando a circunstância ou fato muda, em geral a felicidade se esvai. E aí passa-se a buscar outras ou o retorno daquela condição, daquele fato ou circunstância para voltar a ser feliz. Bom, fecha parênteses. Então, o que nos impede de viver a verdadeira vida e viver a vida na sua plenitude, a felicidade na sua potência permanente, consciente, é exatamente um modo de entender a vida ainda voltado para fora de nós mesmos. O que o método logosófico está propondo para cada um de nós — e que eu falei que eu demorei para entender — é que a base ou, vamos dizer assim, o eixo da vida, ele se translada de fora de nós mesmos para dentro de si mesmo. E como é que, Ronny, como é que faz isso? Essa pergunta que acho que dá para fazer agora. Bom, eu tenho uma boa notícia e uma notícia que vai fazer a gente pensar bastante. A notícia que eu digo é porque vou fazer uma afirmação. A boa notícia é que o próprio método logosófico, per se, realiza essa reorganização do eixo motriz da vida na própria vida interna de cada um de nós. Ou seja, a gente ainda que não entenda — como é que essa organização desse mundo transcendente do qual a gente tem no nosso mundo interno, o maior campo experimental ao nosso alcance, que é um verdadeiro mundo interno — com essa palavra, com a palavra mundo bem assim, é o mundo interno. Então, ainda que a gente não entenda, não conheça essa estrutura, não tenha domínio do conhecimento sobre essa estrutura mental, psicológica, espiritual, o método logosófico, ele é construído, ele é organizado — ou seja, ele é exatamente a ferramenta que coloca essa realidade em evidência para cada um de nós na medida do caminhar. Por outro lado, aí você fala: "Bom, você falou que tinha uma boa notícia e uma que ia fazer a gente pensar." Então, só que isso acontece enquanto e a partir do momento que há uma decisão. Ó, esse é o ponto. Então, assim: "Ah, legal, então o método logosófico faz tudo isso. Você não precisa fazer nada, então. Legal, vou ficar aqui dormindo, sei lá. Vou ficar aqui curtindo a vida normal, curtindo, correndo atrás de tudo que está fora da gente. Eu vou deixar o método logosófico resolver meus problemas." Não. É que enquanto e a partir do momento que a gente toma uma decisão ou coloca como, vamos dizer assim, um objetivo real e vital — transformar a vida no verdadeiro campo experimental para descobrir, compreender e conhecer de fato a vida interna e o mundo interno de cada um — começa esse processo. Experiência após experiência, passo a passo, começa um processo de infindáveis transformações nessa própria estrutura mental, psicológica e espiritual. Olha que legal. Isso é sensacional. Então assim, espera aí, não sei se ficou claro. Estou falando que enquanto seja uma realidade — e é — de que a gente quase nada ou pouco conhece de como é que funciona esse mundo mental dentro de nós mesmos, esse universo que existe dentro de nós mesmos, isso não é um problema. Porque o método logosófico, ele é todinho construído ou organizado — ou ele espelha exatamente o que o conhecimento e o domínio do conhecimento dessa realidade. Então, a gente não precisa estar nesse nível de genialidade para poder realizar essa transformação da vida e trazer para dentro de si mesmo o eixo — transformar ou trasladar o eixo da vida de fora de nós para dentro de nós mesmos — porque isso o método logosófico realiza. E é por isso que é importantíssima a leitura de um capítulo como esse. Veja, um capítulo é um capítulo mais extenso, porque a Logosofia está delineando o funcionamento do método logosófico em cada um. Olha, é incrível isso. Perto da minha capacidade e da minha experiência, da limitação da minha capacidade de entender isso, o que está escrito aqui é um negócio sensacional. Se você não leu ainda o capítulo 7, é sério, está perdendo metade da sua vida. Tipo assim, é incrível. Porque está claro de que cabe a cada um de nós ou precisa apenas que cada um de nós, ao ir compreendendo pouco a pouco a importância dessa — não é a revolução, sempre gosto de falar — dessa Evolução proposta pelo conhecimento logosófico, essa revolução proposta pela Logosofia, a gente comece a trabalhar nessa compreensão cada dia um pouco mais, capacitada pela leitura do ensinamento, pela busca do conhecimento no ensinamento logosófico. E que a gente comece só a colocar isso em movimento, porque o próprio método então coordena ou ordena dentro de cada um essa engrenagem maravilhosa, divina que a gente já tem. Todo ser humano tem essa engrenagem maravilhosa, divina. O problema que a inatividade — ou uma vida em que a gente passou e cultivou durante décadas, a vida para fora de nós mesmos — colocou essa engrenagem em ponto praticamente paralisado. Só funcionam as peças voltadas aos objetivos comuns da vida. Essas funcionam super bem. Tem gente que passa a vida e dá a vida inteira para percorrer esse caminho ou perseguir esse objetivo da vida comum. Quantas pessoas você não conhece? Ou quanto tempo — eu pergunto primeiro para mim, porque foi uma realidade na minha vida e talvez você possa reconhecer na sua vida também — quanto tempo cada um de nós dedicou como se o grande objetivo da vida fosse alcançar esses resultados fora de nós. Não tem exemplo mais claro que esse. E por conta dessa realidade, é que esse mecanismo interno praticamente estava paralisado, ficou paralisado. Funcionando só essas pecinhas necessárias para alcançar esses objetivos que a gente tanto quis e tanta vida a gente colocou nisso. Mas agora abre-se a possibilidade da gente dar um salto. Eu adoro essa imagem: dar um salto. Porque o que eu vivi e tenho vivido até hoje com conhecimento logosófico são saltos que eu nunca imaginei que eu era capaz de realizar. E não é isso uma condição especial minha, do Ronny. Pelo contrário, eu tenho muitas limitações, muitas fragilidades ainda. Mas isso é próprio do método logosófico. Ou seja, cada ser humano pode viver disso ou muito mais disso. A partir do momento que decide colocar algum tempo da vida para conhecer, compreender e realizar o que o método logosófico propõe. Boa leitura, boas reflexões, bom estudo. Fique bem e até o próximo podcast.