Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você Está Engolindo Conhecimento Sem Mastigar? A Metáfora Que Explica Por Que Nada Muda
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Hoje eu estava pensando sobre fatos desses da vida que a gente vai se dando conta às vezes meio tarde ou depois de muito tempo. Mas é que a gente está totalmente mergulhado numa cultura — ou seja, numa forma de viver a vida — que foi nos, vamos dizer assim, foi nos condicionando. E a gente, eu acho que demora e é difícil se dar conta de como essas, vamos dizer assim, esses vícios ou essas maneiras muito limitadas de entender a vida, de perceber o que a gente passa, o que a gente vive, ela é difícil mesmo. Não é fácil. A gente demora e às vezes a gente pode passar uma vida inteira e não perceber uma série dessas limitações que, bom, limitam a vida. A gente aprendeu desde pequeno a decorar, a manter as coisas, a decorar a matéria, a decorar conhecimento — se é que é possível decorar conhecimento — decorar texto, decorar fórmula. Eu vi agora quando, agora finalmente o terceiro filho cumpriu lá a fase dele de vestibular e passou no que queria. Ficou um ano no cursinho, fora os anos anteriores. E a quantidade de informação e, teoricamente assim, entre aspas, conhecimento que ele guardou na mente — me faz lembrar de... Tudo isso para poder passar, fazer uma prova de vestibular e passar. Me faz lembrar de que, assim, quantas vezes... E aí o outro lado das coisas curiosas do dia a dia. Quantas vezes eu comi tão rápido que eu não mastiguei direito o alimento que eu estava colocando na boca? Ou porque eu estava com pressa, já viu isso, sabe, ou já passou por isso? Estava com tanta pressa, tanta pressa, que aquele almoço teoricamente moderno — que a pessoa está resolvendo alguma coisa, está vendo o celular enquanto come, come de pé para poder comer mais rápido — enfim, quando a gente faz uma refeição e está focado mais no que está acontecendo fora da gente do que no ato em si de se alimentar, a chance de mastigar rapidamente é enorme. E mastigar rapidamente é um caos, porque sabe que aquilo que a gente não mastiga geralmente percorre o organismo do mesmo jeito e sai. A gente não aproveita o que tinha de nutrientes dentro. E aí lembrei, porque, assim, puxa, é mais ou menos isso. Quer dizer, a gente pode ingerir um monte de coisa, mas não necessariamente a gente está assimilando nutriente que está dentro. Tanto é que o pessoal fala assim: ah, você é o que você come. Na verdade, fisiologicamente, a gente não é o que a gente come, a gente é o que a gente absorve. Se engolir um grão de milho inteiro, é garantido — isso não é brincadeira — ele sai inteiro, literalmente, porque o corpo não consegue acessar a energia dentro dele. Porque a casca do milho é de celulose e a gente não consegue digerir celulose. Por isso que papel, geralmente, também a parte da celulose do papel também sai. Quem não comeu papel na vida quando era criança? Então assim, a digestão começa na boca. Obviamente as enzimas da saliva começam a quebrar o alimento antes mesmo de engolir, e por isso que o pessoal fala: tem que mastigar direito. Eu sempre ouvi falar isso, mas e a paciência que eu não tenho para mastigar bastante? Mas é uma pré-análise do alimento que o corpo faz, química. Se não, o estômago tem que trabalhar praticamente dobrado para fazer todo o trabalho de quebrar o alimento e nutrientes. Ou seja, então também, eu estava pensando... Você falou, eu falei do vestibular. Essa forma que a gente culturalmente estuda na vida é mais ou menos uma forma, acho que é igual a comer um alimento sem mastigar direito. A gente vai... Você pode até ingerir muita coisa, mas na verdade o que você assimila do que você está ingerindo pode ser extremamente limitado. Em geral, se não mastigar direito, é limitado. E esse é um problema também para o corpo, é um desafio a mais para o corpo. Você pode até se comer demais sem mastigar, o corpo fica naquele estado de letargia — o pessoal chama de "mal do porco" —, que é um negócio assim: você se sente cheio, mas só que é cheio de um material que não está sendo processado. Aí o corpo vai ter que ainda se livrar daquilo. Por quê? Porque o objetivo de comer não é encher o estômago, é extrair a energia — o ATP lá, que é o trifosfato, adenosina trifosfato — para as células funcionarem. Aí você fala assim: ah Ronny, mas então a gente está falando de alimentação ou a gente está falando de estudar, decorar as coisas e conhecimento? Pois é, eu estou usando dois paralelos, porque para mim são muito similares. Quer dizer, depois que o meu filho passou no vestibular agora, daqui a alguns meses, o percentual que ele vai lembrar de tudo que ele teve que manter na mente dele para passar no vestibular vai cair drasticamente. Se é que já não caiu muito. Por quê? Porque no final, esse negócio não é uma forma de digerir conhecimento. O que ele fez foi ingerir conhecimento para caramba. Uma parte foi, obviamente, digerida, mas a outra parte foi só ingerida e não vai aproveitar. O que eu sempre questionei, falei: puxa, eu acho errado esse negócio de a gente passar anos ingerindo um monte de conhecimento, uma boa parte não vai ser útil para a carreira de ninguém. Enfim, aí tem uma outra discussão aí sobre o currículo de educação, mas não é esse o caso. Estou dizendo o seguinte: o mais importante para mim é a minha colocação frente ao conhecimento transcendente, que é o conhecimento superior sobre a vida, sobre a existência, que eu busco todo dia. E eu busco, basicamente, no conhecimento logosófico, depois de ter buscado em muitos lugares. Muitos, muitas fontes. E o mais importante é entender como é que eu me coloco frente a esse conhecimento, como é que é a minha assimilação do conteúdo energético desse conhecimento. Ou seja, eu estou estudando que nem eu estudei para o vestibular? Eu estou, quando eu leio o ensinamento logosófico — quando eu vou em busca desse conhecimento transcendente — eu estou fazendo igual meus filhos fizeram para o vestibular? Que no final, é assim, basicamente, se fosse usar a imagem do alimento, eu acho que assim: se passaram um ano ingerindo alimento para caramba para vomitar uma boa parte disso no dia da prova. É isso que eles fizeram. Você pode falar: Ronny, que radical que você é. Bom, mas veja, é isso. Porque é um monte, uma boa parte daquele, tudo que eles ingeriram não foi assimilado, foi guardado só na memória. Era muita informação que é pedida. Então assim, no final, infelizmente é como eu vejo esse rito, que é um rito que eu acho que está errado, a forma de fazê-lo. Mas enfim, é o que tem, é o que tem no momento. Mas o ponto não é sobre isso. O ponto é sobre como é que a gente evita — e aí as duas imagens: essa do como é que se estuda no comum e como é que é errado a ingestão de alimento e a falta de mastigação correta, a velocidade de ingerir — ou seja, como é que a gente vai aproveitar a energia que tem dentro, que é própria de algo, se a gente não fizer o rito interno que é preciso fazer? Fica muito difícil. Conhecimento logosófico é um conhecimento que não funciona — ou seja, a gente não consegue aproveitar o conteúdo energético nutritivo que esse conhecimento oferece — se a gente mantiver ele na superfície mental. Ou assim: decorei o ensinamento. Legal. Até legal porque, assim, bom, o primeiro passo é recordar do que foi, do que foi lido. Sei lá, não precisa lembrar o que eu li. Estou estudando, estou tomando contato com o conhecimento, estou buscando algo para a minha vida, para a minha existência, com, de um, com características de um conteúdo extremamente elevado e de um poder energético enorme. Se eu não começo nem lembrando o que eu li, o que eu estudei, aí realmente vai ser difícil assimilar qualquer coisa. Mas o ponto é: não é para a gente apenas guardar e recordar o que a gente está lendo. O estudo, é, vamos dizer assim, o estudo prático, o estudo vital desse conhecimento se dá, obviamente, com a assimilação — assimilação desse conteúdo energético, desse conteúdo nutritivo que o ensinamento logosófico oferece. É só assim. Como é que a gente vai fazer então, como é que é esse processo na prática? E eu entendo que na prática é um processo análogo mesmo à forma correta de ingerir alimentos. Porque a mente precisa trabalhar com esse conhecimento, sabe? Então assim, quantas vezes na vida eu li, eu busquei qualquer conhecimento, mas realmente assim, mesmo sobre a vida e a existência — como eu já falei, já li muita coisa, muita coisa — mas ficou na superfície da mente? Mesmo em Logosofia, muitas vezes eu li e li como assim: ingeri rapidamente, mas não trabalhei. Ou ficou na superfície um tempinho e depois esqueci. Ou simplesmente eu achei que o fato de ter prestado atenção na leitura ia garantir alguma coisa. Não garante nada. Pelo contrário. O rito de assimilar o conteúdo nutritivo do ensinamento, ele é um rito mesmo, ele é uma prática que exige que um todo, um organismo que não é fisiológico, mas é metafísico — uma engrenagem que a gente tem, analogamente — funcione de forma completa. E é por isso que a instrução clara no "Curso de Iniciação Logosófica" é que não é operante, não é utilitário decorar um ensinamento, memorizar um ensinamento. Isso não muda. Esse conhecimento precisa ser assimilado pela mente através de um movimento constante de trabalho da mente com cada ensinamento. Ou pelo menos com aquele ensinamento que no dia chamou a minha atenção. Ou seja, é como se a gente pudesse focar. Cada dia a gente pode focar em um ou dois, três pontos diferentes de um ensinamento ou de vários ensinamentos, não importa. Mas assim, a mente precisa trabalhar durante o dia. Quando eu falo trabalhar durante o dia, não é que eu vou passar o dia pensando no ensinamento. Mas é que, assim, ao longo do dia eu preciso olhar para a minha vida e olhar para aquele ensinamento e falar assim: poxa, como é que esse conceito novo, como é que essa concepção que a Logosofia apresenta sobre a vida, ela impacta e ela permite que eu viva essas experiências do dia a dia de forma melhor, de forma diferente, de uma forma que eu não vivia antes, sem as limitações que eu talvez tenha vivido a vida toda cada uma dessas experiências? E essa é a razão porque eu busco todo dia o conhecimento. Porque eu preciso ir alimentando — e de novo, não para engolir — mas eu preciso ir alimentando minha mente com esse conhecimento constantemente. Porque eu procuro ficar trabalhando com tudo isso todo dia. Eu acho que a gente está aprendendo ainda, porque a gente ficou realmente... A gente se acostumou, é a cultura, eu falei. A gente está numa cultura de simplesmente decorar as coisas ou de engolir um monte de coisa. E vamos pegar esse lado: quando as pessoas ficam na internet buscando pensamentos prontos e, enfim, quaisquer conselhos, dizeres, frases, soluções rápidas. E tem gente que consome o dia inteiro de conteúdo achando que isso vai dar um conteúdo para a vida. Mas de novo, não adianta encher a mente, engolir um monte de coisa que se encontra hoje na internet, um monte de livro, e isso tudo passar pela mente e de novo vai embora. Não é digerido, não é. Não há esse trabalho. E o difícil é a consciência. Por isso assim, o desafio é entender, é ter consciência que há um trabalho para fazer na mente. E o método logosófico, nesse sentido, ele é muito claro, muito preciso, porque ele vai apresentando esse trabalho. Nesse livro que a gente está estudando, que é o "Curso de Iniciação Logosófica", está exatamente nesse trecho inicial sobre estudo e prática, no individual, no coletivo, sobre a inoperância de memorizar o ensinamento. É exatamente o método logosófico nos ensinando assim: como é que a gente faz para que esse conhecimento, esse alimento, esse elemento nutritivo para a mente, para o coração, para a consciência, ele deixe de ser apenas um visitante na mente e ele passe a ser absorvido por ela, e possa fazer uma diferença vital na nossa vida? Porque esse é o objetivo. E por isso que a Logosofia é muito prática diária, é prática diária. Por quê? Porque essa, vamos dizer assim, esse conteúdo energético tem essa capacidade de favorecer que a gente viva a experiência do dia a dia de forma diferente. E essa é a mágica maravilhosa que esse conhecimento faz para mim. E eu tenho certeza que de alguma forma faz para todo mundo que toma contato com ele. Por quê? Porque ele permite que se perceba a vida de uma forma diferente. Não importa em que fração, não importa se é muito, é pouco, hoje ou amanhã. Mas é uma capacidade latente do conhecimento transcendente. Ou seja, ele tem um conteúdo nutritivo, energético extremamente alto, extremamente, vamos dizer assim, intenso. Mas é preciso olhar para isso, ou se colocar frente a esse conhecimento de uma forma diferente de como a gente se colocou em geral, em geral frente ao conhecimento que a gente ingeriu a vida toda. Bom, de certo modo, é se perguntar todo dia: como é que eu trabalho com esses conhecimentos, ou com um conhecimento específico hoje, de forma que o meu dia não seja mais um dia na minha vida? Como é que eu posso extrair de um conhecimento algo que seja útil para a vida? Primeiro passo: recordar desse conhecimento, desse ensinamento que se buscou, que se leu, do trecho que se estudou, durante o dia, mantendo na mente para que a gente possa começar a experimentar o benefício, os benefícios que a mente começa a prover quando trabalha um conhecimento já não mais de forma superficial. Quando a mente começa a rodar a sua engrenagem com o objetivo de extrair um conteúdo energético, um nutritivo de um conhecimento superior, transcendente, como esse que a Logosofia oferece. Então acho que o mais importante é essa posição, a colocação interna de cada um de nós frente a essa oportunidade de estudar, de ler e de manter na mente o suficiente para que esse processo comece a acontecer. Ah Ronny, mas é um negócio meio assim mágico. Então, aquilo que a gente não sabe explicar, não tem consciência, parece sempre uma mágica. Mas obviamente não é sobre isso. É sobre entender que é um conhecimento de outra característica e que se destina a, de fato, ir mudando a forma como cada um de nós se coloca frente à vida. Todo dia as experiências da vida vão ser as que vierem. Mas a forma de cada um de se colocar frente a elas pode mudar decididamente todo dia, contanto que esse conhecimento, esse tesouro, essa potência não fique apenas na superfície mental e que a gente possa trabalhar com ela ao longo de cada dia, recordando-a e fazendo perguntas específicas. Se perguntando o porquê, se perguntando como é que a gente já experimentou isso, como é que a gente pode experimentar isso de alguma forma, como é que isso muda a perspectiva com a qual, ou pela qual, a gente está vivendo a vida no dia a dia ou uma experiência especificamente. É o conhecimento de si mesmo que começa a ser, vamos dizer assim, absorvido na medida que a gente trabalha com ele todo dia. Boas reflexões, bom estudo, fique bem e até o próximo podcast.