Latest / Logosofia no Dia a Dia / Inércia Mental e Inconsciência — Por Que Você Sente Que Não Está Vivendo de Verdade
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Bom, tempinho frio. Não tá congelante ainda, mas tá frio, né? É a semana mais fria aqui em São Paulo, então é a semana que começa mais fria agora nesse início de junho de 2026. E vou te dizer que eu gosto muito mais dessa temperatura do que do calor. Embora, obviamente, ela traz alguns desafios, né? Especialmente o desafio de sair da cama quentinha e trocar de roupa, ir pra academia ou fazer qualquer coisa que seja. Agora, por outro lado, o frio é um estado em que tende realmente as coisas a diminuir em sua atividade, né? Por quê? Porque atividade gera calor. Calor é atividade, calor é movimento. E tanto é que depois, quando eu vou pra academia, eu começo a sentir calor com o movimento, com o esforço todo. Mas o frio é praticamente um estado que vai diminuindo o movimento das coisas, dos elementos, dos átomos. Até um ponto que a gente não convive com isso, né? Mas existem regiões nos extremos terrenos de sul e norte — existe o que se chama de permafrost. Permafrost são camadas gigantescas de gelo na superfície. Você olha e não tem nada, né? Embora dentro desse gelo, nesse solo, tenha sementes, tenha vida. Existe vida orgânica, mas tá paralisada. É uma vida que tá congelada. Tudo que tá no permafrost ali tá congelado. Ou seja, existe vida, mas a vida está nesse estado meio que de pausa, né? Você vai falar: "Porra, mas é uma pausa de milhares de anos." Pois é, mas a vida existe — é como se a vida tivesse congelada mesmo. E não é o frio que a gente passa no inverno, não. É congelada a ponto de como se não tivesse vida, né? Então fica até uma dicotomia: pô, mas tem vida ou não tem? Tem vida, mas tá congelada, então não tem vida. Muito bem. Independente do que seja, e tá tão distante da gente que às vezes a gente nem pensa sobre isso. Mas vamos transpor isso pra realidade da vida de cada um de nós. E vamos olhar pra humanidade que a gente convive e pensar o seguinte: quantos estão vivos, de fato? E quantos estão congelados? Nesse estado que a gente mal observa ou mal percebe — que é o estado da inconsciência e da inércia. Como é que a gente vai se sentir vivo quando passa a maior parte da vida dessa existência terrena vivendo como um autômato? Vivendo no automático, vivendo na inconsciência, vivendo na inércia desses movimentos diários que simplesmente é seguir fazendo o mesmo. A gente segue, e esse é o risco que a gente passa, acho que o maior risco que a gente passa é o de acordar todo dia e simplesmente repetir mais um dia. Veja, eu sei que do ponto de vista físico, do ponto de vista terreno, a gente tem que acordar todo dia e acaba repetindo uma rotina física praticamente todo dia, ok. Essa rotina muda de segunda a sexta — é uma geralmente — depois sábado e domingo é outra, mas ainda assim é uma rotina. E fisicamente não tem nenhum problema que seja uma rotina. Porque não é sobre a parte física, né? Eu estou tratando aqui de pensar na minha vida do ponto de vista metafísico. Eu vivi numa inércia mental durante muitos anos da minha vida. E ainda vivo numa inércia mental durante os meus dias, várias vezes ao dia. Você fala: "Porra, Ronny, você não tem vergonha de falar isso? A essa altura, você já está há tantos anos nessa jornada e você ainda vive ao longo do dia vários momentos, às vezes horas de inércia mental." Pois é, esse sou eu. Ainda, quer dizer, lutando ou às vezes nem lutando — que é o pior. Porque são dois, acho que são dois, realmente características claríssimas do grande problema, do grande drama da existência humana: a inércia mental e a inconsciência. Eu estou rindo de nervoso, não tem nada de engraçado. Porque uma é essa tendência de permanecer no mesmo movimento — que é esse movimento mental. Então, falando do ponto de vista sempre metafísico, eu não me refiro aqui aos nossos movimentos, aos nossos passos físicos. A tendência da gente continuar nessa vida que fica no mesmo estado mental. Então, todo dia se repete o mesmo estado mental. A gente vive as situações e as situações se desenvolvem da mesma forma. Aí tem uma pessoa que não me trata bem ou que tem uma característica X que me incomoda, aí eu reajo. Ou então tem um problema que eu, de fato, procrastino — porque, puxa, é um esforço que eu não queria fazer, é um assunto chato — então eu empurro com a barriga para o dia seguinte. Aí no dia seguinte eu faço a mesma coisa. Ou essa inércia do fazer nada, que é ficar um tempo aqui sem fazer nada, descansar. Veja, descansar fisicamente é importante, mas a mente não descansa quando fica parada. A mente exige atividade, assim como ela exige que a gente recupere no sono essa energia mental, essa energia vital. Mas a mente parada no ócio — isso não descansa ninguém, é o contrário. Ficar com a mente no ócio muito tempo dá aquela sensação horrível depois. Não é que a gente se sente melhor. A gente não sai de um ócio mental e sente assim: "Nossa, agora estou revigorizado, estou me sentindo cheio de energia." Não, você passa um tempo no ócio mental e a sensação é péssima, porque a mente exige atividade. Ela descansa com atividade, ela descansa, inclusive, com a mudança de atividades. Até uma das grandes técnicas que eu aprendi, ou das melhores técnicas que eu aprendi com a logosofia, é exatamente de alternar atividade mental durante o dia ou durante os dias que vão passando, para que a mente possa sempre se recuperando e ir descansando quando ela muda de um assunto para o outro, de um tipo de esforço para o outro. Mas, voltando ao ponto, a inércia mental é uma das características dessa vida que só é vida em aparência. Existe vida? Existe, mas está congelada. E se a gente olhar bem, quantos dias, ou horas de um dia, ou dias de uma semana, dias de um ano, quantos anos cada um de nós não viveu na inércia mental? Eu sei, é duro quando a gente faz uma afirmação dessa, cada um para si mesmo. E aí cada um vai julgar a si mesmo — eu não estou aqui julgando ninguém, fique tranquilo. Mas, como eu sei que no meu caso é uma realidade, eu vivi anos numa inércia mental basicamente. Aí eu pergunto para mim mesmo e pergunto para você: eu vivi esses anos? Você vai falar: "Ah, Ronny, você estava vivo, é claro que você vivia." Não, mas não é sobre isso. Esse é o ponto, você entendeu qual é o ponto? Obviamente, se a gente ficar olhando a existência biológica, a vida biológica, é claro que a gente vive. Mas isso, se fosse para falar sobre isso, eu não ia nem começar. Eu preciso sentir — eu sempre quis sentir a vida na plenitude do significado dessa palavra. E eu sempre senti um vazio interno, porque exatamente o que eu não sentia era a plenitude da vida. Você entendeu qual é o ponto para mim? O grande drama da minha vida durante muitos anos foi que eu passei anos da juventude, adolescência, sem sentir a plenitude da vida — salvo talvez um outro momento muito assim, de passagem. E isso me amargurava, me criava uma angústia. Eu sentia uma angústia muito grande, porque era essa sensação de existir, mas de não viver. Não é à toa que muita gente vai perdendo o ânimo pela chamada vida, e o ânimo vai se deprimindo, ao ponto de a gente sentir essa depressão. Essa palavra não é à toa, porque quando se existe apenas, mas não se sente a plenitude da vida no seu alcance original — eu falo original porque a capacidade e o plano do pensamento criador para nós é que o ser humano desperte a consciência para sentir a própria vida, para viver, para experimentar a vida com plenitude de consciência do que é e de qual sua missão, qual a razão de ser, de estar aqui na Terra, de existir. Então, quando a gente não vive assim, quando está ausente de nós essa consciência — porque a gente ignora — e eu, sinceramente, eu não aprendi em lugar nenhum, só fui descobrir isso com a logosofia. Nenhum lugar que eu fosse antes, nenhuma escola que eu andei antes ou outros ambientes me ensinou o que era a plenitude da vida, porque eu nunca tinha sido guiado para despertar a consciência com conhecimentos que capacitam a consciência para se despertar. Porque não é uma questão de assim: "Ah, legal, então já sei, tem que despertar a consciência, tá bom, então agora que você falou que tem que despertar a consciência, tá ótimo, vamos despertar a consciência, tá bom." Aí eu pergunto: e como é que faz isso? Como é que o ser humano, como é que cada um de nós sai desse estado de inércia e — pior ainda — agora o outro elemento que são os dois. E realmente são os dois elementos que, vamos dizer assim, praticamente detonam a possibilidade de cada um de nós sentir a plenitude da vida: a inércia e a inconsciência. Porque a inconsciência — que é essa ausência de conhecimento, esse vazio, essa ausência de conhecimentos sobre a vida, sobre o que somos, quem somos, o que viemos fazer aqui, sobre o mundo mental, sobre como funciona, o que existe dentro de cada um de nós — quem sou eu? Se eu não sei quem sou eu — e eu não estou me referindo, obviamente, à vida biológica, nem à minha profissão, nem ao meu nome no RG, ao meu CPF, não é isso — quem sou eu de verdade? Quem sou eu na essência? Porque nessa essência está impressa a herança de uma vida que se estende através de muitas existências. E se eu não sei, se eu não conheço, se eu não me identifico com essa essência, eu não sei quem eu sou. Aí você pode estar falando assim: "Ah, Ronny, mas aí começa a ficar complicado, né? Porque aí você está falando de coisas muito difíceis." Assim, veja, se tudo isso fosse fácil, eu não estava aqui precisando te contar por necessidade do meu próprio processo, precisando te contar como é que eu estou vivendo a vida sob a luz desse conhecimento transcendente. Porque eu já teria realizado — e você também, e todo mundo — esse processo, porque seria uma coisa tão óbvia. Então, assim, se eu tivesse esse conhecimento, a gente não fala assim: "Só que o 'se' não existe, né?" Esse negócio de "se eu tivesse", "se eu soubesse", "se eu tivesse escolhido" — essa forma de a gente imaginar outros resultados é ótima para falar de teoria. Mas o fato é que se a humanidade tivesse entendido tudo isso e seguido o caminho do conhecimento para despertar a consciência individual, para a realidade da vida em sua plenitude, de seus alcances mais profundos, nós seríamos outra humanidade na Terra. Então, já sabemos que não conseguimos fazer isso. A gente sabe que a gente não foi por esse caminho. E os caminhos que a gente escolheu como conjunto — individualmente, mas como conjunto, obviamente — são os caminhos que nos levaram a viver o que se vive hoje. Então, está claro para mim que era preciso um novo caminho. Ou melhor, era preciso um conhecimento que iluminasse o caminho original, que é um só — que é o caminho do conhecimento, o conhecimento de si mesmo, o conhecimento dessa realidade metafísica que nós somos, assim como somos uma realidade biológica. Nós somos um ser biológico, psicológico, espiritual. "Ah, mas eu vivi a vida inteira só no biológico e com alguma ideia do psicológico." Pois é, bem-vindo ao clube — eu também. E por isso, e por essas razões, a gente passa tanto apuro na vida. E não me refiro às dificuldades do dia a dia — me refiro a esse estado de angústia, de ansiedade mesmo, generalizado. Então, não é à toa que o nosso ânimo tende a ir se deprimindo conforme a vida caminha, porque a falta de um horizonte que ofereça essa visão, essas respostas, um horizonte que ofereça possibilidades reais de viver e de sentir a vida na sua plenitude, deprime mesmo. É para o ânimo se deprimir. Veja, é natural que o ânimo se deprime. Então, assim, dá para olhar para o estado nosso nesses momentos em que a gente sente todo esse peso, esse vazio, e entender que é apenas um sintoma. Não é a doença, veja que interessante — a ansiedade, a angústia que individualmente muitos seres humanos sentem frente à experiência da vida não é uma doença, é um sinal, é um sintoma, é uma consequência. A inércia e a inconsciência têm matado dentro de cada um de nós o que há de mais lindo, o que há de mais incrível: a potência, a capacidade de, despertando a consciência com os conhecimentos transcendentes, começar a viver, sentir e perceber a vida em muito, muito mais níveis, planos do que a gente percebeu e aprendeu sobre a nossa vida. Que no final acaba sendo somente uma existência terrena enquanto esse conhecimento não desperta a consciência para a realidade que lhe é própria. A conferência seguinte no livro "Introdução ao Conhecimento Logosófico" trata exatamente sobre isso, ou pelo menos inspira cada um de nós a tratar sobre isso consigo mesmo. Bom, adivinha qual é o nome dessa conferência que eu estou me referindo? "A Vida em Seus Profundos Alcances." É simplesmente sensacional. Eu sou sempre muito estimulado quando eu mergulho no ensinamento logosófico. A sensação é de que eu estou ligando minha vida numa rede elétrica de altíssima potência, sabe? A sensação é mais ou menos essa, né? É de finalmente estar ligado, né? Por que isso? Porque é preciso sair desse estado de viver a vida na inércia mental e viver a vida na inconsciência quanto a tudo o que a gente veio viver aqui e a gente não sabia até então. Obviamente eu sugiro sempre a leitura da fonte. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.