Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Aquífero Invisível — Você Está Procurando Água com um Graveto?
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que eu estava pensando aqui em umas imagens mais curiosas, que eu lembro que motivou a minha curiosidade e, obviamente, a ilusão da criança durante muitos anos. E eu lembro que, lógico, é um assunto que eu nunca mais voltei, que é uma bobagem assim para mim, mas assim, eu lembro que ficou uma imagem de um negócio assim de poderes mágicos. Sabe o que era? Aquelas referências a essa... Existe uma lenda de que uma pessoa pode encontrar água embaixo do solo usando um graveto qualquer em forma de Y, a chamada forquilha. Não sei se você já viu essa referência, mas isso tinha, acho que eu vi isso em desenho animado quando era criança, ou vi isso em algum filme, não sei, e eu lembro que ficou marcado assim na minha mente como um negócio muito incrível, era mágico, lógico, que andasse em cima de um terreno e essa forquilha apontasse para baixo no lugar que tivesse água. É claro que isso é uma lenda, é uma ilusão, é uma brincadeira, enfim, é uma crença que não tem nenhum — já foi comprovado e desbancada pela ciência de que não existe isso. Um graveto em forma de Y não tem essa capacidade de identificar a água lá que está abaixo do solo. O que os geólogos e geofísicos usam hoje em dia, há um bom tempo já, para procurar água embaixo do solo, é um radar de penetração de solo, que é um equipamento que envia pulsos eletromagnéticos para baixo, em direção ao subsolo, e esses pulsos rebatem nas camadas diferentes de rocha e de água quando tem, e cria um mapa 3D na tela do radar — de como o mundo invisível vira visível. O operador do radar consegue enxergar através da terra sólida sem precisar cavar um único centímetro às cegas, e é assim que se encontram os lençóis freáticos, ou até os aquíferos profundos. E esse é um ponto muito interessante, por isso que eu cheguei, lembrei, veio na minha mente a imagem da forquilha. Porque os aquíferos são esses reservatórios gigantescos em extensão, que existem profundo na terra, e às vezes embaixo de regiões extremamente secas. Então tem aquíferos, inclusive embaixo de desertos, como o Saara, por exemplo, tem reservatórios gigantescos dessas águas — é uma água doce, que chamamos de água doce (não salgada), que são sistemas que durante milhares, milhares, milhares ou milhões de anos se formaram. A água se acumula entre camadas de rochas impermeáveis, ou a água se acumula em camadas de rochas que são meio tipo esponjosas, coisas assim. Eu não entendo disso, mas eu sei que essa é uma realidade. Daí que vem, inclusive, a fonte de muitos dos lençóis que as pessoas usam — os lençóis freáticos que as pessoas acessam com poços. Esses poços que são cavados e o pessoal acessa a água. Então vamos pensar o seguinte: por que que eu estou com essa imagem? Por que que eu lembrei dessa imagem da água e dos lençóis embaixo, inclusive da forquilha, desse mito? Porque eu passei uma parte da minha vida vivendo a vida como se fosse um lugar, um terreno muito seco, muito — vamos dizer assim — árido, sabe? Árido é a palavra ideal, porque é aquela situação em que a vida vai assim, vai sendo aquela rotina que é meio seca mesmo. É meio — sabe, você sentiu isso já, né — de assim, o negócio está sempre meio. Às vezes a gente queria encontrar uma água, queria refrescar um pouquinho, queria sentir melhor, mas é aquela situação, são aquelas experiências, uma atrás da outra, em cada canto do terreno que a gente anda, do terreno da vida. Às vezes muitas dessas — desses cantos — são áridos, porque as experiências são, assim, são difíceis mesmo, né. Então assim, às vezes é como se a gente vivesse na superfície um drama. É como se a gente soubesse que tem algo, né, tem vida, ou tem assim, uma fonte — vai, tem uma fonte de vida e de refresco, assim, uma fonte de renovação, profunda no solo. Mas a gente não encontra onde que está essa fonte. E às vezes fica, passa a vida, uma parte da vida com a forquilha na mão, que é o pior. Quantas coisas, né, quantas soluções eu tentei para enriquecer a vida, ou para pelo menos trazer uma — assim, um, né, uma — refrescar o terreno árido da minha experiência diária. Quantas vezes eu não tentei isso com forquilhas — quer dizer, a tragédia do graveto, né, assim — tentar encontrar resposta em soluções rasas, em ilusões, né, em soluções assim que alguma coisa vai cair do céu. Não literalmente cair do céu, mas assim, que fica. Quantas vezes eu fiquei esperando que as situações, os acontecimentos, simplesmente mudassem ao meu favor. Então assim, é como se ficasse, né, rezando para chover hoje. Tudo bem, alguma hora vai chover. Se o terreno é árido, quer dizer, em geral chove, né. Tem lugar do mundo que não chove nunca, alguns poucos pontos do mundo que não chovem nunca, mas em geral alguma hora chove. Mas assim, não é porque a gente quer que chova, né. A gente pode pedir e implorar a Deus que chova, mas não é isso que vai fazer chover. Ou seja, a gente passa a vida, né, às vezes cavando buracos rasos durante a vida toda. São esses projetos que a gente começa achando que são projetos que vão mudar nossa vida e vão nos trazer felicidade. E depois de um tempo a gente abandona. Por quê? Porque a gente não encontra nesses projetos, nessas ideias, a gente não encontra o conteúdo essencial da vida. A gente não encontra essa fonte de renovação das energias internas. Então é como se a gente usasse o graveto lá, a forquilha, e acha que mexeu. Aí cava, cava, não encontrei água, aí deixa. Aí começa a andar de novo. Muitas vezes a gente se agarra, né, a ideias, a ideologias e mesmo às vezes a crenças, é, que na verdade não entregam, porque não tem como entregar o verdadeiro conteúdo existencial da vida. E a gente às vezes passa a vida inteira correndo atrás dessas coisas, como se fosse realmente uma pessoa que busca desesperadamente pela água doce, numa vida, num terreno extremamente árido, mas nunca encontra, porque a gente não entendeu como buscar. Não tem ferramenta certa. E isso também é algo que acho que afeta a todos, sabe, assim. Essa não é uma coisa que afetou a mim e que afeta a mim, né. Eu ainda hoje, de vez em quando, eu ainda me vejo, assim, sabe, esperando a solução mágica acontecer, para algum problema, para alguma coisa. E de fato, é como se eu tivesse mesmo esperando que uma forquilha se curvasse perante a existência de água, né. O problema é que aí o terreno fica aquela monte de buracos rasos que eu cavei ao longo da vida — dezenas de buracos rasos que a gente cavou, né. Eu pelo menos ao longo da vida. E que na verdade nenhum deles me deu acesso a essa fonte — vamos dizer assim — uma fonte vital de energia, de capacidade de renovação mesmo. É como se a gente ficasse desconectado, sabe. É como se existe um aquífero — como existe, né, no caso da terra — praticamente quase em todo lugar tem aquíferos, ou em muitos lugares tem. Mas o terreno em cima pode ser praticamente um deserto. Imagina então se a nossa vida acaba sendo, às vezes, muitas vezes, árida igual. Mas se tiver uma fonte mais profunda naquela mesma vida que a gente está vivendo, que pudesse nos dar essa renovação, fazer essa renovação da vida, nos dar essa energia praticamente infinita, seria incrível, não seria? Pois é. A gente tem que deixar de ser o cara com o graveto, né, com a forquilha, e a gente tem que passar — tem que adotar a solução do geofísico que usa aquele radar — para entender que não é questão de será que tem uma fonte, né, de energia, de renovação da vida que a gente possa acessar. É questão de entender como achá-la, como encontrá-la. Isso está muito claro porque um desses — dentre os resultados que a Logosofia indica, né, dentro do aspecto individual da vida — esse conhecimento vai propiciar exatamente o resultado de encontrar e de poder fazer a perfuração no lugar certo, onde a consciência individual, com o uso da ferramenta, que são os conhecimentos transcendentes, esses conhecimentos podem deixar de ser apenas uma possibilidade de mudar a vida, mas eles se tornam um verdadeiro poço artesiano para conectar essas reservas que existem profundo dentro de nós, a nossa mente. E com isso, a capacidade que a gente tem de poder passar e viver num terreno que era árido de uma outra forma. Tem lá os vários — tem nove itens, né, que o ensinamento logosófico lista. Diretamente especifica nove resultados da realização do conhecimento transcendente na vida. O resultado 7, esse que chamou muito a minha atenção, diz que essa realização do conhecimento logosófico, ele realiza também — tem como resultado também — ele enriquece a consciência com um concurso de conhecimentos transcendentes. Esses conhecimentos lhe permitem introduzir-se em seu mundo interno e explorá-lo. Ao fazê-lo, toma contato com o mundo metafísico transcendente, fonte das concepções eternas. Por ser mental, sua poderosa e fecunda força criadora. E foi esse ensinamento específico, literalmente, como eu li agora, que me causou essa recordação direta da fonte de água. Porque esses aquíferos que a gente tem — que não é que a gente tem, que existe, na verdade — que a gente pode fazer contato com ele e pode, ao conectar propriamente com ele, a gente pode abrir esse veio de onde flui as energias e a vida. A fonte da vida, da vida primordial, da vida causal, é exatamente o mundo metafísico. E essa é talvez a concepção, ou é o conceito da concepção logosófica, que eu lembro que foi a maior surpresa para mim, desde sempre — foi entender que existe uma fonte de vida interna. Então, eu estou me referindo à vida mental, à vida causal. Ou seja, existe uma fonte de energia para a vida, que é inesgotável. E essa fonte inesgotável é exatamente a capacidade que a mente pode desenvolver de se conectar a esse mundo que, como de vez em quando a Logosofia nos recorda, quase sempre, pelos ensinamentos, é um mundo que permite a conexão direta da própria mente com o pensamento criador. Veja, eu estou falando assim: é a conexão que existe no próprio terreno da vida, na própria propriedade. Não é que a gente vai ter que encontrar isso numa montanha distante ou numa planície no outro lado do mundo. Cada um de nós pode — mesmo que o terreno da vida tenha parecido sempre, tenha sido sempre um terreno mais árido — cada um de nós pode identificar e conectar a superfície da mente, da vida, a essa fonte inesgotável de energia que é o mundo metafísico. Só que essa conexão não está fora. E esse que é o problema: a gente acha que está nas coisas da vida, nessas experiências externas ou nos acontecimentos. Essa conexão está dentro. Esse acho que é o aspecto mais importante desse ensinamento e do conhecimento logosófico como um todo — essa clareza de que há uma fonte de energia e de vida inesgotável que cada um de nós pode ter acesso, e é uma fonte transformadora. Eu hoje afirmo com muita tranquilidade: eu tinha uma vida árida e sofrida que era difícil ter esperança de que eu ia viver algo diferente quando eu era um jovenzinho. Isso me angustiava muito. Eu não tinha ideia desse mundo metafísico, eu não tinha ideia dessa fonte de recursos em que a mente pode começar a se conectar e absorver. E então começar a compreender de fato quanta energia, quanta capacidade, qual a potência que o nosso mundo interno pode ter frente às circunstâncias da vida. É como se a gente pudesse transformar de fato um terreno, uma fazenda, uma propriedade que aparentemente é muito árida — como na realidade é a vida em muitas épocas, fases ou experiências — em um jardim, em uma plantação, em um pomar maravilhosamente frondoso e cheio de frutas, e cheio de flores, e cheio de vida. Simplesmente — não é simples, mas — pelo fato de começar a usar as ferramentas certas e capacitar a mente para cada vez mais compreender, perceber, compreender, se conectar e utilizar-se desse mundo metafísico que cada um de nós tem acesso direto dentro de si mesmo. Não está fora. Não está em nada das experiências terrenas específicas que a gente vai encontrar. Não está nisso a conexão. A conexão — e esse é o grande farol que a Logosofia me deu — foi entender que a conexão a esse aquífero, a essa reserva, a essa fonte infinita, porque a própria criação ensina a concepção do pensamento de Deus, a fonte dessa energia está à disposição. Ou seja, está disponível para qualquer um de nós se conectar. A questão é: que ferramenta que permite essa conexão? Aí entra diretamente o conhecimento transcendente como ferramenta adequada para preparar a mente e permitir que a mente então acesse e flua para a mente de cada um de nós a energia, a vida, a vitalidade desse mundo que se oculta à visão, mas que, como aquífero, está lá. Para quem se conectar com ele, você passa — você não vê nada com os olhos, mas ele está lá. É a mesma coisa que eu entendo do mundo metafísico. Então assim, o convite, a reflexão que eu penso que a gente tem que manter na mente ou tem que se fazer: qual ferramenta cada um de nós está buscando, está usando para encontrar essa fonte no próprio terreno da vida? Como é que a gente está mapeando? Que ferramentas a gente vai usar para mapear e acessar essa verdadeira força criadora? Ou vamos continuar caminhando no terreno árido e muitas vezes segurando um graveto mágico esperando por um milagre? Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.