Latest / Logosofia no Dia a Dia / Seja Como a Água — A Capacidade Que Você Não Sabe Que Tem
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? A gente tem que ser que nem a água. Aliás, a gente tem capacidade de ser que nem a água. Não te pareceu convidativa a proposta? Você falou assim: pô, que ideia, né? Quem quer ser que nem a água? Ah, eu te garanto que a gente quer ser que nem a água, você vai concordar comigo, eu acho, até o final desse episódio. Veja, a água é um elemento que tem uma capacidade incrível. Qual é a capacidade da água? Bom, a água, né, a fórmula que a gente aprende — acho que a primeira fórmula que a gente aprende na vida deve ser a água, né, depois, sei lá, oxigênio e água. A H2O define essa substância que a gente conhece e que a gente depende pra viver. E é uma substância extremamente antiga e presente no universo. Olha que interessante: a água aqui na Terra, vamos pegar aqui na Terra, vai. A água, como elemento presente, praticamente onipresente na Terra — inclusive no nosso organismo — ela enfrenta umas situações bem esquisitas. Pensa bem: a água quando tá lá na, sei lá, na Antártida, lá nos Polos Norte, no Polo Sul, nessas regiões de latitudes mais altas do globo, ela sofre um frio — um frio que nem eu, que sou calorento, gosto de tanto frio, né. Essa situação, essa condição que ela acaba sofrendo, o que que ela faz? Bom, o frio transforma a água em gelo, legal. A água que tá perto de vulcões e fontes, né, de calor extremo, ou até no sol — muito forte — o que que ela faz? Ela evapora. E o vapor ou o gelo retornam à condição líquida quando as condições mudam e são favoráveis a isso, certo? Muito bem. Até aí, estou assim: ah, e aí, né, Ronny, que valor tem isso? Pensa num elemento que sofre alterações — ou seja, que passa por circunstâncias e fatos na vida dele tão extremos que mudam tanto, e às vezes mudam em pouco tempo, como a água. Se a gente for olhar do ponto de vista das variações e alternâncias que a água enfrenta no planeta Terra, a gente poderia considerar que a água tem uma capacidade incrível de se adaptar. Porque veja só que interessante: a água, quando ela sai da forma líquida pra forma sólida, ou ela se transforma em vapor, ela não tá perdendo a essência. A água não tá se transformando num outro elemento. Não é que ela deixe de ser água e passa a ser hidrogênio, sei lá, ou passa a ser ferro. Não é isso, né? A circunstância que pressiona ou a circunstância imposta à água não faz a água deixar de ser água. Veja que detalhe curioso. Mas qual é a capacidade — essa que eu comecei falando — qual é a capacidade que a água tem que é incrível? A água tem a capacidade de se adaptar às diferentes condições que a vida, vamos dizer assim, que a vida terrena impõe pra ela. Obviamente que a água não o faz de forma consciente, porque a água não tem consciência, né? A água não é um ser. Mas você percebeu que no final, quando a gente olha essa reflexão, a gente fala assim: bom, vamos ter que convir entre nós e admitir que a capacidade de adaptação que a água tem frente às diferenças de temperatura, de pressão — imagina, a água lá no fundo, nas fossas abissais dos oceanos, a 10 quilômetros de profundidade, praticamente — a água sofre uma pressão, as moléculas de água estão comprimidas, porque a pressão é tão gigantesca naquela profundidade, tão gigantesca, que tanto é que o ser humano vai pouco e com máquinas incríveis, e sempre um perigo naquelas profundezas. Por quê? Porque a pressão é insuportável, praticamente. Mas a água suporta. A água suporta. A água não é comprimível, né? Então, por que eu escolhi a água nessa reflexão? E por que eu estou dando tanto valor? Veja, fora o valor vital para o ser humano — nosso corpo é basicamente feito de água e a gente precisa ingerir esse elemento maravilhoso — não só a gente, o ciclo todo de vida no terreno precisa desse elemento. Mas acho que a condição mais incrível é a gente ver a capacidade de adaptação que a água tem frente às constantes mudanças de temperatura, de pressão. As condições mudam e ela enfrenta condições tão diferentes na própria terra, né? E a água se adapta. E quando ela encontra um sólido — por exemplo, quando o vapor da água encontra uma montanha — o que ele faz? Ele se condensa e começa a escorrer como água e descer de volta à montanha rumo aos rios, rumo aos oceanos. A água tem uma capacidade incrível. A gente fala que a água é fluida, né? Pois é. A fluidez da água é essa capacidade de adaptação que ela tem e que, sinceramente, olha, é quase invejável. Porque quando a gente olha para o ser humano, a gente fala assim: poxa, o ser humano é muito mais importante e muito mais capaz que a água. Espero que sim, né? Ele é, claro que é. Mas como é que a gente se coloca frente às variações de circunstâncias e fatos da vida? Bom, primeiro que nossa capacidade de adaptação também é muito grande, enorme. Mas o que eu observei é que, na minha vida, essa capacidade acabou sendo exercida a maior parte do tempo de forma inconsciente. Ou seja, se a gente olhar para as experiências que a gente vive desde pequeno — e talvez seja uma generalização, mas, pelo que eu observo, isso é muito presente na vida de todos — desde pequeno a gente aprende a se adaptar por necessidade mesmo, sem consciência desse fato. A gente simplesmente vai... assim, tá com frio, bota a roupa. Tá com calor, liga o ventilador, ar-condicionado, tira a roupa. Tá cansado, descansa, dorme. Tá com fome, come. Conforme a condição do corpo muda ou a condição da terra muda, o ser humano vai se adaptando, né? E não só na parte natural, das coisas biológicas, mas vamos pensar o seguinte: a vida vai mudando e a gente poderia dizer que o ser humano vai se adaptando. Ou, pelo menos, uma boa parte dos seres humanos consegue ir se adaptando. E tem outra parte que não consegue se adaptar nem inconscientemente, nem na necessidade das circunstâncias. Dá para até pensar que cada um de nós talvez já tenha passado — como eu — por circunstâncias, experiências e fatos que causaram muita dor, antes que eu me adaptasse. Eu lembro de sofrer muito, na adolescência e no começo da vida adulta, de sofrer porque praticamente eu não queria aceitar algumas coisas que eram uma realidade para mim, na minha vida. É como se fosse uma rebeldia, uma resistência inconsciente, quase instintiva, à adaptação. É como se eu me recusasse a me adaptar à realidade da minha vida, em algum aspecto. Não sei se você já viveu isso assim. Talvez a gente tenha que olhar para trás e fazer uma investigação na recordação para ver se a gente passou por uma situação assim. Eu passei, lógico. Não estou dizendo que isso foi um fato único, mas eu lembro de reclamar — e acho que essa é a manifestação mais clara dessa resistência à adaptação — era como eu reclamava de algumas coisas da vida. Então, se, como eu, você já reclamou de alguma coisa da vida, provavelmente, nessa hora, a gente se resistiu a se adaptar a alguma circunstância, fato ou experiência que a vida nos apresentou. Eu lembro que nessa época eu reclamava muito. Por quê? Porque era como se eu dissesse: ah, mas a vida não é como eu queria. Hoje eu dou risada disso. Tem que ser muito ingênuo — muito, muito ingênuo — para poder se surpreender e chegar a reclamar disso. Mas é por isso: a gente não foi preparado para se adaptar. A gente acabou se acostumando a ser servido pela vida, porque a gente cresce sendo servido pelos pais, educadores, quem cuidou da gente, quem for. E a gente acaba chegando na vida adulta achando que a vida vai nos servir. E aí começam as circunstâncias e fatos a se alternar e a gente se vê frente a essa situação em que ou se adapta ou sofre. Bom, dito isso, daí que eu tenha sofrido tanto. Daí a realidade de por que eu sofri tanto na minha vida. Porque frente a muitas dessas alternâncias, dessas circunstâncias e fatos que foram surgindo na minha vida, que a vida foi apresentando, eu me resisti muito. Porque, no fundo, quando a gente fala em adaptação, em mudanças — veja — não é aquela circunstância e fato que muda a forma que a gente é ou a gente tem que deixar de ser um ser humano bom porque a circunstância mudou, então agora eu vou ser um ser humano mau. Não é isso. Lembra da água? A água não muda na essência. A água muda a forma de se apresentar. Ela muda a forma de fluir. Ela se torna fluida, ou não. Ou ela, no frio extremo, se protege numa forma geométrica, sólida, que guarda a integridade da essência dela e garante que ela não perde a essência dela. Então, quando a gente fala em adaptação — quando a gente fala em a vida apresentar fatos, circunstâncias, experiências que vão se alternando e vão se tornando muitas vezes difíceis — não é a questão que a gente vai deixar de ser o que é, pelo menos no ponto de vista bom. Não é para deixar de ser o que é, do que tem de melhor. É para a gente... é olhar para essas circunstâncias e fatos assim: como é que eu passo a viver agora sob a influência dessas circunstâncias e fatos que estão acontecendo agora no mundo, na minha vida, seja qual for a dimensão daquilo? Como é que faz? Boa pergunta. Porque, de novo, não é deixar se moldar pelas circunstâncias e fatos do momento. Porque isso é uma pena. Quantas pessoas vão se moldando de acordo com o pensamento da moda, com a modinha da época, com o que é comum naquela época. Todo mundo faz isso agora, então agora é só assim também. Adaptação não é isso. A gente pode não saber exatamente o que é adaptação ainda e como é que a gente exerce esse poder de forma consciente. Mas, com certeza, não é ceder a própria individualidade à influência daquilo que é simplesmente um pensamento corrente aí, que pega pela massa e absorve a massa aí numa tendência qualquer. Não é isso. E não podia ser isso. Então, vamos olhar... e vamos começar a olhar esse assunto, esse tema, de uma forma mais elevada. Por que cada um de nós, e nós como conjunto da humanidade, somos — vamos dizer assim, não vou dizer que somos obrigados, mas somos chamados a viver — são nos apresentadas tantas circunstâncias e fatos ao longo da vida que não necessariamente seriam aqueles que a gente escolheria viver. Por quê? Tem que se perguntar por quê. Não adianta a gente olhar pra vida e só falar: poxa, que coisa, né? Agora tem que me adaptar a isso, aquilo, tem que me adaptar a fulano. Poxa, agora eu tô trabalhando aqui, então tem fulano, beltrano — poxa, que dureza. Agora eu tenho que me adaptar a todo esse pessoal aqui? Não dá, né, Ronny? Eu sei, tem gente que realmente não dá pra se adaptar, não dá pra conviver com algumas pessoas. Mas o ponto não é esse. O ponto é assim: primeiro movimento que eu penso que a gente precisa fazer. Por que que nós, individualmente, somos apresentados e chamados a viver tantas alternâncias, circunstâncias, fatos e experiências na vida, durante a vida física, durante a nossa estadia aqui, nossa hospedagem aqui na Terra? Por quê? Essa é a primeira pergunta que a gente tem que fazer, especialmente pela necessidade de ter alguma consciência de por que que o processo da vida é assim. E é fácil perceber que tem algum mistério, que tem algum enigma nesse ponto, porque é só a gente ver como a gente, no fundo, gostaria o quê? Que acontecesse tudo do jeitinho que a gente quer. Mas não, não é assim que acontece. Então é preciso se perguntar: no meu caso, eu entendi que era preciso me perguntar por que que eu sou, então, chamado a viver tantas alternâncias ao longo das décadas, dos anos, e às vezes pode ser alternância no dia. A situação pode estar de um jeito no dia e de repente o dia acontece alguma coisa que... e a tendência natural — natural não, a tendência da inconsciência da vida — é quando acontece alguma coisa que altera o dia, a semana, não importa o prazo. Acontece algum fato diferente, a tendência é que ele nos afete muito. Você já viveu isso quantas vezes como eu? De ter um fato assim, tá tudo bem, e de repente tem um acontecimento no dia que a gente fala inclusive: ah, tal coisa estragou meu dia. Não é assim? A gente não fala isso? Fulano estragou meu dia, ou tal situação estragou meu dia. Ah, isso aqui, putz, estragou meu dia. Sei lá, pode ser uma coisa bem bobinha — furou um pneu, eu estava arrumado no caminho para uma reunião, sei lá. Mas geralmente daí para coisas mais importantes do que essa. E aí, qual é a sensação que a gente tem? Ah, isso aqui estragou meu dia. Ou seja, em geral, qualquer coisa que venha fora do que a gente gostaria que acontecesse, é tido como incômodo. E vejam, muitas vezes, por si são incômodos. Mas é preciso se perguntar por que a gente vive tantas situações e circunstâncias — fora essas que são mais simples — por que a gente vive outras que são mais complexas? Por que a vida é assim? E eu entendo que ao se perguntar isso, ao olhar para a própria vida e verificar que a gente vem vivendo essa alternância — ou seja, a vida vem apresentando novas circunstâncias e fatos, novas circunstâncias e fatos que devem ser, que a gente deve passar, pelos quais a gente deve passar — a gente deve olhar para isso e se perguntar o porquê. Que fim? Porque não é um caos aleatório, né? Que fim? Que objetivo? Qual a razão de ser dessa realidade na vida individual de cada um de nós? E, para mim, a chave desse enigma está exatamente em uma lei. A logosofia revela que essa capacidade não é só uma capacidade — essa é uma lei universal: a lei de adaptação. E que no ser humano ela existe em potência como uma capacidade a ser exercida. Ou não. Daí o sofrimento humano em tanta situação, quando a situação muda. Vamos entrar nisso, vamos mergulhar nisso? No próximo podcast, no próximo episódio, a gente vai mergulhar nisso. Mas vale a pena essa análise inicial, essa reflexão inicial: constatar que é um fato na nossa vida, que a nossa vida é um contínuo de situações, fatos e circunstâncias que vão se alternando e que, em boa parte delas, não exatamente como a gente escolheria que fossem. Se isso é um fato, por quê? Qual o enigma disso? Por que a vida é assim? E olhar para esse poder de adaptação que cada um de nós tem, que o ser humano tem, e se perguntar como é que liga esses pontinhos. Bora? Isso é um bom preparo para o próximo. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.