Latest / Logosofia no Dia a Dia / A Engrenagem Invisível — Como Retornar ao Equilíbrio da Vida
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? É fato que tudo, na criação e na natureza, muito mais fácil da gente observar — tudo tende a voltar para o estado de equilíbrio. Ou seja, qualquer desequilíbrio tende a ser, ou a passar por um ajuste em busca do equilíbrio. Isso é claríssimo. Na criação, especialmente na natureza, a gente já observa isso há muito tempo. Claro que o ponto é que às vezes, por exemplo, a gente como ser humano que habita e que determina muito do comportamento da superfície terrena, a gente acaba influindo de um lado para o outro e mantendo às vezes o desequilíbrio, causando efeitos a mais. Mas se fosse um planeta como era o nosso há milhares de anos atrás, quando o ser humano pouco impacto causava, seria um planeta que está sempre em busca do equilíbrio — a natureza sempre buscando se equilibrar de volta frente aos extremos. Vamos pensar o seguinte: a gente pode pensar que a vida acaba replicando isso de alguma forma. Por que a gente está sempre, individualmente e coletivamente, passando por algumas experiências difíceis? Já se perguntou isso? Eu entendo que é pela mesma razão. Há uma força — é parte dessa engrenagem do pensamento criador, são muitas dessas leis. Ou seja, essa engrenagem é presente. Esse é o primeiro ponto, aliás. A vontade do pensamento criador acaba determinando — é como se existisse uma engrenagem invisível atuando sobre tudo na criação. E essa engrenagem invisível, eu entendo, é exatamente a vontade do pensamento criador, expressa em leis que determinam o funcionamento e o equilíbrio de tudo. Então, por isso que a gente vê que na natureza, por exemplo, na física, há sempre a história de que uma força vai sempre receber uma força contrária — enfim, a ação e reação. Se você pensar bem e observar bem, a gente vive isso no dia a dia, na própria vida fisiológica, biológica. A gente vive isso. Comeu demais, não se sente tão bem. Exagerou demais, enfim, as tantas coisas que a gente já conhece e que mostram que até o corpo humano — obviamente, porque a criação é um todo — tudo se comporta de modo a viver em equilíbrio, ou estar em equilíbrio. E quando não está, quando há um desequilíbrio, a tendência é sofrer forças, ou assim, é sentir forças contrárias. Por exemplo, vou comer feijoada num lugar que é aquela feijoada famosa. Eu lembro de ter feito isso na vida várias vezes — feijoada, ou então churrasco, de exagerar, porque estava muito bom e porque, enfim, guloso. E aí depois sai daquele lugar aquela sensação de "ai meu Deus, comi demais", sai rolando como a gente fala. O que é essa sensação de comer demais? Então assim, imagino que não é o seu caso, não é esse o problema que você já viveu várias vezes, mas então pensa em qualquer outra coisa que a gente passou do ponto de equilíbrio na vida física. Bom, outro exemplo facílimo: quantas vezes não pegamos sol demais, sem protetor solar, e a pele queimou? Antigamente, pelo menos acontecia muito quando a gente era criança. Não tinha protetor solar, só tinha hipoglose — aquela pomada branca. A gente passava aqui embaixo, na bochecha, pra proteger nariz e bochecha. Então na praia as crianças estavam todas brancas aqui no nariz e bochecha, pra proteger a parte que era mais perigosa de queimar. Mas assim, queimava nuca, ombro, braço. Nossa, aliás, canso de ver gente quando eu vou pra praia. Canso de ver gente, gringo então, um monte. Eu vejo lá no Recife, tem um monte sempre nos hotéis, pessoal ficando camarão. Então assim, passou do ponto de equilíbrio, tem consequência. E a gente observa isso. Estou dando exemplos simples, mas pra lembrar o seguinte: a gente já observa isso na vida. Isso não é uma novidade, nem é algo que a gente não tenha conseguido entender que existe. Então há, obviamente, sempre um movimento, há sempre uma consequência pro desequilíbrio em qualquer aspecto. Pode pensar assim: poxa, a gente tá mexendo com o ecossistema da terra? Sim, há muito tempo. A gente tá mexendo há muito tempo com o ecossistema. A quantidade de verde que a gente já destruiu na terra ao longo dos últimos um século, praticamente, causa, obviamente, um desequilíbrio na atmosfera, no ar, enfim. Então assim, tem outros fatores também que são exógenos, que são próprios das oscilações da terra. Mas a gente tem causado bastante desequilíbrio. Isso é inegável. Aí é um conjunto. O que a gente vive é resultado de um conjunto de coisas que a gente causa e que são oscilações naturais que ocorrem ao longo da idade da terra. Mas o ponto não é esse. O ponto é assim: pra nós, o que que interessa? Olha pra vida individual de cada um e olha pra vida da humanidade, a experiência da humanidade. Há alguma dúvida que existe um desequilíbrio? Ou seja, há alguma dúvida que nossas vidas, tanto individualmente como no coletivo, nós perdemos algumas referências, que nós deixamos de nos importar com o que interessava, ou que deveria interessar, e passamos a nos perder e nos distrair com tanta coisa que não interessa? Aí a gente fala assim: "não interessa aqui, Ronny, porque tem coisa que nem a mim, tem coisa que me interessa, coisas bobas e simples que me interessam". Bom, a questão não é interessar ou não. A questão é assim: interessam para a felicidade humana? Interessam para a busca por essa vida que é uma vida que deveria traduzir-se em paz, em harmonia, em serenidade, em alegria, felicidade verdadeira, profundamente sentida, sem as oscilações que no dia a dia a gente vive? Assim, a gente vive ainda — é meio surreal — mas a gente vive num caos, né? Eu digo assim, caos, essa condição de desequilíbrio. E não é à toa. Esse é o ponto que eu estou pensando. Assim, por um lado, nós deixamos que a vida de cada um, e aí consequentemente a gente está vendo o resultado disso ao longo dos séculos em que a gente seguiu vivendo isso — a gente permitiu que a vida humana seguisse sem um norte claro, sem um norte verdadeiro, sem um objetivo real elevado. Que a gente poderia, por exemplo, estar vivendo já uma vida — a humanidade poderia viver uma vida norteada pela superação. Mas não é isso que a gente vive. A gente vive num mundo que a vida é norteada basicamente pela ambição, pela ganância, pelo egoísmo. E obviamente que dentro dessa — estou generalizando — é óbvio que existe em cada um de nós uma boa exceção nesse sentido. Por outro lado, eu reconheço em mim que existe uma dose de egoísmo, de ganância, de ambição. Essa imagem equivocada — essa é uma compreensão não, é um, sei lá o que é, um engano, é um conceito equivocadíssimo de que a vida, que o universo gira em torno de mim mesmo. Sabe assim, que eu estou aqui no mundo para cuidar de mim, sou eu, os meus aqui, e o resto, o resto é resto. Eu pensei assim durante muito tempo. E aí quando eu olho para trás, sou assim: puxa, como é que eu ia ser feliz, sendo que eu estava, sendo que eu vivia praticamente num estado de desequilíbrio em relação à própria criação, ao próprio pensamento criador? Veja, como é possível que a gente vai ser feliz se se perpetuam em nós tantos erros e equívocos, enganos, que a gente vem acumulando como humanidade na nossa cultura e reproduzindo esses erros, enganos, há milhares de anos? E pior, as gerações que estão vindo — como a minha, a sua, não interessa — as gerações atuais que estão vivendo, e as que estão surgindo, nascendo nos últimos anos, estão sob o mesmo influxo de enganos, erros, equívocos, que estão se perpetuando na cultura. Olha, assim, tem coisa mais óbvia. E isso me causa muita tristeza. Olha para a juventude que cresceu na tela do celular. Mas a culpa não é da juventude que cresceu na tela do celular. A culpa é das nossas gerações, pais, e responsáveis por essas gerações que surgiram depois, que a gente não conseguiu ver o que estava acontecendo. Veja, uma parte disso eu me preocupei muito. Quando a gente educou os filhos, eu e minhas mulheres, a gente foi super estrito. O máximo que a gente conseguiu nisso — e eu vi que resultados bons a gente alcançou por ter restringido essa vida nas telas. Porque assim, a gente precisa viver e inculcar nas gerações que estão vindo a busca pela superação, e não a busca pela distração ou pelo vazio de viver por doses contínuas de alguma emoção ou dopamina que a tela gera, coisas imediatas, risadas ou distrações, enfim. Mas ainda que cada um de nós se esforce como educador, como responsável, a influência que está aí da cultura atinge a todos. Então assim, nós estamos formando gerações — como já é sabido faz algum tempo — que estão sofrendo e vão continuar sofrendo. E cada geração sofre mais por um lado, mais pelo outro. E a gente olha para o mundo e fala assim: "pô, mas Ronny, está causando até angústia isso que você está falando, porque você está escancarando o problema que a gente está vivendo como humanidade". Eu sei. Mas eu estou fazendo isso não para que a gente olhe para isso e comece a ficar mais triste do que essa realidade já causa de tristeza. É porque há uma saída efetiva desse ponto. Essa é a grande razão dessa reflexão. Nós, individualmente e nós como conjunto, nós podemos reverter esse desequilíbrio. Quando a gente olha de volta para o macro e olha para o planeta terra, para a natureza, se a gente parar de cometer, ou de parar com as causas, ou diminuir a força das causas que desequilibram o ecossistema, vai surgindo a força, vai ficando escancarada a força que vai retornar esse sistema a seu equilíbrio. Ou seja, cada um de nós, quando a gente começa a cessar a vida no engano, a gente começa a experimentar a perfeição humana no seu arquétipo do pensamento criador. Ou seja, ainda que o estado atual, individual e coletivo, seja — vamos dizer assim — no mínimo, vou falar uma palavra que possa descrever o estado atual nosso individualmente e da humanidade, seja preocupante, vou usar uma palavra que certeza que ninguém vai se sentir ofendido com ela. O estado atual da humanidade é no mínimo preocupante, e daí para pior. E aí obviamente eu estou sempre recordando — e para mim isso tem um valor enorme — que ainda que seja esse o estado atual da humanidade, muitos como você e eu estamos em busca de um caminho, de uma jornada que nos tire, nos afaste desses erros. Porque todo ser humano quer ser feliz. Embora se a gente seguir no caminho que a gente vem seguindo, como humanidade, essa felicidade vai continuar sendo algo quase mítico, vai continuar sendo ilusiva, vai continuar fugindo do nosso alcance, como se não existisse. E não é à toa que muitos acham que não dá para ser feliz. Quantos jovens, quando a idade surge no ápice da vida e olha para a vida, olha para o futuro, estão sem esperança no futuro? Ou jovens ou adultos, não importa. Mas quando estão olhando para o futuro e falam assim: "como não tem esperança?" Porque é difícil ter esperança. É praticamente impossível ter esperança quando se projetam os equívocos, os enganos, os erros humanos à frente no tempo. Porque a consequência lógica de seguir vivendo com o mecanismo desequilibrado da vida é óbvio que vai levar a mais sofrimento. Veja, não é possível. Isso a humanidade já descobriu faz tempo. Isso é uma sabedoria sensacional: não é possível continuar fazendo as coisas do mesmo jeito, esperando resultados diferentes. Isso é impossível. Você vai repetir a experiência do mesmo jeito no laboratório, o resultado vai ser igual sempre. Não vai acontecer um dia de "tomara que hoje o resultado seja muito melhor", se você fez exatamente a mesma experiência, o resultado é igual. Então o que nos cabe, olhando para isso tudo? E a questão aqui é: qual o caminho então? Qual a saída dessa situação? Porque a gente não quer viver angustiado olhando para a vida achando que não tem solução. Muito pelo contrário, a solução existe. Veja, se um ser humano como eu, que por acúmulo de tantos erros e falhas, me dei conta logo cedo na adolescência que eu tinha uma psicologia — a minha mente era cheia de deficiências psicológicas, complicadíssimas. A minha psicologia era uma bomba-relógio que explodia todo dia. Eu, sério, me canso até de quando eu recordo como eu era. Me exaure, porque me tira energia só de recordar como eu sofri, como eu fiz, todo mundo que estava ao meu redor sofria junto, por várias razões, ou direto ou indiretamente, porque eu tinha uma psicologia muito difícil, muito difícil. Você fala: "você está exagerando". Não estou. Veja, eu não fazia o mal como a gente entende. Não é isso. Eu era uma pessoa de bem, mas uma psicologia muito difícil de conviver, muito, cheio de deficiência psicológica — impaciência, intolerância, irritabilidade, brusquedão, amor próprio exagerado. Não o amor verdadeiro, o amor ao ego, é soberba. Eu vou te falar, se eu fosse listar para vocês as deficiências todas, eu precisava de mais um tempo aqui. E já me expus o suficiente. Mas eu me exponho, estou contando uma realidade para dizer o seguinte: há um caminho óbvio, claríssimo para sair dessa situação. Esse que é o ponto. E o fato de eu ter sido assim e hoje ser muito menos isso — eu ainda tenho que lutar contra essas deficiências ainda — mas a influência e a força que elas têm na minha vida já é de longe, apenas, uma fração do que era quando eu era um jovem adulto e me dei conta da situação como ela estava. E eu estou falando isso para dizer o seguinte: essa é uma reflexão de esperança, de confiança, mais do que esperança, de confiança no futuro da humanidade. E no futuro — vamos dizer assim — não é futuro lá longe. É na possibilidade real de cada um de nós começar a sentir já uma felicidade que parece que realmente eludir as buscas. É possível já começar a viver a vida com estabilidade, uma estabilidade psicológica, uma serenidade, uma paz interna, uma alegria, a despeito das circunstâncias e fatos do dia a dia. É possível já alcançar resultados concretíssimos nesse sentido. Mas o caminho para isso é obviamente sair do ponto em que se estava. Então assim, o desequilíbrio da condição humana, mental, em geral é tamanho. A gente foi tanto para fora de nós mesmos que a gente se perdeu. E a gente errou muito e segue errando, tentando achar fora de nós e viver fora de nós quando deveríamos estar buscando o conhecimento que nos trouxesse de volta para dentro de nós mesmos. Os erros humanos são muitos, mas a perfeição humana no seu arquétipo, no potencial, é enorme. E é sobre isso. O conhecimento transcendente que a logosofia oferece é exatamente sobre essa possibilidade da perfeição humana no seu arquétipo mais lindo que está ao alcance de cada um de nós. Eu vou seguir. Nós vamos seguir essa conversa aqui no próximo podcast. Vamos ver como é que a gente, como é que a gente pode olhar para isso de uma forma prática e sentir que está em cada um de nós, de fato, essa possibilidade de se afastar dos erros acumulados. Na medida que a gente começa a descobrir essa maravilhosa engrenagem que cada um de nós tem em si, que guardam-se em proporção às maravilhas da criação, guardam maravilhas que estão esperando, potências que estão esperando que a gente desperte, que a gente coloque em uso a serviço — primeiro de si mesmos, e obviamente a serviço dos demais também, claro. Está ao alcance de qualquer ser humano a realização de um processo que nos afaste desse desequilíbrio, como foi o caso que eu estava narrando de meu caso extremo, e comece a colocar no eixo, ou trazer mais próximo do eixo, a vida. Isso não é mágica. Isso não é milagre. Isso não é misticismo. Isso não é, sei lá, qualquer coisa que possa parecer. Isso é transformação pessoal, individual, pelo conhecimento transcendente. É conhecimento de si mesmo e superação. Isso é esforço, lógico. É conhecimento unido ao esforço. Mas está ao alcance de cada um de nós e de toda a humanidade. Aí, obviamente que a partir desse ponto é questão de opção. Qual é a sua opção? Qual é a nossa opção? Bom, a gente vai seguir. Boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.