Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Engarrafamento Fantasma da Humanidade — Você Está Causando Ou Evitando?
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que voltar pra São Paulo e voltar pra rotina me fez recordar de uma das coisas mais desagradáveis que a gente pode observar na sociedade: é quando a gente vê um comportamento individual de alguém, e às vezes de si mesmo, né? Que seja egoísta, que seja, assim, aquela falta de noção, aquela crença de que o mundo gira ao redor de si mesmo, né? Eu já tive muitos momentos assim, porque a convivência humana e nossa colocação dentro da sociedade acaba expondo muito essas deficiências que se vinculam ou que estão relacionadas a uma visão extremamente instintiva da vida. Então, por exemplo, tem alguns comportamentos que isso é muito claro, né? Então, em lugar que tem muita gente ou muito carro, por exemplo, em geral, há pessoas que ficam extremamente impacientes com filas, né? E eu lembro da época que eu — acho que assim, em supermercado, antigamente, quando eu era jovem — eu ficava olhando que fila que andava mais, o caixa, porque eu não queria ir pro caixa que ia demorar mais. Eu queria estar na fila de caixa que fosse a mais rápida. E se fosse uma fila de pedágio também, estrada, ficar aquela agonia de falar assim, nossa, minha fila tá andando menos que a fila do lado, por que eu não fui pra fila do lado? São visões muito — é uma visão muito instintiva, né? Em que se preocupa consigo mesmo e se parte do princípio que o que importa é o que acontece consigo mesmo apenas. Essa é uma posição que, em geral, obviamente demonstra de forma simples e fácil como é forte ainda essa tendência humana a olhar só pro próprio umbigo. Mas, por outro lado, ela mostra que a gente como conjunto, como, teoricamente, a família humana, a gente deveria estar muito melhor do que isso. E de vez em quando a gente vê também, ao mesmo tempo que a gente observa esses sinais, a gente vê as pessoas que, no convívio social, no convívio familiar, vão criando oportunidades de ambiente, de momentos felizes, tranquilos, serenos, como com gestos, né? Gestos bondosos — gestos, que eu digo gestos não é fazer nada com a mão, mas com ações bondosas. Então, por exemplo, eu adoro no trânsito da passagem, quando eu percebo que alguém quer passar. Porque a sensação é muito boa de você fazer uma gentileza para um estranho. Eu gosto muito da sensação de fazer uma gentileza para um estranho, seja um pedestre ou seja um outro carro. Porque, em geral, o outro às vezes nem agradece, mas, em geral, a sensação que eu sinto é de que assim, puxa, eu fiz do meu dia, do meu momento, e do momento de outra pessoa, um momento bom, porque a opção era fazer, para mim e para o outro, um momento ruim. Tem uma coisa que a gente vive muito aqui em São Paulo, que tem muito carro e tem muita via expressa. E quem pega estrada cheia também já viveu isso várias vezes: que é o tal do engarrafamento fantasma. É quando, por exemplo, o trânsito para — estava fluindo, aí para, e fica parado minutos e minutos, cinco às vezes, mais um pouquinho. Aí você fala, ia acontecer algum acidente. Aí, na verdade, depois que volta a andar, e demora às vezes cinco a dez minutos para você sair do lugar, você fala, ué, cadê? O que aconteceu? Não tinha nada à frente, nada. Não tem acidente, não tem problema na pista, não tem nada. É o que o pessoal que estuda tráfego chama de engarrafamento fantasma. Que é aquele motorista que anda muito colado no motorista da frente. E quando está todo mundo um pouco mais rápido, se, de repente, o que está à frente freia um pouco, a freada que o de trás tem que dar é tão grande, tão forte, que, praticamente, ele para. Ou, na verdade, se ele não para, mas aí, quando ele pisa no freio muito forte, o cara que vem atrás também se assusta com a diminuição de velocidade muito rápida, pisa no freio totalmente também. E começa uma — eles chamam de onda fantasma — que é a onda de tráfego. Aí cada um vai pisando mais forte até parar. Até alguns carros atrás alguém para, aí para, e para quilômetros para trás. E não tinha nada. Chega a ser patético. E em São Paulo a gente vive muito isso nas vias marginais, as vias expressas que a gente tem aqui em São Paulo. Isso acontece direto. E a razão disso — isso tem estudos claros, o MIT já fez estudos sobre isso — é que a pessoa, quem está andando colado no outro, está sempre no risco de colocar todo mundo para trás no engarrafamento fantasma. Eu já andei colado. Eu lembro, quando eu ficava agoniado e eu queria andar mais perto — não colado assim, mas andar mais perto — não queria perder tempo, não queria que ninguém entrasse na frente, sabe? Eu fui, eu era, eu era muito esse exemplo do ponto de vista. Não, eu não deixava de ser gentil no trânsito se eu pudesse. Eu dava passagem, tudo isso. Mas eu era meio afobado, impaciente demais. Então eu era certamente um desses que podia ter causado algum engarrafamento fantasma. O ponto que eu estou tentando, assim, deixar a imagem clara é que o comportamento individual tem sido um problema para a experiência humana como um todo. Isso pode ser na família, pode ser no convívio social nosso, trabalho, cidade, vizinhança, amigos. Porque é como se a gente não tivesse entendido ainda que a experiência humana é uma experiência que não é apenas individual. Embora se falasse ruim, mas todo mundo sabe que a experiência humana não é só individual. A questão não é ter percebido isso, o que a gente chama, entre aspas, de saber disso. O problema é como é que se coloca frente a isso. E o mais importante: como é que se coloca de modo ativo a ser um vetor de mudança e um vetor de superação da humanidade? Ou seja, uma coisa são cada um de nós, são cada ser humano, todos os seres humanos que estão de alguma forma com várias necessidades de superar aspectos da própria mente, da própria psicologia. Outra coisa é quando cada um desses seres humanos ou muitos desses seres humanos começam então a superar suas próprias condições. Olha que maravilha que é! Já começa a perceber que há impossibilidade — a chance real da gente ir resolvendo os problemas humanos, o problema da toda convivência humana em qualquer aspecto, mais pertinho ou mais longe — a partir da transformação do indivíduo. E esse é talvez os grandes resultados da aplicação do conhecimento logosófico nesses aspectos da família, do convívio social: o ser humano se tornando um vetor de mudança para melhor e de referência de uma vida superada para os demais. Obviamente que isso começa evitando essa posição individualista. Como é que a gente evita a posição individualista? É saindo desse estado que ainda a humanidade está: de olhar a vida de forma mais terrena, de olhar a vida, de entender a vida de forma imediatista. Então assim, preciso levar uma vantagem agora, eu preciso me dar bem agora, a minha fila tem que ser melhor. Porque eu estava falando do trânsito, pode ser também: puxa, cheio de problema no trabalho, chega em casa, desconta no primeiro que fala alguma coisa. E aí causa aquele engarrafamento fantasma que dá para causar no trânsito, dá para causar em casa também ou no ambiente de trabalho. Quando a pessoa chega e ela chega daquele estado interno muito inadequado, aí rapidamente ela solta uma reação com alguém e causa aquele efeito em cascata também. Sabe quando azeda? Azeda o ambiente ou na casa, ou no trabalho, não importa onde está, no convívio humano. Tem a afirmação, tem um ensinamento nesse trecho desses dois aspectos — no social e no familiar — em que o ensinamento diz que cada homem é uma entidade individual que necessita resolver seus próprios problemas. Olha que afirmação incrível. Você vai falar, Ronny, essa afirmação é óbvia. Veja, a gente percebe e consegue entender muitas coisas. Realizar do ponto de vista consciente isso é todo um trabalho, um trabalho contínuo. Então assim, quando a Logosofia afirma que cada homem é uma entidade individual que necessita resolver seus próprios problemas, não está falando uma obviedade. Está falando o seguinte: é preciso partir do ser humano de cada um e de todos, ou muitos, realizando isso em conjunto — a solução para os problemas humanos que a gente olha e acha que são insolúveis. Os problemas humanos que a gente vê no mundo hoje e já desde sempre da humanidade de fato vão seguir sendo insolúveis enquanto não for tratado esse problema geral da humanidade do ponto de vista individual. Você percebe qual o problema? A gente olha para as desgraças da humanidade, para os problemas, para o caos que a gente mesmo tem gerado para si ao longo de tantos e tantos séculos. E a gente fala assim: ah, mas a humanidade não tem jeito, ah, mas a humanidade é fogo mesmo. Olha que bobagem: fulano, beltrano no mundo fizeram, olha o que esse pessoal aqui está fazendo, esse outro pessoal está fazendo. Ok, mas assim, a solução nunca veio — uma solução que fosse duradoura e permanente — porque não se tratou até hoje desse processo de superação do indivíduo. Não adianta a gente poder reclamar da política, reclamar que políticos não se portam bem, não estão sempre de olho no que é melhor para o povo. E sim, muitas vezes estão de olho no que é melhor para eles. Para falar bem, bem light aqui sobre político em geral — como obviamente com as exceções positivas. Não adianta a gente falar assim: eu quero consertar tudo isso aí. Não tem conserto coletivo. Percebe? Assim, naquele caso que eu falei do engarrafamento fantasma: como é que se conserta coletivamente o engarrafamento fantasma? Não conserta. Não evita isso coletivamente. O evitar o engarrafamento fantasma parte do princípio que cada um dos motoristas vai manter uma prudente velocidade, distância do carro da frente. Olha só: se todos se portam assim, ok, não vai acontecer o engarrafamento fantasma. Porque a hora que alguém der uma diminuída, o outro tem um tempo, tem um espaço. Ele não vai pisar no freio de forma abrupta. Não vai causar. Não vai começar a causar onda para trás. Mas isso exige que cada um dos elementos que compõe essa sociedade, esse grupo — ou seja, eu falei, pode ser uma coisa maior ou menor, pode ser na família apenas, entre duas pessoas — cada um precisa estabelecer esse princípio de que os problemas humanos se resolvem primeiro no indivíduo, em cada um de nós. E é claro, sim, que a gente pode se ajudar, deve se ajudar. Ninguém precisa resolver esses problemas sozinhos. E muito pelo contrário, não dá. Eu não consegui resolver nenhum problema individual meu dessas minhas características mais primitivas, né? Mais inferiores, relacionadas a essa visão mais egoísta da vida, da própria existência. Eu não ia conseguir nunca resolver isso sozinho. Então o primeiro elemento que é vital para a solução desses problemas humanos — que a gente já sabe que parte da superação, que ele começa na superação individual de cada um dos seres humanos — é existir um conhecimento que dê, que seja, que dê as ferramentas para cada um de nós possa ir deixando de ser o que era para poder ir alcançando a condição do que quer ser. Esse é o princípio que a Logosofia é, é trabalha: o princípio da evolução individual. O conhecimento logosófico é todo um caminho para cada um dos indivíduos vai deixando essa posição que é marcada por várias — são vários pensamentos que, ou em conjunto ou isoladamente, vão denotando essa posição ainda muito, muito instintiva, muito inferior ainda de outras épocas da nossa existência na terra, em que a gente só se preocupava consigo mesmo. E esse caminho, essa jornada da superação, é o grande resultado. Ao mesmo tempo que é o grande a fazer diário que cada um de nós pode estar se empenhando, sabendo que não é apenas uma questão então de ir transformando a si mesmo, mas de ir influenciando e determinando acontecimentos coletivos da humanidade. Isso pode ser ruim. Mas se um de nós se superar, não vai evitar uma guerra. Um de nós só se superando não vai evitar uma guerra mesmo. Você está certo. Então fica claro que há necessidade de que um conjunto grande da humanidade vá superando suas próprias condições. Porque ainda que tenham aqueles que não consigam, eu tenho certeza que a grande maioria quer e consegue superar-se. O que falta muitas vezes é um conhecimento que permita realizar esse caminho de forma consciente. Eis o conhecimento logosófico à nossa frente para exatamente isso, né? Por isso que eu estou aqui nessa busca por mais elementos, conhecimentos, entendendo essa jornada de como é que eu vou deixando de ser o que eu era para poder cada vez poder ser um elemento mais favorável à evolução da família humana em qualquer um dos seus subconjuntos. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.