Latest / Logosofia no Dia a Dia / A Obra-Prima da Sua Vida — Você Está Restaurando ou Apenas Pintando por Cima?
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Ah, tem tanta coisa que a gente às vezes observa na vida e serve para a gente fazer reflexões profundas. Ainda mais quando a gente conseguir iluminar essas reflexões ou essas impressões que a gente tem da vida com um conhecimento que nos guie de um ponto ao outro. Quando a gente quer, como a gente sempre quer, ir vivendo cada dia de uma forma um pouco mais intensa, mais serena, mais plena, a vida que a gente vive. Todo mundo quer ser um quadro, todo mundo queria, né? Ou quer ser um desses quadros lindos, né? De pintores famosos, lendários, às vezes, que a humanidade passou a admirar e respeita. Porque todo mundo quer ter uma imagem, né? Quer, na verdade, que o próprio conceito de si mesmo seja um conceito elevado, né? Não tem ninguém que, em consciência, quer que o seu conceito seja um conceito feio, né? Um conceito baixo, um conceito ruim. Mas, como foi o meu caso, durante uma parte importante da minha vida, as deficiências e características psicológicas, assim, negativas, criaram muita dificuldade para mim. Especialmente na minha adolescência, juventude, e durante vários anos da vida adulta, a minha... essa... vamos ver, esse mix, né? Do que ainda orbitava com muita força minha mente. Pensamentos de característica negativa, né? Deficiências psicológicas como a vaidade, a soberba, uma crença exagerada em mim mesmo, um amor exagerado pela personalidade, né? Não é um amor real pela vida, mas, assim, aquele amor, aquele culto à personalidade. Eu sofri muito com isso. Muito. Porque minha conduta acabava sempre, de alguma forma, refletindo a influência desses pensamentos. E você pode imaginar como isso me desgastava perante os demais, né? A irritabilidade, a impaciência, a intolerância. Ah, é, pois é. A lista é longa. Mas isso, assim, eu sei que não é uma coisa... não é que eu era uma má pessoa, né? Não era isso, nunca fui uma má pessoa, mas essas características negativas que são presentes, de alguma forma, em variações N na figura humana, elas, em detrimento, né, do nosso conceito, vão realmente desgastando as relações, vão desgastando a nossa imagem e a gente vai ficando mais sozinho na vida, né? Assim, não é aquela pessoa que tem um conceito que todo mundo quer estar junto, que é uma delícia estar junto com ela, puxa, que agradável, que tudo. Então, lógico, tem gente que naturalmente já está nessa condição. E tem gente como eu, que sofreu, e ainda sofre, de vez em quando, sob a influência desses pensamentos negativos, atrapalhando essa convivência humana e, muitas vezes, atrapalhando a convivência comigo mesmo. Porque não é só uma questão de ser bom ou ter um bom conceito de si mesmo perante os demais. Perante os demais há consequências. A questão é como é que a gente vai se tornando uma pessoa boa, melhor do que a gente era, e é, a cada dia, a cada época, a cada fase, a cada semana, enfim. Eu estava lembrando que, nessa semana passada, eu visitei um museu que há muitos anos eu não ia. Muitos anos. Que é o museu que a gente conhece como Guggenheim, né? Mas é o Museu Solomon Guggenheim, em Nova Iorque, que é uma rede mundial de museus de arte. Tem, acho que, outras cidades também. E ele tem muitas obras desses atores famosos, pintores famosos, pintores lendários. Então, tinha obra — tem obra lá de Picasso, de Van Gogh, de Cézanne, de Gauguin, Monet. E eu não via a obra desses pintores há muito tempo. E eu fiquei, de novo, bem impressionado, sabe? Eu fiquei assim, meio encantado, meio hipnotizado por aquela... É uma beleza que eu não sei explicar, até porque eu não entendo disso. Mas eu vou te dizer que eu ficava na frente de cada um daqueles quadros e eu realmente me encantei com muitos deles. Tem até um mais contemporâneo, que é o Kandinsky, né, que é um pintor russo. Acho que é o cara que marcou a tal da arte abstrata, que é muitas cores. Assim, muito interessante. Só que aí eu me dei conta que eu estava num lugar que é quase um templo àquelas obras. Isso significa que por trás, né, ou na... assim, por trás das paredes onde estavam as obras penduradas, e a gente pode ver bem pertinho delas, é muito acessível cada um dos quadros. Por trás daquilo tudo, daquela estrutura do museu, tem uma estrutura, uma área técnica, que é a área de restauração. Todo museu que tem obras de arte, de alguma forma, tem uma área de restauração muito forte. Por quê? Porque o acúmulo do tempo vai causando uma perda de qualidade visual e, às vezes, depois de... Esses quadros clássicos de séculos, eles acumulam camadas de fuligem, sujeira, poluição. As tintas que foram usadas, às vezes, oxidam e se tornam amareladas. A obra escurece com o tempo, os detalhes desaparecem, sabe? E a obra pode perder o brilho, como muitas devem ter perdido. Inclusive, eu já vi — e não dá para ver lá no museu, não tem essa área aberta ao público — mas eu já vi, eu lembro de um documentário, muito tempo atrás, processos de restauração de obras de arte, de pinturas, que é um negócio incrível, não é? Inclusive, porque teve obras dessas que, no meio do caminho, os restauradores pintaram detalhezinhos por cima, onde estava mais escuro, porque na época não se tinha essas técnicas de limpeza, de restauração. E uma das técnicas que o pessoal usava antigamente era assim: alguém vinha e fazia toquezinhos de cor para dar de novo uma recuperada na obra. Mas imagina, eram pessoas, terceiros, tentando recuperar a obra que não era delas. Imagina. Mas é o que se tinha. Hoje não. O processo hoje é um processo minucioso. O verdadeiro restaurador de arte não joga tinta nova, não passa traços novos de tinta. Ele usa solventes químicos super precisos, aplica com cotonete, é um tiquinho de nada, cada milímetro. Aí dissolve, remove aqui, ali, o sujeiro, o verniz velho. É um trabalho lento, mas olha que interessante: é um trabalho de depuração, é um trabalho de limpeza ou de... acho que depuração é o melhor nome mesmo. Que vai depurando aquela obra de arte, porque vai surgindo — para ir surgindo as cores originais, vai surgindo aquelas cores vibrantes, luminosas, parece que estão acesas. A obra de arte vai recuperando aquele valor inestimável que tem, não porque alguma coisa nova foi colocada nela, mas porque a essência original daquela obra vai surgindo, limpa, vai sendo resgatada com esse trabalho de depuração. Pois bem, se isso é uma coisa que o ser humano já sabe fazer super bem — obviamente em lugares com conhecimento e técnica para isso — a obra de arte da própria vida de cada um de nós, essa... a gente podia talvez entender que essa obra de arte é a própria moral constituída de cada ser humano. Por aqueles, como eu falei no último podcast, por esses sentimentos elevados que a gente, o ser humano, vai naturalmente já cultivando e que conscientemente pode passar a cultivar a partir do momento que a gente começa a compreender que esses valores, esses sentimentos, são o tesouro moral que pode ir determinando a colocação de cada um de nós no mundo. Não só perante os demais, mas especialmente perante si mesmo. É algo assim... é um trabalho lindo que cada um de nós pode fazer, que vai redimindo, de fato, cada um a si mesmo. É como se a gente fosse... a gente pode ir se tornando o restaurador da própria obra, dessa obra lendária que é o que cada um de nós conseguiu ser até hoje. E assim como o impacto visual num quadro é impressionante quando sai aquela camada escura ou amarelada de séculos ou de muitos e muitos anos de sujeira, de poluição, de oxidação — olhos, no nosso caso — e olha, eu falo realmente de experiência própria, com muita experiência nisso, especialmente na parte em que quando eu sofri na minha vida por essas características negativas, até entender que o conhecimento logosófico, esse conhecimento transcendente que a Logosofia oferece, ele é uma ferramenta extremamente precisa e poderosa para esse trabalho de restauração. Olha que coisa sensacional. Cada um de nós já não precisa mais que alguém faça o trabalho de restaurador da nossa própria vida. É uma questão de recuperar a liberdade que a propriedade da própria vida interna é uma questão de realmente assim suprir a si mesmo com o que for necessário para cada um de nós possa ir tirando essa sujeira, esse acúmulo de coisas que ao longo do — realmente no nosso caso — tem ao longo dos anos dessa vida que a gente recorda bem e certamente ao longo de séculos e milênios que o ser humano vem acumulando muitos erros que foram se transformando em características psicológicas, em deficiências psicológicas. É um trabalho íntimo de olhar para o próprio comportamento, identificar essa camada, esses elementos e ir removendo eles com precisão e deixando surgir essas cores lindas, vivas das excelências do sentido interno de cada um de nós. É como se a gente estivesse hoje sendo impedido de poder sentir, perceber a vida de uma forma como a gente intui que é possível e a gente sofre por isso. Eu sofri muito por isso e de vez em quando eu ainda sofro, sabe? Tem experiências da vida que eu vivo que às vezes eu ainda — obviamente por não ter conseguido depurar todas essas camadas que foram acumulando ao longo de uma existência — eu ainda me debato com essas minhas fragilidades, com essas minhas dificuldades de encarar, de viver, de compreender algumas experiências que eu vivo. E tem, especialmente uma delas, que exige muito de mim. Não dá para dizer que a experiência é cruel comigo porque isso não seria uma verdade. Nenhuma experiência é cruel. Ela parece às vezes cruel com a gente. Puxa, que crueldade eu passar por isso. Não tem nada de cruel. O que tem que eu percebo é que enquanto a gente não consegue enxergar que existe essa capacidade, que existe esse poder que é deixar de ir tentando pintar por cima da sujeira — porque isso eu fiz muito na vida. Tentei pintar por cima da sujeira, tentei pintar os traços novos, bonitos, tentar aprender uma coisa aqui, melhorar uma coisa ali, mas muitas vezes de forma só superficial. Eu não tinha antes esse conhecimento à disposição sobre o mundo causal, o meu mundo interno. Então eu fui dando os retoques em cima da sujeira, do acúmulo de fuligem, de poluição de muito tempo. E legal, às vezes dá uma melhorada, mas assim, não é isso, né? Na verdade o que a gente quer fazer é um trabalho realmente de restauração de cada um de nós ao que originalmente é muito lindo, muito elevado. Especialmente ao que é a nossa capacidade de compreender as experiências, exatamente porque a gente deixa de viver a vida para fora e passa a viver a vida de um ponto de observação muito mais elevado dentro de nós mesmos. Quando a gente assume esse trabalho, a liberdade, o dever, o direito e a responsabilidade humana vão se tornando consubstanciais com a gente. É de fato uma essência viva que vai se tornando parte de nós mesmos e a gente vai deixando de tentar viver uma moral de fachada e vai expressando, devagarzinho, vai conquistando a condição de expressar a verdadeira natureza do ser humano, que é a natureza elevadíssima, originalmente. Mas que a nossa ignorância acerca disso tudo foi causando muito mal a essa moral. E como eu estava falando das experiências difíceis e como eu as vivo ainda, eu falo sempre com tranquilidade, estou falando de mim mesmo. Se servir para você algo assim, ótimo. Tomara que seja útil para você também. Mas assim, poder encarar essas experiências cada vez com menos dessa camada de oxidação, sujeira, poluição da própria psicologia é um alívio, uma alegria tão grande. Permitir que apenas cada vez mais seja o próprio sentir interno elevado, os sentimentos mais puros possam estar guiando essas experiências é maravilhoso. Esse é o cultivo, essa é a prática, essa é uma das faces práticas da vida consciente, da realização desse processo de evolução que o conhecimento transcendente, como que a Logosofia oferece, possibilita. Então bora, né? É hora de não mais pintar por cima das falhas morais e sim assumir as ferramentas que o conhecimento oferece para restaurar milímetro a milímetro a obra-prima da própria vida, da própria consciência. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.