Latest / Logosofia no Dia a Dia / A Lanterna do Conhecimento: Como Iluminar o Outro Acaba Iluminando Você Mesmo
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu penso que um dos fatos mais curiosos da experiência humana é a gente ir descobrindo ou percebendo que há muito mais por trás da oportunidade de conviver entre nós. De nós convivermos com nós mesmos, que eu digo, entre os seres humanos. Até porque eu penso que a falta de conhecimento, primeiro, acerca de si mesmo, e segundo, a falta de conhecimento sobre o mundo mental, é uma das causas principais do caos dos relacionamentos, da dificuldade de se relacionar. Então muita gente sente que é difícil se relacionar com os demais seres humanos que convivem. Há uma tendência a se isolar, porque é mais fácil do que a gente ter que enfrentar as experiências do dia a dia com os outros. Mas o ponto não é esse. O ponto é assim. Há um enigma, eu penso, que é um enigma que é mais profundo. Não é só de como é que a gente resolve essas diferenças e como é que a gente vai moldando o ser humano melhor que possa se colocar melhor perante os outros também. Se cada um de nós se colocar melhor, vai ficar muito mais fácil conviver esse humano em geral. Mas há um enigma que diz respeito a mim e a cada um de nós. Porque, olha só, a gente começa a pensar sobre tudo isso que a gente gosta de pensar, a gente está interessado em descobrir, em busca da verdade, a gente é inquieto, a gente está buscando um conhecimento e encontra um conhecimento de ordem transcendente como esse que a Logosofia oferece. A gente começa... é como se fosse uma lanterna. O conhecimento transcendente é como se ele desse para a gente uma lanterna. E essa lanterna passa a iluminar um caminho à frente da gente que antes era escuro, era literalmente escuro. Quantas vezes eu me refiro à ignorância acerca dessa realidade metafísica, primeiro em mim mesmo. Ela é como andar na vida, como sair andando no escuro completo. Mas o conhecimento transcendente é como se fosse uma lanterna. Então o conhecimento que dá na nossa mão... O que eu faço com essa lanterna? Em geral, o que eu fiz no começo? Eu apontei essa lanterna para a frente, no chão, para poder ver onde eu estava andando. À frente, para o chão, para ver onde eu estou andando, para não me machucar, para não cair em um buraco, para não bater em nenhum objeto nesse caminho da vida. Mas a lanterna tem limitações. A lanterna, mesmo quando eu volto a lanterna para mim, eu consigo ver a partir da frente do meu corpo. Mas eu não consigo ver o meu rosto. Eu estou vendo, estou olhando, não estou me olhando. Agora, o que acontece quando a gente encontra nas pessoas que a gente convive — não só convive todo dia, mas quando a gente encontra no outro ser humano uma oportunidade qualquer, qualquer, para tratar disso que é o principal da vida. Então muitas vezes surge, num almoço, numa conversa de cafezinho, numa conversa, em qualquer situação, surge aquela chance, aquele tema, aquela oportunidade de tratar sobre a vida, mas com essa perspectiva, já agora, diferente que cada um de nós começa a ter, e vai cada vez ficando mais diferente do que a perspectiva que a gente tinha antes. Isso é muito legal. Porque antes eu não tinha condição de falar muito sobre a vida, porque eu sabia quase nada sobre a vida, do ponto de vista do mundo metafísico, do mundo mental e de mim mesmo. Hoje eu já conheço uma parte disso, obviamente proporcional ao que eu fui capaz de compreender e conhecer. Mas já não é aquele Ronny de antes que não entendia nada da própria vida, vivia angustiado. Então, se alguém perguntasse alguma coisa sobre isso, eu ia dizer... Ah, meu, não me pergunta não, que é o caos. Ou eu não queria nem falar sobre isso. Não é que eu ia falar que não sabia, eu ia falar que não era um assunto confortável. Então, voltando à lanterna: se o conhecimento transcendente é uma luz, uma lanterna, uma fonte de luz que a gente começa a acessar e começa a iluminar o nosso caminho, olha que interessante o que acontece quando alguém me dá a oportunidade de tratar sobre a vida em qualquer de suas experiências. Isso surge quase todo dia. Eu tenho oportunidade dessa. É como se a gente pegasse a lanterna e, ao ter encontrado alguém nesse caminho, a gente levantou a lanterna e apontou a lanterna para o outro. O que, obviamente, primeiro, ajuda o outro a ver também os arredores, ver o que está ao redor dele, olhar para a parte da frente do caminho dele também. Mas o que é mais legal do que isso? Quando eu aponto a lanterna para o outro, que está agora na minha frente, o outro não é um buraco negro que absorve toda a luz. A luz, obviamente, como no dia a dia, a luz vai refletir e ela reflete nele de volta para mim. Toda vez que eu estou numa situação em que surge uma oportunidade de falar sobre alguma coisa da vida e eu levanto essa minha lanterna do conhecimento que eu já consegui compreender e comprovar em mim mesmo, para servir o outro, para que seja útil ao outro, é como se a luz da lanterna batesse no outro, servisse para ver alguma coisa eventualmente que o outro também não estava percebendo, um ângulo diferente, uma outra perspectiva sobre aquela experiência da vida, seja qual for. Mas, imediatamente, a luz reflete de volta. E, finalmente, nessa hora, eu consigo ver ângulos de mim mesmo que eu, às vezes, não conseguia ver sozinho. Ou seja, é como se essa luz — especialmente se tratando da mente, mas ainda real — é como se essa luz, quando a gente projeta algo que a gente já está vivendo, compreendendo, entendeu sobre a vida do ponto de vista de um conhecimento transcendente, é como se isso batesse no outro, ajuda, serve ao outro, geralmente, de alguma forma, é útil ao outro ser humano. Mas esse negócio reflete na gente de volta. É como se levantasse a lanterna — imagina a situação —, você levanta a lanterna num lugar escuro para iluminar o rosto da outra pessoa que está do seu lado, aí a luz volta e ilumina você também. E aí eu consigo ver, às vezes, ângulos da própria mente que eu não tinha visto antes, porque é como se essa luz refletida iluminasse uns cantinhos ou perspectivas que antes eu não tinha conseguido ver. E que só nessa hora de projetar a luz para o outro, é que esse reflexo acaba funcionando. Então é engraçado isso, porque eu achava que falar de Logosofia — não de Logosofia em si, mas falar do conhecimento transcendente que está transformando a minha vida — eu achava, antigamente, que era algo que era quase só um dever moral, sabe? Você está comprovando um negócio que é muito bom, você tem um dever moral de expandir esse bem. Sim, eu penso que isso faz sentido. Até porque a gente gosta de expandir o bem naturalmente, não é nem porque a gente lembra que tem um dever moral. Só basta ir num restaurante bom e o que a gente conta depois? Quando cai no assunto, a gente conta do restaurante bom, seja uma sorveteria muito boa, ou, sei lá, outro dia, nos últimos meses já vi várias pessoas comentarem sobre um doce de leite específico que todo mundo está descobrindo que é uma delícia, aí bota no congelador, fica mais gostoso ainda. Ainda bem que doce de leite não é meu fraco, meu fraco é chocolate. Mas, então, a gente tem a tendência natural, ou a gente tem essa aptidão natural, a espalhar o bem. Ou querer que o bem seja algo presente no mundo. Então, sim, essa é uma realidade. Mas tem essa função didática, quase pedagógica, que essa oportunidade cumpre no meu processo. Realmente, a gente pode pensar o seguinte: não é à toa, primeiro, que a Logosofia apresenta que essa é uma atividade que completa o estudo. Olha que interessante. É como se a gente, quando recebe a lanterna do conhecimento transcendente e aponta para o próprio caminho, a gente — ou às vezes para os próprios pés — porque está à frente dos pés ali, a gente vê uma parte importantíssima do que antes era ignorado. Mas quando a gente pratica a parte do conhecimento que a gente já está experimentando em benefício dos outros, é como se realmente fosse uma parte que completasse e completa essa assimilação do conhecimento. Por quê? Porque para poder oferecer ao outro, especialmente tendo em conta que o outro está apresentando a perspectiva dele sobre a vida, seja qual for o aspecto, é como se a gente tivesse que levar o conhecimento que a gente já está lidando ao extremo do teste — não é do teste, mas da manipulação, de mexer com isso, sabe? Lidar com isso como se fosse uma argila mesmo. E como o conhecimento acaba possibilitando que a gente mexa em nós mesmos, que a gente molde como se fosse uma argila e molde o novo ser humano. Quando a gente oferece essa parte que a gente já está experimentando para os outros, é como se a gente pudesse pegar essa argila de novo e desse um acabamento nela e percebesse alguns detalhes do que está sendo esculpido que só com a perspectiva do outro é possível perceber. Então, por exemplo, todas as vezes que eu pude falar sobre como é que para mim a gratidão é uma das forças mais poderosas que eu experimentei até hoje e experimento. E aí um dia, óbvio, alguém perguntou assim: como é que é possível sentir gratidão quando a gente vive a experiência ruim, quando as coisas dão errado? Sensacional. Se eu não tivesse ouvido essa pergunta um dia, eu teria talvez ficado com, vamos dizer assim, uma parte escura dessa realidade. Ou seja, eu teria ficado com uma parte desse conhecimento ainda maior sem entender. Porque a pergunta é muito boa. Como é que é para sentir gratidão? Como é possível sentir gratidão quando a gente tem um momento difícil, ruim, ou as coisas dão errado, entre aspas, vai? O ponto é que foi aí que eu fui entender — e veja, eu fui entender quando eu fui tentar explicar porque que eu sentia gratidão inclusive nos momentos difíceis que eu passava e que eu passo. Mas aí eu tive que ir a uns cantinhos dessa sala mental, desse salão mental. Eu tive que mexer em faculdades, tive que mexer em engrenagens que pudessem ter lógica para explicar para outra pessoa o porquê disso. É como se quando a gente fala com os demais e começa a apresentar essa parte da vida que a gente está avançando, é como se a gente tivesse entrado, transformado esse salão mental num salão de espelhos, sabe? Aquele que tinha em parque de diversão. Você entra, tem vários espelhos. Só que em vez de distorcerem a imagem, eles vão refletindo a luz, são espelhos perfeitos. Ainda que cada um tenha a sua forma, tá? Mas eles vão refletindo a luz desse conhecimento de volta para a gente. E a gente começa então a entender, ao precisar esclarecer ou explicar algo que a gente vive nesse sentido desse conhecimento transcendente, a gente vai aperfeiçoando e vai tomando consciência ainda mais de como esse conhecimento tem transformado e tem beneficiado a vida de cada um. É que no caso daquela questão da gratidão, só para não deixar isso só com a pergunta, a resposta está em outro conceito, em outro elemento do ser. Quais são os critérios com que cada um de nós tem avaliado as experiências humanas que passa? Ou seja, quando a gente fala assim — como é possível ter gratidão quando o helicóptero aqui está passando bem em cima — quando a gente pergunta como é possível ter gratidão numa experiência difícil, quando as coisas dão errado, a questão não é sobre a gratidão. Primeiro, a questão é sobre o que é dar errado e o que é dar certo. Uma experiência qualquer que a gente vive ou que vá vivendo no dia a dia, na nossa vida, o fato de ela, do ponto de vista material, terreno ou físico, não sair, não acabar, não concluir como a gente quer, significa que a experiência deu errado? Porque a experiência ocorre dentro de cada um de nós. A questão é: como é que a gente está se colocando ou se colocou na hora que a gente foi chamado a viver aquela experiência? Porque a vitória, a verdadeira vitória — ou muitas vezes a derrota — é não conseguir me colocar nessa perspectiva enquanto eu passo pelas experiências que a vida me apresenta. Aí muda completamente a forma de responder a pergunta inicial. Porque a pergunta não é, então, como é possível sentir gratidão quando as coisas dão errado. É assim: como é possível viver sobre uma nova perspectiva que não é a externa, que não é essa aparente, não é essa terrena, cada uma das experiências que a gente se vê chamado a viver na vida? E a partir dessa perspectiva interna, a gente percebe que a vitória ou dar certo, a experiência não dar certo ou dar errado não é de acordo com o resultado terreno dela. A experiência dar certo ou dar errado é de acordo com como é que eu aproveitei aquela experiência para perceber algo em mim que eu não tinha percebido antes, para me conhecer melhor. E para superar, ou para completar com o que estava faltando para eu viver a experiência de uma forma ainda melhor. Então, como muda a perspectiva, aí dá para compreender claramente que é possível sim, em muitas experiências difíceis — e daquelas que quem olha de fora fala: puxa, deu errado isso para o Ronny — mas da perspectiva interna, aquela experiência que teoricamente deu errado, na verdade deu certo. Por quê? Porque foi uma experiência, como muitas têm sido para mim, em que eu pude descobrir mais uma porção sobre mim mesmo. E aí a experiência deu muito certo dentro de mim. Ou seja, ela serviu para a minha vida, para a minha existência, como talvez as outras experiências — mas de outro jeito, fáceis, ou quando as coisas estavam mais fáceis naquele aspecto da vida — eu não tivesse conseguido ver, perceber e entender sobre mim mesmo. Aí fala: ah, entendi. A gratidão surge, não é por causa do resultado da experiência, do ponto de vista do dia a dia aqui. Falei: pois é. Então, só para... Eu só contei esse restante da resposta, qual foi, da explicação, porque foi nessa situação que eu percebi que, assim, talvez se eu nunca tivesse ouvido essa pergunta, o que ia acontecer? Eu nunca teria ido, talvez, fazer a vinculação direta e tão clara para mim, e poder ser consciente do porquê que é possível e normalmente vai surgir naturalmente a gratidão. Há muitas experiências difíceis que quem olha de fora fala: ih, deu errado, né, para ele. Então é muito interessante. Essa foi a percepção, assim, que claramente surge quando a gente passa por um trecho ou percebe que o estudo desse conhecimento, ele realmente vai se completando na medida que a gente vai colocando em outras perspectivas a prática desse conhecimento em nós mesmos. E essa perspectiva que o outro ser humano dá é sempre sensacional. Boas reflexões, bom estudo, fique bem e até o próximo podcast.