Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Jardineiro Que Pintava Folhas Mortas: Por Que Vivemos para Fora em Vez de Dentro?
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Enquanto eu tava aqui olhando minha plantinha, a plantinha que é a única que eu tenho, né? Então, que eu cuido. Então, eu olho ela com muito carinho aqui em casa. Mas a verdade, a gente tem muitas plantas, né, na vida. Eu tava pensando assim numa história. Imagina, pensa num jardineiro que sonha em ter um jardim exuberante, assim, com flores lindas, raras, árvores frutíferas, arbustos super bonitos e fortes assim de ver. Mas, no entanto, em vez de regar as sementes, nutrir o solo e cuidar das raízes das plantas, ele passasse o tempo todo polindo as folhas que já estão murchas, pintando de verde as folhas que morreram, a planta que morreu, para que parecesse viva, e decorando o jardim com muitas flores de plástico, por exemplo. O esforço do jardineiro seria, né, estaria sendo focado naquilo que é superficial, naquilo que não tem vida, naquilo que tem aparência de vida, mas não tem essência eterna, né? Não tem essência permanente. Porque ele deveria estar focando naquilo que realmente importa, que é o crescimento das plantas, né? Desde a semente, desde o cuidado do solo, o nutrir as plantas com aquilo que são elementos necessários de nutrição, de água, tudo. Então, eu tava pensando, quantas vezes na vida eu fui esse jardineiro, tá? Eu tô falando porque é uma imagem que assim cai bem, sabe? Veste bem em mim. Eu fui esse jardineiro durante muito tempo na minha vida. Eu passei uma boa parte da vida, e não vou dizer que preocupado com as coisas aparentes, mas sabe quando eu acreditava que o jardim deveria aparecer bonito para eu ser feliz, né? Considerando esse jardim, por exemplo, a minha vida, a minha felicidade. Eu acreditava que se o jardim tivesse aparência de legal, de feliz, de perfeito, né, de frondoso, eu seria feliz. E eu fiquei muito tempo cuidando do jardim dessa forma. Não se fala que a gente deve cultivar, né, a vida, cultivar a felicidade, a alegria? Então, se a vida é um jardim, quanto cada um de nós ficou e ainda fica às vezes, né? Então, como sempre eu vou dizer, eu tô falando de mim primeiro. Se aplicar a outro ser humano, ótimo, né? Mas eu observo em geral que a humanidade fica cuidando do jardim muito mais preocupada. O ser humano se preocupa muito mais, em geral, com a aparência do jardim do que com a essência daquilo que tá nascendo, vivendo e crescendo no jardim. E isso é um problema muito sério. Você tá pensando se o seu jardim, né, é assim? Que ótimo. Ou se você não pensou, é bom pensar sempre. Até que para que seja uma resposta assim: "Não, eu avaliei aqui, meu jardim é um cultivo permanente", ou seja, é um cultivo constante daquilo que é permanente na vida, aquilo que tem essência eterna. Que ótimo, que bom que é assim. Porque de fato a gente cultiva muitas coisas que têm essência permanente e eterna, né? Todos os sentimentos que a gente cultiva — amizade ou qualquer outro — são sentimentos que têm essência eterna. Isso não é uma coisa, né, material, não é algo que depende das circunstâncias e fatos. Às vezes as circunstâncias e fatos acabam fazendo um sentimento sofrer interrupção ou, né, decaimento. Mas quando a gente tá cultivando um sentimento, a gente tá cultivando o que tem essência eterna, né? Mas assim, tirando algumas coisas que a gente cultiva assim, o risco que a gente corre na vida é passar a vida toda cuidando muito, dando muita atenção àquilo, às plantas de plástico do jardim ou àquilo que já não tem mais valor, né? Mas a gente tenta insistir em que tenha. Isso muitas vezes aconteceu comigo, sabe, assim, postergando ou tentando esticar, né, alguma coisa para ver se dela eu tirava algum valor, quando na verdade não tinha, não tinha que tirar mais daquela, daquele assunto, daquele cultivo, daquela flor, né, às vezes. As flores murcham, né? Então, é óbvio que a gente quer às vezes manter cada flor que a gente já cultivou eternamente viva, mas elas murcham. Então, qual o segredo? Se a gente não pode manter uma flor eternamente, como é que a gente vai ter um jardim cheio de flores para ser feliz, né, para ter, se isso representa felicidade? A gente vai ter que ter muitas flores, né? A gente vai ter que cultivar muitas flores. Então, primeira lição que eu penso assim que o conhecimento transcendente ele me ofereceu, e a Logosofia, né, como uma fonte de conhecimentos transcendentes me ofereceu, foi de que assim, é preciso tomar consciência de fato de que a vida é feita, ou a vida é um processo. Nesse processo cabe a mim compreender ou buscar compreender cada vez mais aquilo que tem essência eterna na minha vida, aquilo que possa ter um efeito e seja permanente na vida, na existência, especialmente que eu possa cultivar na vida, durante a vida, aquilo que tem de mais elevado para mim. Muito bem, se isso faz sentido, onde está isso? O que que é isso de fato, né? No dia a dia, o que que é isso de fato? E tem algumas coisas que são fáceis da gente perceber ou chegar a conclusão. O que que não é isso é mais fácil já. Então assim, passar a vida realizando, vivendo, de forma a tentar encontrar nos outros um reconhecimento ou uma aprovação, não é construir a vida com valores permanentes, com flores, com a felicidade, né, eterna. Não é. Quantas vezes eu passei, que período da minha vida eu passei preocupado com isso? Preocupado com o que os outros iam achar, preocupado com o que os outros iam dizer, e será que eles vão me aceitar assim, né? Essa é uma luta, ou é um desafio, é uma situação que penso que atinge muita gente. Por quê? Porque exatamente pela falta de uma referência interna de aprovação, de felicidade, de alegria, de fonte, né, de vida, a gente acabou indo buscar fora de nós mesmos essas coisas. E isso certamente é muito diferente do verdadeiro cultivo da felicidade. Ou seja, aquilo que a gente não encontrou dentro de nós mesmos ao longo do tempo, a gente foi procurando fora, né? E nunca estiveram fora essas coisas. Mas a aparência ou a sensação de que a gente vive numa cultura que estimula aparecer em vez de ser, né, que estimula ter em vez de ser, é algo que influencia muito a nossa cultura, a nossa mente. E no começo da vida a gente absorve muito disso, e depois é difícil. Eu achei muito difícil assim começar a sair dessa posição e começar a buscar essa posição alicerçada na minha vida interna. Bom, e por que eu estou dizendo tudo isso? Porque o que a gente está começando, esse estudo do Mecanismo da Vida Consciente, o que que é importante, eu penso que é muito importante entender, que o que esses ensinamentos estão oferecendo não é apenas uma explicação sobre o que é a vida consciente do ponto de vista da concepção logosófica, mas especialmente que assim, as compreensões obtidas com o estudo, ou seja, aquilo que a gente vai compreendendo conforme a gente vai lendo os ensinamentos — e por isso que eu sempre insisto na recomendação, né? Quer dizer, a leitura do ensinamento logosófico não é uma obrigação para ninguém, mas é exatamente a fonte que oferece sementes, novas sementes, sementes de essência eterna. Para quê? Ah, legal, fazer o que com essas sementes? Cultivar na terra mental, né, na mente de cada um. Preparar, vai preparando a terra, essas sementes vão ao mesmo tempo cuidando da terra. E se a gente cuidar delas, né, se a gente dedicar esse tempo, vida para essas sementes, elas vão dando vida e vão crescendo como novas referências internas da vida, da felicidade, da alegria, do conteúdo, assim, essencial, daquilo que a gente sempre buscou fora e que não tá fora. O conhecimento transcendente, ele é mais do que apenas uma semente, né? Eu vejo assim, porque se fosse só uma semente que fosse dar uma árvore bonita, cheia de frutos no futuro... Mas ele é uma referência para mim. Então, na minha vida, os conhecimentos transcendentes são uma referência ou vão dando a referência. Eles são e vão dando uma referência do que eu sou e posso ser. Então assim, aplicar o mecanismo ou fazer girar um mecanismo de uma vida consciente vai me parecendo cada vez mais claro: é sair dessa vida em que a gente viveu para fora, começar a viver, cultivar uma vida em que a gente existe em si mesmo primeiro. E consequentemente a gente vai seguir existindo para todo mundo, não é esse o ponto, né? A gente não vai deixar de conviver, de viver, nada disso. A vida não vai mudar do ponto de vista externo. Ou assim, a gente vai continuar com as nossas rotinas, fazendo tudo que a gente faz, mas a essência da vida deixa de ser aquilo que está fora de nós e começa a ser aquilo que tá dentro de nós. Porque é como se a gente começasse finalmente a cultivar uma terra que tem muita possibilidade de frutos, que é a mente, de uma forma como a gente não cultivou antes. A gente começa a realmente despertar esse mecanismo da vida interna que favorece, com o despertar da consciência, favorece que essa mente, essa terra, né, fértil, ela possa ir criando uma multidão de flores, de plantas, de árvores que vão dar os frutos de sabor permanente na vida, que não estão dependentes dos acontecimentos fora de cada um de nós, que não dependem das circunstâncias e fatos que a vida apresentar. Esse, para mim, é o, assim, é o divisor de águas mais incrível sobre a verdadeira felicidade que a gente sempre buscou, ou busca cada vez em maior porção, né, viver. É essa... É quase como assim, é uma chave mesmo. A felicidade de viver não está nas circunstâncias e fatos. Mas é difícil compreender isso e é difícil praticar isso. E a prática desses conceitos transcendentes são a própria prática da vida consciente. E como é que a gente pratica isso? Obviamente ao longo desse livro vai ficando cada vez mais clara essa imagem, mas a gente pratica permitindo que a vida vá se adequando a esses novos conceitos, a essas sementes, a esses conhecimentos, essas porções que a gente vai compreendendo e absorvendo. Ou seja, não é apenas, e não deve ser ou não poderia ser, claro, um pegar um conhecimento e mantê-lo na mente como uma ilustração especulativa, né, para falar dele. A gente vai vivendo isso tudo que eu descrevi na medida que a gente entende que a vida deve seguir um rumo ditado por esses conhecimentos, por essas porções de verdade que a gente vai absorvendo. Ou seja, a posição, né, a atitude vital é essencial. Quer dizer, o que é que a gente faz com o conhecimento transcendente? A gente vive aquilo que a gente tá compreendendo. A gente revê a forma de se colocar no dia a dia perante tudo o que a gente vive de acordo com esses conceitos, esses conhecimentos que a gente vai compreendendo, absorvendo, assimilando. E a gente vai entrar a partir do próximo podcast no terceiro capítulo, que vai começar a dar uma, vamos dizer assim, essa visão mais direta cada vez mais, nos próximos capítulos, sobre como é que esse mecanismo funciona. Mas era importante nesse começo a gente pensar nisso. Quer dizer, é preciso deixar de viver a vida fora de si mesmo e entender que o conhecimento transcendente, ele vem exatamente para que a gente viva a vida dentro de nós mesmos. Para que a gente comece a olhar para esse mecanismo e entender que esse é o grande mecanismo de viver uma vida cada vez mais ampla, mais feliz, em busca daquilo que cada um de nós sempre buscou. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.