Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você Está Tapando Buracos ou Reconstruindo Sua Vida?
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que em São Paulo — eu acho que deve acontecer em várias cidades, mas aqui em São Paulo isso é assim, característica conhecida e é quase uma lenda urbana já, porque é tão comum. Época de chuva abre um monte de buraco em rua, né, um monte de buraco. Então esteja você de moto, de carro, de ônibus, você começa a frequentar a mesma rota, você começa a ver os mesmos buracos, eles vão aumentando, até que um dia chega uma equipe e a operação é tapa-buraco. Aí vai lá, joga asfalto e beleza — primeiro dia, coisa linda, né. Segundo, terceiro, quarto dia começou a chover de novo, ou veio outra chuva forte. O que acontece? Como o asfalto que tapa o buraco é asfalto novo, a água infiltra, primeiro caminhão ou ônibus que passar com pressão começa a fazer a alavanca hidráulica com aquele asfalto úmido, e o que acontece é que depois de um tempo — xis — rápido, o buraco volta, ou vira um negócio disforme e começa de novo a aumentar. Enfim, isso é uma realidade que eu vejo em São Paulo há décadas. Aí você fala assim: "Ah, Ronny, eu também já vi isso, mas é assim mesmo, porque infelizmente o trânsito é muito grande, o fluxo é muito grande em São Paulo, então não tem o que fazer." Não, não — tem o que fazer sim. O assunto do podcast não é nem discutir políticas urbanas de remendo de asfalto, não é isso. Mas veja o que é interessante, isso vai ser bem na mosca, no alvo do que acontece com a vida. Antes de entrar nesse ponto, olha só: vamos pegar um aeroporto de exemplo. Pista de aeroporto e pista de algumas autoestradas no mundo, pistas de alguns corredores de ônibus aqui em São Paulo são pistas de concreto, com ferragem — ou seja, igual se faz parede estrutural, se faz a pista de rolagem. Então tem armação de ferro e concreto, chama concreto armado, né. Eu não sou expert em engenharia civil, muito menos vou dar detalhes disso, mas eu sei que essa opção eu já vi tanto em rodovias e vias de muito grande circulação em outros países como eu vejo em corredores de ônibus que têm um outro piso e não formam buraco nenhum. Tanto é que aviões de 400, 500 toneladas — imagina, 400 mil quilos, 500 mil quilos — pousam e decolam a 200 e poucos quilômetros por hora dessas pistas o dia inteiro e não formam buraco na pista. Não tem buraco na chuva, não tem nada. Essas pistas duram décadas. Aí você fala assim: "Ah, Ronny, por que então a gente não vai substituindo os trechos de rua ou as ruas e avenidas mais movimentadas com isso?" Boa pergunta, excelente pergunta — até porque tanto remendo ao longo dos anos sai mais caro do que parar a rua, cavar tudo e fazer uma nova estrutura de concreto. Mas aí é um assunto que não tem nada a ver com esse podcast, né, eu não vou entrar nele. Mas eu vou fazer uma referência porque a analogia é perfeita — perfeita para a minha vida. Olha só: essa operação em São Paulo chama operação tapa-buraco, né. Esse conserto superficial que depois não adianta nada e o problema volta. Por quê? Porque ao longo da minha vida eu insisti muito — e ainda insisto em alguns pontos específicos — em não fazer essa obra profunda na minha psicologia, na minha mente, na minha vida. O que que eu faço em geral? Eu passo um momento de pressão, de tensão, triste, difícil na vida, aí eu às vezes — né, ainda mais antigamente eu fazia isso muito — eu buscava alguma solução paliativa que me acalmasse ou me desse conforto. Podia ser ler um ensinamento, podia ser pedir conselho para alguém, podia ser buscar alguma frase de efeito, alguma coisa que me desse a sensação de que aquele buraco estava tampado. E muitas vezes era só a sensação — era tampar buraco com asfalto. Qual era o problema, e qual foi o problema sempre? Que como eu não estava implementando nenhuma mudança na minha forma de ser, na minha forma de enfrentar situações, de viver o dia a dia — a próxima situação que causava qualquer pressão naquele ponto, o curativo ou remendo que eu tinha feito na mente obviamente se desfazia. E se desfizeram muitos, muitos. Porque assim: quando a gente está angustiado, preocupado, ou querendo preencher esse vazio que existe dentro de nós ainda, a gente lê uma frase bonita ou alguma coisa parecida e fala assim: "Ai, que lindo, concordo com isso." E olha que interessante — na superfície da mente isso fica lisinho, tapa o buraco na hora. Mas não tem aderência com a minha realidade. "Legal" não é a palavra — legal é a analogia que funciona, mas não tem nada de legal nisso. Ou seja, olha que interessante: o que o conhecimento transcendente está sempre nos convidando é fazer o que eu estou dizendo que na rua devia ser feito — que é cavar profundo. Tem uma quantidade de centímetros que é cavado, tirar aquele tipo de pavimento, instalar um pavimento que vai durar décadas e vai resistir a toda essa pressão de água, de chuva e de caminhão e ônibus passando o dia inteiro. Ou seja, olha que interessante: é penetrar nas camadas mais profundas da mente e reconstruir essa estrutura com a consistência do permanente. Não é a gente ficar tapando os buracos — esses buracos todos que tem na mente. Até se achar ruim, mas que buraco que tem? Bom, se não tivesse buraco nenhum, a gente não estava buscando nada a vida inteira, a gente não tinha passado a vida inteira sofrendo uma ou outra angústia, ansiedade, e desiludido com a vida muitas vezes porque não consegue entender as experiências que passam. Se essa for a sua situação, ótimo. Mas a minha não é — eu ainda sou muito vulnerável a situações da vida em que eu ainda não construí o permanente dentro de mim. E eu só vou descobrindo quais são esses pontos. Como assim? Tem a cidade, com o pavimento da cidade inteira, tem os pontos mais frágeis — claro, porque tem outros que já foram substituídos por um pavimento de essência permanente. E a gente só vai descobrindo onde estão as fragilidades conforme as chuvas e os caminhões e ônibus vão passando. Muito bem — mesma coisa na minha psicologia, e talvez na psicologia da maior parte da humanidade. A gente vai descobrindo no dia a dia, à medida que as situações vão nos colocando sob algum tipo de pressão. Quando eu falo pressão, não é estresse de trabalho — pressão é assim: pode ser desde um filho que tem qualquer conduta que tende a nos irritar ou a causar impaciência em nós. E pode não ser um filho — pode ser a mãe mais velha, pode ser o pai, pode ser o irmão, pode ser a mulher, o marido, a namorada, não importa. Pode ser alguém no trabalho cuja conduta nos causa um incômodo, uma irritação, uma impaciência, uma intolerância, uma incompreensão. Pode ser uma conversa entre amigos em que a gente tem posições diferentes. Não importa — no dia a dia vão surgindo essas pressões, que equivalem talvez a essas chuvas caindo. Que vão deixando aquilo que é mais... veja só: a chuva caindo ela só faz mal a essa camada que é mal feita. A chuva caindo não faz mal ao concreto — o concreto absorve bem a chuva, ou quando a chuva escoa, o piso está lá, não tem problema. Mas aquilo que é frágil, a chuva deixa mais frágil. Ou seja, aquilo que é frágil dentro de nós, as situações do dia a dia vão tornando aquilo mais frágil. E aí vai surgindo um buraco, depois outro, e a gente vai se machucando ou vai se desgastando nesses buracos todo dia. Não é verdade isso? Esses buracos, essas dificuldades, essas fragilidades que a gente tem na psicologia vão causando um desgaste diário em nós. São às vezes desgastes pequenos por cada vez, mas a soma disso... é que nem o pessoal que circula em São Paulo: depois de um tempo o carro começa a apresentar problema na suspensão, ou você vai perder um pneu, ou vai perder às vezes uma roda, porque você vai pegar buracos grandes que você não vai ver. Porque quando chove então, todos os buracos estão tampados pela água e você não sabe se tem um buraco ali às vezes na via, e se o buraco está fundo ou não, porque você não vê. E a vida é mais ou menos isso. A gente vai sentindo essas dificuldades, esses buracos da nossa mente, da nossa vida, na medida em que vai rodando todo dia nessa rotina diária. Ou seja: a gente não devia continuar vivendo a vida, cada um de nós, sempre sujeito a essas fragilidades. Por isso que eu entendo assim: quando eu olho o método logosófico, eu entendo que é um método como uma engenharia definitiva. Ele é um método que exige que cada um de nós pare a circulação naquele ponto. É assim: é parar a vida automática. Essa vida automática nossa, inconsciente, ela não permite nem a oportunidade de refazer o piso. A gente vai ter que escavar, vai ter que olhar para dentro mesmo, não adianta. Não é ficar na teoria — tudo que eu fiquei na teoria ainda está com o piso fragilizado, ainda está cheio de buraquinho. Se não tem buraco ainda, vai surgir buraco — é só questão de fazer uma pressãozinha ali que vai surgir. A gente precisa ir construindo uma vida — isso para mim está muito claro — que tenha consistência do permanente. Uma vida em que as pressões diárias, as tempestades que a gente sofre, não criem vulnerabilidades, não criem buracos, não criem dificuldades para a gente. Quando a gente assimila uma virtude, quando a gente constrói e desenvolve pela prática uma virtude — como a tolerância, a constância, a paciência, a inteligência, a bondade — ela não some quando a gente está sob pressão. Ela vai se tornando a própria estrutura da vida. Ou seja, o convite que o conhecimento transcendente, que a Logosofia apresenta — o conhecimento logosófico —, é que a gente vá construindo na vida a base. A base por onde a vida vai passar no dia a dia tem que ser uma estrutura de consistência permanente. Isso para mim é um bálsamo para os meus ouvidos, para o meu coração, para a minha mente, porque é exatamente o que a Logosofia determina. Que é assimilar o conhecimento logosófico — porque assimilar é muito mais do que absorver apenas. É assim: tornar parte integral. É realmente estrutural, não é superficial. E o que o conhecimento logosófico oferece são elementos de consistência permanente. Então, por isso que essa imagem do piso de asfalto contra o piso de concreto é muito boa para mim — eu olho isso e falo assim: "É igual eu entendi." É para reconstruir a vida com elementos de consistência permanente. E é exatamente isso que no tópico seguinte do "Curso de Iniciação Logosófica" o tópico trata — "Diretrizes para Assimilar o Conhecimento Logosófico" —, e eu penso que ele dá essa imagem clara e convida a que a gente vá começar ou vá continuar esse trabalho de reconstruir as bases da vida, os conceitos da vida, de forma que sejam bases cada vez mais permanentes, de essência permanente. A gente vai ter que deixar aqueles conceitos, aquelas crenças inúteis, as dúvidas que são apenas especulativas para trás. No próximo episódio a gente vai tratar mais sobre essa parte, que eu penso que é vital também. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.