Latest / Logosofia no Dia a Dia / Seu Coração Bate Sozinho — Por Que Sua Mente Não Pode Fazer o Mesmo
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava aqui pensando nessa realidade que é a própria vida, em vários seus aspectos. E como que eu mesmo deixei de passar muitas oportunidades para simplesmente observar a própria vida e, sim, o mais básico, tirar elementos de valor e compreender coisas muito grandes. Essa é uma oportunidade que todos nós temos, né? De conseguir observar nas coisas que a gente chama de simples ou corriqueiras, observar os detalhes que podem apontar o fio, ou podem dar a ponta do fio que, quando a gente puxa, pode vir conhecimentos transformadores para a própria experiência humana. Eu estava aqui pensando no meu organismo fisiológico, e como é que o corpo, todo dia, faz sei lá quantos processos que eu não tenho nem consciência de como é que ele faz. A gente sabe um pouquinho — a menos que você seja do ramo médico ou da parte da biologia do corpo — a gente sabe muito pouco, né? E sabe só superficialmente como é que a gente sobrevive todo dia. Por exemplo, se eu tivesse que ser consciente e instruir o meu coração a bater todo dia, não sei se eu... não sei não, eu não sobreviveria mais um dia, né? Certamente. Mas por sorte ou por — não é sorte, mas por determinação da vontade do Criador — essa é uma instrução. Existe um centro, existe um marcapasso natural que controla a respiração e batimento cardíaco. A gente não precisa comandar conscientemente isso, né? Ao contrário, quantas vezes no dia cada um de nós parou para pensar e falar assim: nossa, meu coração continua batendo sozinho, e eu estou respirando o tempo todo, inclusive quando eu estou falando? Eu nunca lembro disso, né? Nesse ponto, assim, já virou um negócio tão automático, que a gente não se dá conta. Por exemplo, tudo, né? Sistema imunológico funcionando o dia inteiro, 24 horas por dia, com inteligência enorme. A síntese proteica do corpo — imagina — nossos tecidos todos, tudo é feito com proteína, né? Proteína é a base fundamental de tudo que é construído no corpo, todo dia, tudo que é reposto. Como é que o corpo vai lá e sintetiza proteína? Ele olha só, nosso corpo lê o nosso DNA, a instrução que está no DNA, para poder entender e determinar que proteínas vão ser sintetizadas a cada instante. Quando você pensa num nível de detalhe desse, não sei você, mas eu fico meio assim, atordoado. Eu falo assim: meu Deus, literalmente, meu Deus, né? Meu Deus, como a inteligência criadora é um negócio tão surreal. Eu sei, você está pensando assim: ah, Ronny, mas isso daí a gente não precisa nem saber, né? Que isso já acontece. É exatamente isso que eu estou pensando, e eu queria te dizer. A gente tem, na própria existência física e biológica, uma prova irrefutável. Obviamente, não só de que existe uma inteligência criadora de tudo, pela perfeição com que tudo no universo cumpre todos os processos de forma cadenciada e de forma, assim, dentro de uma engrenagem totalmente equilibrada, mas especialmente de que, assim, quando a inteligência — não a minha, que a minha não faz isso — mas quando a inteligência, no caso, a inteligência suprema da criação, determina e controla os processos, os processos se desenvolvem de forma perfeita. Aí você pode questionar: ah, mas Ronny, de vez em quando a gente não tem doenças, por exemplo? Sim, mas as doenças, em geral, são fruto de desequilíbrios que, no caso, eu, né, causei e causo nesse equilíbrio ou nesse sistema. E, às vezes, são falhas, obviamente, do próprio sistema, que, inclusive, tem mecanismos de, vamos dizer assim, conserto, né? Não é que qualquer falha leva a gente para uma doença. Há muitos mecanismos de conserto, de reparo, de combate. Então, por exemplo, o sistema imunológico não combate só vírus e bactérias, combate também células que estão esquisitas, aquelas que podem se tornar o que a gente chama de tumores e câncer, essas coisas. Isso é um contínuo combate do organismo para que essas células não se multipliquem, para que essas células defeituosas sejam, né, descartadas, sejam mortas, sejam consumidas. Aliás, isso é um constante no corpo. Agora, de vez em nunca, por alguma razão que até, às vezes, está no nosso, na nossa herança genética já, né, problemas de gerações, a gente tem uma tendência, tem mais risco para alguma coisa. Mas o ponto desse podcast é o seguinte. Olha só, está claríssimo para mim que a inteligência divina, na verdade, controla — não diretamente, mas indiretamente pelo DNA — controla o funcionamento perfeito, sério, de uma máquina que é surreal. Eu não sou da área, tá? Mas assim, eu gosto, às vezes, de obter conhecimentos. Então, toda vez que eu mergulho em algum processo um pouco mais específico, assim, para entender o meu corpo, eu fico boquiaberto com o nível de complexidade. É óbvio, você fala: ah, Ronny, mas isso é óbvio, né? Isso é um negócio incrível. Pois é. O ponto é que, geralmente, eu não tenho nem consciência disso. E essa é exatamente a chave que eu queria que a gente colocasse a mão agora. Eu e você. Se está claro e está provado que a inteligência divina, ela garante — né, essa inteligência criadora, garante o funcionamento desse mecanismo de forma perfeita — e olha que é um mecanismo para lá de complexo, por que que a gente confia que o mecanismo que cabe a cada um de nós cuidar, que é a própria mente, funcionasse de forma perfeita com a gente totalmente alheio, ou praticamente totalmente alheio ao que acontece dentro da mente? Aí você fala assim: ué, Ronny, mas a mente também não foi criada pela inteligência criadora? Pois é, claro que foi, inclusive eu entendo que é o ápice da criação do ser humano, né? Quando a inteligência criadora criou, determinou esse processo do ser humano, eu entendo que a mente é o ápice dessa criação, no caso da nossa existência, da nossa vida. A única diferença é que esse órgão não foi delegado ao DNA, não foi delegada à automação. A gente é praticamente um robô na questão fisiológica, né? A gente é um autômato, os processos ocorrem automaticamente. A gente praticamente só coloca alimento e água, né? Mas do ponto de vista da mente, é exatamente o inverso. O próprio processo de alcançar a identificação com a criação — que seria uma das formas, eu entendo que eu podia, não sei se você vai concordar comigo, mas seria uma das formas com que eu descreveria esse afã nosso que a gente tem de estar buscando há tanto tempo, tantas respostas. O que é que a gente está buscando, na verdade, né? O que é que tanto nos inquieta, desde sempre, e que, às vezes, passa tanto tempo na vida sem a gente perceber, porque, afinal, a vida se enche de coisa, né? E, obviamente, se enche de compromissos, de atividade, de problemas, de desafios, de coisas para resolver, de experiências fora da gente para fazer, cada vez mais, e para ver, para enxergar, para assistir, sei lá, escolhe aí qual das tantas coisas que consomem nosso tempo mental. Mas, embora a gente não perceba, algo nos inquieta há muito tempo. Ou nos momentos mais profundos que a gente consegue fazer uma reflexão profunda sobre a vida, sobre essa existência, por conta, geralmente, até de fatores que a gente não está controlando, né? Ou experiências muito fortes e profundas da vida, de algumas experiências intensas que a gente vive. Ou, de novo, quando a gente está contemplando a natureza, assim, num momento bem especial, de vez em quando a gente consegue se colocar num lugar, né? A gente está em algum lugar que a gente contempla a natureza, ou a parte da natureza aqui da Terra, ou o Universo, sei lá. E, nesses momentos, a gente recorda — acho que a gente é recordado, né? — porque a gente sente profundamente que há alguma coisa que a gente está buscando e que a gente não encontrou ainda. Então, olha só, exatamente por isso que eu penso que é um processo que foi concebido — vai, na minha compreensão — um processo que foi concebido pela mente criadora de que a gente fosse exercitar, a gente fosse se tornar o grande executor nesse sistema, nesse órgão mental que nos desce, ou que nos obrigue, né, nos exija que a gente conheça, que a gente desenvolva, que a gente assuma a gestão desse órgão. Diferente dos órgãos físicos, fisiológicos, biológicos, esse órgão metafísico, a mente, é a parte que nos cabe. Para que a gente, assumindo o controle — assumindo, isso significa conhecendo, né, essa capacidade, esse sistema, essa engrenagem metafísica — a gente possa ir conduzindo os processos, analogamente aos processos do corpo, fisiológicos. A gente possa ir conduzindo os processos com consciência e, finalmente, encaminhando os acontecimentos da vida através da própria mente. Aí você fala: ah, Ronny, peraí, como assim? A gente pode determinar os acontecimentos da vida através da própria mente? Certamente não os acontecimentos externos, né? Alguns, sim, obviamente, por decisões, por opções, que cada um de nós faz ao longo da vida. Mas, especialmente, o acontecer interno. Essa é uma grande virada de chave. E por isso que eu gosto de pensar nisso como uma chave, porque, assim, eu perdi muito tempo. E por isso que eu não queria que você perdesse nenhum minuto a mais, se for o seu caso. Se você já superou isso, se você já entendeu isso antes que eu, eu fico feliz. Mas eu perdi muito tempo achando que a vida era para continuar no automático, como o próprio corpo segue. Eu não tinha entendido essa diferença. Eu achava que tudo na vida era para viver de acordo com o que acontecesse, sim, tipo assim, as coisas vão acontecendo. Quase aquele negócio me leva que eu vou, né? Porque, afinal de contas, se a parte fisiológica acontece automaticamente, por que eu preciso agora ser consciente do que acontece na parte metafísica, na parte mental, psicológica minha? Nunca, eu nunca teria chegado a essa conclusão, nunca. Tanto é que eu passei muito tempo da vida achando que, beleza, eu não saiba me preocupar com isso. Mas eu vou dizer uma coisa para você: não só é necessário se preocupar com isso, como a própria felicidade, o próprio destino — ou seja, o rumo, o caminhar nosso durante essa existência física — ele é determinado exatamente por esse órgão que a gente praticamente acha que é um negócio, mais um dos automáticos que a gente vive, que a gente tem dentro de nós. E eis o risco. O risco é a gente seguir uma vida em que, se a gente não é consciente dos processos que estão ocorrendo na nossa mente, pode ter certeza — porque eu atesto isso pela experiência própria — pode ter certeza que os pensamentos que operam na mente estão tomando as decisões e estão regendo o nosso destino. Dureza isso, né? E, de novo, eu não sei em que ponto você está nessa reflexão, nessa jornada, mas eu tenho certeza que, de algum modo, nem que seja um pouquinho só, você pode estar também, como eu, ainda delegando a própria vida a elementos que são estranhos, como pensamentos vários que, desde sempre, estão na nossa mente. Mais ainda, os pensamentos que, na cultura corrente que a gente consome todo dia, estão o tempo todo tentando entrar na nossa mente e conquistar um espaço, ganhar um espaço e consumir nossa energia. E são esses pensamentos que fazem a gente perder um tempão, um tempão mental — não estou falando tempo físico — mas fazem a gente perder um tempão mental atrás de tanta coisa que não tem valor. Ou, pior, faz a gente perder um tempão da vida com medos, com limitações, com formas, cercas, amarras. A sensação que eu tenho — e eu tinha isso, talvez isso que mais me agoniava — eu era muito, eu sentia muito isso de forma, sem ter consciência, mas sentia essa opressão de correntes que sempre me prenderam numa vida que, na verdade, eu vivia para fora. Eu vivia para os outros, eu vivia para fazer o que a cultura, a sociedade quer que eu faça. Eu era um escravo de concepções, de conceitos preconcebidos, não por mim, muito menos que cumpriam o que me permitiu viver uma vida plena, feliz, serena e com paz, e me superar. Não, uma vida condicionada às formas, crenças, preconceitos e rigidez que a nossa cultura impõe. Se a nossa cultura — a cultura que a gente vem, ou seja, se os pensamentos que a humanidade vem cultivando ao longo desses últimos milênios, ou todos esses milênios que a gente se tornou mais civilizado — tivessem a fórmula para a felicidade humana, a gente não estava vivendo o caos que a gente vive. E o caos não é que aconteceu hoje, começou faz um ano, dois, três. O caos que a humanidade vive desde então. Com raríssimas exceções e exemplos contrários, a gente não conseguiu nem se entender consigo mesmo, como ser humano, muito menos, obviamente, naturalmente, com os semelhantes. A gente já partiu. Estamos agora na próxima conferência do livro "Introdução ao Conhecimento Logosófico". E é uma conferência que é praticamente uma continuação dessas últimas conferências que a gente estava tratando, e ela se chama "Atitude Consciente nas Atividades da Inteligência". E eu tenho certeza que, se você quiser ler, você vai ver que essa conferência aborda vários desses aspectos em que vai ficando clara a necessidade de a gente assumir uma posição muito diferente do que eu passei uma boa parte da minha vida, frente à realidade da minha própria mente. Com os riscos e prejuízos da vida seguir sendo o que sempre foi. Ainda que as coisas variem — trabalho, mudei de trabalho, mudo de casa, vai para um lugar, vai para outro, viaja, come, não importa. Mas estou falando do cerne da vida, estou falando da essência do que tem sido a vida de cada um de nós. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.