Latest / Logosofia no Dia a Dia / Do Peso ao Bálsamo: A Resignação Consciente Que Liberta do Sofrimento
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu tava pensando aqui comigo assim: quem ia imaginar enquanto crescia pra vida, né, naquela época que a gente era criança, adolescente, quem ia imaginar que a vida ia ser uma sequência de escolhas ou de opções ou de portas que se abrem e se fecham? Eu não… eu sinceramente vou te confessar que eu não imaginava isso. Eu achava que a vida era um negócio que a gente controlava. Já falei isso outra vez aqui, né? Eu achava que a gente controlava e na medida que a gente ia ficando mais, sei lá, capaz, né — capaz no sentido de, assim, adulto — isso era um negócio mais… era uma realidade ainda mais forte. Eu realmente achava que isso era algo assim que ficava dentro do escopo de que: puxa, cada um de nós vive o que quer, cada um de nós vai viver o que quer. Eu não imaginei que muitas vezes seria longe disso. Muitas vezes o que eu vivi, obviamente o que eu vim a descobrir depois, é que não só eu não ia controlar a vida como imaginava, mas que as opções ou essas escolhas, essas alternativas da vida iam muitas vezes trazer sofrimento. E esse é um ponto curioso, né? Porque a gente também aprendeu que sofrimento era um negócio para fugir dele, para correr. A gente tinha que evitar qualquer situação que pudesse gerar sofrimento. E aí eu me vejo assim numa situação em que os últimos anos todos, quanto mais eu mergulhei no profundo da vida em mim mesmo, né — ou seja, quanto mais eu venho seguindo essa linha de entender e buscar aquilo que eu vivo, né, buscar a causa daquilo que eu vivo, buscar a razão daquilo que eu vivo dentro de mim e que esteja vinculado a mim — quanto mais eu mergulho, mais eu entendo que todas essas alternativas, todas essas circunstâncias ou essas opções, escolhas, vão abrindo, obviamente, cada vez mais, algo sobre mim mesmo. É como se eu fosse descobrindo um pouco mais quem eu sou, não quando eu faço a escolha, quando eu faço a opção, quando eu fecho uma porta ou abro uma porta, mas especialmente nas consequências que essa opção, que esse caminho, essa porta que abre ou que fecha, gera em mim. E essa acho que é a parte mais surpreendente desse capítulo. É quando a gente vê a Logosofia começar a descrever as situações todas que a gente em geral vive na vida com muita intensidade, mas com às vezes pouca, ou geralmente com pouca consciência do significado que tá oculto nessas situações. E eu… tem uma que particularmente, assim… tem um tipo de situação que particularmente me chama muito a atenção e sempre me intrigou muito, muito. Que é essa realidade daquelas experiências que a gente vive e que nos fazem sentir… o que causam sofrimento muito forte da alma. Então são várias experiências que podem fazer isso, né? Vários tipos de experiência, né? Tem… hum, isso a gente vive quando a gente se vê frente a uma perda, né, em várias suas manifestações. A gente se vê assim quando a gente não entende algo que tá vivendo, ou a gente sofre até porque a gente se sente sem, né… tá perdido, a gente se sente sem uma base, sente sem um rumo, quando algumas circunstâncias e alternativas que a vida apresenta mudam. O sofrimento agudo nas experiências mais agudas, claro, ele sempre quer dizer alguma coisa para a gente, né? Embora seja difícil entender o quê muitas vezes. Lógico que durante o pico, né, da experiência da vida que faz a gente sofrer, é difícil compreender alguma coisa naquele pico. Porém, o que a gente às vezes não percebe conscientemente é que ainda que a mente, né, que a razão não consiga apreciar… não consiga julgar o porquê daquilo, né, não consiga explicar ou não consiga encontrar a causa que faça… que justifique, né, que assim, que faça o ser, cada um compreender e entender, então ficar tranquilo… Então, ainda que a mente não consiga acompanhar muitas vezes a experiência a tom com o que tá acontecendo, eu vivi algumas vezes na minha vida, né, essa sensação de surgir dentro de mim mesmo — eu tenho certeza que você já passou por isso, isso eu não tenho dúvida, porque todo ser humano, acho que já passou por isso alguma ou algumas vezes — de surgir dentro de si mesmo uma força muito maior do que aquela que a gente se julgava capaz de ter. E essa força, essa força é a força que reenquadra a compreensão em relação àquela experiência que está gerando o sofrimento, e que como se pegasse um peso gigantesco e tirasse de cima da gente e colocasse o peso quase como se fosse assim… na frente da gente assim… tira das costas e coloca na frente da gente. Você vai falar: ué, mas não sumiu o problema, né, o sofrimento? Sim. Mas é como se o problema ou a dimensão daquele problema que gera tanto sofrimento deixasse de ser algo que a gente carregasse na vida pela eternidade e passasse a ser algo a contemplar já de uma posição diferente, em que não tem mais aquele peso, né, aquela força que tinha, que causava tanto sofrimento como no momento anterior, até o momento anterior. E eu me refiro a essas sensações, essas… não sei qual o nome que cada um pode dar a isso, mas é como se a gente realmente assim conseguisse… a gente superasse a nossa capacidade, né? É como se nesses momentos agudos que eu chamo muitas vezes de… eu entendo que são transes, né, são momentos assim agudos de pico daquela experiência, daquela normalmente daquela dificuldade, daquele sofrimento, algo que, né, algo que a gente não consegue compreender e que há uma dificuldade de se colocar frente àquilo… Mas nesse… nessa hora, que como eu falei, não é uma coisa da razão, mas eu penso que é essa força que vem do que há de mais excelso, elevado dessa essência espiritual humana. É o próprio espírito, né? Talvez seja… é a própria realidade espiritual humana se manifestando, colocando já de novo em ordem aquilo que tá em desordem. É quase como se fosse um chacoalhão, né, da sensibilidade, dizendo assim: "Veja, você tinha se perdido aqui na colocação frente a essa experiência, essa região da sua vida. Mas agora eu vou recolocar, né, eu vou te fazer recolocar isso para você tirar de cima de si mesmo e parar de sofrer tanto. E aceite isso como uma realidade da sua vida que, por outro lado, não define a sua vida." E você já me ouviu falar, lógico, né, de que esses fatos e circunstâncias da vida não nos definem, né? Nada do que acontece na vida terrena ou que esteja fora de nós mesmos, nos define como seres humanos. Por outro lado, a colocação interna, essa forma de viver as experiências terrenas, essa sim define e é consequência da forma como somos. Mas essa força sensível que eu tava falando, nesses momentos agudos de dor, de tristeza, de angústia, de… né, que beira às vezes até o desespero, dependendo da experiência, dependendo da situação e de quanto a gente tem dificuldade de lidar com aquilo… mas é assim, essas manifestações que parece que a própria criação vem e coloca a mão assim sobre a experiência que a gente está vivendo, né? Parece que é uma coisa assim: nossa, que é intervenção de Deus. Porque a sensação é essa mesmo, embora não seja de Deus que está fora de nós. Eu tenho a compreensão que é a parte de Deus que tá dentro da gente que se manifesta nessa hora. Especialmente essa condição, né, divina que o ser humano tem de se submeter agora, né, ou a partir daquele instante, se submeter com alguma consciência já de que aquilo que tá vivendo, aquilo que você tá experimentando, as experiências que tá passando na vida são parte dessa grande engrenagem que é o pensamento criador. E talvez seja por isso que a gente ouve, né — não, desde há muito tempo se fala isso no mundo corrente — de que seja feita a vontade de Deus, né? É fato. Talvez não como se entende correntemente, mas quando se entende que os acontecimentos da vida e inclusive esses momentos de sofrimento agudo, as experiências que nos fazem sofrer porque nos falta conhecimento para compreendê-las, ou nos fazem sofrer porque são experiências que de fato denotam a perda de algo — ainda que a gente tenha que depois reequilibrar o significado disso na vida — mas essas experiências são próprias de um ser que veio para poder superar a si mesmo. Um ser que veio para viver aquilo que seja, primeiro, próprio da sua capacidade, com certeza, e segundo, que seja necessário à sua evolução. Então a hora que a gente começa a compreender isso de uma forma cada vez um pouco mais consciente mesmo, a gente vai podendo passar por essas experiências que são, chamaríamos de duras, né — e são muitas vezes — contando com essa força cada vez maior, sensível, em que a gente vai se recolocando perante esses fatos determinantes da vida, vai se recolocando perante as circunstâncias que a vida nos faz viver. Em especial para aceitar — não passivamente, mas aceitar inteligentemente — conforme as circunstâncias se alternam, que tudo isso faz parte da vida como fez parte de outras tantas coisas que a gente já viveu. E que independente do que vai acontecer com as próximas alternativas da vida, cada um de nós tem a capacidade de viver, sobreviver esse sofrimento, essa angústia, essa ansiedade, sabendo que nada disso existe para a gente para fazer mal. Nenhuma dessas alternativas, circunstâncias existe para fazer mal. Todas elas servem ou devem servir a esse campo experimental da vida em que a gente possa ir conhecendo um pouco mais sobre nós mesmos cada vez mais, e cada vez mais entendendo o porquê dessas tantas alternativas. Essa capacidade de nos momentos agudos poder sentir um conforto, um… essa… eu acho é a própria expressão da capacidade de resignação mesmo, de submetimento a essa realidade que eu estava falando. Talvez seja para mim aonde a expressão mística da sensibilidade da alma, né, do ser humano seja mais lindamente observada. É muito lindo quando a gente consegue finalmente a gente sair, né, daquela posição do sofrimento para uma posição de compreensão sobre isso. E aí aquele sofrimento todo deixa de ser um peso para a vida e passa a ser… a compreensão disso passa a ser um bálsamo, né? Como é que isso seria possível de ser vivido não fosse essa condição sublime da alma e do espírito de sentir essa força sensível que cada um de nós tem como reservas, né, dessa configuração biopsico-espiritual? Eu penso que vale a pena você dar uma olhadinha nessa parte final, né, nas últimas duas páginas talvez… é que depende… você tá lendo digital, tem número de página diferente, mas enfim, a parte final desse capítulo traz exatamente para mim essa chave que eu considero que é uma das chaves mais importantes para compreender e viver a vida terrena de uma nova forma já hoje, todo dia. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.