Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Piano Desafinado da Vida — Por Que Trocar a Partitura Nunca Vai Resolver
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Vou te contar uma das coisas que mais me encantou, que marcou a minha vida como criança, adolescente, e algo que até hoje me encanta de uma forma incrível, como se fosse um negócio meio mágico. É quando eu ouvi um piano de cauda sendo tocado por alguém que obviamente sabe tocar, não quando eu sentei num piano de cauda e fiquei dedilhando nas teclas. E o piano de cauda é um instrumento maravilhoso. Talvez ele tenha um dos sons mais incríveis e, obviamente, quando se sabe extrair dele, o melhor. Agora, sabe que um piano de cauda, a gente olha de fora assim — eu que sou leigo — você fala assim, ah, legal, eu sei que tem um monte de cabos de aço lá dentro, tem os martelinhos de madeira que batem nesses cabos e emitem o som. Um piano desses de cauda é um sistema de altíssima pressão. Eu sei que tem mais de 200 cordas de aço. Elas exercem uma pressão de quase 20 toneladas de pressão na parte metálica, porque um piano de cauda, especialmente, é uma caixa metálica envolta naquela estrutura de madeira e nessa caixa metálica estão esses cabos todos, uma quantidade enorme, sob extrema tensão. Para produzir, claro, cada um dos sons, as notas e tudo isso. Então, assim, quando a gente vê alguém tocando um piano de cauda, tocando bem, a gente olha e fala assim, nossa, essa pessoa, esse artista, esse músico, sabe tocar muito bem e, geralmente, puxa, que música bonita, porque as partituras são de músicas, obviamente, sempre bacanas, algumas são clássicas, lendárias, daqueles compositores que a gente, né, tem como alguém que é de outro mundo. Agora, tem um trabalho invisível que a gente não percebe quando a gente ouve alguém tocando um piano, seja de cauda ou outros, mas, assim, é o trabalho do afinador. O afinador não toca música, né, para o público. Ninguém nunca viu um afinador, ninguém nunca viu — eu acho, eu nunca vi um afinador de piano de cauda na minha vida. Mas, certamente, eles existem, tá? Isso não é lenda, não. E o que ele faz num piano de cauda? Quando ele abre aquela tampa pesada, ele entra na mecânica interna e passa horas ajustando, milimetricamente, a tensão de cada corda, de cada pino. Quando ele termina o trabalho — que é um trabalho de, vamos chamar assim, um trabalho de base, né — qualquer nota que for tocada, até a mais simples, soa limpa, serena, harmoniosa. Que é a tal dessa delícia que a gente, né, quando ouve, é um encanto, porque, para mim, pelo menos, é um negócio assim, incrível, né, a sensação de estar ouvindo algo que não é desse mundo. Agora, por outro lado, imagina quando — o que que é, né — ouvir um piano desses desafinado. Pode ser num teatro lindo, pode ser uma partitura dessas clássicas maravilhosas e pode ser um músico top. Quando ele bate nas teclas, imagina, o som sai distorcido, estridente, metálico, dá vontade de tampar os ouvidos, porque dói o ouvido, né. E aí não adianta falar assim, ah, vamos culpar a música, né, a culpa é da música — é a primeira coisa que eu ia falar — ou então eu ia falar, a culpa é do pianista. Não adianta trocar a partitura, no caso desse, não adianta trocar o pianista. O problema não está no que está sendo tocado lá de fora, o problema está na tensão das cordas lá dentro, nesses pinos que batem dentro da caixa de madeira. Agora, pensa o seguinte: e se você — ou, eu vou falar de mim mais fácil — e se eu fosse exatamente um piano de corda? Quantas vezes a minha vida, e a forma como eu experimento a vida, como eu observo a vida, como eu passo pela vida, não funciona exatamente como a acústica de um piano desse, de corda. E eu vou explicar por quê. Imagina que o drama que eu já vivi, né, como se eu fosse um piano bem desafinado. Eu tinha um caráter difícil, né, irritável, e com outras características, várias negativas. Eu vivia, um pouco, a vida de forma meio amargurada, e tinha um monte de pensamentos na minha mente que, assim, era quase um obstáculo pra ser feliz. Quase não — de fato eram. A minha vida soava como um — assim, não era o tempo todo, mas todo dia, ou quase todo dia, e durante muitos anos — parecia um ruído constante de estresse, de discussões, de insatisfação com a vida, de angústia, de ansiedade. É como se eu fosse um piano de cauda, eu teria passado, eu teria saído de som. Se tivesse passado por mim, durante esses anos na minha vida, você ia ouvir sons muito, muito desafinados, ia incomodar seu ouvido, te garanto que ia incomodar. E qual é a solução que a gente acha que é a solução nessa época, né, e eu achava que era a solução? Vou mudar a partitura, porque eu não ia mudar o pianista, né? Eu falei, vou mudar a partitura. O que eu faço? Então eu tento mudar o mundo que está fora de mim. Eu tentei muito mudar a partitura. Eu trocava de emprego durante uma época muitas vezes, trocava de par romântico, queria mudar de cidade, de país, ou queria comprar coisas novas, porque era o que estava faltando. Ou seja, eu ficava trocando a partitura freneticamente, esperando que a vida, finalmente, algum dia, alguma hora, que eu trouxesse uma partitura diferente, a vida soasse bem, soasse assim, afinada. É exaustivo passar a vida, ou que seja anos, tentando consertar as pessoas ao redor, ou as circunstâncias fora da gente. Apenas para descobrir que o ruído amargurado continua lá. Por quê? Porque as cordas da nossa mente e do nosso caráter é que estão completamente desafinadas nessas épocas, nesses momentos, nessa realidade. Então, acho que é razoável a gente pensar que a gente vive uma vida, cresce para a vida adulta — como a gente não se formou como afinador da própria mente — a gente cresce na vida adulta, chega na vida adulta, jovem, adulto, e tá desafinado, mas tá muito desafinado. Veja, as cordas estão desafinadas e são sei lá quantas centenas de cordas como o piano de cauda. E chega a ser tanta — é tanta tensão — então assim, é tanta situação e tantas coisas que a gente vai passar na vida que a gente vai tudo sendo muito estressante, muito cansativo, muito, drena energia. Por quê? Porque a gente fica esperando a música soar bem. Não é isso que a gente quer? A gente quer viver a vida, uma vida feliz. Ou seja, a gente quer ouvir desse diário dedilhar — ou sei lá como é que chama — tocar, desse diário tocar do piano, das teclas, a gente quer ouvir um som maravilhoso. Todo mundo quer ouvir um som maravilhoso. Não tem ninguém que quer ouvir sons desafinados, estridente, metálico. Todos nós buscamos essa melodia, essa música que seja divina pra ouvir, que é a vida naquela concepção que a gente sente, intui, sabe assim. A gente fica até imaginando às vezes, será que existe? Será que é possível ser feliz de verdade? Independente de qual partitura que colocam no nosso piano — porque assim, a gente não controla a partitura. Algumas delas a gente coloca, a gente escolhe, mas o que eu vivo na vida e o que eu vivi ao longo desses cinco décadas de vida é que a vida coloca muitas partituras pra gente tocar. E aí a tendência de novo é culpar a partitura. Ah, não, essa partitura aqui é ruim, não quero, troca aí. Quero a partitura — a partitura assim, quando eu não tiver nenhum problema da vida, eu quero a partitura que seja assim, a solução dos meus problemas. Aí a vida vai soar como uma música sublime. Mas qual o problema? Essa partitura não existe. A gente fica na esperança que caia do céu uma partitura dessa, que resolva — veja que interessante — resolva os nossos problemas. É surreal pensar isso, mas eu cheguei a querer assim, em momentos difíceis, quando o barulho tá muito estridente das cordas. Eu cheguei a desejar que assim, espero que alguma coisa aconteça, que resolva meus problemas. É um absurdo tão grande, porque assim — como assim alguma coisa de fora vai resolver os meus problemas? É surreal. Mas eu vivi muito isso. Eu me coloquei nessa condição de esperar que alguma hora alguma partitura ia aparecer, ou se eu mudasse a partitura várias vezes, eu ia conseguir viver com essa música sublime. O "Curso de Iniciação Logosófica", esse livro que a gente tá estudando, ele entra agora no — como se fosse um capítulo, né — ele não tem capítulos numerados, mas é um capítulo que fala dos resultados da realização logosófica nos aspectos mais proeminentes da vida humana. E aí ele vai separar por tópicos, em vários aspectos da vida humana. Então, o primeiro dos aspectos — ou seja, dos lados, das faces — que ele vai destrinchar pra gente, vai explicar e vai apresentar, é os resultados no individual. E aí ele cita uma série de resultados, ele numera até nove resultados no aspecto individual. E aí pra mim, depois, ele vai seguir com outros aspectos. Depois vai ter no psicológico, no moral, e assim segue. Tem vários dessas partes da vida. Ou se a gente pudesse pensar nessas faces da experiência da vida em que os resultados da realização logosófica são muito, muito claros. Eu sou prova andante de vários desses resultados, especialmente nesse aspecto individual. Que é assim, na hora que a gente trata de olhar pra si mesmo e ver esse piano de cauda. E essa é a parte mais linda dessa experiência de conhecendo a si mesmo e de entendendo essa concepção do ser humano como a Logosofia apresenta. Nós somos um ser dotado já, em possibilidade, de mecanismos internos que são perfeitos, que são divinos. Então assim, a música que pode sair da vida de cada um de nós é igualmente, em termos de possibilidade, divina. E por que que eu passeio uma boa parte da minha vida — e de vez em quando eu passo por dias assim também — em que o som que sai é desconfortável, é ruim, é estridente e estressa? Isso cansa, isso desgasta, isso exaure as energias internas. E não adianta de novo — não adianta culpar a música, a partitura. Não é isso. Nem é ficar dizendo que não sei tocar essas teclas. Veja, a gente até aprende a tocar as teclas. O problema é que se tiver desafinado, não adianta. A gente volta no mesmo ponto. Percebe que tem uma causa base, existe uma causa central, uma causa primeira — vamos chamar de causa primeira do problema. Pode ter outras causas. Tanto é que quando a gente é pequenininho, criança, adolescente, a gente não sabe nem tocar direito. Mesmo que estiver afinado, a gente não sabe tocar as teclas. Mas depois a gente vai aprendendo a tocar e vamos tocando. A vida é assim que a gente faz. Ainda assim, aí a gente volta pro problema da causa primeira. Que não é nem a partitura daquele dia, daquela época da vida. E nem é — o problema é o problema de saber tocar as teclas. É o problema de que a caixa, o mecanismo interno, está desafinado. E a Logosofia vem exatamente para tratar dessa — vamos dizer assim — é uma reorganização. É como se fosse o afinamento, o ajuste desse mecanismo interno do piano que cada um de nós tem. O drama de viver como um piano desafinado é possível de mudar. Aliás, não é só possível — é para mudar isso. E está ao alcance de cada um de nós. A eficácia do método logosófico é porque a Logosofia dá ferramentas de afinação. Ela ensina a gente a parar de brigar com a partitura que está fora, ensina a gente a abrir a tampa e começar o trabalho de afinação da própria mente. Então, assim, quando a gente — vou citar só alguns desses resultados que o ensinamento logosófico enumera — por exemplo, sair desse estado de irritabilidade, de desconforto, de amargura. Por exemplo, ou de assim, começar a consolidar a confiança em si mesmo, até ter uma fé verdadeira em si mesmo, na própria capacidade, baseada na razão. Uma fé baseada na razão. Quando a gente começa a assumir o controle dos próprios pensamentos. Quando a gente começa a perceber que a vida é, na verdade, para ser vivida de dentro para fora. O foco é nessa capacidade de perceber esse mundo interno. E quando a gente percebe o mundo interno, a gente começa a perceber que existe esse mundo metafísico, que não só existe dentro de nós, mas existe permeando a criação como um todo. Que é o mundo causal, de fato. Que é onde vivem, inclusive, as ideias-mãe, os pensamentos e sentimentos mais elevados da criação. Vivem no mundo metafísico. Eles não vivem, não são físicos. A gente vê só o reflexo disso na linda natureza, nas coisas belas da criação, no universo. A gente vê coisas muito belas, mas são reflexos apenas — reflexos materiais, físicos de uma realidade que é metafísica. Que é esse pensamento criador em todo o seu esplendor. Imagina assim que a gente pode, com um conhecimento adequado, de mesma índole, conhecimento da mesma essência desse mundo interno, a gente pode abrir essa caixa com segurança e com esse conhecimento tanto como lanterna, tutoria, mentor, e começar a ajustar, a afinar essa base da qual vem o som da vida todo dia. É como se a gente pudesse, finalmente, a despeito — ou seja, não importando que partitura que a vida coloque pra gente tocar — que a gente pudesse tirar e poste, olha, a gente pode tirar os sons, as notas, a música mais bela, independente da partitura. Ou seja, da experiência da vida, do momento, do fato, da circunstância que a vida apresentar. Mas é preciso sim abrir a tampa. Grande é pesada aquela tampa. Imagino — nunca abri — mas imagino. É preciso abrir a tampa, iluminar dentro e começar esse trabalho que ninguém vê. O pessoal só vê quando o piano tá tocando lindo lá, que é o trabalho do afinador. A Logosofia nos dá as ferramentas pra que a gente faça dessa estrutura, dessa máquina, desse mecanismo maravilhoso, o instrumento mais lindo pro ouvido, pro coração e pra mente. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.