Latest / Logosofia no Dia a Dia / Tédio Geográfico e Exploração Interna — Por Que a Maior Riqueza Está Dentro de Você
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- Oi, é o Ronny. Tudo bem? Eu estava aqui me divertindo comigo mesmo, sabe? Você já viu — bom, você viu que eu faço isso — acaba acontecendo isso direto, né, comigo. Porque, assim, eu sempre olho minhas fragilidades, minhas fraquezas, minhas dificuldades. E quando entendo, assim, e aí eu geralmente as olho, né, eu as observo, eu as vivo, com alguma apreensão, claro, né? Mas quando pego alguma sutileza, assim, que escancara alguma coisa que não estava percebendo sobre mim mesmo, e entendo que estava sofrendo, ou angustiado, ou ansioso, ou estava apreensivo com alguma coisa, por conta de uma concepção equivocada, de um conceito equivocado dentro de mim, da minha mente — aí vejo, assim, se desfazer daquele motivo da angústia, e dou risada, assim: nossa, mas sou muito néstil ainda, né, muito incipiente, muito ingênuo ainda. Essa não é a realidade. A gente vai avançando na vida, né, em vários aspectos da vida, e a gente vai acreditando que vai se tornando cada vez mais capaz. Isso, por um lado, é fato, né? A gente é muito mais capaz do que era quando tinha qualquer idade lá do anterior, praticamente, pelo menos até o jovem adulto, né? Mas o ponto é que a gente ainda tem muito vazio a preencher. Esse é o ponto mais claro para mim, sabe? A vida — a gente enche a vida de realizações, do ponto de vista terreno, né, de coisas, e faz acontecer, e às vezes coisas muito bonitas, né, que os outros podem ver também, e realizações, assim, do ponto de vista social, econômico e financeiro, ou, né, de construir coisas, e tudo isso é superlegal, eu adoro. Mas há uma, assim, há um engano, né, que tendo a cair sobre o quanto tudo isso, de fato, preenche o vazio que ainda existe dentro de mim. Esse vazio era do tamanho do mundo, né, quando era um jovem. Era um vazio, assim, que me sentia muito perdido. Esse vazio diminuiu bastante nesse caminho, nessa jornada que estou. E essa é a jornada, né? Que jornada é essa? É essa que convido você, todo dia, a participar. Ao mesmo tempo, convido você a viver a sua de uma forma épica, né? E estava pensando agora, então, diretamente, dizendo o seguinte: a gente tá sofrendo de uma — vamos dizer assim — podemos chamar de um tédio geográfico. A gente, que digo, cada um de nós é a humanidade como um todo. O que é o tédio geográfico? O tédio geográfico é assim: a gente já mapeou os oceanos, pelo menos a parte mais rasa dos oceanos, né, falta entender e realmente descobrir essa parte toda de riqueza que tem lá no fundão. A gente já escalou o Everest. Aliás, pessoal, a quantidade cada vez maior de gente escalando o Everest a cada temporada. Então é um perigo. E a gente olha pro espaço, né, que a gente mal começou a explorar, e a gente acha que lá vai estar a resposta pras nossas angústias todas. Em algum lugar, em alguma fronteira espacial, vai estar as respostas que cada ser humano busca pra preencher esse vazio. E é uma ilusão, obviamente, uma ilusão rasa quanto a isso. A gente pode observar a própria história humana. A gente antigamente, né, navegadores enfrentavam tempestades e perigos, até monstros marinhos, né, que achavam que tinha, por ouro, prata, outras coisas de valor, né, me chamam especiarias, né. Ou seja, coisas pro consumo, posses materiais. Enquanto isso parece resolvido, a gente segue com essa mesma toada. Então se busca agora no espaço. Já se fala bastante de exploração espacial, pros minérios, pros recursos. Que por um lado acho ótimo, porque pelo menos se isso ajudar a cuidar melhor do nosso planeta, da nossa casa, vai ajudar bastante. Mas de novo, não é a fronteira que tá faltando aonde o ser humano pode encontrar aquilo que falta, e a humanidade encontrar o que falta pra conseguir viver naquela paz que a gente, todo mundo, né, acha que quase é impossível de viver. Não tá na fronteira espacial. Assim, é quase uma premissa, é uma premissa equivocada. Olha só, a gente acha, né, que a jornada é a jornada de alguma coisa que tá longe, que a jornada pra descobrir, pra encher o mundo de alegria e felicidade é algo que tá sempre distante. E ao mesmo tempo não consegue olhar pra si mesmo, e não consegue enxergar em si mesmo aonde estaria a maior riqueza do universo. A maior riqueza da criação não vai estar escondida na fronteira lá do sistema solar ou sei lá onde, né. Isso que a gente mal saiu da Terra, né, e a gente acha até que então na vastidão da criação física vão estar respostas que a gente procura. Não teria lógica. Seria uma brincadeira de mau gosto do Criador se a maior riqueza do universo estivesse distante do ser humano, né, quase praticamente impossível por milênios, pelo menos, e vai ser impossível por outras centenas de séculos, né. A premissa tá errada por quê? Porque é como se acreditar que a novidade do espaço, né, vai mudar a miséria interna de cada um de nós. Imagina um astronauta, né, um ser humano como nós. Se cada um de nós, cheio de deficiências, egoísmo, medo, ambições, pisar em Marte, o que vai acontecer? O que muda? Já pensou nisso? Eu te digo o que muda. O que muda é o seguinte: Marte passa a sofrer dos mesmos males que a Terra sofre. Mudar de planeta não muda o ser humano. Apenas muda o endereço da ignorância. Então, assim, é quase como aquele negócio da murro em ponta de faca, assim. Tudo que é físico tem um limite, né. A vastidão do universo praticamente é, assim, é inalcançável pro ser humano. Agora, pra gente, quando a gente não conhece a si mesmo, não adianta olhar pra distante, né, pra um lugar distante e acreditar que vai estar distante aquilo que tá dentro de cada um. A verdadeira fronteira é o universo interior, não é o universo exterior. A mente é o continente desconhecido daquela época das explorações, né, que iam se buscar os continentes desconhecidos, o que estaria ali além do horizonte, no grande mar, né. Dentro de cada um de nós tem exatamente um território vasto, cheio de terras ainda a cultivar, né. O pessoal queria terras pra cultivar, terras mais produtivas. Agora, também tem os monstros marinhos também, né, e tem muita riqueza oculta. Não adianta olhar pra parte material da vida e continuar acreditando que é nessa busca da parte material em que a gente vai encontrar a si mesmo, vai encontrar finalmente aquela sensação de: ah, agora me sinto realizado. Você vai falar assim: ah, Ronny, mas as realizações terrenas, a gente se sente realizado, né? Sim, e quanto dura isso? Ou seja, são realizações? Claro que são. A questão, veja, não tô — e acho que talvez, não sei se pra você pode parecer que às vezes tô diminuindo a importância das coisas terrenas — mas, confie em mim, não é sobre isso. Não é sobre diminuir a importância. Minha intenção não é diminuir a importância das coisas que a gente conquista aqui e faz aqui. Estou tentando colocar em perspectiva, pra mim primeiro, e se for útil pra você, que o maior tesouro, a verdadeira riqueza, né, está exatamente entre as duas orelhas, as nossas duas orelhas. Por quê? Porque a ativação das capacidades que o Criador colocou no nosso DNA, fisiológico e espiritual. Quando a mente desperta com a consciência e começa a trabalhar no próprio aperfeiçoamento, inicia-se uma transformação que vai ser completa, que vai transformar cada um de nós de uma forma assim — não é fazer uma melhoria aqui, uma melhoria ali. Há muitas melhorias pontuais, claro. Na psicologia, então, assim, na parte psicológica de cada um de nós, vão ser muitas melhorias. Já são. Digo por mim. Já falei pra você N vezes, né, eu era um ser humano com muitas dificuldades psicológicas. Não incapacidade mental, não é isso, e nem nenhuma doença, mas, assim, com muita deficiência psicológica, muita. Eu era intragável na minha adolescência. Nem sei como é que me — nem eu me aguentava, eu acho, sei lá. E depois o jovem adulto, né, se viu frente, né, quando já um pouco mais de maturidade mental, se viu frente a essa situação. Falei: agora, o que que faço? Então, assim, se não tivesse ido explorar essa realidade, se não tivesse começado essa jornada, que é a jornada do conhecer a si mesmo — não só pra tratar dos problemas, dos monstros mentais, né, e dos perigos ocultos nessa vastidão desse oceano mental, não é isso. É muito mais no sentido — é isso também, mas é muito mais no sentido de descobrir quem sou verdadeiramente. Quais são as riquezas de um ser humano que não estão fora de nós. Essas que estão fora de nós não são as riquezas do ser humano. Ainda que o dinheiro esteja na conta de cada um de nós, o patrimônio esteja no nome de cada um de nós, achar que essas são as riquezas da vida — esse é um equívoco que já parei de cometer. Mapear a si mesmo, igual se mapeiam os territórios novos, identificar como os pensamentos operam, como as leis universais governam a vida, como a conduta, a minha conduta, se choca ou se harmoniza com o plano de Deus e a humanidade e os outros que convivem comigo — a gente começa a decifrar os verdadeiros mistérios da existência. E não precisa ir para a borda da galáxia para tocar o Criador. Sabe essa busca pelo Criador? Ele não está na borda da galáxia, obviamente. Dá para encontrar as pegadas, as várias pegadas do pensamento Criador na mecânica perfeita da própria consciência, da própria mente. É simplesmente perceber que o caminho estava errado e está errado se ele continuar seguindo para fora de nós. Esse é o ponto. Eu sei que há — e digo por mim — há uma resistência da mente comum. A mente que a gente desenvolveu muito bem ao longo da vida, ela é uma mente voltada — é a parte da mente que é voltada a tudo isso que estou dizendo que é um engano achar que esse é o grande prêmio. De novo, tudo isso que a mente comum realiza tem valor, mas o valor de tudo isso é extremamente limitado e muitas vezes ineficaz ou inválido para preencher o grande vazio que cada um de nós tem. E que é a causa central da ansiedade, angústia e o sofrimento generalizado humano. Ou seja, é boa essa capacidade, é ótimo, tem que desenvolver a mente comum, mas esse caminho não é o caminho que vai responder a todas as grandes questões que tanto inquietam cada um de nós do ponto de vista espiritual. Esse é o ponto. O maior continente a ser descoberto é o próprio mundo interno. A vastidão do universo físico chega a ser pequena perto da vastidão desse grande universo que existe dentro de cada um de nós. Os mistérios da criação que diz respeito à vida de cada um de nós não estão fora. Não adianta um homem conquistar o espaço se ele continua sendo um escravo mimado das próprias reações automáticas, por exemplo. Quantas vezes vivo ainda no dia a dia e alguma coisa acontece, alguém fala alguma coisa ou alguma situação surge e tenho uma reação automática, comandado ainda por pensamentos que não são os que gostaria de ter na mente, mas que ainda estão na minha mente e ainda atuam e de vez em quando me pegam meio desprevenidos, sem atenção, e acabo fazendo, falando, atuando, reagindo sob ordem desses pensamentos. Quer dizer, veja, ainda sou de fato um escravo das minhas próprias reações automáticas, por exemplo. Então, o que a gente está fazendo aqui é entender que a logosofia ela é um guia para essa exploração. É exatamente sobre isso. Para a gente parar de buscar as novas terras fora de nós, para começar a colonizar e governar a si mesmo, não outros planetas. De novo, sou a favor de tudo isso. Adoro essa parte espacial, de exploração. Amo tudo isso. Então, sou a favor de tudo isso, mas dentro da perspectiva que, inclusive, é o tema da próxima conferência do livro — que é na perspectiva de que as possibilidades humanas na realização do pensamento são exatamente no sentido de descobrir o grande universo que existe em cada um de nós. É para isso, entendo, Ronny, eu, Ronny, entendo, que é para isso que temos um conhecimento à disposição como o conhecimento logosófico. É isso que tenho realizado com esse conhecimento. E que preciso que — que preciso, todo dia, voltar a esse guia, a esse mapa, e seguir e dar mais alguns passos, todo dia, nessa exploração. Preciso disso. E por isso que estou sempre entusiasmado em realizar essa jornada, sabendo, inclusive, que você, na forma como quer e escolhe, está também nessa jornada e a gente não está sozinho. E a gente começa a viver e começa a sentir que é possível realmente mudar a humanidade quando cada vez mais pessoas estiverem descobrindo e começando essa jornada da grande descoberta de si mesmos, que não é fora e sim dentro. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.