Latest / Logosofia no Dia a Dia / A Plantinha Morreu — O Que Ela Tem a Nos Ensinar Sobre Propósitos Elevados
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu tenho uma notícia triste, pra mim. A minha plantinha, eu acho que morreu. Eu tenho uma plantinha, um mini-antúrio, que eu tava cultivando já faz uns dois anos. Tava super, super frondosa, tava uma maravilha. Ainda no vaso de vidro que ela veio, tudo, mas tava linda. Mas eu, agora, eu tô me dando conta, eu acho que eu afoguei ela. Eu acho que acabou ficando com muita água, assim, constante, o tempo mudou, ficou esse tempo de nublado, chuvoso, essas últimas semanas. E eu continuei meio que colocando água do mesmo jeito. Eu acho que apodreceu a raiz e ela, acho que ela não sobreviveu. E eu tô dizendo isso porque... É triste quando, obviamente, morre um propósito, morre algo que tem valor pra gente. Ou quando a gente não consegue sustentar, né? Algo que tem valor, que tem um significado. Mas aí, quando a gente pensa em tudo que a gente já deixou morrer, ou deixou... Deixou pra lá, tudo que a gente já desistiu, quantas vezes a gente quis tantas coisas, né? E a gente, de alguma maneira, desistiu disso. Eu fui dormir ontem e acordei pensando como é que a gente consegue ser mais firme, né? Como é que a gente consegue, de fato, ter firmeza na determinação de superar-se a ponto de viver uma vida, de sentir a vida de uma forma que a gente ainda não tenha sentido, mas a gente... Eu sempre recordo disso porque é uma verdade. A gente intui que tem uma forma de viver a vida diferente do que a forma que a gente aprendeu. Mas é como tantos desses propósitos que a gente já fez pra si mesmos. A gente quer, mas tem alguma coisa que atrapalha a gente, que a gente não consegue levar a resultado, não consegue levar a cabo um propósito como esse. Até porque não é um propósito qualquer, não é uma coisa simples, né? É mais fácil mudar a saúde física do que alcançar esse estado espiritual consciente que todo mundo pressente que talvez seja o grande prêmio da experiência humana. E olha que é difícil mudar a saúde, mudar os hábitos, mas tem um caminho muito claro que a gente já entendeu como fazer. Ah, vai ter que ter disciplina pra mudar a forma de organizar a vida? Vai, claro. Então vai exigir disciplina? Vai. Então assim, só exige disciplina, na verdade. Porque o resto já é conhecido da gente, já tem, já sabe o que tem que fazer. Então quando o caminho já é conhecido, a gente pode não querer, né? Mas quando a gente quer muito, é só ter disciplina, ou seja, é só ser firme no propósito, nesse querer, e essa firmeza, essa constância, ela vai entregar os resultados ao longo do tempo. É um processo, né? Nada disso transforma a vida física, a saúde num dia pro outro porque você decidiu. Transforma ao longo de anos. E mais, né? Não é que você transforma e está feito, assim, ah, pronto, agora já sou outra saúde. Não, você tem que manter. Porque senão, você pode voltar ao estado anterior. E aí, obviamente que eu falo, isso é fácil, por quê? Porque é só questão de querer muito e manter a disciplina, ou seja, ser firme nesse querer, né? Mas é porque essa parte é a parte que já está mapeada, já. Nossa mente já entendeu o processo. Agora, quanto à vida, né? Quanto ao despertar da consciência para a vida espiritual, é um terreno tão novo pra gente, é algo ainda tão, vamos dizer assim, está tão às vezes distante da compreensão, da própria mente, que a gente não sabe nem direito como é que faz isso. Bom, razão essa pela qual eu preciso e tenho me apoiado totalmente no conhecimento transcendente. Por quê? Porque sozinho, esquece. Mas aí há um problema. Por quê? Porque não é possível, e esse é o ponto mais difícil pra mim, tá? Pode ser que pra você seja simples, mas pra mim esse é o ponto mais difícil. Não é possível alcançar uma condição superior ou acima, elevada de vida, se na mente eu continuar cultivando elementos inferiores, que estão relacionados à vida comum material, terrena. Você percebe o que eu estou dizendo? Que há um problema de incompatibilidade. Por quê? Porque é como se a gente quisesse fazer viver uma planta, né? Que represente a vida superior, essa vida, enfim. Com a consciência plena do significado da existência, da vida humana e das experiências humanas. Mas ao mesmo tempo, eu não dou condições a essa mente e permito que a minha mente siga, sim, propícia a uma outra realidade. É um problema de incompatibilidade. É um problema de, assim, pra viver, pra florescer, pra dar frutos, essa vida nova que a gente quer cultivar precisa de condições ideais. Aqui, olha só, eu tô olhando pra minha planta. Minha planta, acho que morreu. E eu tava, puxa, dois anos cultivando ela de uma forma assim, ela tava maravilhosa. E foi um descuido, foi falta de consciência. Foi assim, eu descuidei dessa atenção detalhada, diária, ao cultivo desse propósito e ele não sobreviveu. Você entendeu que eu tô... Eu tô percebendo, assim, eu tô tentando fazer essa ligação clara na minha mente pra que essa imagem me sirva de lição. Porque, assim, não é questão de a gente ouvir uma coisa bonita, ler um ensinamento bonito e falar, puxa, isso é tão lindo, que maravilha, é isso mesmo, eu quero mais, eu quero viver essa vida, eu quero despertar a consciência pra realidade que a integra, eu quero me elevar acima desses problemas diários, eu quero deixar essas coisas todas que me sugam, sugam minha energia e eu quero sair desse estado de ansiedade, de angústia que eu vivo, de certa maneira. Legal, tudo isso é super legal, eu também, todo mundo quer. Mas, assim, qual é o trabalho real e efetivo que cada um de nós está realizando pra que isso seja uma realidade? Porque esse é o problema. A gente acaba acreditando que é como se fosse um botão, um interruptor de luz ou de liga e desliga de qualquer coisa, e que a gente pode fazer uma opção, ah, quero optar agora por isso. Veja, se fosse isso, valeria tudo resolvido há muito tempo. A decadência atual, do ponto de vista espiritual, da humanidade, que nos tem levado ao longo dos séculos aí, vivendo essas situações todas que a gente vive com o conjunto da humanidade, ela é fruto de um processo. Não é à toa, as coisas acontecem porque, por acaso, a atual decadência que a gente vê, do ponto de vista espiritual, não tecnológico, claro, esse está sempre melhorando, mas do ponto de vista espiritual, do ponto de vista da felicidade humana, a decadência, a angústia, a ansiedade generalizada, elas representam um processo muito longo em que a gente, como conjunto dos seres humanos, a gente vem descuidando, se afastando do cultivo que haveria e que haverá ainda, que pode nos levar a um estado, a uma condição de vida muito diferente, muito melhor. Então, assim, na mente humana, para que cresça, para que viva uma nova forma, de fato, de experimentar a vida, é preciso cuidar dessa nova forma todo dia. Não é um negócio que a gente fala assim, ah, eu queria tanto, quero tanto, e puxa, aí fica naquele desejo, ou fica ambicionando, ah, o dia que eu tiver os conhecimentos, esses conhecimentos aqui que vão despertar a consciência. Ok, pode até pensar que, de fato, o que falta são conhecimentos especiais, mas, e aí, quando eles se apresentam, o que eu fiz com eles? O que cada um de nós faz com a oportunidade de trabalhar com conhecimentos transcendentes e transformar a própria vida? Porque o problema é esse, a gente olha às vezes para isso, ah, eu queria tanto viver uma vida assim, assado, melhor, ser mais feliz, vida plena, ah, mas tem que cuidar da plantinha, ah, não, mas aí dá um trabalho, né? É como se a gente realmente acreditasse que não vale a pena. É como se a gente acreditasse que é muito trabalho, o resultado não vale a pena, é muito esforço. Poxa, mas é exatamente o que a gente sempre quis. Então, o problema é ficar nesse estado de indecisão, sabe? E eu passei anos, anos, nesse estado de indecisão, olha que coisa. Titubando, sabe, assim, oscilando, com a vontade, mudando ao vento. Ah, tem a hora do dia que eu quero, tem a hora do dia que, ah, deixa as coisas do jeito que, deixa os pensamentos de sempre viverem aqui, deixa rolar o dia que não é automático aqui. Cada vez, cada dia que a gente deixa transcorrer no automático, na inconsciência, é mais um dia em que a gente não está dando a esse propósito, a esse querer, a essa planta que a gente está cultivando na mente, o que ela precisa. Estamos deixando esse propósito, esse querer à sua própria sorte, ao acaso, num lugar, num ambiente que não é propício. Veja, no caso aqui, querer que uma planta como estava bonita continuasse bem num vaso pequeno, sem estar na terra de fato, sem estar num lugar com amplas condições, sem que eu cuidasse diariamente para isso, foi um engano. É um acaso. As condições não são ideais. Nesses vazinhos que a gente tem plantas, que ganha planta, as condições não são ideais. Então, ou cuida muito bem, ou aquele propósito vai morrer. Então, eu estou olhando para minha, eu estou olhando para essa planta esses dias, eu estava quase não querendo aceitar isso, uma negação, eu acordei e falei eu tenho que parar de negar que eu descuidei. E aceitar que seja uma lição presente aqui na minha frente, que é marcante para mim, que eu tenha a mesma clareza quanto aos propósitos mais elevados que eu tenho. Todos nós queremos ser felizes. Eu sei disso. Nós queremos se sentir livres de toda essa pressão, essa opressão que a gente sente da vida diária. Eu sei que ela oprime. Porque pode ser que não oprime igual a todo mundo, mas é claro que oprime. Porque é um ambiente insalubre, um ambiente mental que a gente permite, em geral, que ocupe nossa mente, que a nossa mente viva, um ambiente insalubre. É isso mesmo, é essa palavra. Não é um ambiente fértil, propício ao crescimento e aos frutos e flores de um novo ser, de uma nova forma de viver e perceber a vida. É um ambiente propício para matar tudo isso. É um ambiente inóspito, um ambiente sem nutrientes. E veja, de novo, é uma questão de escolha, esse é o ponto. A gente precisa escolher pelo cultivo do que há de mais elevado na vida. Se a gente de fato quiser construir dentro de si mesmos a condição para que essa vida floresça, frutifique, seja forte, real, não tem jeito. Eu estou rindo de mim mesmo, porque às vezes eu passo um dia no automático e eu falo, puxa, eu esperava o quê? O que eu esperava? Que a minha planta crescesse mais um pouco nesse dia do automático? Nem dei atenção a ela, não fui ver que necessidades essa planta tinha hoje, se estava com mais água, com menos água, se está faltando algum nutriente. Enfim, a vida inconsciente é o que mata. Eu sei que é radical falar isso, vou usar essa palavra para que fique bem clara a imagem para a gente. A vida inconsciente no automático, essa névoa da inconsciência, é o que mata qualquer possibilidade que cada um de nós tem de experimentar e viver a vida consciente. Aí você fala, ah Ronny, então a gente está preso num loop negativo, a gente está preso num negócio que a gente não consegue sair, a gente é inconsciente, a gente vive meio inconsciente mesmo, esse automático do dia a dia, sei lá o que acontece na minha mente, então não tem jeito. Não, só que não. Não tem. Só que para dar jeito a isso, a gente precisa de duas coisas. A gente precisa de um conhecimento que instrua sobre como realizar esse processo, essa reversão, porque é um processo em que a gente vai interromper a vida inconsciente, aos poucos, para permitir que surja, que desperte a consciência e inicie então essa vida que é totalmente diferente da anterior, do ponto de vista interno. Então a gente precisa do conhecimento, cheque, a gente tem, e a gente precisa querer, e esse querer precisa ser provado, ou seja, precisa ser reafirmado todo dia. Cada um de nós tem a oportunidade ou não, de fato, viver essa nova vida. Se não houver esse querer sendo reafirmado todo dia, aí sim a gente de fato vai viver num loop negativo, como se a gente estivesse preso, acorrentado, e a gente não conseguisse sair do... do que a corrente nos permite viver. Eu sigo determinado a não viver de forma inconsciente, e eu estou aqui, todo dia, para reafirmar isso primeiro para mim mesmo. Mas se você precisava dessa... dessa ajuda externa, dessa companhia, você encontrou. E eu vou, sabendo que você está aí também, vou continuar contando com a mesma força, sabendo que eu também não estou sozinho, e nenhum de nós está sozinho, se assim quiser. Bora! Tem muito a descobrir, a realizar, a viver e experimentar da vida consciente. Boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.