Latest / Logosofia no Dia a Dia / Como Transformar Segundos em Décadas de Evolução Consciente
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava aqui chegando a uma conclusão, não sei se… aí você vai chegar à sua conclusão, né? Não sei se você vai chegar mesmo. Mas eu acho que eu passei muito tempo na minha vida, literalmente, jogando pedrinhas no rio. Bom, eu adoro o rio, né, eu adoro natureza, adoro água, eu adoro qualquer coisa que seja essas… seja essas demonstrações da natureza em movimento, mar, eu adoro, né? Mas rio, em especial, é muito gostoso porque, em geral, ele está no meio de um lugar bonito, né, quando a gente cuida ainda, né, não estragou ainda isso da natureza. Mas, em geral, assim, sentar na beira de um rio e ver o rio em movimento é muito legal, né? Porque dá sempre essa imagem, essa ideia de movimento, de renovação e de vida, né? Porque o rio, essa água doce de rios é sempre sinônimo de vida, não só para os peixes, para o que mora nele, mas, especialmente, para todo o ecossistema. E eu já fiquei várias vezes, realmente, assim, literalmente, sentado na beira de um rio ou jogando pedrinhas ou só contemplando a beleza e deixando o tempo passar. Bom, nesse sentido, ok, né? Quando tem essa oportunidade, eu acho que vale a pena curtir a natureza dessa forma. Mas o ponto é que, e se o rio for para a nossa vida, o que o tempo é para a nossa vida e existência? É difícil definir o tempo, né? A gente fala em tempo, a gente imediatamente pensa no relógio. Essa, acho que é um dos vícios piores que a gente adquiriu na vida terrena, é ter feito essa correlação de tempo igual ao relógio, né? Então, é sempre uma questão de um tempo passando e as tarefas ou os compromissos ou as coisas que a gente quer fazer sendo cumpridas ou, enfim, encaixando isso tudo no tempo. Aí tem as agendas, né? E aí, hoje, chegou o cúmulo de… muita gente tem, durante o dia de trabalho, mais compromissos de reuniões e outras coisas do que de conseguir parar para pensar e criar soluções novas e lidar com os desafios do dia a dia. Então, o tempo virou um negócio escasso, né? O tempo, para a gente, é como se fosse algo realmente escasso, mas ele está intimamente vinculado, na nossa vida em geral, àquilo que está fora de nós. Esse é o grande vício que a gente acabou pegando nesse tempo do relógio, é que o tempo é algo que está fora, está vinculado e responde ou é um insumo, né? É um bem que está fora de nós. E por que eu estava falando do rio? Porque eu acho que uma das imagens que melhor representa o tempo é a imagem de um rio. Porque uma coisa é contemplar, né? Sentar e contemplar um rio bonito. Mas outra coisa é, assim, como é que esse rio que vai passar e vai passando sempre pode se tornar uma força e pode mudar a vida de quem tem esse rio à disposição? Acho que o exemplo mais fácil é a gente pensar num fazendeiro, né? Pensar que cada um de nós, como fazendeiro, tem, a alguma distância do rio, um pomar, tem também alguma plantação de outras coisas e a água abundante do rio está ali à disposição. A gente tem duas opções, né? Confia nas chuvas, espera chover ou constrói um pequeno moinho de captação de água, de geração de energia e pode ser para moer o grão também, moer o trigo, o que seja. E o moinho pode retirar desse mesmo rio que está passando continuamente energia e água suficientes para irrigar o pomar, as plantações todas e prover a vida do fazendeiro, a nossa vida, de muitos resultados, né? Claro que essa imagem física é óbvia, né? Aliás, o ser humano faz isso com os rios desde sempre, né? De capturar essa energia, obviamente até das formas mais rudimentares, as formas mais avançadas na captação de energia hidroelétrica, tudo. Ou seja, o rio, como o tempo, passa o tempo todo. Quer dizer, ele é uma força, uma potencial presente na vida o tempo todo. Não é uma coisa que está ali para a gente encaixar a vida. A sensação que eu tenho é que o tempo existe como o próprio tecido mesmo da existência e ele é uma potência, a oportunidade que existe a cada minuto da vida de se ir em rumo daquilo que se busca de verdade. Ou seja, o tempo é um recurso que ao mesmo tempo ele é finito, por quê? Porque a gente tem um tempo que a gente vai ficar do lado desse rio e pode fazer muitas coisas com ele, mas a vida um dia, nessa forma que a gente conhece, cessa. E ao mesmo tempo ele é um recurso infinito, porque a forma de contemplar e então utilizar o rio muda completamente a capacidade de ser e de viver aquilo que se quer ser e viver. Todas aquelas coisas que eu já falei para mim mesmo, né? "Puxa, eu quero ser assim, quero viver uma vida assim, assado. Eu gostaria tanto de não sofrer com isso, não gostaria tanto de não ser assim." Enfim, tudo aquilo cada um de nós vai observando e vai, de alguma maneira, vai listando, vai contemplando numa imagem que é um arquétipo mesmo. É uma imagem que vai representando um si mesmo superado em muitas coisas e cada um de nós sabe naquilo que precisa superar, que sente, que quer superar, porque sabe que o estado atual cria uma série de limitações para cada um, nos faz viver experiências e situações que são no mínimo desconfortáveis e às vezes são tristes, sofridas, né? E como a gente sabe que a causa disso tudo está dentro de cada um de nós, não está fora, a gente vai entendendo que a gente quer ser diferente, que a gente quer viver a vida e as experiências da vida de forma diferente. E aí a gente olha para o rio e acha o rio bonito, mas, irmão, o rio está passando. A questão é, o rio não é só uma medida, né? E o rio não é só uma possibilidade de fazer algo útil com ele. O rio é a própria potência que cada um de nós pode utilizar para fazer coisas incríveis, especialmente transformar a própria vida. O tempo não é uma coisa que passa e a gente vai ficar olhando e vendo ele passar e apenas cumprindo tarefas diárias ou, enfim, qualquer coisa que a gente tem que fazer. O tempo é o próprio tecido que permite que a gente molde, que a gente esculpa, que a gente borde, que a gente pinte, que a gente desenhe esse arquétipo que vai se tornando uma realidade e vai deixando de ser apenas uma possibilidade, um sonho, um querer futuro. A forma de aproveitar o tempo que passa constantemente como o rio e a gente deixar de ficar sentado contemplando e jogando pedrinhas e passar, então, a utilizar em busca dessa vida que cada um de nós intui, sente, quer viver determina completamente o que vai ser a experiência humana no dia a dia. Ou seja, nós vamos passar o mesmo tempo, todos nós, todos os 8 bilhões de seres humanos passam as mesmas 24 horas, quase. Você sabe que não são 24 horas exatas, né? Que é um arredondamentozinho bem pequenininho todo dia. Por isso que tem ano bissexto de vez em quando. Mas consideramos 24 horas. Então, os 8 bilhões que vivem as 24 horas, todos vivem o mesmo tempo físico. Mas o que cada um de nós vive internamente durante o mesmo tempo físico que passa determina e contempla formas de viver a vida totalmente diferentes. Retirar do tempo ou fazer do tempo uma potência em direção a uma nova vida interna muda completamente a experiência de viver esse mesmo tempo. O tópico seguinte do Exegese Logosófica é exatamente "O valor do tempo". E, nisso, o González Pecotche, como pensador, como humanista que é, como, para mim, é um mestre de conhecimentos superiores, ele vai no ponto muito sutil e, ao mesmo tempo, tão gritante para a minha mente. Que, eu entendi que o tempo que eu consigo viver dedicado, enquanto atendo a todas as coisas que eu tenho que viver, mas dedicado a observar e a esculpir um novo ser humano em mim, é como se eu conseguisse dilatar o tempo físico e viver em, às vezes, segundos de uma experiência interna na minha mente, quando eu estou, obviamente, atento, né? Então, assim, a atenção ao que acontece dentro de mim mesmo durante as experiências mais simples do dia, que, às vezes, como eu falei, duram internamente na mente segundos, e eu tenho lá, por exemplo, pensamentos se apresentando frente a uma situação, uma escolha, uma forma de me conduzir na hora ali, na experiência, qualquer que seja. E, durante segundos, eu vejo os pensamentos tentando me levar para um lado, alguns outros para outro lado, e, tipo aquele anjinho e o diabinho que nos desenhos animados a gente via nos ombros do personagem, dando conselhos. Só de observar, por exemplo, os pensamentos atuando na minha mente durante segundos, e poder adotar uma posição de que eu estou no controle e estou no leme desse barco da minha vida, eu sou o capitão e não só pensamentos vão fazer escolhas por mim, o uso desse tempo é como se, ao alcançar uma condição ali de reafirmar o que eu quero ser, é como se eu tivesse vivido em segundos o que eu não vivi em anos de realização nesse meu mundo interno. Você pegou a sutileza ou não? Eu vou ser mais específico. Tem experiências da vida que, com o Conhecimento Transcendente como lanterna, como tem sido para mim, e o Conhecimento Logosófico cumpre esse papel, para mim, exato, de ir iluminando os detalhes da engrenagem no mundo mental dessas minhas experiências internas, eu vivi experiências recentemente, nos últimos anos, em que eu superei condições minhas que eu não tinha superado durante os 30, 40 anos anteriores. E é isso que estou sendo otimista, pensando numa existência muito maior, do ponto de vista consciente espiritual ou da consciência, talvez eu não tenha conseguido superar condições minhas durante muito mais tempo, mas posso afirmar com tranquilidade pelo menos 30 anos para trás, 40 anos quase para trás, em que características minhas me faziam sofrer, frente a experiências, um tipo de experiência ou uma realidade da vida. E nos últimos anos eu vivi algumas dessas experiências em que o que eu consegui superar dessas fragilidades, porque essas experiências me jogaram de frente a essa realidade, ou a essas realidades. Essas experiências, como toda experiência da vida, podem servir para jogar a luz em algo que eu não estava vendo. Então surgiram na minha frente, na frente aos olhos do meu entendimento, características minhas, pensamentos, crenças, preconceitos, especialmente um conjunto de formas de entender a vida que me faziam sofrer muito. E eu vivi transes incríveis nesses últimos anos por conta de algumas dessas experiências. Enquanto no ápice do sofrimento eu pude ver ali destacar a causa do meu sofrimento, que não estava fora de mim, estava em mim, ainda que existisse uma experiência que também estava fora de mim, mas que ela serviu, e ela só serviu especialmente, como se tivesse esse propósito de escancarar uma realidade da minha vida interna. E foi isso que aconteceu mesmo, escancarou várias dessas realidades. E nesses momentos eu pude contemplar, finalmente, de uma posição em que eu identifiquei que eu não era aquelas características. Eu estava com aquelas características há muito tempo na minha vida, na minha existência. E naquele instante eu comecei, naqueles instantes em que isso aconteceu, eu comecei um processo de transformar a própria vida deixando de ser daquele jeito. Então você imagina que, para mim, segundos e as experiências na duração que elas tiveram, elas significaram viver e avançar rumo ao que eu quero ser e viver, a felicidade verdadeira, serena, que se conquista dentro de si mesmo e não fora. Mas esses pequenos tempos que eu vivi nos últimos anos equivalem a muito mais do que décadas e décadas e décadas de vida inconsciente dessa realidade. Ou seja, o tempo é, de fato, um dos maiores segredos para a evolução humana. Porque há que aprender a fazer do tempo esse material elástico que transforma às vezes segundos, minutos ou dias em intensidade equivalente a décadas. Eu passei, certamente, na soma do tempo físico da minha vida atual, eu devo ter passado anos e anos sentado à beira do rio, vendo o tempo passar, o rio passar, e jogando pedrinhas, perdendo tempo. Como ainda hoje em dia, de vez em quando eu perco tempo na tela de computador, perco tempo em alguma tarefa ou alguma coisa que é útil, mas que atrai muito minha atenção. Há muitos devoradores de tempo, de vida, e cada um desses pedaços de tempo que eu não estou vivendo dentro de mim mesmo, eu tenho a sensação de que eu estou realmente jogando pedrinhas no rio. Que é uma delícia, né? Do ponto de vista físico, é. Mas do ponto de vista espiritual, consciente, não tem nenhum valor. Eu busco, e vou continuar buscando a cada dia, dilatar o tempo da minha vida e da minha existência para que cada vez minha vida tenha um significado mais elevado nessa direção que eu busco, cada vez estar mais próximo da verdade, do Pensamento Criador, e entender a razão de tudo isso. Eu espero que você possa aproveitar o seu rio, cada vez com maior potência, e que você possa ir encontrando, nesses espaços de tempo da sua vida, as experiências que te façam avançar rumo ao que você busca cada vez mais. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.