Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você Está Esperando 90% do Outro e Oferecendo Apenas 10%? — Reconheça o Desequilíbrio
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava lembrando aqui de uma frase clássica, como se fosse um velho ditado. Acho que é velho ditado mesmo. E que as pessoas, em geral mais velhas, mais experientes, acabam soltando de vez em quando numa situação quando está se conversando sobre relações humanas. E especialmente na relação de par humano, par romântico — aí o pessoal brinca e fala assim: "Você quer ter razão ou você quer ser feliz?" Ou seja, acho que é interessante a gente pensar nessa afirmação, porque no fim ela representa um aprendizado, muitas vezes sofrido, que é aquele de que: assim, o que você quer na vida? Isso se aplica, obviamente — estou falando da convivência humana — isso se aplica a qualquer situação, não só do par romântico, mas a amizades, dentro da família, nas relações que a gente tem sociais, em qualquer coisa, no trabalho. O problema — olha que interessante — parece aquela coisa de uma frase de sábio, né? Mas por que parece, e é, de alguma maneira, uma frase de sábio? Porque o ponto é o seguinte: quantas vezes na vida eu quis ter razão? Pode parecer um absurdo falar isso, né? Chega a ser, assim, surreal. Mas olha como é a incompreensão humana — que em tantos seres humanos como em mim, existiu por muito tempo essa imagem de que eu estava aqui para estar certo. Ou seja, o importante na vida era ter razão, entre aspas. O que é ter razão? Esse é um ponto que a gente acabou falando tanto na vida, né? Talvez em momentos que a gente estava medindo com o outro ser humano a razão de um e de outro, os argumentos, os pontos que cada um consegue entender, ou como cada um entende uma situação, uma experiência. E parece que, por alguma razão muito antiga, né? Provavelmente a gente se desviou há muito tempo atrás do caminho, e a gente passou a valorizar muito a própria razão, passou a valorizar muito aquilo que a gente faz, passou a valorizar muito a nossa presença, a nossa vida. Não que a vida não deva ser valorizada, mas assim, sabe quando a gente valoriza demais a nossa e não a do outro? Ou dá importância demais ao que a gente pensa, mas importância de menos ao que o outro pensa. Quando a gente acha que a nossa razão é melhor do que a razão do outro. Então são inúmeros reflexos de uma posição tão equivocada. Mas eu demorei tanto tempo para perceber que essa posição era equivocada. Eu errei tanto na minha vida ao não entender isso. Eu sofri tanto. E é importante que essa causa de sofrimento seja percebida por todos os seres humanos assim que possível, né? Cada um de nós. Porque o problema não é a questão em si de qual é a razão maior ou pior, quem tem mais razão num dia x, y, num assunto z — não é esse o ponto. O ponto é que por alguma razão que a gente talvez — eu atribuo sempre a a gente ter se perdido na jornada, e estou falando, a gente se perdeu milhares de anos atrás, né? O ser humano se perdeu na jornada e começou a dar muita importância para as coisas fora de si mesmo, né? A gente começou a se materializar muito, a gente começou a valorizar muito as coisas físicas, materiais, as aparências, né? A gente começou a valorizar o que os outros acham da gente, o que os outros dizem da gente. Então, assim, o ser humano — acho que em geral, né? — começou a cultivar muito a personalidade, que é essa capa, né? Essa fantasia, a persona, igual um teatro, né? O pessoal começou a querer aparecer mais do que ser. E isso está refletido em todos nós, com mais ou menos influência na vida. Mas é uma herança da nossa cultura, né? O ser humano foi cultivando isso ao longo dos séculos e séculos e séculos, e a gente hoje vive, né? E recebe da cultura uma pressão muito forte para parecer ser. Então, nessa concepção que é equivocada — ou seja, na forma de entender a vida desse jeito, que eu entendo que é um equívoco completo — faz sentido que eu valorize mais a minha opinião, a minha razão, o meu esforço, o que eu sou, do que o outro. Olha que coisa. Mas estou falando isso para entender e para ficar claro que, assim, ninguém faz isso porque é mal, né? Ou, pelo menos, quase ninguém. Não há uma intenção de causar o mal ao outro. Mas é uma incompreensão seríssima, gravíssima, quanto à realidade. E que acaba gerando esse resultado, essa consequência triste, que é esse exagero, como eu falei, né? Na apreciação, esse equívoco na apreciação em relação ao que é próprio e o que é do outro. Não as coisas que são de um e de outro, mas aquilo que cada um põe, né? O esforço. Às vezes se valoriza muito o esforço que a gente põe, mas o esforço que o outro põe, não. A gente valoriza muito tudo que sai do centro da própria vida, mas não valoriza tanto o que sai da vida do outro, o que o outro faz, o que o outro diz. Então, a gente tem um problema sério na convivência humana e esse é um ponto que eu considero que é muito, muito importante que eu siga superando essa compreensão e mudando a forma de me colocar frente à relação humana, seja qual for, em todos os seus aspectos, todos os tipos de relação. Por quê? Porque aquela forma que eu estava me referindo é a forma que causa tanta desgraça e que causa muitas vezes as brigas, separações. Assim, no limite da situação, é o que desgasta toda a relação humana e obviamente também desgasta a relação entre os povos, né? E nações, e aí tem brigas, guerras, enfim. Essa situação triste que a gente vive século após século e parece que nada muda, né? Que a gente não aprende nada. Mas voltando ao ponto do indivíduo, que é onde a gente tem condição de fazer a diferença. Eu penso que essa incompreensão acerca do valor que se tem — do próprio pensar que se dá muito mais valor a si mesmo que aos outros em termos de o que cada um pensa, o que cada um quer — isso se manifesta por uma razão instintiva, né? E a gente não conseguiu reverter essa influência poderosa do instinto. Isso é muito animal, né? Para mim, o meu, é muito animal, é muito do coletivo animal. E a gente muitas vezes está flertando com a forma animal de ser, com o instinto. E isso acaba nos afastando de algo que é muito importante, que é a construção desse indivíduo, a superação do ser humano como indivíduo. E parece que a gente tem que ir se livrando, né? Tem que sair dessa posição de coletivismo do reino animal e a gente tem que ir se impondo na própria vida como indivíduo, que não é movido pela massa. Porque quando a gente é movido pela massa, quando a gente se funde na massa — ou seja, quando a gente acha que vale mais a gente estar junto com o coletivo, né? E fazendo o que o coletivo quer, o que o coletivo dita — do que pensando por si mesmo, a gente vai entregando para os terceiros a nossa possibilidade de pensar e de ser. E isso é muito sério também. Eu estou observando que são várias as características dessa falha que eu tenho na minha psicologia, e eu observo isso na psicologia da maior parte dos seres, em que a gente foi se desviando tanto do caminho dessa superação, da formação, do cultivo de um ser humano cada vez melhor, que a gente foi caindo em vários desses desvios, né? A gente foi sempre escorregando para o lado por conta disso. E hoje, a gente olha para o mundo e fala assim: "Irmão, como é que a gente vai se entender?" E de novo, isso começa o desentendimento primeiro em si mesmo, né? A mente em geral não se entende com o coração. Ou quando se entendem, geralmente às vezes se desentendem em um momento futuro. O ser humano se desentende com aqueles que estão mais próximos, se desentende com os que estão no trabalho, se desentende com os que estão no trânsito, com os que estão no condomínio, com os que estão... sei lá. Assim, a sensação é que a gente está com as referências erradas, sabe? A sensação é que a gente está com uma lente, a gente está olhando a vida. A sensação é... eu não tenho mais dúvida disso, para mim isso é uma certeza enorme, não é só uma sensação. Mas assim, a imagem que eu faço é que a gente está olhando a vida com uma lente equivocada, uma lente que não era a lente que era para colocar nessa armação do óculos, né? Ou não era estar vendo a vida por uma lupa. A lente da lupa está errada. E esse problema é o que abre tantas dificuldades para a gente. Então, o fato da gente realmente esperar dos outros muito mais do que da gente mesmo — isso, a logosofia, ela vai apontando essas características, né? E foi o que obviamente sempre me proporcionou poder olhar para mim e perceber essas características que são falhas. Falhas não só conceituais, mas falhas de conduta, né? Na forma de me colocar frente à vida. E tem um ensinamento de logosofia que eu gosto muito, que ele faz essa descrição perfeita. Ele fala assim: "Olha, o ser humano em geral espera do outro 90%. E coloca só os 10% na relação, né? Seja qual for a relação. E geralmente valoriza mais os 10% que coloca do que os 90% que recebe." O que recebe não, o que gostaria de receber, seja o que receba, tanto faz. Ou seja, a gente realmente vê um desequilíbrio, né? E aí eu começo a olhar para a minha vida, né? Eu sempre procurei nessas horas olhar para a minha vida e falar assim: "Pô, será que isso é real?" E quantas vezes eu não vi que isso é real? Assim, que a gente... eu, né? Eu sempre procuro nessas coisas assim que são as fragilidades e os defeitos, eu prefiro sempre falar por mim, né? Eu deixo para você, se couber, se for o caso, você pega para você a carapuça e bota na medida e na proporção que você achar que cabe, né? Mas no meu caso, assim, eu estou lembrando de tantas vezes. E às vezes no dia a dia, sabe assim? Quando a gente não valoriza muito o que o outro faz, não valoriza muito a ajuda que a gente fez. Pode ser na tarefa da casa, pode ser em uma amizade só, né? Sabe, fulano não me liga. Fulano nunca manda uma mensagem para mim. Bom, eu, quantas vezes eu mando para fulano, né? E às vezes uma amizade vai se ressentindo por conta de bobagem, né? Por falta de atenção dos dois lados. Aí, o que é o pior? Eu lembro de chegar a pensar, ou não pensar, mas de ver os pensamentos dele assim: "Ah, mas também, já que ele não ligou, não mandou mensagem, então você não vai mandar também, né?" Tipo assim, hã? Qual o sentido dessa forma de pensar, né? Nenhuma, porque não é uma forma de pensar. São deficiências psicológicas reagindo, né? Obviamente que isso não é uma forma de pensar, porque se fosse uma forma de pensar, o pensamento seria: "Cara, você preza essa amizade? Então, segue servindo a essa amizade. Se o outro não corresponde à altura, não tem problema, essa amizade é boa para você, segue estimulando, segue buscando essa amizade." Mas a gente vê que, infelizmente, o normal hoje — não o natural, o normal hoje — é não. É assim: "Ah, se ele não fez, eu também não vou fazer." Que diabo é isso, né? Então, assim, a gente às vezes fala assim: parece criança, né? Porque criança é assim. Criança tem pouca compreensão da vida, né? E você vê criança brigando por brinquedo com a outra, tirando o brinquedo da outra. A criança está ainda muito sob influência dessa parte ainda das coisas materiais, do instinto, né? Porque, tipo, é meu, né? Isso é para mim. É engraçado de ver, mas depois vira adulto, como eu, e segue acreditando que eu sou mais importante que os demais. Então, assim, eu luto hoje, luto com constância, para me recordar e para ter consciência, não me permitir cair de novo. De vez em quando eu caio, né? Mas, assim, caio o menos possível no dia a dia, porque nessa posição de que eu sou mais importante, eu tenho um valor maior do que os outros seres humanos. Porque quando a gente consegue atuar no dia a dia, pensando que cada ser humano — e esse é outro ensinamento da logosofia que eu acho fantástico — que cada ser humano tem seu lugar no mundo, que ninguém precisa se preocupar em afirmar seu lugar como mais importante que os outros, todo mundo tem seu lugar. Ou pelo menos, assim, né? Tirando aqueles que estão muito já fora da realidade humana e se parecem mais com animais, essa minoria, todos os outros, todo mundo tem seu lugar. E nenhum lugar é mais importante que o outro. Então, assim, a gente não precisa mais competir pela importância da vida de cada um de nós no mundo. Ninguém precisa parecer mais do que o outro, porque ninguém é mais do que o outro, né? Em possibilidade, somos todos iguais. Aí você vai falar: "Roni, mas em possibilidade é uma coisa. Na realidade, tem seres que se esforçam mais e se esforçam menos, em todos os aspectos." Concordo, claro que sim. Mas não cabe a nós diminuir o valor do outro, entendeu? Qual o ponto? O meu problema é que eu queria fazer esse julgamento e a tendência das deficiências da minha mente era eu fazer esse julgamento, falar assim: "Ah, não, eu sou mais do que fulano, mais do que Beltrão." E, às vezes, numa relação: "Ah, não, mas eu faço mais esforço aqui pra essa relação do que o outro." Então, o problema não é o quanto cada um de nós é ou não é. Porque primeiro que a gente é ou não é, não é perante os outros, né? É perante Deus, é perante a criação. A gente não tem que medir e prestar contas ao outro, né? Mas o problema é que a impressão, esse equívoco, essa compreensão equivocada — é uma incompreensão, é um engano, é uma falha que a gente tem no entendimento — que a gente acha que cabe a gente ficar julgando a posição de cada um no mundo. A gente pode emitir um julgamento frente à conduta dos outros, aliás, a gente deve, porque existe uma faculdade, a razão, é uma faculdade da mente humana que ela existe pra também julgar. O que a gente não pode é querer achar que a gente é o juiz e sentenciar, né? A razão deve ser usada pra observar, ao colher as observações, poder ter uma posição clara, mas que sirva pra nossa conduta. A gente não é o árbitro, a gente não é o juiz da história. Tem juiz, a gente pode ficar tranquilo que tem juiz. Ainda que a gente não veja as ações desse juiz, tem juiz. Não só julga como os atos da vida vão obviamente corrigindo, né? A vida vai corrigindo cada ser humano na medida da sua necessidade. Mas o ponto principal era esse, era de levantar algumas questões tão óbvias que hoje eu falo assim: hoje eu prefiro ser feliz do que ter razão em qualquer tipo de relação. Então eu procuro me colocar assim: na empresa que eu trabalho, eu poderia até — cada um de nós pode ter um cargo que é mais elevado do que alguém, do que o outro — mas eu procuro que assim, eu sempre procuro esquecer qual é o meu cargo e eu procuro lembrar qual é o meu papel. Porque esse é o ponto, é outro engano. Eu tenho um cargo X, então eu sou importante. Ninguém é importante porque tem um cargo. Agora cada um de nós pode ter um papel muito importante na humanidade e na parte da humanidade que a gente está atuando, convivendo. E pra mim isso é o mais importante hoje. Qual o papel que eu posso cumprir pra que o mundo seja melhor? Que papel me cabe? Aí é melhor ainda, porque chama a responsabilidade pra si mesmo, né? Que papel me cabe pra que o mundo seja melhor? Que papel me cabe pra que a gente viva a experiência humana cada vez melhor? Na minha família, no meu trabalho, no meu círculo social, não importa, no mundo. Então é preciso começar a trazer pra si mesmo — não um valor exacerbado que está dentro daquela incompreensão de que a gente tem valor maior do que o dos outros, né? — mas é preciso trazer essa compreensão de qual é o papel que eu devo cumprir pra que o mundo seja melhor. Primeiro o mundo ao meu redor e consequentemente, à medida que cada um exerça esse papel, a gente vai transformar essa realidade como um todo, claro. É óbvio, é natural, é lógico. Engraçado, né? Não sei se é engraçado, mas é curioso, né? Quando a gente se detém nesses pontos, a gente começa a perceber que há uma série de condutas que o problema é que elas são consequência de um equívoco na compreensão, numa forma de viver a vida. E aí o que eu percebo em relação ao conhecimento que a logosofia oferece é exatamente a possibilidade da gente ir desfazendo essas incompreensões sobre a vida, sobre a nossa colocação na vida, sobre o nosso papel, sobre qual é a nossa função. A gente tem que ir deixando essa posição de viver pra fora, de valorizar o que está fora, né? Valorizar o material, as aparências, e ir buscando essa consciência cada vez maior de que a verdadeira vida é essa que surge primeiro em si mesmo, onde a gente vai moldando, construindo, a gente vai edificando um novo ser humano, cada vez mais superado, o que vai certamente transformando a experiência da vida em algo incrível, eterno, de consistência, de sabor eterno, permanente. Que é o que, no fundo, eu acho que todos nós buscamos, né? Dar pra vida um significado, uma sensação, um sabor de eternidade. Então vamos, né? Tem muita coisa pra gente fazer, né? Tem muito trabalho nesse laboratório interno, nessa oficina interna, né? Mas esse trabalho é lindo. E é o trabalho que vai gerando essa alegria, que tem esse sabor do permanente, de eternidade. Boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.