Latest / Logosofia no Dia a Dia / Você Está Crescendo na Vida. Mas Suas Raízes Estão Acompanhando Esse Crescimento?
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu tô aqui olhando pra minha plantinha. A minha plantinha é um mini-antúrio. Sabe qual é? Depois você pesquisa na internet qual que é o mini-antúrio, e você vai ver a minha plantinha. Ela tá indo muito bem. Tá cheia de ramos, né, muitos novos, sempre. Mas ela vive num vasinho de vidro, que aliás é muito bonitinho, com essas lascas de casca de árvore aí em cima, e embaixo eu boto a água. Na parte de baixo tá acumulado um pouco de água, tudo, e ela vive bem, contanto que não pegue raios de sol. Ela não é planta pra sol, e aonde às vezes bate um raiozinho de sol, queima a folha, né? Então tem umas duas folhinhas que pegaram um pouco de sol, tão queimadas. Mas quando a gente olha pra uma planta dessa, a gente vê que ela tá se desenvolvendo na perfeição, super bem. Porque o cultivo dela tá indo muito bem. Agora, você já viu muita planta em vaso com o vaso rachado, não viu? Você já viu árvore na calçada levantando a própria calçada? Ou você já viu árvore que caiu porque a raiz não tinha pra onde crescer, e a árvore ficou vulnerável a ventos fortes, ou até mesmo a ir morrendo por dentro? Por quê? Porque a planta tem uma coisa curiosíssima — já se sabe, esse é um conhecimento — a planta tem um espelho na sua parte da copa em relação à sua parte da raiz. Ou seja, o mesmo volume e mais ou menos a mesma extensão do que a gente vê na copa de uma árvore, as árvores têm embaixo da terra. A parte que busca água no solo, que busca nutrientes, ela é basicamente uma parte de volume semelhante ao volume que tá exposto ao sol. Faz sentido, né? Porque ela faz a fotossíntese com o sol, mas com água e os nutrientes, então ela meio que precisa de partes iguais — uma parte ela busca no solo, outra parte ela busca no sol. Então tinha que ser mais ou menos equivalente mesmo, né? Faz ter sentido isso. Mas olha só, eu tava falando do vaso quebrado, né? As plantas grandes — o meu mini-antúrio é um mini-antúrio, ele não tá com problema, ele tá previsto viver, talvez ele vá trocar um dia de vaso pra ver se ele se expande ainda mais, é possível. Porque esse é o problema: o vaso acaba limitando o tamanho e o desenvolvimento da planta. Se colocar uma muda de uma árvore num vaso pequeno, é quando você vai ver aqueles vasos que se racham, que se quebram, e muitas vezes você vai ver uma raiz saindo pela rachadura, querendo se expandir. Por quê? Porque o mandato da árvore, do DNA da árvore, é crescer até o tamanho que ela deve ficar, da espécie dela. Aí você fala assim: mas o vaso não impede? Sim, o vaso atrapalha muito e às vezes retarda o crescimento. Mas se ela conseguir os nutrientes e a água, se tiver bem cuidado, a chance é ela arrebentar o vaso, porque a raiz vai seguir crescendo e a raiz de árvore exerce uma pressão enorme. Então a gente pode entender o seguinte: na natureza, aquilo que é dado a crescer, ou aquilo que deve crescer, ou que o mandato é pra crescer, é pra ficar maior, precisa de uma estrutura equivalente e que vá crescendo de forma equivalente, mesmo quando não vista aos olhos nus, né? Se a gente vai pra própria vida, é pensar o seguinte: a gente quer resolver, ou melhor, antes de resolver, a gente quer entender os enigmas da vida. A gente quer entender por que a gente passa tanto sufoco com as experiências da vida, por que a gente vive com tanta ansiedade, por que a gente vive — ou épocas da vida — a gente passa angustiado com as experiências que a gente passa. Por que a gente não tem as coisas que a gente queria ter do ponto de vista de felicidade? Por que a felicidade não é abundante na vida de todo mundo? Por que tem tanta coisa que tira o sono, tem tanta coisa que tira o ânimo? São muitos porquês. E a gente tem certeza que, tanto você quanto eu, independente dos porquês que a gente tem, a gente quer receber resposta. A gente gostaria de encontrar uma resposta pra tudo isso. Ou melhor, a gente gostaria não só de receber as respostas — a gente gostaria de poder mudar a forma como a gente se coloca frente a cada uma das experiências da vida. A gente queria poder viver a vida de uma forma muito melhor do que a gente vive hoje. Faz sentido o que eu tô falando? Por melhor que esteja a vida de cada um de nós, a gente aspira. Ou seja, há uma mola interna que nos impele, nos lança numa espécie de busca por superar as condições. Isso existe desde o ponto de vista comum — a gente tá buscando nessa vida terrena melhores condições materiais, de conforto, de tranquilidade. E obviamente há também uma busca por melhores condições de viver a experiência humana. Então parece que, como as árvores, a gente tem o nosso DNA — não só o físico, porque o físico a gente já determinou a nossa altura, a gente já parou de crescer faz tempo. Eventualmente, lateralmente, eu continuei crescendo bastante, atrasado, mas já parei também. Mas assim, idealmente, se a gente olhar para a vida, a gente vai ver que nossa vida é, ou deveria ser, um crescente em que a gente fosse — na medida que as experiências da vida vão se somando, vão se apresentando — a gente deveria ter condições de, encarando as experiências mais difíceis, e obviamente a gente vai ser chamado cada vez a viver experiências mais difíceis, e ao vivê-las a gente deveria estar em condições de processá-las e de passar por elas de uma forma cada vez mais tranquilo e cada vez entendendo melhor o porquê de tudo isso. Mas não é o que acontece. Eu passei uma boa parte da minha vida sem entender por que as experiências que eu estava vivendo estavam ocorrendo comigo. Por que eu tinha que passar por aquilo? Por que eu estava tendo que experimentar as sensações que eu experimentava? Que, obviamente, nos porquês não respondidos — como era a grande maioria — o que acarretava? Sofrimento, aperto no coração, angústia, ansiedade. E eu volto a esse ponto desse estado comum de ansiedade, de angústia, porque eu observo que a gente está vivendo numa época, numa era, em que isso é cada vez mais presente na vida de todos nós. Só que a gente precisa se perguntar o porquê disso. Não só para ficar perguntando, porque a gente precisa encontrar a saída. Eu não estou aqui para dizer que a gente tem problema, porque você não precisava me ouvir para poder saber disso. Eu estou aqui para dizer o seguinte: o problema que a gente vive — e aí cada um se coloque, por favor, na proporção que esse problema aflige a si mesmo, e eu tenho a minha proporção, e tem situações em que a proporção é maior, outras são menor — mas cada um na sua proporção que vive esse problema, me parece que esse é um problema da humanidade hoje. Bom, não é de hoje, claro que não, mas eu estou olhando para a humanidade hoje. Eu estou observando a geração mais jovem, e observando que em qualquer idade, o que mais causa angústia e ansiedade é não entender as dores da vida, não entender as experiências da vida, e não entender como é que a gente passa por elas sem que elas sejam esse sofrimento. Então voltando à imagem da árvore, parece que a gente tem uma instrução de que é preciso crescer do ponto de vista metafísico. Ou seja, é preciso enfrentar cada vez experiências e situações na vida terrena mais complexas, que vão exigir mais de cada um de nós, ainda que a sensação que a gente tem é que a gente não está à altura — quase literalmente — dos problemas. É como se os problemas da vida, ou a dificuldade da vida, fosse crescendo junto com o plano da árvore. Só que se a árvore para de crescer, e os problemas continuam, os problemas ficam maiores que a árvore. E às vezes eu tenho a sensação que eu sou chamado a viver problemas que são maiores do que eu mesmo. O ponto é que não são, mas a sensação é que são. Você conhece a sensação? Já viveu isso? Lembra do... como a gente se sente pequeno, vulnerável, frágil, quando o problema — e não estou falando de um problema pontual, estou falando quando um problema envolve, tende a envolver a vida como um todo, quase. Tamanha é essa desproporção entre o problema e a minha capacidade, a sensação de que o problema envolveu a vida. De novo, a gente tem sensações assim quando a gente é adolescente, porque a gente acha que os problemas da época são problemas enormes. Mas o ponto é que os problemas são desproporcionais, e isso é suficiente para parecer que o problema engloba a vida inteira. Porque não importa que o problema fosse uma prova na escola, ou lição de casa, depois, mais tarde, fosse o problema do coração partido porque estava apaixonado mas não dava certo, ou depois, na vida adulta, os problemas serem de outro tamanho. Porque o ponto é que em qualquer um desses momentos, a gente se sentiu, e tende a sentir atualmente, pequeno frente ao problema que se apresenta. E daí todo o sofrimento que a gente via desde aquela época, porque o sofrimento é similar, só vai crescendo em proporção também, ao tamanho da encrenca, da complexidade da vida. Bom, pensando na árvore, qual é a saída? Ou seja, qual é a solução? A solução é, obviamente, não é visível praticamente aos olhos nus, mas é perfeitamente visível pelos olhos do entendimento. A solução, obviamente, é que proporcionalmente ao crescimento da árvore, a gente possa estar crescendo na base, na estrutura desse ser. Que do ponto de vista humano, obviamente, eu entendo que é a estrutura metafísica. Não é à toa que a logosofia apresenta o que ela chama de processo de evolução consciente. A gente pode entender de várias formas esse processo, mas a logosofia apresenta como se fosse assim: a gente foi feito, a gente foi criado, a gente veio a esse mundo para realizar esse processo. Veja, não é que a logosofia está oferecendo um opcional. Sabe quando você vai no menu do cardápio e tem lá — você pode adicionar uma porção de purê de batata, você pode adicionar batata frita, você pode adicionar, sei lá, um risoto, uma porção de risoto de alcachofras — mas que não é uma opção, não é que está acrescentando um sabor a mais. A interpretação que eu faço hoje é assim: a gente veio e não sabia que veio para realizar um processo de evolução. No nosso caso, o ser humano é consciente. Todo elemento criado no universo realiza um processo de evolução. Os átomos evoluem, as colônias atômicas evoluem, os astros, os planetas evoluem, as raças de inseto, animais evoluem, tudo tem que evoluir. No nosso caso, a evolução precisa ser consciente, porque nós temos esse órgão. Mas a gente não sabe disso. Cadê o manual? Eu já me referi a viver a vida sem o manual, sem entender as regras do jogo em outros podcasts, mas o problema é que a gente vai passando por essa experiência da vida terrena e a gente não sabe fazer crescer as raízes. Então a gente vai crescendo em tamanho, a gente vai crescendo e aumentando a copa, aumentando a complexidade da vida e das experiências, mas a gente não sabe cultivar e fazer crescer as bases pela qual a gente pode sustentar esse crescimento e essas experiências complexas. Por quê? Porque o processo de evolução consciente é uma novidade. Para mim, pelo menos foi uma novidade. Eu nunca tinha visto esse lugar nenhum. Nunca tinha... ninguém tinha falado para mim que eu precisava realizar uma evolução consciente nessa vida. Eu tinha entendido que a vida era para outra coisa — era para curtir, para fazer, para conquistar um monte de coisas, fazer um monte de coisas. Ser, né? Ser, entre aspas, um monte de coisas. Entender se é ser ou se... o que é ser de verdade, né? Então a logosofia vem exatamente pelo seguinte: olha, a árvore precisa crescer, porque a ordem da árvore é crescer. Você vai crescer. Você vai viver problemas cada vez mais complexos da experiência humana. Para tanto, precisa ter a estrutura capaz de sustentar a vida de acordo com essa mesma complexidade, na mesma proporção. Então me parece que o processo de evolução consciente é como adquirir essa capacidade, finalmente, de estruturar as bases, as raízes de uma vida verdadeiramente feliz e plena. Você vê que só o fato da gente pensar e projetar essa frase — uma vida verdadeiramente feliz e plena — a sensação é muito boa, né? E na medida que cada um de nós já experimente esses momentos de plenitude, de felicidade, quando percebe algo sobre si mesmo, quando começou a entender algo a mais sobre si mesmo, a gente precisa empreender isso de forma constante. A gente precisava fazer da vida essa sequência de processo, essa sequência de ganhos, essa sequência de avanços, para que a gente possa, talvez até de forma muito atrasada, fazer as raízes, a estrutura da vida metafísica, fazer um catch-up, alcançar a estrutura da árvore visível. Porque a gente cresceu, passou a viver a vida na sua complexidade maior, mas não se preparou para isso. Então o conhecimento logosófico, para mim, vem cumprir essa função, entre tantas outras, de apresentar uma possibilidade real para que a gente finalmente comece a entender sobre raízes. Não é das plantas físicas, mas as raízes — ou seja, a estrutura da própria vida humana. E não estou falando da parte biológica, claro. Estou falando da parte psicológica e, basicamente, da parte espiritual. Então, se a gente quer sustentar a vida em relação a todos os intempéries, ventos, tempestades, avais que a vida apresenta, a gente precisa entender sobre raiz. A gente precisa entender sobre essa parte que não está visível aos olhos, mas é a base, a estrutura. É, na verdade, o que sustenta, ou deveria sustentar, a nossa vida interna. Esse é o foco, essa é a expertise do conhecimento logosófico. Para isso é importantíssima a leitura e a reflexão meditada sobre o ensinamento logosófico, porque a gente está buscando exatamente o conhecimento sobre como é que se estrutura as bases internas de uma vida que a gente acabou vivendo sem ter nunca sido apresentado a essa realidade que estava oculta aos olhos físicos. Bora? Bora seguir? Esse é o intuito, essa é a razão de a gente estar aqui. A gente entrou na conferência seguinte que, obviamente, tem essa pegada, tem esse objetivo de nos dar as condições, de pelo menos nos mostrar que a gente precisa focar e ter as condições que a gente não tem ainda para desenvolver essa vida na capacidade e no alcance que essa vida deveria ter. Talvez por isso o nome da conferência é "Alcances do Conhecimento Logosófico no Processo de Superação". Boa leitura. Fique bem e até o próximo podcast.