Latest / Logosofia no Dia a Dia / Caçadores da Arca Perdida e o Método Logosófico: Uma Metáfora
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava aqui lembrando da música de um dos filmes que marcou a minha adolescência e que adorei assistir. Foi o primeiro de vários, mas gostei de muitos deles: "Caçadores da Arca Perdida", com o Harrison Ford. E por que talvez tenha marcado a minha adolescência? Primeiro, porque é um filme de aventura no sentido mais intenso da coisa. Mas, especialmente, porque faz parte daquelas várias histórias — e eu acho que essas lendas todas que a humanidade ouve há séculos — sobre um tesouro. Algo de valor muito alto ou de muito poder, como era o caso; um tesouro escondido em algum lugar, para o qual existe um mapa. As histórias de mapas do tesouro, como as de piratas, eu acho todas muito legais. Adoro todas elas. E eu estava lembrando disso porque é muito interessante o momento, ou não só o momento da descoberta do mapa, mas a posição do caçador de tesouros, daquele que está em busca de algo de muito valor. É uma posição muito curiosa. Quando esses personagens, esses heróis, encontram um mapa — seja do tesouro ou do que for, como no filme em que o Harrison Ford encontra o diário do pai dele, que também era um caçador de tesouros —, eles começam a seguir o diário literalmente como um mapa, com instruções superprecisas do que fazer. Independentemente de como conseguimos o mapa, a ideia de que há instruções claras para se chegar ao tesouro coloca o herói numa situação muito curiosa. Imagina se fôssemos nós. A gente acha um mapa desses ou um diário que alguém nos deixou, alguém que foi em busca de um tesouro e o encontrou. Aí pegamos o mapa e falamos: "Ah, não, espera aí. Por que eu tenho que ir até tal lugar para começar essa jornada?". Bom, se o herói para para discutir por que tem que fazer o esforço de viajar até certo lugar para começar, então é melhor ele decidir se quer o tesouro ou não. Por quê? Porque com um mapa do tesouro ou instruções claras para chegar a um lugar valioso, você não vai discutir com o mapa. Você não pode. Se eu pegar o mapa e disser: "Não, não concordo. Em vez de ir para o Tibete para começar — acho que você lembra de um dos filmes em que ele começa a caçada lá —, eu prefiro ir aqui para o Brasil, para o Recife, onde eu nasci, porque gosto da praia". Não adianta. Se você quer ir para o Recife, legal, vá, pegue um sol, mas a trilha para o tesouro de que você está falando começa lá no Tibete, sei lá onde. Então, você tem que decidir se quer o tesouro ou não. O caçador, ou seja, cada um de nós, precisa tomar uma posição. Você não vai discutir com o mapa para onde tem que ir. Ou você vai, ou você não vai. Olha que coisa curiosa. Lógico, né, Rony? Que bobagem é essa? Sim, mas isso é fundamental. Por quê? Porque, além de decidir começar a jornada — e, nos filmes, isso implica ir fisicamente para algum lugar no planeta Terra —, depois que se decide, as instruções também são muito específicas, ainda que não as entendamos. Olha que curioso. Geralmente, são referências com as quais não estamos acostumados. No caso, o personagem do Harrison Ford tem que interpretar todas aquelas instruções para tentar compreender o que o autor do mapa quis dizer, porque não é familiar para ele. Não é familiar para quem está seguindo esses mapas encontrar referências como: "caminhos sem passos em direção à rocha que sorri para você". Aí você pensa: "O que é a rocha que sorri para mim?". Sei lá, estou dando um exemplo dessas instruções de mapa. Quando você vai lá, dá os "cem passos", olha o cenário e identifica o que está sendo explicado, você simplesmente executa. Você não vai dizer: "Ah, não, mas eu não concordo com aquela rocha. Ela parece mais que está chorando, não sorrindo. A boca dela é meio esquisita". É o tipo de coisa que a gente não faz, porque entende que quem fez o mapa já tem o conhecimento, ou seja, já chegou ao resultado. À medida que vamos cumprindo cada trecho do mapa, vamos comprovando que aquelas referências são fatos, são reais, o que aumenta a confiança de que, no final, encontraremos aquilo que se busca. Aí você fala: "Ronny, por que estamos analisando o filme 'Caçadores da Arca Perdida' ou esses filmes de mapa de tesouro?". Bom, porque quando eu comecei meus estudos de Logosofia, por mais absurdo que pareça, eu comecei a discutir com o mapa. Como assim? Vamos lá. Eu imagino que o método logosófico, a Logosofia, vem e apresenta uma concepção sobre a vida e a existência que eu ignorava. Eu não tinha visto essa concepção, esse conceito, em lugar nenhum. E a Logosofia tem um método que diz: "Olha, você vai começar estudando para poder ilustrar sua inteligência acerca de uma realidade que você não conhece. Você vai começar a se aprofundar no conhecimento transcendente". O ensinamento logosófico vai te apresentar um conhecimento que transcende todo o conhecimento comum. Ele vai te explicar sobre as leis universais que determinam o acontecer de tudo no universo, inclusive da sua vida interna, da parte metafísica, porque no mundo metafísico estão as causas de tudo. Você vai conhecer os seus pensamentos, aqueles que influem na sua mente, e começar a entender por que sua conduta é como é e por que você vive a vida como vive. Você vai aprender a formar pensamentos que estejam a serviço do que busca e a diminuir a influência daqueles que hoje atrapalham o que você quer. Você vai identificar o que sempre buscou, intuir que existe uma vida muito mais ampla, plena e consciente, porque esses conhecimentos vão despertar sua consciência para essa realidade, e você vai começar a sentir, a experimentar a vida de outra forma. Enfim, o método logosófico é um mapa muito claro para um tesouro que é aquilo que cada um de nós sempre intuiu, ou intui, ou de vez em quando sente: a sensação de que há algo a buscar na vida que eu ainda não encontrei ou só comecei a tatear. O conhecimento logosófico está apresentando um mapa para isso, um mapa claríssimo. E o que eu fiz durante muitos anos no início? Eu fiquei discutindo com o mapa. "Ah, não, mas essa lei de causa e efeito, eu não sei se funciona tão bem assim. Será que preciso me preocupar com ela?". "Ah, essas deficiências psicológicas que hoje estão na minha mente com muita força, atrapalhando minha conduta... Eu quero conhecer o mundo metafísico, mas não quero me preocupar em ter que lidar com minhas deficiências. Não, deixa elas aí onde estão. Eu não quero o esforço de ter que combater essas deficiências, tirar a energia delas e cultivar algo melhor no lugar". Durante muito tempo, eu discuti com o mapa. É absurdo, não é? Eu sei, é mesmo. Por quê? Porque não é que eu duvidasse, mas é que realizar o mapa exige decisão, esforço e perseverança diante de todas as provas. Olha que interessante essa imagem do mapa. A gente vê nesses filmes que o cara passa por boas e poucas. Lógico, corre risco de vida, porque há armadilhas, há muita proteção para o tesouro. Por que há tantas armadilhas e proteções? Porque eu entendo que a linguagem iniciática nessas histórias lendárias quer dizer que o tesouro só será alcançado, só pode ser entregue, àquele que prova ter valor para possuí-lo. Não é uma jornada que qualquer um faz. Tanto é que, nessas histórias, é sempre o herói. Ele se torna um herói porque decide que vale o esforço de realizar o mapa, não de discutir com ele. E, em especial, ele vai ganhando confiança cada vez que os marcos do mapa se provam reais. Não é questão de discutir se o que a Logosofia apresenta sobre a realidade dos pensamentos é verdade. "Vou discutir, não acho que é isso, acho que é diferente. Pensamento é um negócio que não tem importância". Não, não é. No primeiro momento em que a gente observa um pensamento atuando na mente e comandando a nossa vontade — e a gente fala, ou faz, ou deixa de fazer algo por causa dele —, e depois identifica que foi um pensamento que curvou a nossa vontade, você comprova imediatamente que pensamento é um negócio real e fortíssimo. Fortíssimo, a ponto de dobrar a minha vontade. Algumas vezes, eu não consigo resistir; o pensamento me manda e eu obedeço. É possível que exista algo tão forte assim no meu mundo interno? Sim, tem. Então, quando a gente comprova cada uma dessas realidades que a Logosofia e o método logosófico apresentam, tudo vai ficando cada vez mais sólido, e eu fui ganhando mais confiança pela realização desse mapa. Bom, de onde surgiu tudo isso? Surgiu ao pensar no tópico seguinte do livro "Exegese Logosófica", que trata, não de forma alegórica como eu fiz, mas exatamente dessa posição interna nossa frente ao conhecimento logosófico. O tópico chama-se "A Logosofia não é matéria de discussão". A gente se acostumou na vida a estudar as coisas de uma forma muito superficial e externa. Então, cabe muita discussão filosófica, aquelas grandes discussões em que todo mundo questiona tudo. "Vamos questionar tudo, tudo é questionável". Nós não estamos diante de uma matéria para discussão. Não é para filosofar com a Logosofia. Foi isso que eu entendi. Eu deixei de filosofar sobre a Logosofia na maior parte do tempo, já há muito tempo. Passei a olhar para isso e a entender como um mapa de um tesouro que, na verdade, não está fora. O tesouro é o conhecimento de mim mesmo. É descobrir e responder, finalmente, às grandes questões da minha existência. Cada um de nós tem um tesouro para si mesmo. A cada um de nós está reservado um tesouro para ser encontrado por si mesmo, em si mesmo. Olha que lindo que é isso. E a Logosofia é esse mapa. Eu penso que a gente tem que olhar para isso de uma forma que hoje eu já consigo olhar muito melhor: não é para discutir com o mapa, Rony. É para seguir cada uma das instruções e ir observando, à medida que se caminha, as provas concretas de que esse método e esse conhecimento vão nos aproximando daquilo que a gente sempre quis e que talvez nunca tenhamos tido claro o que era, mas que sempre sentimos que precisávamos buscar e viver. É algo a se pensar, a se refletir mesmo. Qual é a nossa colocação frente a um conhecimento dessa transcendência, como o que oferece o ensinamento logosófico? Boa leitura, boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.