Latest / Logosofia no Dia a Dia / Dois Diapasões e Uma Frequência: A Metáfora da Ressonância no Estudo do Conhecimento Transcendente
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe o que eu estava recordando? Uma passagem que eu tive pela música. Passagem pelo aprendizado de música. Durante poucos anos da vida adulta, eu estudei guitarra e aprendi um pouquinho de teoria na época. Já esqueci a maior parte, infelizmente. Acabei não conseguindo depois manter o hábito de praticar e de ter aulas. Então eu parei o desenvolvimento. Uma pena. Eu gostava. Mas eu lembro de algumas coisas. Eu lembro de uma coisa aqui na música que obviamente é própria do ambiente da música, da ciência por trás, por exemplo, da música — que foi um dos fenômenos mais incríveis que eu vi. E que até hoje me chama a atenção. E quando eu recordo desse fenômeno, eu acho isso um negócio de outro mundo. Olha só, imagina a seguinte situação, para você entender o que eu estou falando. Eu estou em uma sala e em cima de uma mesa tem um diapasão. Você sabe o que é um diapasão? Diapasão é aquele instrumento de metal que parece um U — tem um cabo assim, parece um Y, na verdade. É um U. É um U, e ele é de metal. Ele é um instrumento para afinação de piano. E faz de conta que esse diapasão está afinado em uma frequência de, acho que é 440 Hz, que é o Lá. O Lá perfeito. A frequência em Hz é a frequência que ele vibra, né? Muito bem. Digamos que no outro lado da sala tem outro diapasão afinado na mesma frequência. Se eu pegar um diapasão, bater nele e ele começar a emitir o som que emite na nota — e logo depois eu falar "chega, não quero mais ouvir esse Lá aqui" e for pegá-lo para parar o som —, não faz diferença. Porque o outro diapasão no outro lado da sala já recebeu o som que o primeiro emitiu e, por estar na mesma frequência, começa a emitir o som dele e a vibrar na mesma frequência. Olha que coisa mais louca que é isso. Mas olha que coisa mais linda que é isso. Eu vou chegar lá. Isso se chama ressonância, né? É ressonância simpática, se não me engano. Mas é uma lei da física que é a ressonância. A vibração que há no emissor — ali num ponto de referência — quando a frequência é a mesma no receptor, há essa imediata identificação e vibração nas mesmas frequências. É como se um despertasse o outro. Olha que coisa mais linda. Por quê? Porque quando a gente... Eu entrei agora — a gente está entrando num tópico seguinte do livro "Curso de Iniciação Logosófica" — e o tópico chama, o título dele exato é "Processo de Assimilação do Ensinamento". Ele começa descrevendo... Ele não usou o diapasão, mas para mim a imagem que veio foi exatamente essa — a imagem da frequência e do despertar quando um objeto ouve a frequência do outro. Porque, no nosso caso — e eu posso falar pelo meu com muita convicção, mas eu tenho certeza que isso acontece com muita e muita gente —, é a mesma coisa quando a gente se identifica com o conteúdo essencial do ensinamento logosófico. É como se o ensinamento logosófico fosse o primeiro diapasão — esse diapasão que a gente tem como referência. E que eu sou, em mim, o segundo diapasão. Você também é, todos somos. Porque em nós há aspirações de bem. Há anelos — querer profundo de saber, de conhecer. Há aquelas perguntas essenciais sobre a vida e a existência, e tudo isso já existe dentro de nós. Não é que alguém tem que inventar isso em si mesmo. É parte dessa natureza, dessa configuração. A gente já está afinado com isso. Olha que legal. Nós somos como um instrumento, ou nós somos um diapasão já afinados com essas essências, com essa essência toda. E é exatamente da mesma substância que o ensinamento logosófico. Então, quando eu entrei em contato com o ensinamento logosófico e comecei a mergulhar nisso, a produzir esse contato com cada vez mais frequência — depois diariamente —, é como se o ensinamento vibrasse numa frequência que é exatamente a frequência que vibra essas realidades dentro de nós, essa parte de nós, essa essência dentro de nós que reúne as aspirações de bem, os anelos de saber e as inquietudes profundas. E aí ocorre essa identificação. Porque, no caso dos diapasões, é isso: é uma identificação de frequência. E é exatamente o que eu sinto com o ensinamento logosófico. Não é algo que vem de fora para te preencher. Essa é a primeira impressão que a gente tem do ensinamento — então, "vamos estudar Logosofia, esse conhecimento transcendente que a Logosofia oferece para preencher o vazio." Na verdade, é diferente disso. É algo de fora que faz o que está dentro de cada um de nós acordar, despertar e vibrar na mesma nota. É lindo. Eu acho isso maravilhoso. Por isso que, quando eu cheguei nesse ponto de novo, eu falei assim: "Puxa, é isso — a identificação, a vibração." Ou seja, é como se cada um de nós começasse a reconhecer, nesse conhecimento transcendente, a frequência daquilo que é superior, do que é transcendente. Bom, essa é a razão pela qual eu entendo que a gente não pode estudar ou ler a Logosofia como qualquer estudo. A gente não deveria fazer a leitura, o estudo de Logosofia como se faz qualquer estudo. Porque o objetivo é exatamente esse que eu falei agora. Veja: a gente estudou um monte de coisa na vida. A gente já leu um monte de coisa, já ouviu palestras, já ouviu vídeos no YouTube, sei lá, qualquer coisa. A gente já viu tanta coisa. A questão é que, em geral, quando a gente só vai buscando coisa para preencher a vida, de certo modo, a gente não está encontrando a afinação perfeita. O que eu encontrei nesse conhecimento transcendente é a afinação que bate perfeitamente com o que eu tenho de mais elevado dentro de mim. Porque, nos outros casos, eu já ouvi muita coisa, já li muita coisa, mas não vibrou. Sabe, assim — tá bom, legal, interessante, coisas interessantes na teoria, mas não vibrou. Nesse ensinamento, nesse tópico, tem essa descrição, né? O instante em que o ensinamento é sentido como uma realidade imprescindível. É o momento da ressonância. E, puxa, como é gostoso sentir isso. É sensacional, porque a sensação que eu tive nesse processo com o conhecimento logosófico é uma sensação de ter encontrado — sabe assim? — ter encontrado de novo a frequência. É como se tudo se unificasse de repente. A vontade de ser um ser humano melhor com os outros, as dúvidas sobre a existência, a vida, o pós-morte, o desejo de viver uma vida elevada — tudo, tudo passa a vibrar numa única e poderosa nota. O esforço de busca, o esforço de estudo, o esforço de dedicação deixa de ser uma coisa cansativa e que gasta energia e passa a se constituir numa enorme força construtiva. É como se a gente, de verdade, encontrasse a fonte, né? A mesma fonte de uma frequência, de uma energia, de uma potência que existe em cada um de nós. E ao identificar-se, identificar a mesma frequência, identificar essa mesma afinação — ou seja, ao sentir que dentro de cada um de nós há uma ressonância com aquilo que a gente está tomando contato nos ensinamentos logosóficos —, é praticamente uma percepção, uma sensação. Não é mais que sensação — vai sendo compreendido. E eu acho que essa é a melhor palavra: eu fui compreendendo que esse era o tipo de conhecimento, essa era a linha, essa era a frequência de conhecimento que eu buscava. E a sensação de ir buscar, de começar a se identificar com o que a gente estava buscando é tão boa, né? Então, até aproveito isso: quando tem qualquer distúrbio na mente, por ocasiões, por experiências, por essas circunstâncias e fatos que ocorrem sem nosso controle na vida, eu procuro buscar de volta dentro de mim essa frequência, sabe assim? Aí eu vou ao ensinamento muitas vezes — porque eu estudo todo dia também — para facilitar que vibre em mim o tempo todo essa frequência. Por quê? Porque a vida diária vai nos colocando frente a outros sons. É como se a gente acordasse e os pensamentos que existem em nossa mente quisessem começar já a trabalhar todos os outros assuntos do dia a dia — e é como se fosse, não vou dizer que é uma gritaria só, às vezes é uma gritaria na mente. Não é possível que só eu já vivi isso — talvez vocês se relacionem com isso. Às vezes é uma gritaria, às vezes começa a vir uns sons aqui, uns sons ali, mas não são os sons que fazem vibrar dentro de mim o que há de mais elevado. Então há uma distração nesse sentido, há uma imposição de muitos pensamentos que querem atuar frente a outros assuntos, querem que eu atenda a outros assuntos e que eu dedique minha atenção mental a eles. O que é ok — desde que a gente possa ir se exercitando. Eu digo por mim, claro, cada um vai viver como quiser. Mas para mim é ok atender todos os assuntos do dia como eu tenho que atender, desde que eu não perca essa frequência que está vibrando o meu interno após esse tempo que eu fico junto com o ensinamento — que eu estudo, que eu faço minhas reflexões, minhas meditações, que eu tento penetrar e assimilar o conteúdo do ensinamento logosófico. Porque quando eu faço essa prática, o estudo diário tem essa propriedade maravilhosa: é um estudo que vai fazendo vibrar dentro de cada um de nós essa frequência linda, essa sensação de que uma parte que falta a gente encontrou a fonte — ou uma parte que a gente tem dentro de nós reconheceu a parte que falta. Essa oportunidade que a gente tem de contemplar realidades assim, com o conhecimento logosófico, é contemplar a vida de uma outra forma, é viver a vida de uma outra forma, é se aproximar do que cada um de nós, no fundo, mais quer ser e mais quer viver. Eu quero todo dia viver mais desse instante em que o ensinamento deixa de ser apenas uma teoria e passa a ser sentido como uma realidade imprescindível para a vida. Esse conhecimento transcendente, para mim hoje, é imprescindível para a minha vida. Eu não consigo conceber viver sem ele. Não dá para viver uma vida sem esse conhecimento. E o problema é que a humanidade, a maior parte dela, vive a vida assim. Então tem uma parte de mim — que está dentro desses desejos, desses anelos profundos, desse querer profundo que foram unificados por essa vibração — que pensa assim: como é que a gente faz o mundo descobrir que cada um dos seres humanos pode sentir a ressonância dessa nota perfeita do conhecimento transcendente? Espero que você possa viver muito dessa vibração, nessa frequência mais elevada. Boa leitura, bom estudo, fique bem e até o próximo podcast.