Latest / Logosofia no Dia a Dia / A Fera Quase Pegou a Gente Hoje: O Que a Musculação Ensina Sobre Evoluir de Verdade
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu tenho que te contar um segredo hoje que... Eu falei assim: puxa, essa eu tenho que contar. Porque sabe que há um dos lugares, ou uma das experiências que eu estou vivendo, que mais tem me ajudado a praticar a vida consciente, como o conhecimento transcendente está sempre indicando? E a gente fala assim: mas o que é praticar a vida consciente? Como é que é isso no dia a dia? Claro que há várias faces dessa realidade, mas eu vou te contar um segredo muito interessante. Todo dia, quando eu vou para a academia, eu tenho observado um negócio... Isso já faz três anos e nove meses que eu estou de academia. E eu tenho observado isso desde sempre, embora tenha demorado um pouquinho para me dar conta — acho que demorei um ano para começar a entender o que estava acontecendo. Você não vai acreditar na situação. Ou em como é possível entender a vida consciente, ou a prática da vida consciente, na hora de ir para a academia e observar a turma. Porque a turma que vai para a academia é uma representação, uma amostra perfeita da humanidade. Tem todo tipo de psicologia, tem todo tipo de gente. Eu estou fazendo academia já faz vários meses num centro de treinamento muito grande, enorme mesmo. Tem gente para caramba, mas é tão grande que não tem nenhum problema de congestionamento para usar as máquinas. Uma amostra perfeita da humanidade em todos os sentidos — idades e gente de todos os tipos pelo que se observa. E o que acontece, e que eu vejo há anos, e que tem me ajudado a praticar a vida consciente? Você não vai nem acreditar. Bom, vou te recordar uma coisa. Para quem faz musculação e quer manter ou criar músculo, existe uma necessidade de foco. A atenção precisa estar naquilo que está se fazendo. Quando a gente vai fazer um movimento com a carga, existe uma mecânica correta. Não se deveria fazer de qualquer jeito. Por quê? Porque de qualquer jeito tem dois problemas: existe risco de lesão nas articulações, e a eficiência cai muito — às vezes se anula quase por completo. O que se quer quando vai para a academia fazer musculação? Quer criar mais músculo, que os músculos aumentem de tamanho, de capacidade, de força, de resistência. Mas olha que curioso: uma parte considerável das pessoas que eu vejo nas academias nesses anos todos não foca, tem pouca atenção no que está fazendo. Eu estou fazendo o meu exercício, paro para descansar um minuto, um minuto e meio, e observo todo mundo. E tem bastante gente fazendo de qualquer jeito. Por quê? Porque em geral há uma distração no celular, ou um ou outro está conversando. E o problema é que isso altera muito o resultado e aumenta muito o risco. Ou está tão mal feito que não tem nem risco — porque não tem carga suficiente — ou está com mais carga e o risco de lesão é real, não num dia, mas com o tempo, com a repetição daquela biomecânica equivocada. Porque veja só: o músculo não vai crescer se não houver um estímulo de carga suficiente para criar micro-lesões. Se o corpo não perceber que há lesões de contração, ou seja, de uso verdadeiro do músculo sob estresse, sob carga, ele não cria mais músculo. É contra o nosso DNA. Nosso DNA é para acumular gordura — porque é assim desde os tempos das cavernas. Passamos centenas de milhares de anos sem ter certeza de que ia ter comida no dia seguinte. Então guardar gordura é o que está no nosso DNA. Músculo, só se o corpo perceber que a fera quase pegou a gente naquele dia. O que a musculação, no fundo, quando é feita corretamente, deve fazer é sinalizar para o corpo: olha, a fera quase pegou a gente hoje. Precisa aumentar esse músculo aqui, porque faltou. Bom, dito isso, vamos voltar ao ponto principal: a vida consciente. Olha que interessante. A gente vai para a academia da vida todo dia. Todo dia a gente acorda e passa o dia nessa academia. E não importa qual seja a atividade — a gente pode considerar que esse laboratório da vida tem a mesma situação que a academia. Quantos dias e anos da vida eu passei indo para a academia da vida cheio de distração na mente? E quando eu falo distração, não é ficar rolando tela no celular — eu não faço isso, não gosto de rede social, não é a minha distração. Eu estou falando de distração sobre o porquê que a gente vive. O porquê que a gente está vivendo mais um dia. Para quê? É para cumprir as tarefas terrenas apenas? Se não fosse o conhecimento transcendente para começar a abrir um novo horizonte de perspectiva, eu ia seguir os dias da minha vida todos repetindo, indo para a academia da vida todo dia e fazendo as coisas que alguém mandou fazer, ou que eu aceitei, ou que eu vi todo mundo fazer, do jeito que eu vi as pessoas fazerem. Talvez até com bastante concentração naquilo que era o normal — trabalhar, ter vida social, ter hobbies. Mas com pouquíssima atenção no ponto principal da vida, que é: o que é que esse dia vai acrescentar e vai fazer de transformação dentro de mim? E obviamente eu não estou mais falando de músculo. Estou falando dessa estrutura metafísica, dessa engrenagem, dessa parte da nossa existência — talvez eu possa até falar em faculdades mentais sendo treinadas. A gente tem um arsenal de faculdades sensíveis para entender e viver as experiências da vida de uma forma que não seja só racional. Mas se a gente não exercitar, se a gente não utilizar, ficam atrofiadas. Não é à toa que quando a gente não usa o músculo, ele atrofia. O corpo tem uma instrução de que: não usou, consome músculo e guarda gordura. Na academia da vida, se a gente não usa a mente com suas faculdades, não usa a sensibilidade com as suas, é óbvio que a gente vai caindo no desuso dessa capacidade mental e sensível. Por quê? Porque é como se a gente fosse vivendo cada vez mais para fora de nós e menos para dentro. Esse é um dos grandes problemas da vida cotidiana. Mas voltando a essa analogia da academia: o ensinamento logosófico, quando aponta essa prática da vida consciente, aponta que o grande benefício é que a atenção sobre como a minha vida vai se desenvolvendo — rumo a uma evolução, a forjar um novo destino — é prática diária. Assim como eu vou para a academia focado, recordando o que vou fazer naquela hora e pouco que fico, e procuro prestar muita atenção em como faço cada exercício, o nosso dia nessa academia da vida, se a gente começar a engrenhar sem lembrar que pode usar esse dia para construir um novo e formoso destino, está desperdiçando mais um dia na academia. Você vai falar assim: puxa Ronny, mas como adianta só recordar? E claro que não é só recordar. Mas ao recordar e ao levar a atenção para esse objetivo, para essa possibilidade real, é fazer e passar pelos exercícios da vida com capacidade maior de que aquilo faça uma diferença significativa para o próprio destino. Qual é o destino que a gente quer? O que a gente não quer — e eu imagino que você esteja que nem eu nessa história — é continuar só girando a manivela. Eu gosto também da imagem da máquina de lavar roupa: toda semana quando lavo minha roupa eu fico vendo aquela roupa subir, descer, ser jogada naquele tambor, e falo assim: puxa, meus dias não podem ser apenas um rodar constante e infindável das mesmas coisas. Como é que a gente transforma o dia a dia — onde as coisas vão se repetir, porque não tem como escapar de muitas das rotinas — em algo que vá além? O segredo é como a gente transforma essa ida à academia da vida num período cada vez maior de atenção, para que daquelas experiências, daqueles fatos e circunstâncias que a gente vai viver, seja possível abstrair, assimilar algo que enriqueça a vida. Como é que a gente faz isso? Primeiro mudando essa postura, essa colocação frente ao dia. E não é apertar um botão e virar consciente. Nenhum processo é assim, nem o físico, muito menos o metafísico. A gente começa recordando que cada dia é mais um dia na academia da vida. E não faz sentido ir para a academia da vida desatento enquanto faz os exercícios — porque vai desperdiçar mais um dia. Quando eu vou à academia, vou seis vezes por semana, no começo do dia — vou daqui a pouco, inclusive. E eu vejo isso todo dia: alguém fazendo as coisas sem atenção. Aí eu me recordo de toda essa analogia e falo: puxa, mais um dia que eu preciso começar recordando o que vou fazer durante esse dia. Não o que vou fazer de tarefas, mas o que vou fazer com as situações, com as experiências, com os fatos e circunstâncias que vou viver hoje. Quando as pessoas falarem comigo, como é que eu vou estar? Desatento, permitindo que quaisquer pensamentos coordenem minhas respostas, ou atento para que esse exercício de conviver com outro ser humano seja um pouco mais consciente? Quando eu estiver frente a situações que me apertem de alguma forma, como é que eu vou me colocar? Vou passar totalmente desatento ou vou estar atento a como essa experiência pode me mostrar algo sobre mim mesmo que eu ainda não aprendi, não percebi? São detalhes que vão surgindo nessa observação, nessa atenção aos movimentos internos, a si mesmo. São detalhes que vão dando, como até a musculação de verdade, incrementos bem pequenininhos — mas quando se acumula pela constância, o resultado é visível. E aí tem um resultado maravilhoso: a gente vai sentindo que a vida vai deixando de ser totalmente inconsciente dessa realidade interna e vai se tornando um pouco mais consciente todo dia. A gente vai deixando de ser fantoche, de ser boneco comandado pelos pensamentos, e começa a ver resultados que inspiram. Porque a sensação de começar a sentir que é possível ser dono da própria vida interna — sempre em pequenos incrementos a cada dia — quanto mais se pratica, mais se sente um pouquinho a mais. A alegria de viver uma vida que vai sendo um pouquinho mais superada a cada dia é a garantia do estímulo para continuar. Bom, eu vou encerrar aqui o podcast e vou para a academia daqui a alguns minutos. E vocês já sabem — podem ter certeza — eu vou estar vendo e observando e lembrando exatamente dessa nossa conversa de hoje. E posso te garantir: vou ver de novo bastante gente fazendo as coisas sem atenção. E vou lembrar que eu preciso continuar me esforçando para viver cada dia com mais atenção ao que acontece no meu mundo interno enquanto eu passo cada uma dessas horas acordado. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.