Latest / Logosofia no Dia a Dia / O Tempero Humano — Você Nasceu Com Ele, Mas Pode Reequilibrá-lo
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu estava pensando aqui, curiosamente, tem uma palavra que me remete a muitas coisas interessantes para a gente pensar. Pensar juntos, inclusive. Porque quando a gente pensa no temperamento humano, eu penso sempre em tempero de comida. Até porque ontem eu estava cozinhando, fazendo a minha carne moída da semana, para quando eu estou em casa poder comer direitinho. E eu estava, obviamente, que eu sempre fico mais caprichando na parte do tempero. O que vai fazer a diferença é o tempero, claro. Tem também o próprio tomate, a polpa de tomate, o tomate amassado, que obviamente dá toda aquela consistência do molho vermelho. Mas o tempero é essencial. E o tempero pode puxar para um lado, puxar para o outro. Eu, particularmente, gosto de comida bem temperada. Eu não gosto de comida salgada, não é isso. Mas eu gosto bem temperada. Então, por exemplo, na carne moída, eu uso cominho, uso um pouquinho de tomilho, uso um pouquinho de coentro. Eu sei que coentro me chama polêmico, né? Eu amo e eu odeio. Mas eu uso um pouquinho de coentro e, obviamente, pimenta-do-reino. Na verdade, eu uso uma pimenta que eu faço um mix de pimentas, faço ela moída na hora e sal. Putz, não quero dizer não, mas a minha carne moída de ontem ficou um negócio de outro mundo. Acertei assim no... Porque é isso, é um balanceamento, é um equilíbrio entre essas várias especiarias que a gente chama de temperos. Então, por que eu lembrei disso? Porque temperamento humano... o temperamento humano é, de fato, uma... quando a gente pensa no conjunto de seres humanos, é um mix enorme, né? É uma enormidade de possibilidades. Cada um de nós tem — se você puder fazer essa analogia — mas tem, assim, especiarias diferentes em quantidades diferentes na nossa mente. O nosso sistema mental, o nosso sistema nervoso, ele atua sob efeito desse mix de temperos. Então, assim, no meu caso, eu vou falar aqui com tranquilidade, porque eu sei que eu estou aqui na intimidade da nossa conversa, não estou aqui em um lugar tão público assim. No meu caso, eu tenho por herança — porque desde pequenininho se manifestou muito forte em mim — alguns temperos, assim, alguma dessas ervas aí, dessas essências aí, bem picantes, sabe? Eu acho que tinha muita pimenta na minha... no meu mix de tempero tinha muita pimenta, muita pimenta. Acho que sal tinha o suficiente, e tinha alguma dessas outras coisas que dão um gosto bem forte, assim, porque eu sempre tive um temperamento, desde pequenininho, muito explosivo. Sim, me irritava com facilidade, impaciente, intolerante, enfim, um conjunto de deficiências psicológicas muito forte. E é sempre em grupo, não é que a gente — não é que alguém assim tem só uma deficiência desse grupo. Quando alguém como eu, e eu falo com conhecimento total de causa, quando uma pessoa como eu tem deficiências, alguma deficiência nessa linha, nesse grupo de temperos aí, nunca está sozinho. É um grupo de temperos. Aí você pode pensar assim: Ronny, mas da onde, como é que você desde pequenininho era assim? Bom, primeira coisa, fato: cada um de nós tem características próprias. O temperamento de cada um de nós se manifesta desde pequenininho, e a gente vai lembrar do que alguém, algum dos adultos da nossa família já falou isso para a gente desde sempre. Ou a gente já ouviu isso de muitos adultos da nossa família, que nos viram quando éramos pequenininhos, que a gente era assim, era assado. E depois quando a gente foi crescendo, ah, mas você sempre foi assim, quando você era pequenininho, acontecia isso, acontecia aquilo. Vou dar um exemplo, foi recordado ontem pela minha mãe. Minha mãe só recordava do final da história, mas eu recordo de cada cena da história. Eu tinha quatro anos. Bom, na verdade tem dois fatos, duas histórias que mostram isso assim claramente. Eu acho que com essa mesma idade eu tenho pé chato. Bom, o que é uma vantagem, é que só o meu pé é chato, o resto do corpo não. Então eu tenho pé chato. Na época que eu era criança, existia um entendimento na ortopedia de que era preciso usar bota ortopédica. Se você não sabe o que é isso, graças a Deus. Se você sabe o que é isso, puxa vida, não sei se você usou. Se você sabe, mas é um negócio muito chato. É uma bota que — uma botinha que obriga — é como se vai tentar obrigar o pé a fazer a curva, a criar a curva que o meu não tem, é plano, quase chato. E na época se obrigava as crianças a usarem a botinha ortopédica. Aliás, essa botinha sobreviveu em algum lugar e foi dado um banho, um banho daqueles banhos de metal, sei lá o que que é, que ela fica durinha, sabe? Eu vi. Faz tempo que eu não vejo isso em algum lugar, mas tem em algum lugar essa botinha. Bom, eu ficava tão nervoso de ter que usar essa porcaria, porque esse negócio era bem desconfortável, que eu chutava todo mundo. Só não chutava meu pai. Mas o resto, minha mãe chutava, mas meu pai não — é que eu tinha medo, mas eu chutava todo mundo. Vovó, vó, tia, mãe, não importa. Esse é um fato. Isso tinha uns três, acho que uns quatro, três para quatro anos. E com quatro anos eu fiz uma cirurgia, que foi a única cirurgia que eu fiz na minha vida, que é de adenoide. Que é para tirar, acho que alguma carne esponjosa que fica no nariz, dentro do nariz, estava atrapalhando, acho que a respiração, sei lá o que que era, ou atrapalhando, não sei, inflamando, não sei. Mas é uma cirurgia simples que... no nariz, dentro, né? Bom, o fato é que quando eu acordei — era feita com anestesia geral, deve ser feita com anestesia geral ainda hoje — eu acordei num berço, no quarto do hospital, e não na cama. Eu já não usava berço fazia tempo, né? E o que eu entendi depois é que eu acordei num berço porque — entendi depois que eu digo, quando eu cresci, né? — que é porque depois da anestesia, a chance de eu cair da cama no hospital era muito grande, né? Não tinha muito, ia acordar meio, sei lá, meio perdido assim, sei lá. O fato é que quando eu acordei e me vi num berço, eu fiquei tão nervoso, tão nervoso. Eu lembro, eu fiquei tão bravo, tão bravo, tão bravo. Quando eu fiquei assim, eu lembro de eu ir em pé naquele berço — sensação horrível. A enfermeira chegando com — uma enfermeira, um técnico, né? — chegando com a bandeja de comida, acho que era pra almoçar. Quando chegou perto do berço, eu meti o braço por baixo assim, joguei a bandeja pra cima e dei um grito. Acho que eu não queria comer. Bom, eu sei que eu fiz um show tal, que depois de uma hora, 40 minutos, veio o médico e virou pra minha mãe e falou assim: ó, sua ferinha tá de alta, pode levar pra casa. Eu hoje dou risada disso, mas é muito triste, né? Mas é — todos falam assim: ah Ronny, mas você era uma criança de 4 anos, né? 4 pra 5. Sim, mas eu tô só te mostrando como assim o temperamento humano. Ele é o resultado, e por isso que ele se mostra desde pequenininho. E se mostra não como uma — não é uma loteria, né? Cada um de nós nasce e no acaso faz um sorteio, qual o temperamento humano. Ele é a primeira realidade que se comprova de que nós temos uma história muito maior, muito maior, do que os anos que cada um de nós tem, né? De vida física. A nossa existência — e essa é uma observação que eu fui fazendo, e fui compreendendo esse conceito só ao longo da vida, conforme eu fui observando a mim mesmo e observando a vida dos demais seres humanos, né? Eu fui observando filhos. Eu tenho três, e os três nasceram logo um atrás do outro, né? Tudo igualzinho. A mesma médica tirou os três da barriga da mãe deles, mesma maternidade, mesmo endereço, viveram no mesmo lugar, mesmos quartos, mesmos berços, mesmo pai e mãe, mesma criação, mesmo tudo. Mas desde os primeiros segundos e minutos de vida, os três já tinham formas totalmente diferentes de se manifestar, né? Um chorava muito, o outro chorava menos, o outro não sei o quê. E aí, em cada dia da vida deles, desde o primeiro em diante, todos foram manifestando características psicológicas muito diferentes. Então o tempero, o temperamento humano, é próprio de uma trajetória muito anterior, muito longa, que se manifesta por essa realidade espiritual que existe em cada ser humano. Que é uma herança que cada um de nós colhe de volta ao retornar para mais uma volta neste mundo aqui, né? É uma corrida de muitas voltas, né? E são muitas, muitas voltas. E cada vez que a gente dá mais uma volta nesse circuito aqui da Terra, a gente deveria estar, de alguma maneira, entendendo esse tempero que cada um de nós tem e lidando com ele, né? Lidando com o temperamento humano e não aceitando o temperamento humano como uma coisa rígida. E que eu poderia falar: puxa, mas eu já nasci, tá vendo? Eu poderia até usar isso como desculpa. Ah, mas eu já nasci assim, então o que eu posso fazer, né? As pessoas que me aguentem ou não me aguentem. Porque esse é um tipo de mix. Há outros mix, né? Que causam outros males. Talvez esse mix que eu tenho — e aí, obviamente, a gente precisa entender que essa mistura de características psicológicas já se transformou ao longo da existência em deficiências psicológicas muito específicas. Então já são deficiências do meu caráter, né? Quando eu fui crescendo, me tornando um adolescente, um jovem adulto, essas deficiências estavam, assim, claríssimas na minha mente. Ou seja, o funcionamento do meu sistema mental, ele já tinha essas falhas, assim. Ele tinha... Esse é o problema sério. Ele funcionava com falhas psicológicas característicamente claras. Cada uma delas com suas características. Deficiências psicológicas são isso. E cada um de nós tem um mix diferente delas. Muita gente não tem esse conjunto de temperos aí ardidinhos, que nem são os que eu tinha, muito forte, né? Pimentinha e outras coisas. Não tinha esse que fica esse calor e fica nervoso. Não é isso. Cada um de nós tem um grupo diferente dessas deficiências e características psicológicas. E o ponto — por que eu estou contando tudo isso — é para entender o seguinte: que o conhecimento transcendente, esse conhecimento que a Logosofia oferece, né? Ele tem a capacidade de atuar sobre o mix, sobre esse temperamento de cada um de nós de acordo com o que seja o específico de cada um de nós. E por quê? Porque o conhecimento transcendente, ele permite que a gente comece a compreender, a perceber qual é esse temperamento e ele funciona como um bálsamo. Ele funciona como um elixir, né? Que nem a gente pode pensar que, quando a gente está enfermo, né? Quando a gente está doente, o que é o remédio, ou o que era o remédio originalmente, senão elixires? Que eram para suavizar, né? Para permitir que o corpo funcionasse melhor, permitir que o corpo pudesse realizar suas funções. O conhecimento logosófico é isso para mim. É isso que eu comecei a entender quando eu era um jovem adulto. Demorei um tempo para conseguir perceber que eu precisava, né? Eu achei que realmente, assim, eu ia dar conta desse temperamento sem esse conhecimento. E foi um erro. Porque a vida ia seguir sendo exatamente o mesmo repetir de situações que eu vivia quando eu era menor, quando eu era adolescente. Então isso ficou muito mais forte, né? Porque quando vem a força do instinto na adolescência e pega esse temperamento, esse tempero humano de cada um de nós, tende a piorar a situação um pouco. Fica exacerbado, fica mais intenso aquele comportamento. Aquelas falhas psicológicas se tornam mais claras, intensas e visíveis em cada um de nós, seja qual for o conjunto de deficiências. E a tendência é permanecer a vida sofrendo, sofrendo do influxo, né? Da influência dessas deficiências no dia a dia durante décadas. E não importa qual é o tipo de deficiência. Não importa se o temperamento é mais esse, né? Explosivo, ou se é mais que inibe, né? No caso da timidez, ou que é insegurança, falta de confiança em si mesmo, ou... São vários, e cada um, como eu falei, são conjuntos muito distintos. Mas todos nós sofremos, não importa qual seja o conjunto de deficiências que são características da nossa psicologia. Mas a grande novidade é que não só é possível trabalhar sobre a própria psicologia, sobre esse próprio mix, né? Sobre o temperamento que cada um de nós herdou de si mesmo. Não só é possível trabalhar sobre isso, suavizar isso, mas que esse conhecimento transcendente, ele existe exatamente para que cada um de nós deixe de ter essas características. E tenha, no lugar dessas falhas, cada um de nós desenvolva as virtudes que a nossa psicologia não tem. E que, pelo fato de não termos, permitimos o crescimento dessas deficiências no lugar. Então, por exemplo, no meu caso, a paciência. Por exemplo, a paciência é uma virtude linda. É algo que muda — exercer a paciência com consciência do que é a paciência ativa, inteligente, não a paciência passiva. Ficar sentado esperando que o mundo gire ao redor e nos dê as coisas que a gente precisa, nos faça viver a vida que a gente quer. Mas a paciência que é o controle, assim, da compreensão, o controle consciente da compreensão e do conhecimento de que tudo na vida tem um processo. E que então esses processos, eles têm N elementos que os ativam, que os determinam. E que muitos desses elementos, inclusive, não estão na nossa mão. Porque tem o próprio tecido tempo como elemento principal de qualquer processo. E que é preciso permitir que o tempo vá se desenrolando enquanto esses elementos outros vão cumprindo de alguma forma seus caminhos até que aquele processo, seja qual for, que a gente esteja pensando, observando ou vivendo, possa culminar, possa chegar em algum outro ponto. Entender isso é começar a dominar a paciência como virtude. E na medida que eu comecei a exercer essa capacidade, obviamente, sob o guia direto do ensinamento logosófico, eu fui diminuindo a impaciência, que era uma dessas características psicológicas muito fortes minha. Das várias que eu tive e tenho que lidar ainda. E é lindo, é emocionante quando a gente vê que esse tempero humano pode ser reequilibrado. E tudo que estava desequilibrado pode começar a ser equilibrado de forma que o sabor da vida vá sendo cada dia melhor. Que o sabor da vida vá sendo esse sabor da felicidade, o sabor da alegria, o sabor da serenidade, o sabor da plenitude da vida, o sabor da confiança, da esperança. E nada disso de forma superficial, mas esse é o trabalho. A Logosofia permite exatamente a construção e o reequilíbrio dessas forças energéticas que atuam na mente de cada um de nós. E por isso que o efeito da Logosofia no temperamento humano é uma realidade sem sombra de dúvidas que cada um pode experimentar desde o início da jornada. Esse, inclusive, é o último capítulo antes da parte final, das reflexões finais do livro "Curso de Iniciação Logosófica": Efeitos da Logosofia no Temperamento Humano. É um capítulo muito curto em termos de parágrafo, mas eu penso que ele dá uma imagem claríssima sobre essa realidade que cada um de nós lida primeiro com a própria e que a gente acaba lidando com a dos demais também na convivência humana. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.