Latest / Logosofia no Dia a Dia / A Fermentação Mental — Por Que Sua Mente Precisa de Tempo Para Resolver Seus Problemas
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- Oi, é o Ronny, tudo bem? Sabe que eu sempre tive muita dificuldade com o tempo que os processos em geral da vida tomam, levam, né? Ou seja, o tempo que os processos levam para se cumprir. Isso se manifestava em mim desde adolescente, muito forte já. Então, assim, eu entendi depois que era uma deficiência psicológica minha, muito marcante dessa minha psicologia, e eu era aquele impaciente que, assim, não aguentava esperar nada, né? Tinha que ser tudo o mais rápido possível e ficava incomodado se as coisas tivessem um tempo próprio, como as coisas têm. As coisas têm um tempo próprio, né? Os fatos da vida não acontecem instantaneamente porque a gente quer. Eles acontecem dentro de um processo, todos eles. E isso é algo que é difícil para mim. Hoje eu tenho condições muito melhores de compreender o significado disso, mas para mim é algo que, assim, foi muito difícil. Durante minha adolescência, juventude, essa impaciência me causou muito mal. Lógico que, assim, muita gente pode se sentir identificada com a impaciência em alguns momentos, ou não. Tem gente que já é mais paciente. A questão é que, primeiro, é possível, como sempre, realizar um processo de superação e deixar de sê-lo. Mas é muito difícil realizar um processo quando não se entende como é que ocorre tudo na vida. Então, o conhecimento e a compreensão cada vez mais ampla e superada dos próprios processos da vida, obviamente, favorecem a paciência. Favorecem essa condição de, conhecendo melhor o processo, a gente consegue esperar, né? Então, por exemplo, eu lembrei, obviamente, do pão de fermentação natural, que eu adoro. E que é um processo que exige paciência. Não porque a gente fica lá parado olhando para o pão enquanto ele demora lá para fermentar, ou o que seja. É porque é um processo que exige que a gente permita que o trabalho seja feito durante o tempo necessário para que o resultado seja aquele que a gente quer. Então, veja que interessante a diferença. Uma coisa é quando a gente não tem paciência para um processo qualquer da vida, mas a gente quer o resultado. Ou seja, é incompatível, né? É como se a gente quisesse colher a fruta já enquanto, no momento em que a semente sai para, a arvorezinha sai para fora da terra depois da semente se abrir. Tem que esperar a árvore crescer, tem que esperar anos até que ela dê frutos, né? Dependendo da árvore, há mais tarde, há outros mais cedo. Então, não tem processo nenhum, naturalmente, na criação, que possa dar o resultado antes do tempo necessário para que aquele resultado apareça. E o resultado, em geral, são benefícios que a gente busca na vida. Então, pode pensar assim: quantas vezes a gente quer resolver um problema na vida? Quantas vezes a gente quer resolver uma questão que está nos incomodando? Ou alguma coisa que a gente sente profundamente que é um querer nosso e a gente quer, de alguma maneira, encaminhar aquilo? A própria busca por uma vida mais feliz, mais plena, mais serena é o encaminhamento de um problema ou de vários problemas ao mesmo tempo. Mas todos eles exigem um processo. Mas os benefícios compensam muito. No caso do pão de fermentação natural, que eu adoro fazer, que é um processo super icônico nesse sentido, né? Demora quase 40 horas da hora que eu começo a preparar o pão para o pão ficar pronto e estar no ponto de comer. E, obviamente, que eu não fico 40 horas olhando para o pão, não é isso. Mas é um processo em que são vários sub-processos acontecendo ao mesmo tempo. Em compensação, o resultado não é só gostoso. O resultado é muito melhor em termos de qualidade nutritiva. Por quê? Porque o levain que eu uso, que é a massa mãe, ou o fermento natural, ele quebra uma boa parte do glúten e dos carboidratos durante a fermentação. Então, isso é muito bom porque o trabalho de digestão fica muito mais fácil. Então, um pão de fermentação natural é muito mais fácil de digerir do que um pão normal, um pão de fermentação química. Ele também reduz o ácido fítico. Tem um ácido que é próprio dessa mistura que é quase um antinutriente. Ele acaba impedindo a absorção de ferro, zinco, magnésio, dos minerais todos. E o processo de fermentação natural reduz bastante esse ácido. Então, ele acaba se tornando um pão muito mais nutritivo, inclusive em termos de minerais. Olha quanta coisa benéfica que é esse processo. Tem muitos outros benefícios. Em especial, a própria flora intestinal, de probiótica e prebiótica, acabam se beneficiando muito com a quantidade de bactérias, de leveduras do pão de fermentação natural. Ele tem um índice glicêmico baixo porque, como já está pré-digerido o amido, os ácidos que são construídos, são produzidos nesse processo de fermentação pelas bactérias retardam a absorção do açúcar que ficou ainda. Então, não dá pico de glicose. Sei que é uma maravilha, mas não estou aqui vendendo pão de fermentação natural, não. Estou só mostrando que é um processo que, embora demorado, obviamente trabalhoso, mas que eu faço como hobby, por prazer e por gostar muito do sabor, é um processo que entrega muitos benefícios. Mas é um processo que, quando a gente entende o que acontece, a gente entende porque ele demora tantas horas. De fermentação, a massa passa por quase 24 horas de fermentação total. Aliás, mais do que 24 horas fermentando. Aí tem um período fora da geladeira, tem um período dentro da geladeira que é longo, até que, então, vai ser assado. Muito bem, porque eu lembrei bastante, e esse para mim é um exemplo muito claro: os problemas da vida, igualmente ao pão de fermentação natural, precisam passar por processos para a gente solucionar os problemas da vida. Qualquer problema. Seja um projeto, do ponto de vista material, profissional. Seja um projeto de conquistar alguma coisa na vida. Seja um projeto de se tornar mais capaz, de alguma forma. Qualquer propósito nosso precisa passar por uma igual fase de — não vou dizer fermentação, mas é quase isso. É uma fase que a gente não enxerga necessariamente aquilo pronto. Acho que essa é uma boa imagem. O pão de fermentação natural tem essa dificuldade. Eu fico olhando aquela massa fermentando, tudo bem, eu consigo observar o crescimento da massa, de volume, durante as horas iniciais fora da geladeira. Depois que ela fica quase 18 horas na geladeira, na geladeira quase não acontece nada, visualmente. Mas os processos estão ocorrendo. Ou seja, está se cumprindo processos que, embora a gente não enxergue, são vitais, extremamente benéficos à solução final. Quantas vezes eu olhei para os problemas da minha vida, em todos os sentidos, em qualquer escopo, vale o que você quiser, e eu queria a solução rápida. Falei: vou pensar sobre isso e vou resolver isso. Se a mente conseguisse produzir soluções rápidas para problemas complexos, a vida estaria resolvida. E o problema real é que não só a mente não consegue encaminhar ou solucionar problemas complexos ou propósitos que exigem muito esforço mental de pensar, de conceber aquele propósito, não só a gente não consegue fazer isso de forma instantânea, como, em geral, quando a gente apressa o processo, ele acontece de forma falha. Seria a mesma coisa eu pegar o pão de fermentação natural e apressar o processo de fermentação. Como? Não tem muito como, é esse o ponto. Ele fala assim: como é que eu fazia isso? Não tem, eu não conseguiria fazê-lo. Não dá para apressar o processo de fermentação natural do pão. O que dá é para impedir que ele não seja mais demorado do que deveria, mantendo as condições de temperatura e umidade corretas em cada momento. Eu consigo fazer que ele seja o mais rápido dentro do que se espera, que é um processo longo. Mas não dá para acelerar o processo, você entende? E essa é a dificuldade dos problemas da vida. Eu, muitas vezes, quis acelerar os processos. Eu queria que... Eu já que falei: não, tem que ter uma solução agora. Eu estou agoniado aqui com tal problema, com tal projeto, tal propósito, tal querer. Meu coração quer alguma coisa profundamente, eu quero agora. Lógico, a posição que a gente olha depois, que posição ingênua de querer as coisas na hora, no dia, no momento. Mas, muitas vezes, é porque é uma agonia. Eu quero solucionar aquilo na minha vida. Então, a agonia diz-se que, sim, vamos solucionar agora. Tem que pensar agora o que eu vou fazer. Mas, de novo, os processos que vão melhor entregar o resultado que a gente quer na vida são processos que vão cumprir etapas em que a gente não consegue ver o resultado final. Ou seja, o pão não está pronto em cima da mesa para cortar, passar a manteiga e comer, mas ele está no meio do processo que vai entregar esse resultado. Logosóficamente, esses processos mentais são definidos pelo trabalho das faculdades mentais, ou seja, as várias capacidades da mente fazendo um trabalho de recolher e produzir elementos necessários para que os pensamentos propósito — ou seja, os pensamentos que buscam, que a gente cultiva, os pensamentos que a gente cria na mente para buscar soluções e para entregar soluções daquilo que nos interessa — esses pensamentos possam contar com esses elementos que a mente vai produzindo, recolhendo da própria experiência diária. Ou seja, é um processo em que o problema pensar — quando a gente pensa num problema, numa situação, numa experiência da vida que a gente quer resolver — não é uma questão de assim: puxa, então, na hora que eu perceber que eu tenho um problema, ou um propósito, ou uma solução que eu busco, eu tenho que entregar o resultado agora. Não dá. Claro, se o problema é insignificante, do tipo: tô com fome, claro que a mente vai fazer um exercício muito rápido, vai ver as possibilidades que estão disponíveis no momento e vai achar a solução. Mas não tô falando desses problemas, né? Então, tô me referindo a problemas da vida, né? Problemas que eu digo assim: desafios, né? Quando falo problema, é um problema matemático, assim. Há um desafio a ser solucionado. Há um querer, há um propósito que se busca conquistar algo do ponto de vista da vida, né? Interno, de transformar a vida, de mudar a vida, de viver a vida de forma diferente, de parar de sofrer as mesmas coisas que a gente sofre todo dia, parar de fazer os mesmos erros que a gente faz todo dia, parar de... a vida parar de ser aquela vida de repetição, né? Que muitas vezes ela é por um bom tempo, às vezes por uma vida toda. Quando tem um problema como esse, ou seja, tem um enigma como esse, né? Tem uma proposta, uma proposição dessa para ser solucionada, é preciso permitir que a mente trabalhe com esse desafio durante o tempo necessário que seja o suficiente para que esses elementos sejam recolhidos, sejam produzidos pela mente e os pensamentos que estão encarregados de apresentar a solução para a própria mente possam se enriquecer desses elementos. Ou seja, o mesmo processo que eu tenho que esperar o pão, a massa do pão, cumprir antes que ela vire um pão, eu preciso realizar o mesmo trabalho interno. Esse é um dos conhecimentos chaves que a Logosofia oferece. E você vê como é facilmente transposto para essa analogia da fermentação do pão, do pão de fermentação natural, porque é um processo que a gente não sabe. Eu vou falar por mim, vai, eu não posso afirmar isso, mas eu não sabia fazer e eu ainda às vezes não sei fazer. Incrível, não é? E eu, pelo que observo, uma boa parte da humanidade, talvez a grande parte da humanidade, também não sabe. Então, talvez seja o seu caso, talvez você conheça gente que também não consegue fazer isso bem. Então, há uma oportunidade de entender, que a gente passe a entender melhor esses processos internos, como é que a mente trabalha, qual o processo que a mente cumpre para poder nos entregar a solução para os problemas, enigmas, mistérios, desafios, que a gente mesmo se propõe a resolver ou a vida nos apresenta e a gente precisa resolver. Como é que se soluciona, como é que se muda a vida? E aí a gente entra na terceira conferência do livro "Introdução ao Conhecimento Logosófico", que é exatamente uma explicação clara. E veja, essa é uma propriedade do conhecimento logosófico: aquilo que às vezes parece tão complexo, a Logosofia explica de uma forma tão clara, tão direta, tão simples, que a minha mente, que é uma mente normal, como a mente de talvez boa parte da humanidade é normal, consegue compreender. A conferência se chama "Realidade da Vida Mental", e vai explicar exatamente esse processo. Que quando a gente começa a ganhar consciência sobre ele, a gente começa a viver esse processo de uma forma diferente, porque a gente já começa a perceber que não é o caso, então, de se apressar para emitir o juízo sobre algum problema, algum desafio, alguma situação que a gente está vivendo. Não é o caso de tomar uma decisão por impulso, sabe? Não é o caso de correr ou apressar-se para tomar uma decisão, se possível. Tem situação que, como eu falei, ou porque é insignificante e precisa resolver na hora — como o que eu vou comer, chega lá na praça de alimentação do shopping e vai comer — aí a questão é ter que decidir qual das opções que eu vou comer. Não é isso. Não estou me referindo a decisões desse porte, que são praticamente insignificantes para a vida. Estou me referindo às decisões que determinam trechos e fatos da nossa vida, determinam como é que a gente passa e sai das experiências que a vida nos chama a viver. Então, a compreensão desse processo, de como é que funciona essa panificação mental — seria muito ruim eu reduzir o trabalho magistral da mente humana a um processo de panificação, mas você entendeu o que eu quis dizer. Você me dá essa liberdade de fazer essa analogia que é pobre, mas ela é tão lógica. Então, nossa mente também vai produzir algo que precisa de um processo e o resultado, quão melhor vai ser, será quanto melhor a gente permitir que a mente realize o processo que essa conferência vai explicar. Então, por isso que eu sugiro claramente a leitura, como sempre, do material, dos ensinamentos logosóficos que estão oferecendo esse elemento base para que a gente possa ir, cada um de nós, absorvendo, compreendendo melhor essa realidade, literalmente, da vida mental. Que a gente tanto precisa compreender e entender para que a gente possa mudar a forma de passar por tudo nessa vida. Bora? Boa leitura, boas reflexões. Fique bem e até o próximo podcast.