Latest / Logosofia no Dia a Dia / Do Abandono à Exuberância: Cultivando o Jardim Interno com Consciência
Transcript
- Oi, é o Ronny, tudo bem? Eu não sou da área de biológicas, nem de conhecimentos científicos da natureza, nada. Mas eu adoro a natureza, né? Eu adoro viver próximo, se possível, e conviver com plantas o máximo que eu puder. E, você sabe, já disse algumas vezes, eu cuido de uma planta aqui em casa. Todo dia olho para ela, todo dia eu dou para ela a minha dedicação. Não só de ver se ela está bem e regar, mas especialmente de dar meu afeto para que ela, de alguma maneira, sinta uma energia ao redor que é muito bem-vinda e muito especial. Eu estava lembrando, por conta de uma circunstância muito individual, eu estava lembrando ontem à noite da última vez que eu fui no Jardim Botânico aqui em São Paulo. Já faz, eu acho que deve fazer um ano e meio, mais ou menos, ou um pouco mais. Foi uma visita muito especial. E no Jardim Botânico tem... quem não foi ainda no Jardim Botânico em São Paulo, puxa, recomendo como passeio, né? É sensacional. Porque tem tanta coisa para pensar e refletir que, geralmente, eu não me dou conta. Eu estava pensando também no processo, esse processo que a Logosofia propõe e ensina cada um de nós a realizar, que é um processo único, né? Assim, eu nunca tinha visto, nunca tinha me deparado com algo assim antes na minha vida. Então, é algo para mim totalmente original e único. Realizar um processo de evolução consciente é um negócio que eu só descobri com a Logosofia. E eu estava pensando nesse processo, até porque o tópico seguinte do livro tem um título curioso, é "Aspectos do Processo Logosófico". E o González Pecotche apresenta algumas reflexões nesse tópico que me colocaram a pensar — e por isso que eu fui longe — em muitas coisas sobre o que significa e o que é que, na prática, esse processo apresenta que é tão único, que é tão especial e, eu diria, de uma hierarquia muito elevada. E aí, como eu falei, eu estava pensando nessa última visita que eu fiz ao Jardim Botânico e me dei conta de que o processo tem algo muito similar àquilo que eu observei e observo em relação aos cuidados com plantas. De novo, eu não entendo, mas eu gosto. Então, por exemplo, eu sei que uma diferença básica que existe seria entre alguém que cuida de uma planta sem conhecimento e um botânico, um expert em botânica. É muito diferente, óbvio. E por que é diferente? "Ah, por causa do conhecimento que o botânico tem". Tá bom, mas qual é a diferença na prática, né? Na prática, há muitas diferenças. Primeiro, uma pessoa que tem conhecimento não simplesmente vê uma planta que ela cuida morrer e não entende o porquê. O botânico tem conhecimento da causa. Ele entende, quando ele olha uma planta, um ser vivo desse, o que está acontecendo com ela, porque ele tem conhecimento, obviamente, né? Parece uma coisa óbvia, mas é um fato que é determinante em tudo. Ele não olha só a planta; ele mede o pH do solo para ver como a acidez determina quais nutrientes a planta vai absorver. Ele usa uma lupa para poder identificar como está a saúde da folha e ver, eventualmente, alguma praga no estágio inicial — coisa que nós, que não conhecemos, só vemos quando o desastre já é grande. Eu sei que um botânico tem registros detalhados do ciclo de vida da planta: quando ela floresce, quando vai frutificar, quando vai entrar num estado mais de dormência no outono e inverno. Ou seja, é um conhecimento que, ao olhar para aquele ser vivo, se tem uma compreensão muito mais clara do que está acontecendo com a vida dele. Quando ele vai podar uma planta... eu não sei podar planta. Eu sei quando um ramo está morto, não ficou bem, aí eu tiro e tal. Mas eu não entendo, né? Eu sei que tem a poda técnica, que não é só cortar. É a poda de conhecimentos para cada um dos objetivos. Tem a poda de formação, para ajudar o crescimento de uma planta mais jovem; a poda de limpeza, exatamente o que eu faço sem saber, de remover o que está doente ou morto; e a poda da frutificação, que eu sei que o pessoal faz para estimular a produção de frutos. Mas, assim, isso exige conhecimento. Ou seja, o conhecimento começa a determinar que se compreendam as causas. E, consequentemente, quando se compreende a causa ou as causas de algo, especialmente da vida, é possível atuar nesse ser vivo — no caso, nós mesmos — antes que a situação degringole. Compreender a causa de qualquer um dos processos internos que a gente vive nos dá a capacidade de atuar antes que a vida interna seja colocada em prejuízo, com danos e apertos de vários modos. Estamos falando, obviamente, de que é possível, assim como o botânico é um profundo conhecedor da vida das plantas, nos tornarmos menos estranhos dentro da nossa própria mente. A gente não pode se sentir — eu já me senti assim, e imagino que você já tenha se sentido também — um estranho na própria mente, sabe? Aquela sensação de que as coisas acontecem na mente e eu era apenas um espectador. Hoje acontece bem menos, mas isso acontecia tanto na minha vida, tanto. Desde explosões de braveza, sabe? Irritação, e aí vinha aquela explosão, ou um pico de ansiedade, ou uma onda de desânimo por conta das dificuldades da vida. E viver tudo isso como espectador, sem entender a causa, é muito frustrante. Eu digo por mim, eu sei qual é a sensação. É uma frustração, uma agonia muito grande que eu sempre senti. "Poxa, por que eu estou passando por isso?". E a sensação de não saber o que está acontecendo é horrível, porque você não sabe se vai acabar. O que causava, e ainda causa em mim algumas vezes, uma sensação muito ruim, é que se eu estiver num estado desses e não souber o porquê, a sensação é de: "Meu Deus, e quando é que isso passa? Quando é que isso acaba?". Então, há uma diferença entre ser dono só de um terreno cheio de plantas e ser um cientista que cultiva esse terreno. Ser um botânico dessa plantação toda, desse jardim todo. Obviamente, o labor, o trabalho que existe para um botânico é muito maior do que para aquele que apenas aprecia um jardim. Então, eu preciso — e isso é uma coisa muito interessante, um aspecto muito importante do processo interno — mudar a posição da qual eu entendo, observo e vivo minha vida. Eu preciso sair cada vez mais de uma posição de olhar a vida externa e cada vez me atentar mais a olhar para a minha vida interna. É isso, estamos buscando deixar de ser o jardineiro por conveniência, como eu sou, que não entende e só gosta de plantas, para nos tornarmos o botânico de verdade desse terreno, que pode ser o jardim mais lindo de nossas vidas. É igual a essa recordação que eu tenho do Jardim Botânico aqui em São Paulo. Eu queria tanto viver no meu interno as sensações que eu tive lá: a beleza, a organização, a força viva de tudo aquilo bem cuidado. Certamente, as ervas daninhas e pragas estão super sob controle lá, porque há conhecimento sobre esses pontos negativos. E a gente precisa também ter esse conhecimento. Penso que o processo interno é muito próximo a essa imagem do botânico, do verdadeiro cientista de um jardim, porque estamos falando da ciência do conhecimento de si mesmo. Não é à toa que a imagem é muito boa, para mim pelo menos é muito clara. É um conjunto de conhecimentos e ferramentas que vão formando a capacidade de deixar de ser apenas um observador e nos dá esse poder de determinar como floresce, como cresce e como se reproduz esse jardim maravilhoso que cada um de nós pode cultivar em si mesmo, com consciência. A nossa mente é o jardim botânico mais complexo e valioso que existe. Os conhecimentos logosóficos são como sementes que podemos ir plantando nesse jardim, fazendo-as desenvolverem-se em pensamentos e forças potentes para tornar esse jardim cada vez mais saudável e exuberante. Os pensamentos que aprendemos a cultivar são a água e os nutrientes, e agora temos que olhar as deficiências psicológicas, que são, obviamente, as ervas daninhas e as pragas desse jardim. Quando eu olho tudo isso, a sensação que eu tenho — e eu me guio muito pelas minhas sensações — é que é muito diferente uma vida em que a gente apenas deixa as coisas acontecerem e uma vida com o conhecimento. No meu jardim interno, pelo menos, eu continuo sem entender dos jardins de plantas, mas a sensação que eu tenho hoje de já ser um pequeno botânico, de já conhecer a base dos processos do meu mundo mental, de conhecer uma boa parte dos seres que habitam meu jardim, a sensação é muito boa. Por quê? Porque eu deixei de ter o sofrimento que tive durante muito tempo, que era o sofrimento simples de ignorar as causas do que ocorre no meu mundo interno. É como se a gente pudesse escolher utilizar um método como esse que a Logosofia apresenta para cada um se tornar o cientista, o especialista. O método logosófico entrega as ferramentas, exatamente como as que o botânico usa. A gente tem à mão as ferramentas para dominar, pelo conhecimento, esse jardim maravilhoso. Cada um pode olhar para o seu jardim interno agora. O que você vê? É um terreno que está em boa parte abandonado? É um gramado com algumas ervas daninhas? Tem flores murchando? Pois é. Por outro lado, a Logosofia não oferece um jardim pronto, não é isso. Não é estalar o dedo e "eu já quero um jardim pronto". Mas ela oferece algo muito mais poderoso: as ferramentas e o conhecimento para a gente cultivar esse jardim lindo que cada um de nós pode ter, com muitas flores e plantas lindas. Isso garantirá, cada vez mais, que mesmo que algumas flores murchem por várias razões na vida, o jardim estará sempre lindo e florido, para garantir nosso equilíbrio, nossa alegria e nossa felicidade de viver. Boa leitura, boas reflexões, fique bem e até o próximo podcast.